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ESTRUTURA MODULAR DOS CURSOS PROFISSIONAIS

A ESTRUTURA MODULAR: DESENVOLVIMENTO TEÓRICO

ESTRUTURA MODULAR DOS CURSOS PROFISSIONAIS

Organização do currículo

Unidades de formação limitadas no tempo e no conteúdo

Sim

Gestão do currículo Organização flexível de diferentes módulos

Sim

Objetivos e conteúdos

Padronização dos conteúdos e objetivos de aprendizagem

Sim

Instrumentos de avaliação

Padronização dos métodos de avaliação das aprendizagens

Não

Avaliação das aprendizagens

Orientação para os resultados Não

Certificação Certificação de cada módulo de formação

Sim

Alunos/formandos Ausência de restrições à possibilidade de entrada e saída dos participantes

Não

Oferta de formação

Ausência de restrições às opções de oferta de módulos por todo o tipo de instituições de formação

Não

Em síntese, tendo em consideração o quadro de referência, é possível posicionar a estrutura modular dos cursos profissionais, utilizando como base o trabalho de Pilz (2002a, 2002b), que identificou critérios e indicadores para caraterizar uma estrutura modular ideal, no sentido weberiano. Como se verifica pelos dados da Tabela 1, a estrutura modular dos cursos profissionais parece tratar-se de uma “modularização moderada” (Pilz, 2002b, p.30). Na verdade, a estrutura modular dos cursos profissionais é constituída por unidades de formação (módulos), com conteúdos de aprendizagem e/ou competências limitados na abrangência e um tempo definido para cada uma. Aparentemente, é permitida uma organização flexível dos diversos módulos. Os conteúdos e objetivos de aprendizagem, especificados no descritor do módulo, apresentam um elevado grau de padronização, na medida em que são definidos centralmente. No entanto, há liberdade de escolha dos métodos de avaliação da aprendizagem pelo professor. Esta não é orientada para os

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resultados, visto que a classificação modular considera todos os elementos recolhidos pelo professor ao longo do processo de aprendizagem. Cada módulo concluído é certificado de forma autónoma e dispõe de um valor específico no sistema de educação e formação ou no mercado de trabalho. Por outro lado, há algumas restrições quanto ao ingresso dos alunos na estrutura modular, como, por exemplo, condições ou requisitos prévios de matrícula e frequência. Por último, existe regulação central da oferta de formação, carecendo qualquer entidade de autorização para oferecer cursos com organização modular.

3. Planificação e desenvolvimento do ensino e da aprendizagem na

estrutura modular

Os princípios construtivistas, incluindo a aprendizagem significativa, em que assenta a estrutura modular dos cursos profissionais, têm impacto na planificação, realização e avaliação do processo de ensino e aprendizagem. Assim, neste capítulo, de acordo com o quadro de referência (pág. 8), analisam-se as condições específicas que a estrutura modular exige ao nível do desenvolvimento curricular, da planificação do ensino e da aprendizagem, da exploração dos saberes prévios dos alunos, do respeito pelo seu ritmo de aprendizagem, da valorização de estratégias de aprendizagem cooperativa em sala de aula, da relação pedagógica, da avaliação das aprendizagens e da progressão dos alunos.

3.1. Desenvolvimento do currículo: articulação com o perfil profissional e o perfil de formação

Os cursos profissionais, além de certificação académica, atribuem uma qualificação profissional13, pelo que a organização da formação e o desenvolvimento curricular da estrutura modular devem ter em consideração dois referenciais − os perfis profissionais e os

13

Até 2010, os cursos das escolas profissionais enquadravam-se, na sua maioria, no nível III de qualificação, estabelecido na Decisão n.º 85/368/CEE, do Conselho Europeu, de 16 de julho, publicada no Jornal Oficial das

Comunidades Europeias, n.º L 199, de 31 de julho de 1985. Contudo, a partir de 1 de outubro de 2010, o ensino

secundário completo obtido por cursos de dupla certificação, como o ensino profissional, passou a ser catalogado com o nível IV, de acordo com a Portaria n.º 782/2009, de 23 de julho.

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perfis de formação −, consoante a Figura 2. O perfil profissional define-se como a descrição das competências, atitudes e comportamentos necessários ao exercício de um grupo de profissões afins, considerando, simultaneamente, as dimensões profissional, pessoal e social da intervenção dos profissionais desse grupo (NACEM, 1993). Por sua vez, o perfil de formação constitui a tradução do perfil profissional em conteúdos de formação, desenvolvendo-se nos planos de estudos dos diversos cursos, de acordo com a Tabela 2.

Figura 2 – Concetualização modular ideal (NACEM, 1992).

Os planos de estudo englobam três componentes – sociocultural, científica e técnica, tecnológica ou artística – formadas por disciplinas, constituídas por módulos. Desde 2004, a referência temporal dos cursos é de 3 100 horas para o conjunto dos três anos, consoante a Tabela 3 apresenta, a ser gerida de modo flexível pelas escolas, salvaguardando o equilíbrio anual, semanal e diário. Para efeitos de conclusão do curso com aproveitamento, os alunos devem apresentar uma assiduidade não inferior a 85% da carga horária de cada módulo e a

Suporte temático organizador Principais finalidades/competências do curso

 Perfil profissional

 Perfil de formação

Os grandes temas abrangentes/Grandes projetos/Grandes unidades curriculares

 Macromódulos

Para cada tema/projeto/unidade, diferenciação dos vários domínios de saberes autónomos: áreas pluri/trans/unidisciplinares – os Módulos D1 D2 D2 m1 m2 m3 Macromódulo pluridisciplinar D1 D2 D3 D4 m1 m3 m2 m6 Macromódulo integrado D2 m3 Módulo unidisciplinar

Diferenciação progressiva em unidades modulares elementares Nível macro Nível micro Nível meso N ív eis d e co n ce tu aliz açã o m o d u lar

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95% da carga horária da formação em contexto de trabalho, ainda que tenham sido consideradas justificadas as faltas dadas além dos limites atrás referidos.

Tabela 2

Matriz modular dos planos de estudo dos cursos profissionais (NACEM, 1992)

Disciplina

Componente

Disciplina 1 Disciplina 2 (…) Disciplina 3 Disciplina 4 (…) Disciplina 5 Disciplina 6 (…)

Sociocultural Módulo 1 Módulo 1 Módulo 2 Módulo 2 (…) Científica Módulo 1 Módulo 1 Módulo 2 Módulo 2 (…) (…) Técnica, tecnológica e artística Módulo 1 Módulo 1 Módulo 2 Módulo 2 (…) (…)

Uma das caraterísticas da estrutura modular – a sua flexibilidade – potencia uma grande adaptabilidade dos módulos ao projeto educativo, pelo que cada escola pode adequar a organização e o desenvolvimento dos módulos às condições e caraterísticas do curso, dos alunos, do meio e do tecido socioeconómico.

Desta forma, as soluções preconizadas são diversas, tendo como objetivos evitar a atomização do saber que a modularização pode implicar, promover a integração dos conhecimentos, das capacidades e das atitudes, efetuar uma gestão diversificada dos ritmos de aprendizagem dos alunos, evitar a duplicação e a repetição ao nível dos conteúdos e, de um modo geral, dar resposta às finalidades e competências dos cursos de uma forma integrada, no sentido de a tornar mais significativa para os alunos (NACEM, 1993).

Estas soluções são apresentadas na Figura 2, podendo englobar: i) macromódulos, ou seja, módulos integrados por diferentes disciplinas, em que as fronteiras científicas e metodológicas entre elas desaparecem; ii) módulos pluridisciplinares, nos quais existe articulação entre os conteúdos de diversas disciplinas, mas que conservam as fonteiras entre elas; iii) módulos resultantes da fusão de vários módulos de uma mesma disciplina. Em

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segundo lugar, podem ser criados módulos intercalares, tendo em vista a recuperação de conhecimentos prévios ou o aprofundamento e enriquecimento do currículo. Em terceiro lugar, a escola pode reorganizar a sequencialidade interna do percurso modular, considerando critérios longitudinais ou transversais do currículo. Finalmente, a escola pode optar por manter os módulos unidisciplinares.

Tabela 3

Matriz curricular dos cursos profissionais (ANQ)

COMPONENTES DE

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