Nas rodas das irmandades: práticas e representações de poderes
3.1 Dos cargos das Mesas dirigentes
Consideramos a produção de cargos como instrumentos para o exercício do poder, com a formação de posições, com parâmetros e funções específicas. Por isso, listamos e analisamos quais foram os cargos existentes nas irmandades religiosas da Prelazia do Cuiabá, para compreender esse quadro de funções confrariais interdependentes e que compunham as Mesas de direção dessas associações. Um cargo não se encerrava em si mesmo, pois dependia da existência de outros para desempenhar sua função, e eram legitimados pelo reconhecimento dado pelos demais membros confrariais. Cada campo confrarial apresentou-se como uma rede de homens e grupos sociais interligados, agindo em conjunto ou em oposição uns aos outros521.
As Mesas diretoras possuíam função administrativa, da gestão quotidiana dessas associações. As Mesas chamavam a si a resolução dos principais assuntos confrariais. Da mesma forma, elaboravam padrões de admissão e de exclusão das irmandades, que condicionaram substancialmente a sua composição social522.
Na direção das irmandades aparecem os cargos de juiz e provedor. Eram cargos com funções similares, apesar dos nomes diferentes, adotados em cada irmandade, mas considerados como o de maior importância e distinção. O juiz era considerado a cabeça da confraria, e os demais irmãos compunham seu corpo, ganhando grande destaque na realização das festas dos santos padroeiros. Apesar desse papel, não podia resolver tudo sozinho, pois precisava do consentimento dos demais oficiais, principalmente nas decisões acerca dos gastos que eram tomadas nas sessões da Mesa, com a votação dos presentes. Caso contrário, o juiz seria considerado “despótico”, e a Mesa não reconheceria os gastos efetuados por ele no ano de seu mandato523.
O provedor presidia a Mesa, tendo o poder do voto de decisão em situação de empate nas votações. Competia a ele dirigir os trabalhos, manter a ordem e ficar atento àqueles que excedessem os limites da moderação e prudência. Podia também convocar a Mesa todas as vezes que achasse necessário, como dirigir as festas e decidir
521 ELIAS, 2001, p. 133-134.
522 PENTEADO, Pedro. Confrarias. In: In: AZEVEDO, Carlos Moreira. Dicionário de História Religiosa de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores, 2000, p.459-470.
523 Capítulo 9º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 07, folhas 176-184. Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário novamente ereta pelos irmãos da Irmandade nesta freguesia de Vila Bela da Santíssima Trindade, Bispado do Rio de Janeiro. Vila Bela da Santíssima Trindade, 13 de julho de 1765.
provisoriamente por algum assunto urgente, mesmo sem a reunião da Mesa, mas apresentando depois aos demais irmãos de Mesa a prestação de contas524.
Para ocupar esses cargos, o confrade deveria ser reconhecido como “uma pessoa da maior qualidade, autoridade, reputação e virtude” 525. Ele era o presidente dos atos representativos da associação. Podia mandar assentar, votar e desempatar votações, sendo substituído pelo escrivão quando precisasse se ausentar. O provedor presidia, portanto, a irmandade em todas as reuniões de Mesa, exceto na eleição dos oficiais da Mesa, em que podia dividir a presidência com o reverendo Vigário da Igreja, para comunidade na ala da mão direita, como é costume nesta terra observado”526.
Nas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos Forros de Vila Bela e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da Vila do Cuiabá, durante a eleição para a Mesa dirigente, escolhiam ocupantes dos cargos de rei e rainha. Os eleitos eram responsáveis pela realização da festa em honra à padroeira. Ao rei não cabia apenas um posto honorífico nas festividades. Estava incumbido do voto de desempate nas votações da irmandade, juntamente com o Reverendo Vigário da Vara e da Igreja da comarca eclesiástica527. Na vila-capital, ao rei e à rainha coube também a obrigação de darem de esmola o valor de quinze oitavas de ouro para a realização das festas528. Apenas na
524Capítulo 13º. Cf. ACBM/IPDAC Pasta 178 – nº 2099B Caixa 40. Livro de Compromisso da Irmandade do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Em anexo, solicitação de confirmação do Compromisso (10 jul. 1820), Confirmação de D. João VI (17 abr. 1821), Termo de aceitação pelos Irmãos da Irmandade. Rio de Janeiro, 17 de abril de 1821.
525 Capítulo 14º. Cf. ACBM/IPDAC Pasta 178 – nº 2099B Caixa 40.
526 Capítulo 12º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo.
Livro 297, folhas 27-30. Compromisso da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, Bispado do Rio de Janeiro. Provisão de confirmação de 25 de novembro de 1767;
Capítulo 12º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo. D.
Maria I. Livro 11, folhas 55-64. Compromisso da Irmandade do Santíssimo Sacramento de Vila Bela da Santíssima Trindade, capital da Capitania de Mato Grosso, Bispado do Rio de Janeiro. Provisão de confirmação de 23 de março de 1781.
527 Capítulo 2º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 11, folhas 75-80. Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Vila Bela da Santíssima Trindade, capital da Capitania de Mato Grosso, Bispado do Rio de Janeiro.
Vila Bela da Santíssima Trindade, 01 de junho de 1779; ANTT – Chancelaria de D. Maria I. Livro 21, folha 35 v. Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Vila Real do Bom Jesus do Cuiabá. Provisão de confirmação do seu compromisso. Lisboa, 10 de janeiro de 1783.
528 Capítulo 3º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 11, folhas 75-80. Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Vila Bela, relacionada aos cativos, não encontramos a menção aos cargos de rei e rainha nos seus estatutos529.
Esses cargos eram representativos de lideranças das comunidades confrariais.
Além dos aspectos mencionados relacionados à direção e ao poder de decisão, coube destaque o peso que essas funções tinham enquanto prestígio e status de diferenciação dentro das irmandades e do meio social, sobretudo porque eram os que ficavam em evidência nas festas, celebrações, procissões públicas e demais funções da associação.
Geralmente as irmandades tiveram três livros principais, que facilitaram sua organização. O primeiro destinava-se ao registro das entradas dos irmãos, bem como do pagamento das entradas, anuais e esmolas. O segundo servia para anotações sobre as eleições, constando dos nomes dos candidatos e dos oficiais eleitos. O terceiro livro registrava todo o rendimento da irmandade, da fábrica da igreja, constando a relação de receitas e despesas: pagamentos de todas as taxas e esmolas; doações e legados testamentários; rendimento da fábrica da igreja; inventário do patrimônio confrarial;
gasto com festas e outras despesas dos serviços religiosos; pagamentos diversos530. O cargo de secretário ou escrivão substituía o de provedor ou juiz no caso de sua ausência ou impedimento, para a realização das sessões das Mesas confrariais.
Contudo, sua principal função era tratar de todas as formas de registro das atividades das irmandades. Em todos os livros, tomava nota das inscrições de entradas, termos de Mesa, atas das reuniões, pagamentos das jóias e anuais e demais escritos formais. Ainda compunha a lista de todos os nomes apresentados para as eleições e também a listagem dos eleitos que divulgava a comunidade. Era importante para a irmandade o bom registro, pois expulsões, cobranças e prestações de contas estavam respaldadas nessas informações, bem como os inventários dos seus bens e alfaias531.
de Vila Bela da Santíssima Trindade, capital da Capitania de Mato Grosso, Bispado do Rio de Janeiro.
Vila Bela da Santíssima Trindade, 01 de junho de 1779.
529 ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 07, folhas 176-184. Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário novamente ereta pelos irmãos da Irmandade nesta freguesia de Vila Bela da Santíssima Trindade, Bispado do Rio de Janeiro.
Vila Bela da Santíssima Trindade, 13 de julho de 1765.
530 Capítulo 13º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo.
Livro 297, folhas 85-88; Capítulo 13º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo. Livro 297, folhas 27-30; Capítulo 7º. Cf. ACBM/IPDAC Pasta 55 – nº 1067.
531 Capítulo 10º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 07, folhas 176-184; ANTT – Chancelaria de D. Maria I. Livro 21, folha 35 v.
Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Vila Real do Bom Jesus do Cuiabá. Provisão de confirmação do seu compromisso. Lisboa, 10 de janeiro de 1783; Capítulo 9º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 11, folhas 75-80; Capítulo 13º. Cf.
ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo. Livro 11, folhas 55-64; Capítulo 15º. Cf. ACBM/IPDAC Pasta 178 – nº 2099B Caixa 40.
O escrivão ou secretário era o responsável pela produção discursiva, da narrativa dos acontecimentos, da dinâmica das associações, seja sobre sua vida econômica, eleitoral, festiva ou celebrativa. Nos compromissos das irmandades de africanos e seus descendentes livres, cativos e libertos, da Prelazia do Cuiabá, estava prevista para exercer essa e outras funções, como tesoureiro e procurador, uma pessoa branca, iniciada no mundo das contas e letras. Sobre este aspecto, João José Reis afirmou que essa presença de brancos nas confrarias das populações de cor, além dos aspectos devocionais, serviu como estratégia de controle sobre cativos e libertos. Para o autor, os pretos os aceitavam para que cuidassem dos livros das associações, por não terem instrução para escrever e contar, para receberem doações ou por imposição das autoridades locais532. Todavia, discordamos de João José Reis, pois a análise de outras tipologias documentais nos mostrou que pretos e mulatos desempenharam essas funções nas Mesas das associações. Muitos deles tinham instrução necessária para o exercício desses cargos, sabendo ler, escrever e contar. Percebemos que os estatutos representaram os aspectos normativos das associações, mas poucos explicitaram a respeito das disputas por posições sociais e prestígio dentro das associações religiosas.
Aos tesoureiros competiam os cuidados financeiros das irmandades, deixando sempre claro a todos através dos inventários quais eram os bens, de ouro, prata, jóias, ornamentos, alfaias e mais utensílios litúrgicos de posse das confrarias no decorrer de seu mandato. Tudo deveria estar em boa guarda e todos os objetos e bens deveriam ter como destino a manutenção das irmandades, bem como a realização de suas principais atividades, quais sejam, as missas, celebrações, festividades e ritos fúnebres de sua competência confrarial. Deveria também receber todo o dinheiro existente no cofre, prestando contas à Mesa e às autoridades civis quando solicitado. Da mesma forma, passavam sempre pelo tesoureiro as entradas e retiradas de valores que compunham o patrimônio financeiro das confrarias. Sempre que a Mesa decidisse por algum gasto, as retiradas eram feitas pelo tesoureiro, que repassava ao secretário todas as informações disponíveis para registro nos livros competentes, bem como avisava aos procuradores sobre as inadimplências dos irmãos devedores, fossem vivos ou falecidos533.
Além desse cuidado com a questão financeira, o tesoureiro era também responsável por acompanhar o trabalho do sacristão, do zelador e do andador, quanto ao
532 REIS, João José. Identidade e diversidade étnicas nas irmandades negras no tempo da escravidão.
Tempo, Rio de Janeiro, v. 02, nº03, 1996, p. 12.
533 Capítulo 11º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 07, folhas 176-184; Capítulo 14º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens.
Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo. Livro 297, folhas 27-30.
preparo do que fosse necessário para a realização do culto divino e com os seus gastos, seja na compra do azeite, cera, incenso, vinho e outras miudezas, que eram considerados gastos comuns, saídos dos cofres da confraria. O tesoureiro deveria prestar contas à Mesa sobre essas movimentações e sobre as finanças da associação534. Todo o patrimônio financeiro da confraria era registrado em seu inventário. Na ausência do tesoureiro eleito, a Mesa poderia nomear um tesoureiro substituto535.
Especificamente com relação à Irmandade de Santo Antônio, como uma associação considerada como “debaixo da proteção régia”, seus rendimentos ficaram sob a guarda da Provedoria da Fazenda Real. Esta instância conservou suas esmolas e anuais em cofre e livro separado daqueles que eram provenientes dos rendimentos da Fazenda Real. Além disso, o tesoureiro da Irmandade de Santo Antônio era o mesmo que serviu na Provedoria da Real Fazenda536.
Como era grande a tarefa de zelar pelos rendimentos da Provedoria da Fazenda Real, a Mesa da Irmandade de Santo Antônio teve que escolher um irmão para fazer às vezes de almoxarife, auxiliando o tesoureiro. Ele tomou conta dos ornamentos, pratas e móveis, previstos no inventário da irmandade, para sua boa conservação. O almoxarife ainda tinha a responsabilidade de inspecionar o sacristão da igreja, que tinha a função de limpá-la e todos os móveis e objetos em seu interior. Além desse cargo, ainda como auxiliar, um soldado dragão exerceu a tarefa de andador, avisando a todos os membros da irmandade sobre suas atividades537.
Essa diferenciação na guarda dos bens e rendimentos da Irmandade de Santo Antônio nos demonstra como esse grupo tinha especial atenção da monarquia lusitana.
Do mesmo modo como eram zelados os destacamentos, fortificações e capelas militares, a associação religiosa pertencente aos militares representou um importante mecanismo de produção identitária significativa para a reunião dos homens responsáveis pela defesa dos domínios portugueses. Contudo, isso não representou o recebimento de recursos autorizados pela Mesa da Consciência e Ordens.
Os procuradores eram responsáveis por efetuar as cobranças de jóias, mesadas, esmolas, anuais, dívidas e legados deixados em prol da irmandade religiosa. Além do
534 Capítulo 10º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 11, folhas 75-80. Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Vila Bela da Santíssima Trindade, capital da Capitania de Mato Grosso, Bispado do Rio de Janeiro.
Vila Bela da Santíssima Trindade, 01 de junho de 1779.
535 Capítulo 14º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo.
Livro 11, folhas 55-64.
536 Capítulo 8º. Cf. ACBM/IPDAC Pasta 55 – nº 1067. Compromisso da Irmandade Militar de Santo Antônio de Lisboa ereta na capela do mesmo santo de Vila Bela do Mato Grosso. Vila Bela da Santíssima Trindade, 1785.
537 Capítulo 9º. Cf. ACBM/IPDAC Pasta 55 – nº 1067.
serviço de cobrança, inclusive por via de processo judicial, os procuradores ajudavam na compra do que fosse preciso aos serviços litúrgicos e festividades da confraria, cuidando do asseio da capela mor da igreja. Ficava atento às lâmpadas, para que estivessem sempre acesas, guarnecidas com azeite, assim como pela distribuição das opas da irmandade e tochas aos irmãos nas ocasiões em que todos deveriam estar em
“corpo de irmandade”, sobretudo nas festas, procissões reais e rituais fúnebres. O cuidado com a lembrança dos nomes a serem mencionados nas missas pelas almas dos irmãos mortos era também de sua competência538. Os procuradores também tinham a função de observar quais eram os irmãos que precisavam de auxílio, em caso de enfermidade e de pobreza, para que a irmandade pudesse exercer sua função caritativa539. No caso da Irmandade Militar de Santo Antônio de Lisboa, os procuradores cobravam o pagamento dos anuais dos soldados dragões e pedestres540. Diante do conjunto de atribuições do cargo de procurador, ficavam as pessoas ocupantes dessa função isentas do pagamento das taxas confrarias.
Os procuradores entregavam aos tesoureiros aquilo que fosse arrecadado das dívidas, bem como ao escrivão a relação dos pagamentos e devedores para que registrasse essas informações nos livros correspondentes. Ao final de cada ano, o escrivão elaborava uma lista contendo os nomes dos irmãos que se encontravam em dívida com a irmandade, sobretudo com relação aos anuais e mesadas. Tendo essa relação de devedores em mãos, os procuradores buscavam arrecadar os valores pertencentes aos cofres da confraria, fazendo com que muitas vezes se processassem irmãos devedores, tanto os vivos como os já falecidos. Os procuradores das irmandades do Santíssimo Sacramento, por exemplo, rogaram a mercê real de poderem fazer a cobrança com o privilégio da Fazenda Real, para que não faltasse a sustentação anual do sacramento da eucaristia. Numa situação de dificuldade econômica de algum irmão era suspenso provisoriamente o pagamento dos anuais e mesadas, até que o mesmo pudesse se recuperar. Contudo, deveria o confrade remeter à Mesa um requerimento, explicando sua situação econômica, para que fosse avaliada pelos oficiais da irmandade541.
O andador deveria avisar os confrades sobre as atividades da irmandade, com antecedência. Convocaria todos os integrantes com toques de campainha pelas ruas,
538 Capítulo 11º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 11, folhas 75-80; Capítulo 17º. Cf. ACBM/IPDAC Pasta 178 – nº 2099B Caixa 40.
539 Capítulo 21º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo – D. Maria I. Livro 07, folhas 176-184.
540 Capítulo 10º. Cf. ACBM/IPDAC Pasta 55 – nº 1067.
541 Capítulo 15º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo.
Livro 297, folhas 27-30; Capítulo 15º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo. Livro 11, folhas 55-64.
para que participassem das funções confrariais, a exemplo de enterros, celebrações, festas e reuniões de Mesa, recebendo uma gratificação por esse trabalho. Nessas saídas pelas ruas, o mesmo vestia uma opa representativa da irmandade e um chapéu na cabeça. O capelão aguardava sempre os chamados do andador, que o avisava sempre da necessidade de oferta de algum sacramento, seja da eucaristia ou da extrema unção, a algum irmão enfermo ou moribundo e da mesma forma para a encomenda de alguma alma ou acompanhamento de defuntos às sepulturas das irmandades religiosas542.
O andador devia ser um “irmão de boa nota e procedimento”, que teria o aval dos oficiais da Mesa que lhe pagariam para trabalhar pelo tempo de um ano. O andador tinha como incumbência tratar da lâmpada, mantendo-a acesa, além de se ocupar ainda da limpeza do consistório da irmandade, da manutenção da água, que deveria estar limpa, bem como da preparação do espaço celebrativo com os ornamentos e alfaias e objetos litúrgicos. Para as sessões e eleições deixavam pronto papel e tinta543.
Os cargos de sacristão e de zelador tinham funções semelhantes ou mesmo complementares ao do andador. No começo de cada ano, em sessões de Mesa, o sacristão podia ser escolhido para ser pago por um trabalho anual, em que deveria zelar da igreja. Ele tinha que abrir e fechar as portas, cuidando ainda da limpeza do templo, das roupas brancas, alfaias, altares e lugares sagrados. Deveria manter as velas acesas quando fosse preciso, conferindo todos os objetos constantes no inventário da irmandade para se evitar extravios, dando conta de tudo ao tesoureiro544. Na realização de uma devassa no começo do ano de 1770, o vigário da vara e da igreja do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, Vicente José da Gama Leal, verificou que um dos sacristãos das irmandades da igreja matriz, Floriano de Souza Neves, havia cometido um crime de furto. Haviam sido furtados por ele alguns galões que serviam para a guarda de ornamentos sagrados, bem como alfaias que foram utilizados pelo sacristão em “usos profanos”. Contudo, o sacristão mencionado obteve o perdão do Governador e Capitão-General Luís de Albuquerque, em portaria expedida no dia 26 de dezembro de 1788545.
542 Capítulo 20º. Cf. ANTT – Mesa da Consciência e Ordens. Chancelarias Antigas da Ordem de Cristo.
Livro 297, folhas 85-88. Compromisso da Irmandade de São Miguel e Almas da Vila Real do Senhor
Livro 297, folhas 85-88. Compromisso da Irmandade de São Miguel e Almas da Vila Real do Senhor