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FOTO 13 BARRANCO VERMELHO

IX. 3 – Cascalheiras do baixo curso do rio Ivinhema

I.X. 3.1 - Cascalheiras oligomíticas do baixo curso do rio Ivinhema

Poucos afloramentos de cascalho oligomítico estão presentes na área de estudo. Eles limitam-se a exposições na Fazenda Gato Preto, Fazenda Estância Alvorada e Fazenda Silvânia. Neste item optou-se por uma descrição sistemática de

cada perfil. As cascalheiras polimíticas serão tratadas de maneira geral, devido ao maior número de afloramentos.

FOTO 14 - Aspecto de barra de cascalho do rio Ivinhema, junto a ilha Baile.

A melhor exposição dos depósitos de cascalho oligomítico localiza-se próximo à ponte da BR-376, que liga Nova Andradina a Ivinhema, na Fazenda Estância Alvorada (FIGURA IX.5). Neste local o depósito apresenta espessura aflorante de 2,5m, além de um recobrimento arenoso-argiloso com cerca de 3 m de espessura, que constitui o Terraço Alto.

A base da cascalheira é constituída de uma camada de material mais fino, arenoargiloso, mal-selecionada, semelhante ao depósito que recobre o pacote de rudáceos. Não possui estruturas e apresenta cor avermelhada a marro-claro (2,5 YR 3/6). Embora a Formação Caiuá seja descrita na literatura como sendo o embasamento das cascalheiras (GUIDICINI & SILVA, 1972; FULFARO et al., 1983;

STEVAUX, 1992), os sedimentos arenoargilosos aqui descritos representam interdigitações, não tendo sido possível analisar as relações de contato com o substrato.

Sotoposta à camada arenoargilosa, ocorre uma camada de aspecto ondulado, com cerca de 30 a 40cm de espessura, com seixos quartzo e subordinadamente

calcedônia, com classe modal em torno de 1,5cm de diâmetro (eixo maior). Uma camada argiloarenosa, de cor marrom-claro, recobre o nível de rudáceos e faz contato erosivo com a camada superior, podendo indicar uma deposição em bacia de inundação.

Sobre o depósito de transbordamento segue uma camada de areia conglomerática com seixos pequenos de 0,5cm de diâmentro, que podem chegar a 4,0cm, formando seqüências gradativas. Estratificação cruzada de grande porte é bem evidenciada em campo, mostrando os seixos pequenos ocupando os leitos frontais da estratificação. Esta estrutura evidencia alta energia do meio depositante, tratando-se, possivelmente, de depósito de canal e de barra de cascalho (gravel bar).

No topo ocorre uma camada de 1,0m de espessura de cascalho clastos suportados, mal-selecionada, constituída de quartzo como seixos mais grossos, com classe modal em torno de 3,0cm de diâmetro (eixo maior), podendo chegar a 13cm de diâmetro. A disposição caótica dos seixos pode indicar um depósito coluvial, que corresponderia ao depósito de meia encosta da classificação de FULFARO et al.

(1983), cuja origem ocorreu a partir do retrabalhamento das cascalheiras oligomíticas.

Na Fazenda Silvânia, junto ao Terraço Médio (FIGURA IX.2 e IX.6), ocorrem vários afloramentos da cascalheira oligomítica. Neste item foram descritos dois desses afloramentos, distantes um do outro em cerca de 100m.

O primeiro (FIGURA IX.2) possui espessura de 1,7m. O cascalho faz contato erosivo na base com depósito alterado argiloarenoso, de coloração marrom-clara a amarelo-escuro (10YR6/8 e 2,5YR6/8). É possível que a camada da base corresponda à Formação Caiuá, embora a pequena exposição não permita afirma-lo com certeza.

O cascalho sobreposto à camada alterada da base é constituído por seixos de quartzo que exibem uma nítida gradação normal (fining upward), indicando perda da competência da corrente. O material é mal-selecionado, bem arredondado, com seixos discóides (na maioria), placóides e alongados. A classe modal gira em torno de 5,0cm de diâmetro (eixo maior) na base da seqüência, podendo atingir 20cm; no topo a classe modal é de cerca de 3,0cm. A ausência de estruturas e a distribuição caótica dos seixos indicam, tratar-se possivelmente, de um depósito coluvial, semelhante ao descrito anteriormente (depósito de Meia Encosta, de FULFARO et al., 1983). No

FIGURA - IX.5 - Perfil faciológico vertical descrito na localidade Fazenda Estância Alvorada.

A G

G SX 1

0 2 3 4 5 6 7 (M)

Fluxos torrenciais

Depósito de transbordamento Canal

Canal

Fluxos torrenciais Colúvio

Barra central de canal Colúvio

Colúvio

Canal

topo os rudáceos fazem contato erosivo com um depósito argiloarenoso do Terraço Médio.

Em outro afloramento na mesma localidade (FIGURA IX.6), a cascalheira apresenta-se interrompida por uma camada argiloarenosa, com presença de areia, tornando-se conglomerática no topo, de cor avermelhada a marrom-clara. Os clastos da base são mais grossos, com classe modal em torno de 7,0cm de diâmetro e com imbricação na direção da paleocorrente. Os seixos são formados exclusivamente de quartzo com pouca matriz argiloarenosa, ocupando os espaços entre os clastos, indicando tratar-se de preenchimento pós-deposicional, em virtude da semelhança com a intercalação argiloarenosa sotoposta.

O cascalho do topo é formado por seixos da mesma constituição daquele da base. Apresenta diâmetros médios em torno de 2,0cm na base a 4,0cm na parte mediana da camada. Este nível de cascalho mostra gradação inversa na base e normal no topo, indicando variações na competência da corrente. Depósito argiloarenoso de cor avermelhada a marrom-clara, semelhante à intercalação de argilito, recobre a cascalheira e representa o sedimento do Terraço Médio.

Apesar de não dispormos de afloramentos maiores no local, estes indicam, possivelmente, depósitos de canal, seguidos por deposição coluvial, possivelmente em clima semi-árido. A alternância de gradação dos clastos do topo pode indicar deposição em barras centrais de canais, porém sempre em regime de alta energia em canais entrelaçados (braided).

Na Fazenda Gato Preto, próximo ao limite norte da área de estudo, aflora junto à margem do rio Ivinhema, um depósito com cerca de 2,5m de espessura de cascalho oligomítico fazendo contato nítido com a Formação Caiuá na base (FIGURA IX.1). Os primeiros 10 centímetros são formados de cascalho arredondado, com predomínio de matriz arenosa (areia fina), de cor avermelhada (2,5 YR 4/8).

Sobreposta a essa camada, com contato transicional, segue uma seqüência de camadas com granodecrescência ascendente, com espessura de 2,4m. Na base dessas seqüências são visíveis estratificações plano-paralelas, indicando assim pulsos lentos de movimentação de materiais, possivelmente em condições de umidade concentrada.

Os seixos são arredondados, com diâmetros médios em torno de 1,5cm nos topos a 3,0cm nas bases das camadas que compõem as seqüências. Em toda a seqüência

ocorre o predomínio de matriz arenosa, de cores avermelhadas no topo a cinza na base (2,5YR4/8 e 10YR6/8).

A disposição caótica dos seixos, combinada à grande quantidade de matriz e à seqüência de gradações normais com estratificação plano-paralela, parece indicar uma deposição coluvial, possivelmente correlacionada com os depósitos de Meia Encosta de FULFARO et al. (1983). Esta deposição teria ocorrido em pulsos, durante chuvas concentradas, que possibilitaram a deposição desse material. A posição desse depósito junto à margem atual do rio Ivinhema e em posição topográfica mais baixa, quando comparado às demais cascalheiras oligomíticas, reforça essa hipótese.