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10 ANÁLISE DA TERMINOLOGIA UTILIZADA PELOS

10.2 CASOS DE MONOSSEMIA DO EMISSOR E POLISSEMIA DO

Exemplo 1: Fórmica Líquida, Gofratto

Estes termos, segundo análise feita no exemplo 6 do caso anterior, além da relação de sinonímia, também possuem características monossêmicas para os arquitetos/emissores na elaboração da mensagem e características polissêmicas para os marceneiros/receptores na interpretação da mensagem.

Quando o arquiteto/emissor registra nos documentos os termos Fórmica Liquida e/ou Gofratto para designar o produto utilizado como acabamento em pintura, considera-o completo e suficiente no que diz respeito ao aspecto designativo e conceitual. No entanto, no campo da produção de mobiliário, o produto designado por estes termos tem

subclassificações, que por sua vez, também possuem suas respectivas denominações terminológicas, o que gera dúvidas e incertezas na interpretação feita pelos marceneiros/receptores.

Para o arquiteto/emissor, portanto, os termos são monossêmicos, pois abrangem todas as denominações possíveis do termo, sem possibilidade de outras interpretações. Parece que para o emissor a distinção se a laca é texturizada ou microtexturizada é desnecessária ou é desconhecida por ele. Por isso a monossemia.

Fórmica Líquida Laca ou acabamento PU Texturizado ou Microtexturizada

Gofratto Laca ou acabamento PU Texturizado ou Microtexturizada

No entanto, quando a informação chega ao receptor, este termo adquire características polissêmicas, pois não contempla a especificação que define se é o produto texturizado ou o microtexturizado. Neste caso, temos um termo que possui várias interpretações.

Fórmica Líquida Laca ou acabamento PU Texturizado Laca ou acabamento PU microtexturizada

ou

Gofratto Laca ou acabamento PU Texturizado Laca ou acabamento PU Microtexturizada Nestes casos, a polissemia tem sua origem na forma incompleta dos termos Fórmica Líquida e Gofratto.

Para os profissionais de marcenaria, que interpretam as informações, os termos Fórmica Líquida e Gofratto apenas determinaram que tipo de material deve ser utilizado no acabamento de pintura (laca ou acabamento PU), sonegando as especificações ulteriores. A omissão do atributo que informa se é texturizado ou microtexturizado induzirá o marceneiro a buscar complementações necessárias ao entendimento correto do conceito. Este processo, segundo dados dos questionários, envolve o contato com o responsável pela elaboração dos documentos (arquiteto) ou com o cliente.

O exemplo permite identificar que a comunicação, empregando termos banalizados, é parcialmente comprometida, tendo em vista a possibilidade de determinar qual o produto a ser empregado. No entanto, para isto é necessário um esforço por parte do marceneiro

Para suprimir a característica polissêmica do termo, tornando a comunicação mais clara e concisa, o emprego das formas padronizadas elaboradas pelas respectivas empresas produtoras pode ser a alternativa mais adequada.

Exemplo 2: BP Prestige

O termo BP Prestige foi classificado pelos marceneiros, segundo os critérios estabelecidos no questionário, como incompleto. Esta classificação justifica-se pela ausência nesta expressão do atributo que determina o tipo de substrato (painel) a ser empregado com o revestimento BP Prestige. Do ponto de vista do arquiteto, o termo BP Prestige é um tipo de revestimento aplicado exclusivamente sobre painéis MDF. No entanto, para o marceneiro, este revestimento pode ser empregado sobre painéis de MDF, MDP ou aglomerado.

O fenômeno da polissemia surge porque o termo BP Prestige, designado desta forma pelo arquiteto, possui um amplo espectro de significados para o marceneiro, uma vez que inclui todos os tipos de substratos possíveis de serem aplicados.

Para o arquiteto/emissor, o termo BP Prestige é monossêmico, pois engloba apenas o substrato painel de MDF, sem a possibilidade de outros tipos de interpretação.

BP Prestige Painel de MDF com acabamento BP padrão Prestige

No entanto, ao chegar a informação junto ao marceneiro/receptor, este termo é destituído da característica monossêmica, uma vez que passa a contemplar todos os tipos de painéis (substratos) que podem receber o revestimento BP Prestige. Assim, o termo, para o marceneiro/receptor, adquire características polissêmicas, justamente pelas várias possibilidades de interpretações originadas pela incompletude denominativa do termo. O arquiteto, ao não informar o atributo designativo do respectivo substrato (painel de MDF, MDP ou aglomerado), faz com que o marceneiro/receptor interprete o termo de três maneiras.

BP Prestige Painel de MDF com acabamento BP padrão Prestige

Painel de MDP com acabamento BP padrão Prestige

Painel de Aglomerado com acabamento BP padrão Prestige Desta forma, para os profissionais de marcenaria com mais experiência e razoável bagagem de conhecimentos dos materiais disponíveis no mercado para a fabricação de mobiliário surgirão dúvidas sobre o substrato a ser utilizado. Por outra perspectiva, também são encontrados profissionais neste ramo, que, por motivos diversos, desconhecem o significado da sigla BP (Baixa Pressão), associando-a a apenas um determinado produto (Painel MDF) e desconhecendo o seu real significado.

No âmbito da fabricação de mobiliário sob medida, a questão supracitada de polissemia é minimizada pelo predominante domínio do painel de MDF na atualidade. As intensivas campanhas publicitárias para a divulgação desta matéria-prima como excelente material para a fabricação de móveis, aliada a má fama adquirida pelo seu antecessor, painel de aglomerado, proporcionaram a disseminação e aplicação do material de forma generalizada. Estes fatos extralingüísticos influenciaram a dedução, no nível conceitual, de que seja o painel de MDF o substrato a ser utilizado com o revestimento padrão BP Prestige na expressão analisada.

Assim, o predomínio do MDF induz, invariavelmente, o marceneiro a concluir ser este o material a ser empregado. No entanto, esta interpretação pode estar incorreta. No caso de dúvidas, estas são sanadas por meio de consulta direta ao responsável pela elaboração dos documentos (arquitetos), como é possível constatar nas respostas do questionário.

Percebe-se que a utilização de formas incompletas no registro das terminologias compromete parcialmente a comunicação entre arquitetos e marceneiros. As possíveis interpretações podem ser minimizadas pelo contexto em que estão inseridos e pelo contato entre o arquiteto e o marceneiro. No entanto, se a polissemia for eliminada, não haverá necessidade deste esforço e o erro de interpretação será minimizado. Exemplo 3: MDF na cor Imbuia

O termo MDF na cor Imbuia é outro exemplo que segue as mesmas características do anterior. Este termo foi classificado pelos

marceneiros, segundo os critérios estabelecidos pelo questionário, como um termo incorreto. Neste caso, o painel de substrato está indicado como <MDF>, mas a denominação <na cor Imbuia> está registrada de forma incorreta. Na verdade, MDF na cor Imbuia é uma matéria-prima inexistente no mercado, o que justifica a classificação de incorreta pelo marceneiro.

Para o arquiteto/emissor, este termo é monossêmico correspondendo apenas ao seguinte conceito.

MDF na cor Imbuia Painel de MDF com revestimento BP padrão Imbuia

Analisando o termo conforme seu registro e em relação ao respectivo objeto a que faz referência, é possível verificar que a forma de especificar o revestimento do painel <na cor Imbuia>, por estar incorreta, induz o marceneiro/receptor a outras interpretações do mesmo termo caracterizando a polissemia.

A dúvida para o marceneiro/receptor tem origem nas diversas possibilidades que um painel de MDF pode ser revestido para ter um acabamento com padronagem que se assemelhe a madeira de imbuia.

Conforme ilustrado abaixo, na indústria, é possível encontrar painéis revestidos com BP padrão Imbuia, painéis revestidos com lâminas naturais de madeira de imbuia e painéis com revestimento FF também padrão imbuia. Acrescenta-se ainda a estas possibilidades, o revestimento com laminados de alta pressão padrão imbuia adotado nos processos manuais.

MDF na cor Imbuia Painel de MDF com revestimento BP padrão Imbuia

Painel de MDF com revestimento FF padrão Imbuia

Painel de MDF com revestimento de Laminas Naturais de madeira de Imbuia

Painel de MDF com revestimento de laminado de alta pressão padrão Imbuia

A forma incorreta para registrar o revestimento produz, neste caso, quatro possibilidades de interpretação para um mesmo termo. No entanto, a característica polissêmica do termo MDF na cor Imbuia, monossêmico para o arquiteto/emissor, tem suas variáveis interpretativas controladas por fatores extralingüísticos. Assim como o

painel de MDF atualmente predomina na produção de mobiliários sob medida, os revestimentos de BP também estão se consolidando em função das vantagens que proporcionam no processo produtivo. Este fator leva o marceneiro a entender que o segmento <na cor Imbuia> significa <com revestimento BP padrão Imbuia>, reduzindo a polissemia.

O emprego do termo da forma como foi coletado, associado ao contexto onde está inserido, apesar de permitir várias interpretações pelos marceneiros/receptores, não compromete totalmente o entendimento devido ao fator extralingüístico mencionado. No entanto, este fator é passível de mudanças no decorrer da evolução dos processos de produção de mobiliário.

Como no caso do termo anterior, as dúvidas e incertezas são sanadas por meio de consultas, quando necessárias, ao responsável pela elaboração dos documentos. No entanto, se a forma verbal fosse completada pela informação sobre a que se refere o segmento <na cor Imbuia>, este esforço externo adicional não seria necessário.

10.3 CASOS DE SINONÍMIA DO TIPO HIPERONÍMICA