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6.1.1 Histórico

Antes da Revolução Industrial, quando todo o processo de fabricação dependia só dos artesãos (busca da matéria-prima, planejamento do produto e processo de produção), o domínio da linguagem de especialidade era monopolizado por estes.

Como uma das conseqüências da Revolução Industrial, as atividades de planejamento foram separadas das atividades de produção e matéria-prima, que ainda eram de domínio do artesão, suscitando uma

nova atividade profissional, mas ainda com estreita relação com a produção, utilizando os mesmos códigos.

Após a dissociação da atividade de planejamento, o processo de fragmentação teve seqüência com o desenvolvimento tecnológico das indústrias de matérias-primas impulsionadas pelas necessidades de novos produtos principalmente da indústria de mobiliário em série.

Aproveitando-se das vantagens oferecidas pelos novos produtos, o segmento de móveis sob medida adequou seus processos de produção, objetivando melhorar os produtos fabricados e, conseqüentemente, melhorar a competitividade.

Com a consolidação da indústria de matérias-primas, da atividade de planejamento e a atividade de fabricação de mobiliário sob medida, surge o cenário comunicativo entre três linguagens de especialidades, confluindo na linguagem de especialidade relacionada ao processo produtivo de mobiliário sob medida.

Figura 8: Relação entre as linguagens de especialidade do contexto da pesquisa

Fonte: o autor (2008)

O esquema representado na figura 8 mostra a inter-relação entre as linguagens de especialidade dos arquitetos, dos marceneiros e da indústria compondo a linguagem de especialidades da produção de mobiliário sob medida. Esta linguagem possui uma relação com a linguagem natural.

6.1.2 Linguagem de Especialidade dos Arquitetos

Caracterizada pela linguagem utilizada pelos profissionais de arquitetura no seu respectivo campo. Importante ressaltar que a linguagem da arquitetura é aprendida pelos seus especialistas durante os cursos de graduação, que, em sua grande maioria, não disponibilizam disciplinas específicas relacionadas com o desenho para mobiliário ou sobre materiais e processos produtivos de mobiliários sob medida ou seriados. Na comunicação em questão, a linguagem de especialidade dos arquitetos é adaptada para formular as mensagens que deverão orientar a fabricação de mobiliário sob medida. Esta comunicação apropria-se dos códigos utilizados no desenho técnico arquitetônico bem como suas respectivas terminologias

6.1.3 Linguagem de Especialidade dos Marceneiros

Caracterizada pela linguagem utilizada pelos profissionais (mestres e aprendizes) de marcenaria no desenvolvimento de suas atividades. O processo de aprendizado ocorre por meio de cursos de profissionalização e/ou aperfeiçoamento nos quais os aprendizes ou ingressantes no setor tomam contato com a linguagem de especialidade. O processo mais comum de aprendizado é por meio do “aprender fazendo”, pelo qual o aprendiz ingressa na empresa (marcenaria) como ajudante e no contato com a rotina do trabalho, intera-se com a atividade e sua linguagem. É a linguagem que está mais relacionada com os processos de produção e suas respectivas denominações.

6.1.4 Linguagem de Especialidade das Indústrias

Caracterizada pela linguagem utilizada nas indústrias que desenvolvem e produzem matérias-primas para a produção de mobiliários. Esta linguagem é de todas a que busca ser a mais rígida em sua formação, tendo em vista o fato de que grande parte das indústrias são multinacionais e adotam normas internacionais, mas também apresenta problemas. As especificações relacionadas aos materiais têm sua origem nesta linguagem de especialidade de onde são difundidas para as demais especialidades pela publicidade e propaganda.

As linguagens de especialidades utilizam como códigos os termos, estudados pela terminologia. A complexidade da comunicação entre as três áreas que tiveram sua origem na atividade dos

artesãos, evidência a importância do estabelecimento de um código comum baseado nas terminologias utilizadas pelas três áreas.

7 TERMINOLOGIA

A existência de terminologias específicas dos respectivos campos não é novidade. Segundo Cabré (1993, p. 21):

a terminologia é uma disciplina cujo objeto é o estudo e recopilação dos termos especializados, não é uma matéria que, literalmente, podemos considerar recente; na realidade, só nas últimas décadas tem sido objeto de desenvolvimento sistemático.

Como já mencionado no capítulo dois, no âmbito das atividades desenvolvidas pelos artesãos, dentro das guildas, já era possível detectar a utilização de uma linguagem de especialidade composta por diversos termos exclusivos e restritos dos respectivos campos de atuação.

A sistematização das terminologias e a fixação como ciência são recentes, mas a prática da terminologia é muito anterior (CABRÉ, 1993). Os trabalhos científicos elaborados por Lavoiser na Química ou Linné na Botânica e Zoologia enfatizam o interesse na fixação das denominações dos conceitos.

As mesmas normalizações impostas pela Revolução Industrial às formas de representação do desenho, suscitando o Desenho Técnico como código universal, também exigiu da ciência e tecnologia, com a explosão dos novos conhecimentos, a necessidade de descrição dos termos e o conjunto dos mesmos relacionados as suas respectivas áreas, visando uma segura transmissão e difusão dos conhecimentos.

A linguagem das técnicas não acompanhou o mesmo desenvolvimento da linguagem científica, pois sofria influências significativas dos usuários e de suas respectivas regiões, o que, consequentemente, refletia-se nas traduções dos termos da linguagem de saída em um idioma pra a linguagem de chegada em outro.

O processo da globalização aliado a queda das fronteiras geográficas e idiomáticas e a velocidade do desenvolvimento dos saberes proporcionaram a disseminação de informações por todo o globo. O latim e o grego como línguas universais das ciências perdem a hegemonia e começam a deixar lugar para as novas línguas. Faulstich (2006, p. 27) enfatiza que “[...] a terminologia internacionaliza léxicos de linguagem de especialidade, pois, num mundo moderno, que se desenha multilíngue, a comunicação deve ser rápida e eficiente”.

A terminologia é diretamente afetada pelos campos sociais em que está inserida. As grandes mudanças observadas nos dias de hoje têm imposto mudanças como: elevado surgimento de novos conceitos em função do desenvolvimento da ciência e da tecnologia; aparecimento de novos campos econômicos e suas respectivas linguagens; aumento das relações internacionais (políticas, culturais e econômicas) relacionadas com a globalização; produção seriada originada com a Revolução Industrial; transferência de conhecimento e produtos com a globalização, trazendo consigo a normalização; necessidade de modernizar os sistemas de informação; desenvolvimento dos meios de comunicação em massa, difundindo as novas terminologias, integrando- as as linguagens geral e especializada, e causando a banalização; e produção de termos pelas potências econômicas associados ao desenvolvimento científico e tecnológico, criando uma via de um sentido (CABRÉ, 1993).