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Castelo Negro

No documento Avassalador-Joseane (páginas 74-109)

O povo do norte lutou bravamente na guerra dos Mil Dias. O evento, acontecido há tantos séculos, foi prontamente reconhecido pelo Príncipe Iran de Masha, que assumiu o trono do reino de Bran até Cedric, o príncipe filho do rei morto em Cashel, ter idade para ser coroado.

Assim sendo, o feudo Clark havia deixado às muralhas de pedra do Castelo Negro, e avançado um pouco em direção ao sul.

Ainda dentro dos seus domínios, construíram o Castelo Branco com o total apoio do Rei, e tornaram-se a família mais abastada do norte.

Castelo Negro ficou esquecido, após isso.

Claro, os Clark ainda mantinham gente lá. O lugar era perfeito para criar porcos e ovelhas, era também ponto estratégico para ancorar os veleiros que partiam a Cashel para compra e venda de mantimentos.

De longe, era possível ver o Castelo, tão grande e imponente quando o mar, que se alastrava atrás dele. Negro não era apenas seu nome. O lugar era sombrio de todas as formas.

Cercado pela neve tingida pela escuridão do carvão que alimentava, dia e noite, as fogueiras feitas pelos servos para aquecer; muito próximo do mar, onde era possível ouvir o som das ondas ecoando contra as rochas e alto o suficiente para dar a impressão de que tocava o céu, Castelo Negro se erguia com a imponência da casa de antigos grandes senhores.

Sim, dava medo. Muito medo. Elisabeth abraçou a si mesma observando o ambiente funestos de rostos sofridos, membros do feudo que se aglomeravam em torno da estrada, ao vê-los chegar Os servos encaravam o casal com nítida surpresa, e apenas o administrador das terras encorajou-se a se aproximar.

 — Foi reconhecido como filho de Hor? — o homem parecia surpreso ao ler o documento.

Provavelmente vira Joshua pelas terras dos Clarks em suas idas até o Castelo Branco. Percebeu como era tratado, a maneira como era escorraçado, e jamais imaginou que o garotinho que comia restos um dia seria o Lorde do Castelo em que morava.

 — Elisabeth — apontou a mulher silenciosa atrás de si. — Minha esposa —  explicou. — Poderia nos encaminhar até o Castelo para que possamos tomar posse?

O homem assentiu, imediatamente.

 — Lorde Joshua, desculpe meu atrevimento, mas sinceramente não aguardávamos sua chegada. O lugar está abandonado há séculos. Ninguém pôs os pés dentro do Castelo desde que os Clark foram para o sul.

Joshua volveu para Elisabeth, esperando a reação da mulher. Sentiu-se aliviado quando percebeu seu olhar complacente.

estivesse ali.

 — Não há problema nisso. Queremos nos instalar, e podemos arrumar o local com calma. Está frio e os cavalos precisam de proteção.

O homem concordou imediatamente.

***

 — Nunca pensei que um dia iria morar em um palácio — Joshua murmurou, enquanto observava o enorme salão principal.

Enquanto mulheres e homens adentravam o castelo, zanzando de um lado para o outro com baldes de água quente, buscando organizar o ambiente em tempo propício, sentiu a mão de Elisabeth em seu braço, num conforto mudo.

 — Eu lamento que não tenha um lugar melhor…

 — Estou ansiosa para ajudar — ela cortou. Seu olhar resplandecia alegria. — Sophie me ensinou a limpar, cozinhar e todas essas coisas. Na época era terrível, mas agora me sinto grata. Vou…

 — Lis, você é uma lady — objetou. — Não pode limpar junto com as criadas.

 — É nossa casa, e está imunda — ela devolveu. — Ninguém se importará por eu ajudar — afirmou. — Sei que não conseguiremos deixar tudo limpo hoje, mas, ao menos, o nosso quarto quero conseguir organizar.

O sorriso dela era tão feliz que Joshua se viu a sorrir também. Claro, a mulher usou a descrição “nosso quarto” de forma inocente, mas o sangue de Joshua entrou em ebulição naquele instante.

E se falasse com ela…? Discutissem a possibilidade de o casamento ser real? Ora, se queriam tão bem. Poderiam ter filhos, uma vida afortunada, mesmo que o amor não acontecesse.

Então Elisabeth deu as costas para ele, e subiu pela escadaria. Outras mulheres a acompanharam e ele apenas ficou a admirar as formas, como se o mundo enfim pudesse ter alguma cor.

Quando o sol se pôs, no final daquele dia, tudo que os servos conseguiram arrumar foi o quarto do Lorde e a cozinha.

O dia foi bastante estafante, mas houve uma animação geral do povo em descobrir que os Clark voltavam a residir ali, mesmo sendo esse o filho mais jovem do falecido Lorde um bastardo recém-assumido.

O administrador, Miro, um homem corpulento e de sorriso fácil, conseguiu prontamente duas meninas para servir na cozinha. Depois, aos poucos, Joshua e ele organizariam melhor as coisas naquele pequeno e esquecido lugarejo.

 — Há muitos assaltos na estrada — contou ao rapaz. — Seria bom termos guardas treinados — sugeriu.

Joshua conhecia a arte da luta. Havia sido versado por pura piedade pelos guardas do Castelo Branco. Concordou, e ainda se disponibilizou para treinar cerca de dez homens, que se colocassem ao dispor.

 — Ninguém fala sobre assaltos lá no Castelo Branco — observou. — Tenho certeza de que Andrew não foi informado de nada disso pela mãe.

Miro deu os ombros.

 — O que eu poderia dizer, senhor? Enviei missivas que nunca foram respondidas. Acreditei que os Clark haviam abandonado o Castelo Negro à própria sorte.

Joshua aceitou um copo de hidromel que uma das servas lhe serviu. O lugar, agora, estava bem vazio, apenas Miro e a garota ainda se encontravam no salão.

 — Fomos assaltados, vindo para cá — contou.  — Por Bran! Sério?

 — Estranhamente, devo confessar que minha esposa deu cabo do primeiro homem —  sentiu ímpetos de gargalhar perante o fato. — Matei os outros dois.

Só percebeu o orgulho na voz quando Miro retrucou: — Lady Elisabeth parece tão frágil…

 — Contudo, não há surpresa em sua face diante do que lhe narrei — ressaltou.  — Surpresa por uma mashiana lutar contra bandidos? Ela é era uma Brace, não?  — Sim, era seu nome de família. Agora, é Elisabeth Clark.

 — Os Brace descendem direto de Esmeralda. Claro, nem todos são fortes guerreiros, mas eu jamais duvidaria de alguém com o sangue da antiga Rainha. Minha avó me contava, assim como a avó dela também lhe narrava, que Esmeralda era terrível com uma

espada na mão.

 — Muito se escuta falar sobre isso…

 — Então, Elisabeth pode ter recebido de herança o dom.

 — Não sei, e nem quero descobrir — ele riu. — Prefiro minha esposa protegida dentro do castelo, do que se arriscando por aí.

O homem riu.

 — Recém-casados?  — Sim…

 — Tem muita sorte. É uma mulher de grande valor, logo se nota. Outra, em seu lugar, ficaria sentada esperando que lhe arrumassem tudo. Mas, claramente, Lady Elisabeth resolveu assumir seu próprio destino.

Sim, ele era muito afortunado. Só Bran sabia o quanto.

 — Bom, vou para casa. E, caso já não tenha dito, seja bem vindo ao Castelo Negro, Lorde Clark.

Ouvir aquela saudação pela primeira vez lhe provocou forte ansiedade. Deu-se conta, no entanto, de que não seria mais desprezado por seu sangue. Agora, era respeitado e dono de tudo ali.

Jurou que faria a propriedade prosperar, e daria orgulho a Andrew. Jamais quebraria o voto de confiança que o irmão depositara nele.

Ignorando o incômodo pensamento de que o deixou para trás com Anna, rumou até o quarto.

***

O lugar estava aquecido pelo fogo que crepitava na lareira ao lado direito. Próximo do lugar, Elisabeth penteava os cabelos molhados, tentando secá-los.

Ela havia se banhado, enquanto ele conversava com Miro, percebeu. Apesar do frio enorme, só então dera-se conta de que Elisabeth, ao contrário da maioria das ladys, não fugia da higienização diária com a desculpa da friagem.

O rosto dela voltou-se a ele, e Joshua viu o sorriso lindo, como um convite sem palavras.

Os cabelos úmidos ficavam quase negros ao tom da noite. Porém, a pele pálida, a camisola de algodão quente, e a completa cumplicidade que ela denotava, deu-lhe

confiança de se aproximar.

O tecido não escondia muito. Havia visto o corpo de Lis quando a tomou, no celeiro, mas não parou seu olhar sobre as formas, por respeito. Agora, contudo, não se conteve. A aréola negra que o excitava estava ali, rígida e endurecida pelo frio. Abaixo, o formato ruivo de seus pelos femininos fez a boca dele secar.

 — Estou tão feliz que teremos uma cama quente para nos aquecer — a mulher falou. Seu tom era calmo e confiante. — Depois de tantas noites naquela carroça, enfim… Estamos no nosso lar, Joshua.

A boca dele abriu, e fechou. Como Elisabeth encararia um possível casamento legítimo entre eles? Pensaria ser um capricho do homem, ao qual se submeteria por não ter escolha, ou veria o ato como uma troca de afeto?

 — Lis… — chamou-a. As mãos tremeram. — Onde vou dormir? Por que diabos teve que perguntar aquilo?

 — Eu achei… — Só então o tom dela se tornou vacilante. — Você não quer… —  apontou a cama.

 — Eu…

Calou-se perante as lágrimas orgulhosas que surgiram no olhar feminino, mas que não cairiam porque, acima de qualquer coisa, ela era uma mashiana e não imploraria.

 — Você pode dormir onde desejar — ela despejou, e agora era possível entender um traço de furor.

 — Não a estou desprezando.  — Não estou sugerindo nada.

 — Estou apenas com medo de me impor a você, como um bárbaro — explicou-se. —  Não quero que se sinta obrigada a algo, Lis. Eu a amo, e quero que, caso dividirmos a cama, você o faça por desejo próprio e não porque é uma mulher subjugada a um homem.

Ela se ergueu. As mãos trêmulas tocaram na madeira do dossel.  — Me ama como amiga, não é?

Aquela questão direta quase o tirou do sério.  — Eu…

 — Seu tom indeciso acaba de responder a questão.

Subitamente, Joshua levantou-se e puxou o braço da mulher. Encarou-a com firmeza.  — Minha única indecisão deriva do temor que sinto por sua reação perante as minhas palavras — despejou. — Nunca tive qualquer chance de ser qualquer coisa para ti além de um bom amigo. Porém, Bran agora me deu a oportunidade de ser seu marido. Mesmo assim, o que devo fazer eu, perante os teus sentimentos? Dizer que a quero por esposa, que quero ter filhos contigo, pode te assustar tanto, que jamais a teria novamente, mesmo como amiga. Então, o silêncio não é a resposta mais óbvia? Mais realista? Mais segura?

O olhar arregalado dela fê-lo soltá-la.

 — Eu a amo, Lis — assumiu. — E se tudo que eu terei de ti é amizade, para mim está bem. Tê-la por perto, já me conforta. Receber teu carinho, já é mais do que qualquer sonho que um dia acreditei ter.

Repentinamente, um toque em seu ombro.  — Mas, não sou bonita como Anna…

 — O que sua irmã tem a ver com isso? — indagou. — Se eu fosse Andrew, Lis… Nem por mil Annas te trocaria. Se eu fosse meu irmão, iria te amarrar a mim para sempre. Contudo, não o sou. E você sabe bem disso. Poderia aqui, diante de ti, fazer um teatro, encenando ser um lorde pomposo capaz de conquistá-la. Mas, tu, Lis, sabe que eu era o garoto que roubava comida dos porcos.

Enfim, as lágrimas caíram dos olhos femininos. Ela o abraçou. Joshua não sabia se era por piedade ou amor.

 — E você sabe que eu era a garota que passaria fome se não fosse pela sua coragem em escalar minha janela.

Ele sorriu.

 — Então, Lis… O que você quer fazer?  — Sobre nós?

 — Sobre nós — confirmou.

Aceitaria a decisão feminina, não importasse qual fosse.

 — Eu quero — a voz voltou a ser vacilante, mas ela pigarreou e prosseguiu. —  Quero ser sua esposa, ter seus filhos, e construir um lar ao seu lado.

Aquilo parecia um sonho. Joshua teve medo de acordar.  — E você, Joshua?

Ele riu, baixo. O que importava os sentimentos dela? O amor dela por Andrew? Era ele que envelheceria ao seu lado. Era nele que ela se apoiaria durante toda a vida.

 — Eu te amo — ele reafirmou. — E eu torço para que nosso primeiro filho tenha os seus olhos e os seu cabelo ruivo — brincou.

 — Eu gosto dos seus olhos negros — ela contradisse, sorrindo. — Pode ter também seu nariz e seu queixo quadrado, acho tão charmoso. — Apontou. — Mas, o seu temperamento, oh, não… Seria uma criança muito difícil de criar.

Desejo

Joshua tinha fome nos olhos. Uma febre em explosão, algo que a fazia aquecer e amolecer na mesma medida.

As mãos dele apertaram seu seio. Naquele suspiro, misto de susto e prazer, Elisabeth o encarou, ansiosa por algo além de qualquer palavra.

Estava nua, abaixo dele. As roupas haviam sido arrancadas de si poucos minutos antes. Ele não havia tido muita paciência para sua timidez. Simplesmente puxou a camisola pela sua cabeça, e a jogou no chão. Depois, partiu para as próprias roupas.

Era a primeira vez que Elisabeth via um homem nu. O torso musculoso, coberto de ralos pelos negros, as coxas grossas, os músculos sobressalentes, mas, acima de tudo, aquele membro avantajado, duro, ameaçador, que a fazia sentir ímpetos de sair correndo ao mesmo tempo em que a fazia permanecer ali, parada, ansiosa pelo que ele queria lhe oferecer.

Os dedos de Joshua acariciaram o bico de seus seios. Ela mordeu o lábio inferior, tentando conter a voz de emitir sons vergonhosos. Apertou as pernas, uma contra a outra, lutando para dominar aquele febril pulsar que a tomou de assalto.

Porém, nada conseguiu impedir o grito de prazer quando a língua quente dele enroscou-se em seus seios, passeando pela sua aréola, chupando-a de uma forma que ela

amais imaginou que aconteceria.

Os dedos masculinos, então, desceram mais abaixo, e tocaram sua feminilidade.

Elisabeth suspendeu o ar, enquanto segurava firme os ombros de Joshua. Ele percebeu o nervoso dela, e abandonou seus seios. Observou seu rosto, enquanto fazia carinhos em círculos sobre os lábios ruivos de seu centro.

 — Está tudo bem — murmurou, a voz rouca. — Deixe eu te guiar, Lis… Confie em mim…

Enfiou um dos dedos dentro dela. A ruiva apertou seu ombro com mais força, enquanto o seu olhar afundava-se no dele. O dedo saiu, entrou, saiu e entrou, tantas vezes seguidas que tudo nela se perdia naquelas sensações misteriosas e inexplicáveis.

Então, Joshua se remexeu na cama. Resvalando-se, baixou o corpo, e depois cravou a boca sedenta no seu cerne de mulher.

Elisabeth gritou enquanto ele a sugava, não apenas o líquido que saia de si, mas também a alma dela, seus pudores e suas inquietações.

Nunca pensou naquele ponto de sua vida. Sua parte de baixo era apenas o incômodo aviso mensal de suas regras. Não havia sido feita para prazer. Não para aquele prazer.

 — Joshua! — gritou.

Não aguentava mais aquele tormento. Aquilo era tão deliciosamente pecaminoso que todo o seu senso moral a atingiu. Como poderia haver gozo no leito, quando Sophie a alertou inúmeras vezes que a mulher devia receber seu esposo de boca fechada e evitar incomodá-lo com seus sentimentos?

O quadril ondulou, num gesto irreconhecível. Então, rapidamente, Joshua subiu novamente sobre seu corpo. E tudo nela beirava a loucura. O contato das peles se esfregando, o molhado em sua vagina, o calor que emanava apesar do frio que fazia…

 — Vou enfiar — ele avisou.

Não devia. Ela se retesou, antecipando aquela ardência da primeira vez. Até porque, nem sabia como poderia ter recebido dentro de si algo tão grande e intimidador quanto o membro do marido.

Como ele não a havia rasgado inteira?

Porém, estranhamente, o grito que se seguiu a invasão não foi de dor e sim de prazer. Joshua meteu-se inteiro nela, como um gato larápio a entrar em uma confortável casa.

 — Lis? — ele a chamou, fazendo-a abrir os olhos. Havia medo naquele olhar e ela sorriu.

Não sabia o que dizer a ele, porque não fora educada para aquilo. Não tinha experiência em manter a paixão de um homem, nem nada do tipo. Mas, pela primeira vez na vida, seu instinto a guiou.

Segurando o bumbum duro do homem, ela o apertou contra si, e depois deixou-o afastar-se.

O gesto se repetiu. Vagarosamente, a princípio. Depois, de forma mais rápida, mais urgente, como se eles estivessem correndo contra o tempo, e o tempo estava a vencer o desafio.

Joshua gemia no seu ouvido, e aquilo a atiçou. Era muito bom. Extremamente bom. Por que demoraram tanto a aproveitar aquele ato?

Então, ele começou a se movimentar ainda mais velozmente. Parecia que estava cavalgando, numa corrida. E subitamente, ela sentiu o impacto de um grande feito em sua alma.

Não sabia, ainda. Mas aquele prazer gigantesco, aquele grito mudo, aquela ondulação frequente no quadril, e aquele molhado que Joshua derramou em seu íntimo, era o ápice do sexo, o clímax absoluto que unia as duas almas de maneira incompreensível.

Joshua caiu para o lado. Seu pênis semiereto surgiu, ainda pingando, entre suas coxas.

Lis queria dizer muitas coisas, tocá-lo, agradecê-lo, mas repentinamente, volveu a ele e o abraçou forte.

Um dia ela falaria…

Um dia conseguiria sair das amarras de sua criação e manifestaria todas as emoções que Joshua havia despertado em si.

 — O quão sortuda pode ser uma mulher ao se apaixonar pelo melhor amigo? A pergunta feminina fê-la encarar uma das servas.

Havia acordado sozinha no leito, naquela manhã. Uma gérbera amarela adornava o seu travesseiro, e Lis sorriu, diante do mimo.

Não eram muitas as flores a crescerem naquele solo. Mas, Joshua havia se preocupado em lhe deixar uma mensagem de gentileza antes de sair, para se ocupar com os assuntos do feudo.

Aqueles primeiros meses, anteviu, seriam difíceis para eles. Havia muito a ser feito em Castelo Negro, mas também existia disposição no novo casal, para recomeçarem a vida.

Depois de se arrumar, desceu até a cozinha. O par de servas conversava, animadas, diante de um caldeirão. As palavras interessaram Lis.

 — Suzete e Lucia, não é? — ela apontou, buscando se recordar do nome das mulheres. — Quem irá se casar com seu melhor amigo?

As mulheres sorriram, um tanto acanhadas. Não era costume que ladys se dispusessem a falar com empregadas, mas não resistiram às palavras: — Cresci ao lado de um jovem, Lady Elisabeth — a maior delas explicou. — E ele me propôs casamento.

O tom rubro de seu rosto demonstrava que ela estava feliz pelo acontecimento.

 — Lorde Clark e eu também éramos os melhores amigos, desde a infância — ela contou. — Não é muito melhor passar a vida ao lado de alguém que conhecemos e que nos damos bem, do que encarar o desconhecido?

 — Mas, na verdade, não sei se o amo como homem, senhora. Mais vermelhidão na pele. Lis aproximou-se.

 — Você é Suzete ou Lucia? Perdão. Ainda não marquei os nomes às pessoas — riu.  — Sou Lucia, senhora.

Lis assentiu.

 — Então, Lucia: Uma amizade que sobrevive aos anos, às vezes, esconde mais do que a simples fraternidade em suas nuances. Comparando com os demais homens do feudo, você pensa que seria melhor ficar ao lado do seu jovem amigo, ou dos outros?

A mulher pareceu entender.

Elisabeth sorriu. Aquela faceta de sua personalidade lhe impressionou. Longe de Sophie, enfim, ela parecia estar descobrindo muito de si mesma.

 — Viram meu marido?

 — Estava com o senhor Miro, próximo do celeiro — Suzete contou. Assentindo, Elisabeth caminhou naquela direção.

***

 — Então você acredita que o feudo pode prosseguir sem precisar de investimento do clã do Castelo Branco?

Miro encarou o jovem lorde, e assentiu.

 — Com todo respeito, meu senhor, mas o Castelo Branco nunca fez nada por nós, e ninguém do vilarejo morreu de fome.

Ao longe, as várias casas exalavam fumaça. As pessoas estavam bem alimentadas, assim como os animais. Obviamente, ainda não era um feudo rico ou poderoso, mas ao menos não havia miséria.

 — Fez um ótimo trabalho com os poucos recursos que têm, Miro — elogiou. —  Contudo, vamos fortalecer o que podemos. Consiga alguns homens fortes, criaremos muralhas ao longo do vilarejo. Quero proteger as mulheres e as crianças dos assaltos. E, depois, designa alguns homens para o treinamento armado. As demais pessoas irão trabalhar em conjunto na criação dos animais. Vou enviar um emissário a Cashel para comprar sal. Iremos, a seguir, salgar a carne e vendê-la, para obter mais recursos e investir

No documento Avassalador-Joseane (páginas 74-109)

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