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CATEGORIA 2 (DOIS) O MODELO DA ESCOLA ATUAL

A LEITURA EDUCACIONAL DE TRÊS GESTORES DE ESCOLAS MUNICIPAIS DE ENSINO FUNDAMENTAL NO

4. CATEGORIA 2 (DOIS) O MODELO DA ESCOLA ATUAL

UC - Escola – Dispositivo de “Reprodução social”

UR – Politicagem

UR - Aumento da Demanda de Vagas UR - Projetos Inexpressivos

UR – Desvio de Recursos UR - Falta de Prédios Públicos

UR - Criação de Um Novo Modelo de Escola

UR - Péssimas Condições de trabalho UR - Depósito de Crianças

UR - Capacitação para Professores UC – Escola Descomprometida UR - Escola Excludente UR - Preconceito Docente UR - Ensino Fragmentado UC - Responsabilidade Estatal UR - Pobreza Infantil UR - Professores Sobrecarregados UR - Desestrutura Familiar UR - Violência Doméstica UC - Recuo na Cultura Científica UR - Currículo Desarticulado UR - Necessidade de Apoio

Dessa forma, a categoria 2 (dois), ficou sendo a mais significativa pela sua quantidade de frequência de depoimentos e unidades de contexto. Foram feitas entrevistas a três gestores de Instituições Públicas Municipais-E1, E2 e E3. Sendo que, E1 e E2 são gestores de escolas de pequeno porte e de ensino fundamental I e II. Enquanto que, E3 é gestora de uma escola de grande porte, de ensino fundamental I e II, situada no centro da cidade e com uma clientela mais elitizada.

As entrevistas foram elaboradas com cabeçalhos com o objetivo de conhecer o perfil dos gestores do ponto de vista pessoal e profissional. Só que se fez numa só matriz, com procedimentos que foram semelhantes à linha qualitativa quanto à organização e o reagrupamento. Mesmo assim, buscou-se enumerar por uma questão de uma melhor organização. Na categoria 1 (um) - Perfil Pessoal e Profissional dos Gestores foram organizados os dados da seguinte forma: nome, idade, sexo, profissão, cargo, formação e tempo de serviço.

Observou-se que dois dos entrevistados eram do sexo feminino, o E2 e E3, já o E1, do sexo masculino, com 10 (dez) anos de serviços prestados à educação e experiência no ensino médio com formação e especialização em matemática.

Enquanto que o E2 com 12 (doze) anos de serviços prestados à educação, com experiência em ensino fundamental e médio. Possuindo formação em Letras com especialização em avaliação de ensino. Já o E3, com 10 (dez) anos de Serviço, formação

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e especialização em Biologia com experiência em ensino fundamental I e II.

Após a apresentação da categoria mais significativa, passou-se a fazer a discussão.

Buscou-se unir os pontos convergentes e divergentes no discurso da leitura educacional dos gestores, ora investigados e compará-los com o pensamento da filósofa Olga Pombo, expresso no seu artigo - O insuportável Brilho da Escola.

Percebeu-se que os gestores expuseram os seus pensamentos e citaram questões que remeteram para a “falta de seriedade do Estado para com a Educação”; Que por trás “havia questões político- partidárias;” “Desvios de verbas da Educação;” Não havia verbas para construir mais escolas; “Só investiam em projetos inexpressivos”, onde havia “manual para os professores”.

Citaram ainda que, “as escolas estavam cheias de crianças”, “faltava espaço físico”, “as condições de trabalho eram precárias.” Também que os pais jogavam seus filhos como se a escola fosse um “depósito de crianças”.

A autora do artigo acima citado tratou dessas questões afirmando que em relação à politicagem, onde o poder presta um grande desserviço à educação, “a escola é, sempre foi e dificilmente poderá deixar de ser, um poderoso” aparelho ideológico do Estado.”

Quanto ao aumento da demanda de vagas, tratou da “Transferência para a escola das responsabilidades educativas que naturalmente e desde sempre pertencem à família. Sobre os projetos inexpressivos, ela citou que eles “afastam a escola da sua missão insubstituível – ensinar...é porque se diz educativa que a escola não ensina”.

Observou-se que diante dos enunciados anteriores houve uma unanimidade na leitura dos gestores e do pensamento da filósofa, porém, o E3 acreditou que os projetos eram bons porque já “vinha tudo planejado.” Apenas um gestor pensou diferente. Em relação ao desvio de recursos e falta de prédios, e sugeriu a criação de um novo modelo de escola.

Na citação anterior, a filósofa tratou a escola como aparelho ideológico do Estado. Enquanto que o E2 pediu a criação de um novo modelo de escola. No que ela teve como resposta no seu artigo que “não é a escola que tem que mudar”... “Ela é a palavra que inscreve no caminho sempre para diante da condição humana o retorno comovido aos tesouros do passado, mas também o olhar claro e confiante que garante as condições para construir o futuro”. Assim sendo, o pensamento dela e do E2 divergem.

Quando foi feita alusão às “péssimas condições de trabalho”, “escola como depósito de crianças” e capacitação para professores, houve um pensamento equivalente quando a filósofa se refere a projetos inexpressivos. Em outras palavras quer dizer que, a escola estava/está a serviço dos que estão no poder e que representa o

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seu pensamento. Quanto à UC-4, que tratou da Escola Descomprometida, onde há em suas unidades de registro ou sentido (UR) - uma escola que exclui. Lugar onde existe preconceito docente, o ensino fragmentado; há uma fala no texto onde se leu ‘A escola... Tem que respeitar a sua essência manter-se fiel ao seu destino, sob pena de se desintegrar, de perder todo o sentido. Houve uma convergência no modo de pensar dos gestores e da autora.

Em relação à UC-5 Responsabilidade Estatal, que trata da pobreza infantil desestrutura familiar, violência doméstica, professores sobrecarregados, encontrou-se mais presente no discurso do E-3, que acreditou que a escola pode solucionar. Houve uma discordância do ponto de vista da Olga quando disse que “não via como pode a escola ser chamada a...” “resolver tanta desgraça”.

Diz que o caso requer “Urgentes e corajosas medidas globais de natureza política econômica e social”.

Na UC-6 Recuos na Cultura Científica, os enunciados do E-1 e E-2 sobre a questão do currículo desarticulado e a da necessidade do apoio da sociedade para com a Educação Básica e a Universidade, há uma unanimidade no pensamento, quando ela disse que à “Escola estivesse atenta às transformações no mapa dos saberes [...] atualizasse seus programas, adaptasse e reconstruísse seus currículos, continuando a preparar tanto para as ciências como para as humanidades”.

Observou-se que mesmo alguns dos gestores tendo pensamentos que se identificaram com a referida autora, dois deles E-1 e E-2, não se enquadraram nos discursos de sinal contrário - Centralizador e Descentralizador e que segundo a autora, “aponta por uma lógica intervencionista de regulação da vida das escolas”... O não enquadramento fica evidente quando o E-1 citou “escola... longe de atender... reais necessidades do nosso país”.

O outro propôs que “outro modelo de escola deveria ser seguido...” logo, mostraram insatisfação em relação ao discurso centralizador. Enquanto que o E-3 concordou quando mostrou satisfação em relação às “novas modalidades de ensino”, prescrito no discurso centralizador. Este, demonstrado quando citou que “haveria capacitação para todos os professores...” “receberão um manual do professor com tudo planejado”.

Em relação ao discurso descentralizador, que segundo a autora, “dá prioridade à escola e não ao sistema”, o E-3 também se identificou quando disse que “a escola pública tinha potencial e por si poderia vencer obstáculos”. O E-3 demonstrou possuir o perfil que se enquadrava nos dois discursos. Porém, o E-1 e E2 não se enquadraram no perfil de nenhum dos discursos que orientava a lógica intervencionista-centralizador nem o descentralizador - que priorizava a escola.

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5. CONCLUSÃO

Observou-se que a maior parte dos gestores não concordou com o discurso descentralizador pregado pela filósofa, No qual, ela acredita que a escola pública tem potencial e por si, só, pode vencer obstáculos. Eles (os gestores) entendem que um novo discurso está surgindo na educação. Onde a educação, a própria escola e o ensino na atualidade necessitam de uma releitura. Esta, pelo fato de que até os dias atuais ainda não se vislumbrou uma mudança que favorecesse de forma efetiva o professor no aspecto profissional, individual e coletivo. Além de que, tanto a escola quanto a família

ainda sentem dificuldades em lidar com a questão da formação de valores. Como também, com as normas culturais frente às diversidades. Ademais, o contexto contemporâneo, necessita de profissionais competentes, comprometidos e em formação permanente. Vinculados às novas tecnologias da informação e comunicação para o progresso da ciência. No entendimento de que possam atender as novas exigências do mercado produtivo contemporâneo.

Espera-se que o resultado dessa pesquisa possa servir de subsídio para futuros estudos no contexto educacional, assim como da Educação Comparada local.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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7. NOTA BIOGRÁFICA