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A EMERGÊNCIA DE UM NOVO PARADIGMA: A CIÊNCIA PÓS-MODERNA E OS EFEITOS NO CONHECIMENTO

MÁRCIA LOPES LEAL DANTAS ([email protected]) - Doutora em Ciências da Educação na Universidad Colúmbia (UC) – PY. Servidora Pública do Município do Rio de Janeiro - RJ. Parte da tese do doutorado da autora. Orientadora: Prof.ª.Dra. Maria Aparecida Monteiro da Silva.

RESUMO: Neste artigo, realizou-se uma revisão da literatura através de uma pesquisa bibliográfica, com o objetivo de elucidar sobre a emergência do novo paradigma da ciência pós-moderna e os efeitos no conhecimento. Iniciou-se conceituando o termo paradigma pela concepção de autores que tratam sobre esse assunto. Posteriormente, trouxe uma apresentação do novo paradigma da ciência, da história e efeitos no conhecimento. Por fim, expôs as abordagens do paradigma cartesiano (tradicional) e o sistêmico. Baseou-se pela fundamentação teórica de Bertalanffy, Morin, Kuhn, Maturana, Varela, Santos e Vasconcellos do que tratam o novo paradigma da ciência. Utilizaram-se as bases de dados

Scielo, Portal da Capes e Google Acadêmico com as seguintes palavras-chave: “Paradigma da

Ciência”, “Pensamento sistêmico”, “Educação”, juntamente com os livros dos teóricos supracitados. Depreendeu-se que o novo paradigma da ciência rompe a fragmentação para o todo, trazendo a importância de considerar dimensões como a complexidade, instersubjetividade e a instabilidade nos diversos conhecimentos.

PALAVRAS-CHAVE: Paradigma da ciência. Pensamento sistêmico. Educação.

RESUMEN: En este artículo, se realizó una revisión de la literatura a través de una investigación bibliográfica, con el objetivo de elucidar sobre la emergencia del nuevo paradigma de la ciencia posmoderna y los efectos en el conocimiento. Se inició conceptuando el término paradigma por la concepción de autores que tratan sobre ese asunto. Posteriormente, trajo una presentación del nuevo paradigma de la ciencia, de la historia y efectos en el conocimiento. Por último, expuso los enfoques del paradigma cartesiano (tradicional) y el sistémico. Se basó en la fundamentación teórica de Bertalanffy, Morin, Kuhn, Maturana, Varela, Santos y Vasconcellos de lo que tratan el nuevo paradigma de la ciencia. Se utilizaron las bases de datos Scielo, Portal de Capes y Google Académico con las siguientes palabras clave: "Paradigma de la Ciencia", "Pensamiento sistémico", "Educación", junto con los libros de los teóricos citados. Se desprende que el nuevo paradigma de la ciencia rompe la fragmentación para el todo, trayendo la importancia de considerar dimensiones como la complejidad, instersubjetividad y la inestabilidad en los diversos conocimientos.

REVISTA CIENTÍFICA DO INSTITUTO IDEIA – ISSN 2525-5975 / RJ / Revista nº 1 – ANO 8 (2019) ARTIGO

1. INTRODUÇÃO

Na conceituação, no sentido etimológico, o termo paradigma vem do grego (parádeigma), e no latim (paradigma), tem um significado comum: modelo, padrão. Na ciência, o mesmo vocábulo foi usado pela primeira vez por Thomas Kuhn (2001). Tal conceito surgiu para designar mudanças radicais, por ele observadas na ciência normal. Na obra de Kuhn (2001), a Estrutura das Revoluções Científicas1, o

termo paradigma aparece bem como sendo a expressão comunidade científica, ou seja, um paradigma é o que os membros de uma comunidade científica partilham – não sendo possível a posse de um paradigma por um indivíduo isolado. Reciprocamente, é a respectiva posse de um paradigma comum que constitui uma comunidade científica. Para o autor, a palavra paradigma representa um conjunto de crenças comunitariamente partilhadas pelos cientistas, teoria dominante, referência, programa de pesquisa, uma maneira de solucionar problemas, conjunto de hábitos, guia para elaboração de conceitos, teorias e modelos. Desta forma, dentre outros, compreende-se por que inúmeros discursos que desse termo é feito tornam-se quase incompreensíveis.

1 Para Kuhn a Revolução Cientifica é nada mais nada menos que uma passagem de paradigma para o outro. Para o autor, as Revoluções Científicas são necessárias para as revoluções como mudança de concepção de mundo, ou seja, tanto uma superação dos valores e dos paradigmas a partir de uma crise. KUHN, S. Thomas. A estrutura das revoluções científicas. 9 ed. São Paulo: Perspectiva, 2007

Para Capra (1996), paradigma representa uma constelação de concepções, valores, percepções e práticas subjacentes de comunidade científica que dá forma à uma visão de realidade, a qual, constitui a maneira em que a comunidade se organiza. Conforme Edgar Morin, destaca que os paradigmas são considerados os princípios dos princípios, algumas noções mestras que controlam os espíritos, comandam as teorias, sem que estejamos conscientes de nós mesmos (MORIN, 2005).

Segundo o autor, o paradigma encontra-se situado no núcleo das teorias e controla a própria lógica; de que os sistemas de ideias são organizados em virtude dos paradigmas e que os indivíduos conhecem, pensam e agem segundo os paradigmas enraizados culturalmente neles (MORIN, 1992).

Vasconcelos (2006), por sua vez, afirma que o paradigma é o filtro e a seleção do que se percebe e reconhece, e, desta forma, recusa e distorce os dados que não combinam com as expectativas que tenham sido criadas. Segundo a autora, todos veem o mundo por meio dos próprios paradigmas.

Outrossim, os indivíduos têm suas ações e reações influenciadas pelos seus próprios paradigmas, acreditando que a perspectiva ou ideia sobre algo é a forma “correta” de ser considerada. Neste sentido,

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ocorrem dificuldades pelos próprios indivíduos em aceitar transições e mudanças.

Nota-se que características como flexibilidade e vontade em aceitar por um ângulo diferente o que já tem sido estabelecido como padrão, torna-se necessário para que paradigmas sejam desfeitos e/, ou reconstruídos.

A própria história revela que os paradigmas científicos são constantemente alterados no mundo, deste modo, surge a partir da abertura à novas possibilidades de informações e inovações. Segundo Assmann (1998), não existe paradigma definitivo, pois eles são historicamente substituíveis, relativos e naturalmente seletivos. Essa seleção, substituição e relação estão totalmente relacionadas com a intersubjetividade presente nos indivíduos. Cada pessoa apresenta uma verdade obtida a partir de uma realidade única, partindo de preceitos construídos por si ou socialmente.

Desta forma, ocorrem dificuldades de mudanças de paradigmas que envolvem construção baseada em fundamentos “rígidos” no seu surgimento e desenvolvimento. Isso fica claro principalmente em grupos que apresentam um mesmo ideal, a exemplo, os seguidores de uma religião, tal qual o Islamismo, ou ainda pela luta de direitos específicos, como o movimento feminista.

Além dos aspectos que são considerados “verdades absolutas” para muitos indivíduos ao absorverem em seu ambiente social e cultural, há também a

compreensão que se algo foi internalizado, não pode ser questionado.

Conforme esclarece Rifkim (1980), em obra de sua autoria “Entropia: Uma Visão Nova Do Mundo”, o autor apresenta a forma como o paradigma atua na vida do homem:

Uma visão de mundo funciona, na medida que é tão internalizada, desde a infância, que permanece não questionada. (p.5) [...] somos tão presos no nosso paradigma que todos os outros modos de organizar nossos pensamentos parecem totalmente inaceitáveis. (RIFKIM, 1980, p. 56).

Isso se torna compreensível, pois, o indivíduo é um ser sociocultural que baseia sua vivência no que vê, através de conhecimentos adquiridos e experiências vividas na sociedade que está inserido. Nesse sentido, as convicções são construídas e a tendência é que ocorra a incorporação destas certezas.

Maturana e Varela (1995, p. 61), por sua vez, apresentam a importância da resistência à tentação das certezas. Conforme os autores:

[...] Toda experiência cognitiva envolve aquele que conhece de uma maneira pessoal, enraizada em sua estrutura biológica. E toda experiência de certeza é um fenômeno individual, cego ao ato cognitivo do outro, em uma solidão que, como veremos, é transcendida somente no mundo criado com esse outro. (grifo da autora).

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Contudo, as circunstâncias ou algumas mudanças, que podem ser de cunho social, cultural, intelectual ou geográfico possibilitam a conscientização acerca daquilo que não se percebia anteriormente. Segundo Vasconcellos, (2006, p. 35) “[...] as mudanças de paradigmas só podem ocorrer por meio de vivências, de experiências, de evidências que nos coloquem frente com os limites de nosso paradigma atual”.

Vasconcellos ainda acrescenta:

[...] ao conjunto de crenças e valores subjacentes à prática científica que quando os fenômenos não se encaixam dentro deste padrão ou modelo, ocorrem as anomalias, gerando crise na ciência, condições para as revoluções científicas. Decorrentes do sinal de maturidade científica surgem as novas descobertas que podem gerar o surgimento de um novo paradigma. (VASCONCELLOS, 2006, p. 35).

1.1. UMA BREVE

APRESENTAÇÃO DO NOVO