4 A EXPERIÊNCIA DO IBGE
4.1 UMA BREVE TRAJETÓRIA DAS ESTATÍSTICAS E DOS CENSOS NO BRASIL Nelson Senra (2006), em sua obra História das Estatísticas Brasileiras , nos revela as
4.1.5 Censo de 1980, Censo de 1991 e a Contagem da População de 1996
O censo de 1980, o IX Censo Geral do Brasil, abrangeu cinco censos simultâneos: o demográfico, o agropecuário, o industrial, o comercial e o dos serviços, além de oito inquéritos ditos especiais: indústria da construção; produção e distribuição de energia
elétrica; transportes rodoviários, hidroviários, aéreos e especiais; instituições financeiras; seguros e capitalização; comunicações; abastecimento de água e esgotamento sanitário; limpeza pública e remoção de lixo. Compôs também o Censo das Américas, iniciativa proposta pelo IASI desde 1950, para estimular investigações que fornecessem dados comparáveis das nações americanas.
Em 1990, a série decenal iniciada com o Censo de 1940 foi descontinuada e o censo demográfico foi realizado somente em 1991. Argumentando questões de orçamento, o governo Collor de Melo encobriu os reais motivos do adiamento do censo, que foi o protelamento e a aprovação tardia do governo para a contratação de cerca de 180.000 recenseadores. Quando saiu a autorização não havia mais tempo e o IBGE resolveu adiar o censo para o ano seguinte. Mais tarde, sentiram-se as consequências dessa quebra de continuidade decenal, que exigiu esforços anuais para ajustar e calcular indicadores e para a avaliação da qualidade das informações. Com várias mudanças de presidente no IBGE desde o início daquele censo, a divulgação dos resultados só foi concluída na gestão de 1994 a 1998 (Senra, 2006).
Em 1996, o IBGE fez, pela primeira vez, uma Contagem da População. Com a nova Constituição de 1988, os estados e municípios se viram num novo contexto de valorização, passando a receber recursos do governo federal (Fundo de Participação dos Estados – FPE, e Fundo de Participação dos Municípios – FPM), mas em que também seriam exigidos planos diretores, o que fez com que houvesse uma pressão para atualização das estatísticas. Daí, até que o Censo 2000 fosse realizado, impôs-se a realização da contagem (considerada um minicenso).
4.1.6 Censo 2000
O Censo de 2000 foi a campo com recursos tecnológicos, metodológicos e gerenciais nunca antes utilizados. Na ocasião, a integração em rede possibilitou a ligação online e o desenvolvimento de um sistema de supervisão que fornecia acompanhamento durante a coleta e possibilitou avaliações e ajustes rapidamente. Além do sistema de supervisão, foram instalados 2000 Centros de Captura de Dados em cinco capitais. O objetivo desses centros era fazer, por meio de scanners, a digitalização dos questionários do censo. A tecnologia de captura de dados por leitura ótica de marcas e caracteres alfanuméricos surgiu como uma grande novidade na apuração dos dados daquele censo, digitalizando mais de 45 milhões de
questionários. Depois de digitalizados, os questionários passavam às outras etapas de apuração.
Segundo a Revista Vou Te Contar (IBGE, 2001), o processo se constituía em quatro etapas. Na primeira (Figura 9), as pastas contendo os questionários são abertas e conferidas. Em seguida, na etapa de preparação (Figura 10), os questionários são preparados para serem digitalizados. Os da amostra são desgrampeados, suas folhas são separadas e permanecem abertas de modo a permitir a passagem no scanner. Os questionários básicos também devem ser abertos e ambos são acondicionados novamente em pastas que são utilizadas como bandejas.
Na etapa de digitalização (Figura 11), 250 questionários por vez, no máximo, são acondicionados nas bandejas de cada um dos scanners disponíveis. Ao passarem por eles, suas imagens são digitalizadas e, a seguir, os campos são reconhecidos por um software de reconhecimento de marcas e caracteres. Na etapa final, de verificação (Figura 12), mais de 96% dos questionários são reconhecidos com sucesso. Apenas 4% que apresentam algum tipo de caractere não reconhecido passam pelas etapas de verificação e crítica. Os campos que tiveram caracteres não reconhecidos são remetidos para a tela de um computador, onde um operador verifica qual foi o caractere não reconhecido e o digita. Em seguida, todos os dados são consolidados e transmitidos para o Centro de Processamento de Dados (CPD) do IBGE (IBGE, 2001).
Figura 9 – Abertura das pastas
Figura 10 – Preparação
Fonte: IBGE, Revista Vou te Contar, 2001.
Figura 11 – Digitalização
Fonte: IBGE, Revista Vou te Contar, 2001.
Figura 12– Verificação
Para montar esses Centros de Captura de Dados, o IBGE levou em conta a localização geográfica, o acesso por meio das malhas rodoviárias e aeroviárias, o perfil e a disponibilidade de mão de obra especializada, infraestrutura urbana e técnica necessárias ao desenvolvimento das atividades, como meios para transmissão de dados. Centenas de pessoas, entre supervisores, auxiliares censitários de informática, pessoal de apuração, pessoal de apoio e técnicos de empresas fornecedoras de hardware e software trabalharam nos centros de captura de dados. Foi um grande salto para aquela década, agilizando e melhorando a qualidade da apuração dos dados censitários (IBGE, 2001).
No final da década de 1990, a Internet produz uma nova revolução tecnológica a nível global. As Agências Nacionais de Estatística se modernizam e o IBGE inicia o desenvolvimento de suas capacidades de conexão com sua rede de coleta nos estados e com os seus usuários. A disseminação dos dados é iniciada por meio do seu site.
O Censo 2000 inova com a leitura ótica dos questionários e grandes investimentos em equipamentos de digitalização. A entrada da microinformática se desenvolve intensamente no Instituto e os censos empregam milhares de digitadores. É uma fase onde o IBGE está bastante afinado com seus pares na Europa e nos Estados Unidos, participando, cada vez mais, dos fóruns estatísticos internacionais. A passagem até o próximo censo, em 2010, mostrará outros momentos de transição importantes em termos das tecnologias de comunicação e de produção de informação, o que transformará o modelo de coleta de dados no Instituto.
4.2 DO ANALÓGICO AO DIGITAL: A TRANSIÇÃO NA COLETA DE DADOS DO