3.4 CIDADES INTELIGENTES – TECNOLOGIA COMO INTEGRADOR DA CIDADE
3.4.1 Cidades inteligentes no cenário brasileiro
Em maio de 2016, o Governo Federal instituiu o decreto nº 8776, denominado Programa Brasil Inteligente, com 11 objetivos, sendo que o sexto deles tratava da promoção da implantação de cidades inteligentes no Brasil, conforme o quadro 2.
Quadro 2: Programa Brasil Inteligente Finalidade Objetivos
Universalização do acesso à internet no território Brasileiro
I - Expandir as redes de transporte em fibra óptica;
II - Aumentar a abrangência das redes de acesso baseadas em fibra óptica nas áreas urbanas;
III - Ampliar a cobertura de vilas e de aglomerados rurais com banda larga móvel;
IV - Atender órgãos públicos, com prioridade para os serviços de educação e de saúde, com acesso à internet de alta velocidade.
V - Ampliar a interligação com redes internacionais de telecomunicações;
VI - Promover a implantação de cidades inteligentes;
VII - Promover a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação em tecnologias móveis de quinta geração;
VIII - fomentar o desenvolvimento e a adoção de soluções nacionais de internet das coisas e sistemas de comunicação máquina a máquina;
IX - Promover a capacitação e a qualificação profissional em tecnologias da informação e comunicação;
X - Disponibilizar capacidade satelital em banda larga para fins civis e militares; e
XI - Expandir redes de transporte em fibra óptica na Amazônia por meio de cabos subfluviais.
Fonte: EDITAL 214/2016/SEI-MC, 2016, p.2
Como desdobramento desse programa, surgiu o programa Minha Cidade Inteligente (quadro 3), que é uma evolução do Projeto Cidades Digitais, o qual tinha como objetivo disponibilizar acesso a informação e a banda larga à população e, assim, promover inclusão social, redução de desigualdades e desenvolvimento econômico e social, conforme figura 4 (EDITAL 214/2016/SEI-MC, 2016). Esse projeto visa desenvolver a infraestrutura da cidade, melhorando e desenvolvendo seu mercado e dando melhor qualidade de vida à população.
Dessa forma, o projeto Minha Cidade Inteligente pretende, além da implantação de redes e sistemas de alta capacidade, também implantar serviços e infraestrutura de monitoramento e acompanhamento das condições locais, permitindo gerar dados para criação de aplicações inovadoras, bem como permitir o amplo acesso às informações.
Além disso, buscará dotar as localidades de alta capacidade de formação e capacitação da população (EDITAL 214/2016/SEI-MC, 2016, p. 3)
Figura 4 − Evolução Cidades digitais para Cidade inteligente
Fonte: SECRETARIA DE INCLUSÃO DIGITAL, 2017
No contexto desse projeto, uma cidade inteligente é um território que traz, dentro da mesma localidade, tecnologia da informação e sistemas inovadores, caracterizadas pela alta capacidade de aprendizado e inovação por meio da criatividade de sua população. Ela combina:
oferta ampla de banda larga para empresas, prédios governamentais e residências; educação, treinamento e força de trabalho eficazes para oferecer trabalho do conhecimento; políticas e programas que promovam a democracia digital, reduzindo a exclusão digital, para garantir que todos os setores da sociedade e seus cidadãos se beneficiem da revolução da banda larga;
inovação nos setores público e privado e iniciativas para criar agrupamentos econômicos e capital de risco para apoiar o desenvolvimento de novos negócios; e marketing do desenvolvimento econômico efetivo, que alavanque a comunidade digital, para que ela atraia empregados e investidores talentosos (EDITAL 214/2016/SEI-MC, 2016).
Quadro 3 − Programa Minha Cidade Inteligente OBJETIVOS
I - Democratizar o acesso à informação;
II - Construir uma política de e-gov, a partir de uma visão que tem o cidadão como centro do modelo de gestão de serviços públicos, baseado na universalização do acesso, na qualidade e na integração;
III - Ampliar a transparência das contas públicas municipais através da utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação;
IV - Produzir redução de custos e racionalização no uso de recursos;
V - Modernizar e viabilizar a qualificação da gestão pública para dinamizar a prestação de serviços públicos ao cidadão nos municípios, como segurança pública, saúde e educação;
VI - Fomentar e promover a produção e a oferta de conteúdos nos municípios brasileiros; e VII - Estimular mecanismos participativos e colaborativos de gestão pública.
Fonte: EDITAL 214/2016/SEI-MC, 2016, p. 3-4
O investimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) nesse programa é superior a R$ 241 milhões, entre inúmeros projetos que visam auxiliar no desenvolvimento de cidades. Os munícipios selecionados serão apoiados por meio de ações, conforme quadro 4 (ITFORUM, 2017).
Quadro 4 − Ações para as cidades selecionadas pelo programa Minha Cidade Inteligente OBJETIVOS
I - Implantação de uma infraestrutura de rede para conexão à internet de órgãos e equipamentos públicos locais;
II - Instalação de pontos públicos de acesso à internet para uso livre e gratuito pela população;
III - Instalação de solução de gerenciamento da infraestrutura para o funcionamento da rede;
IV - Implantação de infraestrutura e serviços de monitoramento e vigilância, de melhoria de eficiência de serviços públicos e otimização de ações do município, conforme descritas em termo de referência a ser definido pelo Ministério das Comunicações;
V - Apoio e suporte técnico ao longo de seis meses (operação assistida) para garantir o funcionamento da rede e da infraestrutura implantada; e
VI - Programas de formação e capacitação dos servidores públicos e da população para o uso das ferramentas das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para melhoria da gestão pública e promoção da cidadania.
Fonte: EDITAL 214/2016/SEI-MC, 2016, p. 4
O governo busca, por meio desses esforços, fazer com que os gaps que existem nas cidades possam ser minimizados e que o Brasil possa avançar no que diz respeito ao desenvolvimento de cidades com melhor infraestrutura e que proporcionem uma melhor qualidade de vida por meio de uma melhor dinâmica de funcionamento das cidades. No centro de todo esse movimento está o cidadão, que também precisa ser suportado e preparado para viver e participar de todas essas mudanças, pois ele será o maior impactado e beneficiado com essas ações.
Muitas cidades no país já têm investido neste âmbito, porém ainda é pouco diante de um país com dimensões continentais. O desafio é gigantesco, visto que muitas cidades brasileiras ainda carecem do básico, como saneamento básico, água potável, calçamento, dentre outros. O Brasil ainda está muito longe de outros países no que diz respeito a um país com uma estrutura
“inteligente”.
O debate internacional para cidades inteligentes não previa os gaps, deficiências e problemas encontrados em um país em desenvolvimento. Além disso no Brasil, tivemos o estreitamento deste conceito na compreensão do Governo Federal o que impacta diretamente nas políticas públicas desenvolvidas, dificultando ainda mais a transformação da cidade em uma smart city.