O egrégio Tribunal Regional deferiu, em parte, a cláusula postulada:
"CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto
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PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.
(...)
CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE
"CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE
A EMGERPI proporcionará aos empregados que possua comprovadamente dependentes portadores de necessidades especiais, auxílio financeiro mensal no valor correspondente a dois salários mínimos para pagamento de despesas com tratamento especializado.
Parágrafo Único: O empregado deverá comprovar, junto à administração da empresa, o direito ao benefício."
O suscitante pleiteia a manutenção desta cláusula, visto que contemplada historicamente nos acordos anteriores da categoria. Ressalta que o benefício possui grande alcance social na medida em que auxilia financeiramente o empregado que possui dependente deficiente sob sua custódia, além de o impacto financeiro para a empresa ser ínfimo.
A suscitada limita-se a alegar dificuldades financeiras, afirmando que o benefício postulado supera sua capacidade de pagamento, bem assim, que os seus demais trabalhadores não o recebem, de maneira que a concessão do auxílio somente para alguns constituiria ofensa ao princípio constitucional da isonomia (art. 5.o, I, da CF). Assim, pugna pelo indeferimento da cláusula ou, acaso assim não entenda o Tribunal, que o benefício seja deferido em percentual menor, correspondente a 25% do salário mínimo.
O Ministério Público do Trabalho opina pelo deferimento da cláusula, uma vez que se trata de conquista da categoria.
De fato, observa-se que em dissídios coletivos e em avenças anteriores, a exemplo do DC 0000336-50.2012.5.22.0000 (seq. 054), consta a cláusula acordada sobre o mesmo tema, porém em valor fixo, correspondendo, à época, a 25% (vinte e cinco por cento) do salário mínimo. No caso, o salário mínimo era R$ 678,00 e o benefício em apreço foi fixado em R$ 169,50 (1/4 do S M ).
Desse modo, tratando-se de cláusula preexistente, deferida no último dissídio da categoria, situa-se na esteira do normatizado no art. 114, § 2.o, da Constituição Federal, e considerando-se que a vinculação ao salário mínimo pode ensejar futuras alegações de nulidade, razoável fixar-se o valor da indenização em R$ 197,00 (cento e noventa e sete reais).
Assim, defere-se parcialmente a cláusula, com a seguinte redação: "CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA – APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE (nova redação)
A EMGERPI proporcionará aos empregados que possua comprovadamente dependentes portadores de necessidades
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PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP especiais, auxílio financeiro mensal no valor correspondente a R$ 197,00 (cento e noventa e sete reais) para pagamento de despesas com tratamento especializado.
Parágrafo Único: O empregado deverá comprovar, junto à administração da empresa, o direito ao benefício."
No recurso ordinário, a Empresa Suscitada afirma que a concessão desse benefício ofende o princípio constitucional da isonomia e ressalta que cláusula idêntica a esta foi excluída da sentença normativa anterior a este dissídio. Requer, assim, a exclusão da Cláusula 14.
Com razão.
A SDC compreende que as cláusulas que importem encargo econômico ao empregador podem ser fixadas por sentença normativa ou reajustadas somente se houver norma preexistente. Entende-se por norma preexistente aquele benefício que já foi discutido e fixado por livre negociação entre as partes, seja em acordo ou convenção coletiva ou sentença normativa homologatória de acordo.
A cláusula em questão não é preexistente, nos termos da jurisprudência desta Seção, pois prevista apenas na sentença normativa vigente no período imediatamente anterior ao presente dissídio coletivo, não tendo sido fruto de acordo judicialmente homologado (fls. 299/302 – numeração eletrônica). Observe-se que esta cláusula não foi objeto de recurso ordinário pela empresa perante o TST.
Por outro lado, esta Corte compreende ser possível a manutenção de cláusula quando representar conquista histórica.
Não obstante, esta Dt. Seção, nos autos do RO-313-41.2011.5.22.0000, julgado em 13/10/2014, DEJT: 24/10/2014, de Relatoria do Ministro Walmir Oliveira da Costa, decidiu que, para a caracterização da cláusula como uma conquista histórica da categoria profissional, necessário que o benefício nela tratado tenha sido objeto de negociação pelos Sujeitos Coletivos, em instrumento normativo autônomo, por 10 (dez) anos consecutivos, no mínimo.
Ressalva de entendimento do Relator que compreende não ser necessário um período tão longo para se caracterizar a conquista histórica da categoria, sendo bastantes cinco anos.
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PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP No caso, foram colacionadas aos autos as seguintes sentenças normativas que antecederam o presente dissídio – DC nº 00003.2009.000.22.00.0 (fls. 127/164 – numeração eletrônica); DC nº 0000018-04.2011.5.22.0000 (fls. 167/189 - numeração eletrônica); DC nº 0000313-41.2011.5.22.0000 (fls. 190/250 - numeração eletrônica); DC nº 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica) -, não tendo a cláusula em comento sido objeto de acordo homologado judicialmente em nenhum desses dissídios.
Nesse contexto, não há falar em caracterização da cláusula em debate como conquista histórica da categoria.
Desse modo, no caso concreto, a concessão de auxílio financeiro mensal para empregado com dependente deficiente escapa ao âmbito do poder normativo da Justiça do Trabalho. Benefício dessa espécie, que importa encargo econômico ao empregador, depende de negociação direta entre as partes.
Ressalte-se que esta SDC, no RO-18-04.2011.5.22.0000, de minha relatoria, julgado em 23.2.2015, envolvendo as mesmas partes deste dissídio, decidiu que, por não se tratar de cláusula preexistente, nem de conquista histórica da categoria, deveria ser excluída a cláusula semelhante à ora em debate, em face do encargo econômico gerado.
Assim, dá-se provimento ao recurso ordinário, a fim de excluir da decisão normativa a CLÁUSULA 14 – APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE. Ficam, entretanto, ressalvadas as situações fáticas já constituídas, a teor do art. 6º, § 3º, da Lei 4.725/65.
Em razão desse resultado, fica prejudicado o exame do recurso do Sindicato Suscitante no que tange ao pleito de manutenção da Cláusula 14 na decisão normativa, sem qualquer alteração.