PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP A C Ó R D Ã O
(SDC)
GMMGD/lqr/ls/mag
A) RECURSO ORDINÁRIO DO SINDICATO DOS TRABALHADORES EM PROCESSAMENTO DE DADOS DO ESTADO DO PIAUÍ. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. 1. CLÁUSULA 9ª – PAGAMENTO DA FOLHA DE SALÁRIO. A cláusula fixada pelo TRT de origem prevê a obrigação da Empresa Suscitada de pagar os salários de seus empregados até o dia 30 de cada mês de referência da folha de pagamento, não até o dia 25, como pleiteado pelo Sindicato Suscitante. Não se trata de cláusula preexistente, tampouco de conquista histórica da categoria, nos termos da jurisprudência da SDC. Como se sabe, o § 1º do art. 459 da CLT estabelece que, quando o pagamento houver sido estipulado por mês, deverá ser efetuado, o mais tardar, até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido. Considerando a impossibilidade atual da Empresa Suscitada de observar o comando de pagamento até o dia 25 de cada mês, conforme ressaltou a Procuradoria Regional do Trabalho, e tendo em conta que o comando da cláusula de pagamento até o dia 30 de cada mês permanece mais favorável que o comando legal, deve ser mantida a cláusula nos termos em que deferida pelo Tribunal Regional. Recurso ordinário desprovido. 2. CLÁUSULA 14 – APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE. CLÁUSULA 27 – ABONO FALTA. ANÁLISE PREJUDICADA. Considerando que o recurso da Empresa Suscitada foi provido para excluir da sentença normativa as Cláusulas 14 e 27, prejudicado o exame do recurso do Sindicato Suscitante nos aspectos. Recurso ordinário prejudicado. 3. DEMAIS CLÁUSULAS. Tendo em vista que as pretensões deduzidas no recurso ordinário não encontram amparo nos
fls.2
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP limites de atuação do poder normativo da Justiça do Trabalho, tampouco na
Jurisprudência desta Seção
Especializada em Dissídios Coletivos, o desprovimento integral do apelo é medida que se impõe. Recurso ordinário integralmente desprovido.
B) RECURSO ORDINÁRIO DA EMPRESA DE GESTÃO DE RECURSOS DO ESTADO DO PIAUÍ S/A - EMGERPI. DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. 1. CLÁUSULA 4ª - PROCESSOS JUDICIAIS. Trata-se de cláusula que estabelece a obrigação de a empresa fornecer os cálculos ou informações que facilitem o processo, no bojo de ações de natureza plúrima ou de substituição processual propostas pelo Sindicato Suscitante. Não se trata de cláusula preexistente, tampouco de conquista histórica da categoria, nos termos da jurisprudência da SDC/TST. A matéria é disciplinada legalmente e o estabelecimento de obrigações mais abrangentes, nessa seara, não pode ser concretizado por meio de sentença normativa, sendo afeto à negociação coletiva. Desse modo, impõe-se a exclusão da cláusula em comento da presente sentença normativa. Ressalte-se que esta SDC decidiu nesse
mesmo sentido no
RO-18-04.2011.5.22.0000, da relatoria do Min. Maurício Godinho Delgado, julgado em 23.2.2015, envolvendo as mesmas partes deste dissídio. Recurso ordinário provido no particular. 2. CLÁUSULA 6ª – DIVULGAÇÃO DO ACORDO. Trata-se de cláusula que estabelece a obrigação da empresa de divulgar a presente sentença normativa, individualmente, a todos os seus empregados da base do SINDPD/PI. Não se trata de cláusula preexistente, tampouco de conquista histórica da categoria, nos termos da jurisprudência da SDC. Tendo em conta que a sentença
fls.3
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP normativa é peça documental comum às Partes, entende-se desnecessária e indevida a imposição à empresa do ônus de a divulgar, por meio de sentença normativa. Desse modo, impõe-se sua exclusão da presente sentença normativa. Recurso ordinário provido no aspecto. 3. CLÁUSULA 8ª - REAJUSTE SALARIAL. A Suscitada se insurge apenas contra o parágrafo segundo da Cláusula 8ª, pleiteando a incidência do reajuste somente sobre os salários contratados (código 120). Ora, o reajuste das parcelas "Gratificação de Função", "Gratificação Incorporada" e "Gratificação Produtividade" pelo INPC/IBGE consiste em mera correção dos valores de tais benefícios pelo mesmo índice do reajuste salarial constante da sentença normativa, o qual sequer foi questionado pela Recorrente, devendo, portanto, ser mantida a previsão constante do parágrafo segundo da Cláusula 8ª. Esclareça-se que não se discute, no caso, a concessão de aumento salarial a título de produtividade, que, como se sabe, deve estar amparada em indicadores objetivos, tampouco se discute a própria concessão das parcelas "Gratificação de Função", "Gratificação Incorporada" e "Gratificação Produtividade", reconhecidas como devidas pela própria Empresa Recorrente. Recurso ordinário desprovido. 4. CLÁUSULA 14 – APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE. Trata-se de cláusula que estabelece a obrigação da empresa Suscitada de conceder auxílio financeiro mensal aos empregados que possuam dependentes portadores de necessidades especiais. Não se trata de cláusula preexistente, tampouco de conquista histórica da categoria, nos termos da jurisprudência da SDC/TST. Assim, no caso concreto, a concessão de auxílio financeiro mensal
fls.4
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP para empregado com dependente deficiente escapa ao âmbito do poder normativo da Justiça do Trabalho. Benefício dessa espécie, que importa encargo econômico ao empregador, depende de negociação direta entre as partes. Ressalte-se que esta SDC, no RO-18-04.2011.5.22.0000, da relatoria do Ministro Maurício Godinho Delgado, julgado em 23.2.2015, envolvendo as mesmas partes deste dissídio, decidiu que, por não se tratar de cláusula preexistente, nem de conquista histórica da categoria, deve ser excluída a cláusula em debate, em face do encargo econômico gerado. Desse modo, impõe-se a exclusão da cláusula em comento da presente sentença normativa. Recurso ordinário provido no particular. 5. CLÁUSULA 27 – ABONO DE FALTA. Trata-se de cláusula que estabelece a obrigação da empresa Suscitada de conceder abono de faltas, por até 30 dias, para empregado com dependente enfermo. Não se trata de cláusula preexistente, tampouco de conquista histórica da categoria, nos termos da jurisprudência da SDC/TST. Sendo assim, no caso concreto, a concessão de abono de faltas, por até 30 dias, para empregado com dependente enfermo escapa ao âmbito do poder normativo da Justiça do Trabalho. Benefício dessa espécie, que importa encargo econômico ao empregador, depende de negociação direta entre as partes. Impõe-se, portanto, a exclusão da cláusula em comento da presente sentença normativa. Recurso ordinário provido no aspecto. 6. DEMAIS CLÁUSULAS. Recurso ordinário parcialmente provido para exclusão e adaptação de algumas cláusulas questionadas, a fim de manter a sentença normativa em consonância com a jurisprudência desta SDC/TST.
fls.5
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso Ordinário n° TST-RO-340-19.2014.5.22.0000, em que são Recorrentes EMPRESA DE GESTÃO DE RECURSOS DO ESTADO DO PIAUÍ S/A - EMGERPI e SINDICATO DOS TRABALHADORES EM PROCESSAMENTO DE DADOS DO ESTADO DO PIAUÍ e Recorridos OS MESMOS.
Trata-se de dissídio coletivo de natureza econômica ajuizado pelo SINDICATO DOS TRABALHADORES EM PROCESSAMENTO DE DADOS DO ESTADO DO PIAUÍ em face de EMPRESA DE GESTÃO DE RECURSOS DO ESTADO DO PIAUÍ S/A – EMGERPI (fls. 5/38 – numeração eletrônica).
A Suscitada apresentou defesa às fls. 372/384 (numeração eletrônica).
O TRT da 22ª Região julgou parcialmente procedente o presente dissídio, para "HOMOLOGAR as cláusulas 1a, 2a, 3a, 5a, 7a, 10a,
13a (caput e § 1o), 24a (caput), 26a, 32a, 34a, 36a, 41a, 46a, 47a e 49a, com
a redação acordada pelas partes em audiência de conciliação; DEFERIR as cláusulas 4a, 6a, 8a, 12a, 18a, 19a, 25a, 28a, 29a, 30a, 31a, 35a, 37a, 38a,
39a, 40a, 42a, 43a, 44a e 45a; DEFERIR os §§ 2o e 3o da cláusula 13a; DEFERIR
PARCIALMENTE as cláusulas 9a, 11a, 14a, 15a, 16a, 17a, 27a, 33a e 48a, com
as seguintes redações, respectivamente: ‘CLÁUSULA NONA – PAGAMENTO DA FOLHA DE SALÁRIOS (nova redação): A EMGERPI pagará os salários de seus empregados até o dia 30 de cada mês de referência da Folha de Pagamento’; ‘CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – HORAS EXTRAORDINÁRIAS (nova redação): A EMGERPI/PRODEPI pagará as horas extraordinárias de seus empregados, realizadas de Segunda a Sexta-feira, acrescidas de 50% da hora normal e nas horas realizadas aos sábados, domingos e feriados, acrescidas em 100%, conforme o praticado. Parágrafo Primeiro: As horas extras serão sempre remuneradas pelos valores atualizados dos salários. Parágrafo Segundo: Caso o empregado venha a trabalhar em jornada extraordinária superior a sessenta minutos, a empresa fornecerá lanche, sem natureza salarial. Parágrafo Terceiro: Por solicitação do SINDPD/PI, a EMGERPI informará o número de horas extras praticadas e a previsão de horas extras a serem praticadas’; ‘CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA – APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE (nova redação): A EMGERPI proporcionará aos
fls.6
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP empregados que possua (sic) comprovadamente dependentes portadores de necessidades especiais, auxílio financeiro mensal no valor correspondente a R$ 197,00 (cento e noventa e sete reais) para pagamento de despesas com tratamento especializado. Parágrafo Único: O empregado deverá comprovar, junto à administração da empresa, o direito ao benefício’; ‘CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA - AUXÍLIO FUNERAL: A EMGERPI manterá aos seus empregados, auxílio funeral no valor de R$ 1.576,00 (um mil, quinhentos e setenta e seis reais), no caso de falecimento de esposo(a) ou companheiro(a), filhos legítimos ou legitimados, menores de dezoito anos, pagável ao empregado em uma única vez, no mês de ocorrência do óbito. Parágrafo Único: Em caso de falecimento do empregado o auxílio funeral será pago à família do falecido’; ‘CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA - ASSISTÊNCIA MÉDICO-ODONTOLÓGICA E COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA E BENEFÍCIO DE ACIDENTE DE TRABALHO: A EMGERPI continuará assegurando assistência médico-hospitalar e odontológica a todos seus empregados e dependentes através de plano de saúde que ofereça: Assistência médica e hospitalar, além de fornecimento de medicamentos, que seja igual ou superior ao já existente. Permanecendo a participação financeira dos empregados (cod. 553), o correspondente ao desconto de 2% (dois por cento) do salário contratado (cod. 120). Parágrafo Primeiro: Para a assistência Odontológica, a EMGERPI manterá, nas instalações físicas da Agência de Tecnologia da Informação – ATI, o gabinete odontológico, ficando obrigada a reembolsar o valor pago para compra de material odontológico, até o limite de R$ 3.000,00 (três mil reais), bem como, reajustar o repasse de recurso à ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA PRODEPI – ADESP mediante a aplicação do INPC/IBGE acumulado no período de 1º.09.2012 a 31.08.2013, incidente sobre o valor vigente em 31.08.2013. Parágrafo Segundo: indeferido’; ‘CLÁUSULA DÉCIMA SÉTIMA – INDENIZAÇÃO POR INVALIDEZ PERMANENTE (nova redação): Em caso de invalidez permanente causada por acidente em horário de expediente, a EMGERPI pagará ao seu empregado uma indenização correspondente a R$ 11.820,00 (onze mil, oitocentos e vinte reais), na data em que o médico decretar, através de laudo, a invalidez’; CLÁUSULA VIGÉSIMA SÉTIMA – ABONO DE FALTA (nova redação): A EMGERPI abonará a falta de empregado em um máximo de 30 (trinta dias), para acompanhar o tratamento de dependentes, ascendentes ou descendentes de
fls.7
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP primeiro grau, acometidos de moléstia infecto-contagiosa que obrigue o isolamento, conforme Lei no 6.259, de 30 de outubro de 1975. Parágrafo Primeiro: Para fins de abono da frequência ao trabalho nas situações em que se justifique o acompanhamento de dependente enfermo, o empregado deverá apresentar no Departamento de Administração de Pessoal, obrigatoriamente, atestado ou laudo do médico, assistente do dependente, justificando a necessidade do acompanhamento. Parágrafo Segundo: Para efeito desta cláusula, consideram-se dependentes do empregado, o cônjuge ou companheiro(a), os pais, os filhos legítimos ou adotados, ou menor que esteja sob a guarda judicial do empregado’; ‘CLÁUSULA TRIGÉSIMA TERCEIRA - LIBERAÇÃO DE EMPREGADOS PARA DEBATES E CURSOS (nova redação): A seu critério e respeitando sempre o critério isonômico, a EMGERPI liberará seus empregados para participação em palestras, cursos e congressos que contribuam diretamente para o crescimento pessoal e desenvolvimento técnico-profissional’; ‘CLÁUSULA QUADRAGÉSIMA OITAVA – MULTA POR DESCUMPRIMENTO DO ACORDO (nova redação): O descumprimento de qualquer das cláusulas aqui pactuadas, acarretará o pagamento de multa no valor de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais), a ser paga no mês em que se deu a infração, em favor da parte prejudicada.’ INDEFERIR o § 4o da cláusula 13a, bem como as cláusulas 20a, 21a, 22a e 23a." (fls.
452/498 – numeração eletrônica).
A Suscitada interpôs embargos de declaração (fls. 504/510 – numeração eletrônica), os quais foram rejeitados (fls. 528/531 – numeração eletrônica).
Inconformados, Suscitante e Suscitada apresentaram Recursos Ordinários (fls. 512/522 e 534/557 – numeração eletrônica), os quais foram recebidos pelo TRT, conforme despacho de admissibilidade de fl. 568 (numeração eletrônica).
Contrarrazões acostadas às fls. 571/588 e 591/597 (numeração eletrônica).
O Ministério Público do Trabalho opinou "pelo não provimento do recurso interposto pelo Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do Estado do Piauí - SINDPD/PI, em relação às cláusulas 9ª e 13ª, e, quanto ao apelo da Empresa de Gestão de Recurso do Estado do Piauí/SA EMGERPI, pelo não provimento relativamente às
fls.8
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP cláusulas 10ª, 11ª, 12ª, 30ª, 33ª, 35ª, 39ª e 42ª, pelo provimento no tocante às cláusulas 4ª, 8ª, 14ª, 15ª, 16ª, 17ª, 18ª, 19ª, 24ª, 25ª e 27ª, e provimento parcial no que se refere às cláusulas 6ª, 13ª, 31ª, 40ª, 44ª e 48ª; ficando, para mais, prejudicado o exame do recurso do SINDPD/PI quanto às cláusulas 14ª, 16ª e 27ª" (fls. 604/632 – numeração eletrônica).
PROCESSO ELETRÔNICO É o relatório.
V O T O
A) RECURSO ORDINÁRIO DO SINDICATO SUSCITANTE I) CONHECIMENTO
O recurso ordinário é tempestivo (decisão publicada em 3.2.2015, recurso apresentado em 11.2.2015), a representação é regular (fl. 39 – numeração eletrônica), as custas foram devidamente recolhidas (fl. 523 – numeração eletrônica) e estão preenchidos os demais pressupostos genéricos de admissibilidade do apelo.
Conheço. II) MÉRITO
Sabe-se que cláusulas preexistentes são aquelas constantes de anterior convenção coletiva de trabalho ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa resultante de acordo judicialmente homologado.
No caso, o instrumento normativo imediatamente anterior a este dissídio é a sentença normativa firmada no DC nº 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica).
Registre-se que, na referida sentença normativa, parte das cláusulas foi fruto de acordo judicialmente homologado, e outra parte foi decidida nos limites permitidos pelo Poder Normativo da Justiça do Trabalho.
fls.9
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP Feito esse breve esclarecimento, passa-se ao exame das cláusulas questionadas:
1. CLÁUSULA 9ª – PAGAMENTO DA FOLHA DE SALÁRIO. O egrégio Tribunal Regional alterou a redação do caput da cláusula em questão, nos seguintes termos:
"(...)
CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.
(...)
CLÁUSULA NONA
‘CLÁUSULA NONA – PAGAMENTO DA FOLHA DE SALÁRIOS
A EMGERPI pagará os salários de seus empregados até o dia 25 de cada mês de referência da Folha de Pagamento.’ Sustenta o suscitante que se trata de cláusula historicamente contemplada nos diversos acordos e dissídios coletivos da categoria, e assim deve ser mantida, pois permite ao trabalhador programar despesas pessoais e organizar a vida familiar.
A suscitada concorda parcialmente com a cláusula, sugerindo apenas que o pagamento seja feito preferencialmente até o dia 30 de cada mês, alegando que não teria como pagar antes dessa data, haja vista a sua condição de empresa pública depender do calendário do Estado do Piauí.
O Ministério Público do Trabalho recomenda o deferimento parcial da cláusula, com a alteração da data do pagamento para o dia 30 de cada mês.
Inicialmente, ressalte-se que a presente cláusula consta de outros pactos coletivos, bem como dos últimos dissídios, tendo sido ratificada no IUJ 111-93.2013.5.22.0000. Todavia, ante as alegações da suscitada e melhor analisando a sua condição de órgão da Administração indireta cujo orçamento está atrelado aos repasses mensais do Estado do Piauí, e ainda levando-se em conta que a alteração da data do pagamento dos salários estabelece apenas um novo ciclo contraprestativo, porém sem prejuízos aos trabalhadores, entende-se plausível o pleito da suscitada.
Por outro lado, considerando-se que a transferência do pagamento dos salários para o dia 30 situa-se nos limites constantes do art. 459, § 1º, da CLT, acolhe-se a recomendação do órgão Ministerial.
fls.10
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP ‘CLÁUSULA NONA – PAGAMENTO DA FOLHA DE SALÁRIOS (nova redação) A EMGERPI pagará os salários de seus empregados até o dia 30 de cada mês de referência da Folha de Pagamento.’"
No recurso ordinário, o Sindicato Suscitante afirma que o caput da Cláusula 9ª constava em acordos coletivos anteriores, devendo ser mantido, portanto, tendo em conta seu caráter de norma preexistente.
Sem razão.
De acordo com a jurisprudência desta Seção Especializada, somente pode ser considerada norma preexistente, para fins de manutenção, a cláusula prevista em acordo coletivo, convenção coletiva ou sentença normativa homologatória de acordo.
A cláusula em questão não é preexistente, nos termos da jurisprudência desta Seção, pois prevista em sentença normativa vigente no período imediatamente anterior ao presente dissídio coletivo, não tendo sido fruto de acordo judicialmente homologado (fls. 286/287 – numeração eletrônica).
Por outro lado, esta Corte compreende ser possível a manutenção de cláusula quando representar conquista histórica.
Não obstante, esta Dt. Seção, nos autos do RO-313-41.2011.5.22.0000, julgado em 13/10/2014, DEJT: 24/10/2014, de Relatoria do Ministro Walmir Oliveira da Costa, decidiu que, para a caracterização da cláusula como uma conquista histórica da categoria profissional, necessário que o benefício nela tratado tenha sido objeto de negociação pelos Sujeitos Coletivos, em instrumento normativo autônomo, por 10 (dez) anos consecutivos, no mínimo.
Ressalva de entendimento do Relator que compreende não ser necessário um período tão longo para se caracterizar a conquista histórica da categoria, sendo bastantes cinco anos.
No caso, foram colacionadas aos autos as seguintes sentenças normativas que antecederam o presente dissídio – DC nº 00003.2009.000.22.00.0 (fls. 127/164 – numeração eletrônica); DC nº 0000018-04.2011.5.22.0000 (fls. 167/189 - numeração eletrônica); DC nº 0000313-41.2011.5.22.0000 (fls. 190/250 - numeração eletrônica); DC nº
fls.11
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica) -, tendo a cláusula em comento sido objeto de acordo homologado judicialmente apenas no segundo dissídio, referente ao Período 2010/2011.
Nesse contexto, vê-se que as condições presentes não são suficientes para caracterizar a cláusula em debate como conquista histórica da categoria.
Na hipótese, a cláusula fixada pelo TRT de origem prevê obrigação da Empresa Suscitada de pagar os salários de seus empregados até o dia 30 de cada mês de referência da folha de pagamento, não até o dia 25, como pleiteado pelo Suscitante.
No tocante a essa cláusula, assim se manifestou a Procuradoria Regional do Trabalho (fl. 425 – numeração eletrônica):
"CLÁUSULA NONA – PAGAMENTO DA FOLHA DE SALÁRIOS - A EMGERPI pagará os salários de seus empregados até o dia 25 de cada mês de referência da Folha de Pagamento.
Manifestação do MPT:
A empresa concordou parcialmente com a cláusula, sugerindo apenas que o pagamento fosse preferencialmente até o dia 30 de cada mês, por não ter como pagar antes dessa data, vez que depende do calendário do Estado do Piauí. Conquanto seja cláusula que vem sendo repetida em sentenças normativas anteriores, é do conhecimento do Judiciário Trabalhista piauiense que a suscitada não tem condições de observá-la, resultando em inúmeras ações.
Sendo assim, o Ministério Público do Trabalho recomenda o deferimento parcial desta cláusula com a alteração da data do pagamento para o dia 30 de cada mês."
Como se sabe, o § 1º do art. 459 da CLT estabelece que, quando o pagamento houver sido estipulado por mês, deverá ser efetuado, o mais tardar, até o quinto dia útil do mês subsequente ao vencido.
Ora, considerando essa impossibilidade atual da Empresa Suscitada de observar o comando de pagamento até o dia 25 de cada mês e tendo em conta que o comando da cláusula de pagamento até o dia 30 de cada mês permanece mais favorável que o comando legal, deve ser mantida a cláusula nos termos em que deferida pelo Tribunal Regional.
fls.12
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2. CLÁUSULA 13 - AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO.
O TRT de origem indeferiu o § 4º da cláusula 13, conforme trecho abaixo transcrito:
"CLÁUSULAS ACORDADAS PELAS PARTES, COM ANUÊNCIA PARCIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO – HOMOLOGAÇÃO
Em audiência de conciliação realizada no presente dissídio coletivo (seq. 039), no tocante à cláusula décima terceira e §§ 1º, 2º, 3º e 4º, as partes firmaram acordo em relação apenas ao caput e §1º.
A seguir analisa-se a citada cláusula:
CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA - AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO
A EMGERPI concederá aos seus empregados remanescentes da PRODEPI, diretores e assessores, até o dia 28 do mês que antecede a utilização, Auxílio Alimentação no valor mensal de R$ 500,00 (quinhentos reais).
Parágrafo primeiro: Fica garantida a extensão do benefício, objeto desta cláusula, aos empregados, diretores e assessores que venham a se afastar do exercício de suas funções em decorrência de acidente de trabalho ou por motivo de doença.
Parágrafo Segundo: A EMGERPI concederá aos seus empregados, diretores e assessores um décimo terceiro Ticket-Alimentação, no valor equivalente a um mês da obrigação, da seguinte forma: 25% (vinte e cinco por cento) respectivamente nos meses de março, junho, setembro e dezembro.
Parágrafo Terceiro: A empresa pagará as diferenças, acaso existentes, referentemente ao interregno de vigência deste Acordo Coletivo, em parcela única, juntamente com o primeiro Ticket a ser liberado após a implantação do reajuste da parcela.
Parágrafo Quarto: Caso o empregado venha trabalhar 04 (quatro) horas a extras ou mais, em prolongamento da jornada de trabalho ou em jornada extra, terá direito ao adicional no ticket alimentação eletrônico de 1/30 (um trinta avos) do valor mensal do seu ticket alimentação.
O Ministério Público do Trabalho - MPT recomenda a homologação apenas do caput e § 1o de aludida cláusula (com a redação objeto do acordo em audiência – seq. 039), à consideração de que houve conciliação e por não vislumbrar nela qualquer agressão ao interesse público.
fls.13
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP Extrai-se dos autos (seq. 022, p. 175/176) que a cláusula em comento constava em outros acordos coletivos de trabalho, tendo sido confirmada no DC/2012 (seq. 054).
Nesse sentido, em que pese à recomendação do MPT, cuida-se norma preexistente, fruto de conquista da categoria, devendo ser respeitada, até mesmo como forma de garantia das disposições mínimas de proteção ao trabalho, nos termos preconizados no art. 114, § 2º, da CF. Ressalva-se apenas o § 4º, o qual, por se tratar da matéria nova, própria de acordo, e não tendo havido este, o seu indeferimento se impõe.
Desse modo, HOMOLOGA-SE a cláusula (caput e §1o), nos termos já acordados e DEFEREM-SE os §§2o e 3o, na forma da redação seguinte.
‘CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA - AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO A EMGERPI concederá aos seus empregados remanescentes da PRODEPI, diretores e assessores, até o dia 28 do mês que antecede a utilização, Auxílio Alimentação no valor mensal de R$ 500,00 (quinhentos reais).
Parágrafo primeiro: Fica garantida a extensão do benefício, objeto desta cláusula, aos empregados, diretores e assessores que venham a se afastar do exercício de suas funções em decorrência de acidente de trabalho ou por motivo de doença.
Parágrafo Segundo: A EMGERPI concederá aos seus empregados, diretores e assessores um décimo terceiro Ticket-Alimentação, no valor equivalente a um mês da obrigação, da seguinte forma: 25% (vinte e cinco por cento) respectivamente nos meses de março, junho, setembro e dezembro.
Parágrafo Terceiro: A empresa pagará as diferenças, acaso existentes, referentemente ao interregno de vigência deste Acordo Coletivo, em parcela única, juntamente com o primeiro Ticket a ser liberado após a implantação do reajuste da parcela.
Parágrafo Quarto: Indeferido.’"
No recurso ordinário, o Sindicato Suscitante argumenta que o § 4º da Cláusula 13 constava em acordos coletivos anteriores, devendo ser mantido, portanto, tendo em conta seu caráter de norma preexistente.
Sem razão.
A SDC compreende que as cláusulas que importem encargo econômico ao empregador podem ser fixadas por sentença normativa ou reajustadas somente se houver norma preexistente. Entende-se por norma preexistente aquele benefício que já foi discutido e fixado por livre
fls.14
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP negociação entre as partes, seja em acordo ou convenção coletiva ou sentença normativa homologatória de acordo.
No caso, o parágrafo 4º da cláusula em questão não é norma preexistente, nos termos da jurisprudência desta Seção, pois sequer consta da sentença normativa vigente no período imediatamente anterior ao presente dissídio coletivo (fls. 267 e 296/299 – numeração eletrônica).
Desse modo, no caso concreto, a concessão de adicional de 1/30 do valor mensal do tíquete alimentação em caso de o empregado trabalhar quatro horas extras ou mais em prolongamento à jornada normal escapa ao âmbito do poder normativo da Justiça do Trabalho. Benefício dessa espécie, que importa encargo econômico ao empregador, depende de negociação direta entre as partes.
Nega-se provimento, no aspecto.
3. CLÁUSULA 14 – APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE. ANÁLISE PREJUDICADA.
A egrégia Corte Regional alterou a redação do caput da cláusula em questão, nos seguintes termos:
"(...)
CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.
(...)
CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE
‘CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE A EMGERPI proporcionará aos empregados que possua comprovadamente dependentes portadores de necessidades especiais, auxílio financeiro mensal no valor correspondente a dois salários mínimos para pagamento de despesas com tratamento especializado.
fls.15
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP Parágrafo Único: O empregado deverá comprovar, junto à administração da empresa, o direito ao benefício.’
O suscitante pleiteia a manutenção desta cláusula, visto que contemplada historicamente nos acordos anteriores da categoria. Ressalta que o benefício possui grande alcance social na medida em que auxilia financeiramente o empregado que possui dependente deficiente sob sua custódia, além de o impacto financeiro para a empresa ser ínfimo.
A suscitada limita-se a alegar dificuldades financeiras, afirmando que o benefício postulado supera sua capacidade de pagamento, bem assim, que os seus demais trabalhadores não o recebem, de maneira que a concessão do auxílio somente para alguns constituiria ofensa ao princípio constitucional da isonomia (art. 5.o, I, da CF). Assim, pugna pelo indeferimento da cláusula ou, acaso assim não entenda o Tribunal, que o benefício seja deferido em percentual menor, correspondente a 25% do salário mínimo.
O Ministério Público do Trabalho opina pelo deferimento da cláusula, uma vez que se trata de conquista da categoria.
De fato, observa-se que em dissídios coletivos e em avenças anteriores, a exemplo do DC 0000336-50.2012.5.22.0000 (seq. 054), consta a cláusula acordada sobre o mesmo tema, porém em valor fixo, correspondendo, à época, a 25% (vinte e cinco por cento) do salário mínimo. No caso, o salário mínimo era R$ 678,00 e o benefício em apreço foi fixado em R$ 169,50 (1/4 do S M ).
Desse modo, tratando-se de cláusula preexistente, deferida no último dissídio da categoria, situa-se na esteira do normatizado no art. 114, § 2.o, da Constituição Federal, e considerando-se que a vinculação
ao salário mínimo pode ensejar futuras alegações de nulidade, razoável fixar-se o valor da indenização em R$ 197,00 (cento e noventa e sete reais).
Assim, defere-se parcialmente a cláusula, com a seguinte redação: ‘CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA – APOIO AO EMPREGADO COM DEPENDENTE DEFICIENTE (nova redação)
A EMGERPI proporcionará aos empregados que possua comprovadamente dependentes portadores de necessidades especiais, auxílio financeiro mensal no valor correspondente a R$ 197,00 (cento e noventa e sete reais) para pagamento de despesas com tratamento especializado.
Parágrafo Único: O empregado deverá comprovar, junto à administração da empresa, o direito ao benefício.’"
No recurso ordinário, o Sindicato Suscitante aponta que o caput da Cláusula 14 constava em acordos coletivos anteriores, devendo ser mantido, portanto, tendo em conta seu caráter de norma preexistente.
fls.16
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP Ora, considerando que o recurso da Empresa Suscitada contém impugnação a esta cláusula de forma prejudicial ao conteúdo ora questionado pelo Sindicato, far-se-á a análise do tema de forma conjunta, quando da apreciação do apelo patronal.
4. CLÁUSULA 16 – ASSISTÊNCIA MÉDICO-ODONTOLÓGICA E COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA E BENEFÍCIO DE ACIDENTE DO TRABALHO. O Tribunal a quo indeferiu o § 2º da cláusula 16, conforme trecho abaixo transcrito:
"(...)
CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.
(...)
CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA
‘CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA - ASSISTÊNCIA MÉDICA-ODONTOLÓGICA E COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA E BENEFÍCIO DE ACIDENTE DE TRABALHO
A EMGERPI continuará assegurando assistência médica-hospitalar e odontológica a todos seus empregados e dependentes através de plano de saúde que ofereça: Assistência médica e hospitalar, além de fornecimento de medicamentos, que seja igual ou superior ao já existente. Permanecendo a participação financeira dos empregados (cod. 553), o correspondente ao desconto de 2% (dois por cento) do salário contratado (cod. 120).
Parágrafo Primeiro: Para a assistência Odontológica, a EMGERPI manterá, nas instalações físicas da Agência de Tecnologia da Informação – ATI, o gabinete odontológico, ficando obrigada a reembolsar o valor pago para compra de material odontológico, até o limite de R$ 3.000,00 (três mil reais), bem como, reajustar o repasse de recurso à ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA PRODEPI – ADESP mediante a aplicação do INPC/IBGE acumulado no período de 1º/09/2011 a 30/08/2013, incidente sobre o valor vigente em 30/08/2013.
fls.17
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP Parágrafo Segundo: A EMGERPI complementará o auxílio-doença e o auxílio-acidente de trabalho, pagos pelo INSS ao empregado afastado para tratamento de saúde, a partir do momento que o empregado receber do órgão previdenciário, o seu salário reduzido.’
Alega o suscitante que a cláusula deve ser mantida porquanto constitui disposição convencionada anteriormente, desde o ACT 2003/2004. Alega ainda que a norma visa corrigir a péssima qualidade do atendimento médico-hospitalar, além de proporcionar ao trabalhador e sua família uma melhor qualidade de vida, o que se tornando uma realidade Brasil afora, por meio de convênios firmados entre planos de saúde e empresas.
A suscitada discorda da proposta argumentando que a pretensão não constitui atribuição legal da parte empregadora, não sendo obrigação sua "o pagamento de diferença entre o valor do benefício pago pelo INSS e a remuneração", por falta de previsão legal.
O Ministério Público do Trabalho afirma tratar-se de matéria apropriada para negociação coletiva, o que não houve, no caso. Todavia, recomenda o deferimento parcial desta cláusula, excluindo-se o parágrafo segundo, além da ressalva de que o valor máximo reembolsável de que trata o parágrafo primeiro seja aquele que consta do instrumento normativo antecedente e não os almejados R$ 3.000,00.
Razão assiste ao MPT quanto ao indeferimento do parágrafo segundo e à limitação do valor máximo reembolsável, uma vez que, sendo a cláusula própria de acordo e não tendo havido este, preservam-se os termos já previstos no DC/2012 anterior.
Assim, indefere-se a redação integral do parágrafo segundo. No tocante ao valor reembolsável, ao contrário do sugerido pelo MPT, mantém-se o montante proposto, no valor de R$ 3.000,00, por constituir conquista da categoria, haja vista constar de pactos anteriores (seq. 023, p. 208 e seq. 024, p. 305) – DC’S: 0000313-41.2011.5.22.0000/0000336.50.2012.5.22.0000, respectivamente.
Por outro lado, ressalva-se o período de aplicação do ‘INPC/IBGE acumulado’ o qual, em vez de 1º.09.2011 a 30.08.2013, deve-se ler de: ‘1º.09.2012 a 31.08.2013’.
Isso posto, defere-se parcialmente a cláusula, com a seguinte redação:
‘CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA - ASSISTÊNCIA MÉDICOODONTOLÓGICA E COMPLEMENTAÇÃO DO AUXÍLIO DOENÇA E BENEFÍCIO DE ACIDENTE DE TRABALHO
A EMGERPI continuará assegurando assistência médico-hospitalar e odontológica a todos seus empregados e dependentes através de plano de saúde que ofereça: Assistência médica e hospitalar, além de fornecimento de medicamentos, que seja igual ou superior ao já existente. Permanecendo a participação financeira dos empregados (cod. 553), o
fls.18
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP correspondente ao desconto de 2% (dois por cento) do salário contratado (cod. 120).
Parágrafo Primeiro: Para a assistência Odontológica, a EMGERPI manterá, nas instalações físicas da Agência de Tecnologia da Informação – ATI, o gabinete odontológico, ficando obrigada a reembolsar o valor pago para compra de material odontológico, até o limite de R$ 3.000,00 (três mil reais), bem como, reajustar o repasse de recurso à ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA PRODEPI – ADESP mediante a aplicação do INPC/IBGE acumulado no período de 1o.09.2012 a 31.08.2013, incidente sobre o valor vigente em 31.08.2013.
Parágrafo Segundo: indeferido.’"
No recurso ordinário, o Sindicato Suscitante alega que o § 2º da Cláusula 16 constava em acordos coletivos anteriores, devendo ser mantido, portanto, tendo em conta seu caráter de norma preexistente.
Sem razão.
A SDC compreende que as cláusulas que importem encargo econômico ao empregador podem ser fixadas por sentença normativa ou reajustadas somente se houver norma preexistente. Entende-se por norma preexistente aquele benefício que já foi discutido e fixado por livre negociação entre as partes, seja em acordo ou convenção coletiva ou sentença normativa homologatória de acordo.
A cláusula em questão não é preexistente, nos termos da jurisprudência desta Seção, pois prevista em sentença normativa vigente no período imediatamente anterior ao presente dissídio coletivo, não tendo sido fruto de acordo judicialmente homologado (fls. 305/309 – numeração eletrônica).
Por outro lado, esta Corte compreende ser possível a manutenção de cláusula quando representar conquista histórica.
Não obstante, esta Dt. Seção, nos autos do RO-313-41.2011.5.22.0000, julgado em 13/10/2014, DEJT: 24/10/2014, de Relatoria do Ministro Walmir Oliveira da Costa, decidiu que, para a caracterização da cláusula como uma conquista histórica da categoria profissional, necessário que o benefício nela tratado tenha sido objeto de negociação pelos Sujeitos Coletivos, em instrumento normativo autônomo, por 10 (dez) anos consecutivos, no mínimo.
fls.19
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP Ressalva de entendimento do Relator que compreende não ser necessário um período tão longo para se caracterizar a conquista histórica da categoria, sendo bastantes cinco anos.
No caso, foram colacionadas aos autos as seguintes sentenças normativas que antecederam o presente dissídio – DC nº 00003.2009.000.22.00.0 (fls. 127/164 – numeração eletrônica); DC nº 0000018-04.2011.5.22.0000 (fls. 167/189 - numeração eletrônica); DC nº 0000313-41.2011.5.22.0000 (fls. 190/250 - numeração eletrônica); DC nº 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica) -, não tendo a cláusula em comento sido objeto de acordo homologado judicialmente em nenhum desses dissídios.
Nesse contexto, não há falar em caracterização da cláusula em debate como conquista histórica da categoria.
Registre-se, quanto ao benefício de complementação do auxílio-doença ou acidente de trabalho (parágrafo segundo), que a legislação previdenciária não estabelece esse benefício ao trabalhador afastado do trabalho por motivo de saúde, doença ou acidente. A matéria tem sido apresentada por regulamentos empresariais, instrumentos coletivos negociados ou sentenças normativas, não tendo sido ainda incorporada pela legislação.
Esta Seção possui entendimento de que cláusula de tal natureza apenas pode ser fixada autonomamente pelas partes.
Desse modo, no caso concreto, a previsão de complementação, pela empresa Suscitada, do auxílio-doença e do auxílio-acidente de trabalho pagos pelo INSS ao empregado escapa ao âmbito do poder normativo da Justiça do Trabalho. Benefício dessa espécie, que importa encargo econômico ao empregador, depende de negociação direta entre as partes.
Ressalte-se que esta SDC decidiu nesse mesmo sentido no RO-18-04.2011.5.22.0000 e no RO-30600-55.2009.5.22.0000, ambos de minha relatoria, julgados em 23.2.2015 e 11.3.2013, respectivamente, envolvendo as mesmas partes deste dissídio.
fls.20
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 5. CLÁUSULA 27 – ABONO FALTA. ANÁLISE PREJUDICADA. O egrégio Tribunal Regional alterou a redação do caput da cláusula em questão, nos seguintes termos:
"(...)
CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.
(...)
CLÁUSULA VIGÉSIMA SÉTIMA – ABONO DE FALTA
‘CLÁUSULA VIGÉSIMA SÉTIMA – ABONO DE FALTA
A EMGERPI abonará a falta de empregado enquanto perdurar o tratamento de dependentes, ascendentes ou descendentes de primeiro grau, acometido de moléstia infecto-contagiosa que obrigue o isolamento, conforme Lei nº 6.259, de 30 de outubro de 1975.
Parágrafo Primeiro: Para fins de abono da frequência ao trabalho nas situações em que se justifique o acompanhamento de dependente enfermo, o empregado deverá apresentar no Departamento de Administração de Pessoal, obrigatoriamente, atestado ou laudo do médico, assistente do dependente, justificando a necessidade do acompanhamento.
Parágrafo Segundo: Para efeito desta cláusula, consideram-se dependentes do empregado, o cônjuge ou companheiro(a), os pais, os filhos legítimos ou adotados, ou menor que esteja sob a guarda judicial do empregado.’
O suscitante pleiteia a manutenção da cláusula, sob a justificativa de que com o aumento das doenças infectocontagiosas o trabalhador muitas vezes fica obrigado a acompanhar um ente familiar ao hospital, que dependendo da situação precisa acompanhar o tratamento até o seu término ou uma melhoria significativa. Sustenta que esse tipo de pedido é de certa forma raro, e a sua não concessão poderá implicar em quebra de produtividade motivado pela preocupação decorrente da enfermidade.
A suscitada refuta a proposta, argumentando que o art. 473 da CLT prevê as hipóteses em que é permitido ao empregado se ausentar do trabalho sem prejuízo da remuneração, não estando ali incluída a hipótese ora sugerida na cláusula. Ademais, sustenta que a cláusula sugerida por não fixar
fls.21
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP limite temporal para o afastamento, pode comprometer a atividade da empresa.
O Ministério Público do Trabalho afirma tratar-se de matéria apropriada para negociação coletiva, na medida em que pode gerar ônus financeiro para a empresa. Como não houve acordo, recomenda o indeferimento da proposta.
Conquanto não tenha havido acordo, observa-se que a vertente cláusula constou em sentenças normativas anteriores, a exemplo do DC no 0000336-50.2012.5.22.0000 - seq. 054, o que significa conquista da categoria, e assim deve ser mantida, porém, não nos mesmos moldes propostos. É que o afastamento sem um prazo determinado não é razoável, ante a necessidade de manutenção regular da atividade de cada empregado no âmbito da empresa.
Assim, defere-se parcialmente a cláusula, apenas para limitar o tempo de afastamento a no máximo trinta dias, substituindo-se a expressão "enquanto perdurar o tratamento" constante do "caput", por "em um máximo de 30 (trinta dias), para acompanhar".
‘CLÁUSULA VIGÉSIMA SÉTIMA – ABONO DE FALTA (nova redação)
A EMGERPI abonará a falta de empregado em um máximo de 30 (trinta dias), para acompanhar o tratamento de dependentes, ascendentes ou descendentes de primeiro grau, acometidos de moléstia infecto-contagiosa que obrigue o isolamento, conforme Lei nº 6.259, de 30 de outubro de 1975.
Parágrafo Primeiro: Para fins de abono da freqüência ao trabalho nas situações em que se justifique o acompanhamento de dependente enfermo, o empregado deverá apresentar no Departamento de Administração de Pessoal, obrigatoriamente, atestado ou laudo do médico, assistente do dependente, justificando a necessidade do acompanhamento.
Parágrafo Segundo: Para efeito desta cláusula, consideram-se dependentes do empregado, o cônjuge ou companheiro(a), os pais, os filhos legítimos ou adotados, ou menor que esteja sob a guarda judicial do empregado.’"
No recurso ordinário, o Sindicato Suscitante alega que o caput da Cláusula 27 constava em acordos coletivos anteriores, devendo ser mantido, portanto, tendo em conta seu caráter de norma preexistente. Ora, considerando que o recurso da Empresa Suscitada contém impugnação a esta cláusula de forma prejudicial ao conteúdo ora questionado pelo Sindicato, far-se-á a análise do tema de forma conjunta, quando da apreciação do apelo patronal.
fls.22
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP B) RECURSO ORDINÁRIO DA EMPRESA SUSCITADA
I) CONHECIMENTO
O recurso ordinário é tempestivo (decisão publicada em 6.4.2015, recurso apresentado em 14.4.2015), a representação é regular (fl. 386 – numeração eletrônica), as custas foram devidamente recolhidas (fl. 559 – numeração eletrônica) e estão preenchidos os demais pressupostos genéricos de admissibilidade do apelo.
Conheço. II) MÉRITO
Sabe-se que cláusulas preexistentes são aquelas constantes de anterior convenção coletiva de trabalho ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa resultante de acordo judicialmente homologado.
No caso, o instrumento normativo imediatamente anterior a este dissídio é a sentença normativa firmada no DC nº 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica).
Registre-se que, na referida sentença normativa, parte das cláusulas foi fruto de acordo judicialmente homologado, e outra parte foi decidida nos limites permitidos pelo Poder Normativo da Justiça do Trabalho.
Feito esse breve esclarecimento, passa-se ao exame das cláusulas questionadas:
1. CLÁUSULA 4ª – PROCESSOS JUDICIAIS.
O egrégio Tribunal Regional deferiu a presente cláusula, nos seguintes termos:
"CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico
fls.23
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.
CLÁUSULA QUARTA
"CLÁUSULA QUARTA - PROCESSOS JUDICIAIS Nos processos plúrimos ou de substituição processual em que for condenada a EMGERPI/PRODEPI, e que estejam em fase de execução, a empresa fornecerá os cálculos ou informações que facilitem o processo, de forma a se evitar gastos adicionais com perícias que possam onerar os signatários deste acordo."
O suscitante justifica que esta cláusula é fruto da histórica composição que existe entre suscitante e suscitada, devendo ser mantida, pois permite que os processos em execução tenham uma tramitação mais célere e menos onerosa à categoria.
A suscitada contesta o pleito, alegando a desnecessidade da cláusula, porquanto o procedimento de execução tem regramento próprio na CLT, não sendo de sua responsabilidade a realização de cálculos e perícias tendo por origem direitos trabalhistas.
O Ministério Público do Trabalho recomenda o deferimento da cláusula por entender tratar-se de conquista da categoria.
Como observado pelo MPT, cuida-se de cláusula preexistente, inclusive, constando de outros pactos normativos a exemplo do último dissídio coletivo da categoria (0000336- 50.2012.5.22.0000 - seq. 054), estando, pois, na esteira do normatizado no art. 114, § 2.o, da
Constituição Federal.
Defere-se, portanto, a cláusula."
No recurso ordinário, a Empresa Suscitada afirma que, ao contrário do informado no acórdão regional, a cláusula em comento foi indeferida no último dissídio coletivo, não constituindo, pois, norma preexistente. Requer, então, o indeferimento da Cláusula 4ª.
Com razão.
A referida cláusula impõe um ônus processual direcionado à empresa Suscitada no bojo de ações de natureza plúrima ou de substituição processual propostas pelo Sindicato Suscitante. A matéria é disciplinada legalmente e o estabelecimento de obrigações mais abrangentes, nessa seara, não pode ser concretizado por meio de sentença normativa, sendo afeto à negociação coletiva.
Registre-se que o instrumento normativo imediatamente anterior ao presente dissídio coletivo é a sentença normativa proferida
fls.24
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP no DC nº 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica). De acordo com a jurisprudência desta Seção Especializada, somente pode ser considerada norma preexistente, para fins de manutenção, a cláusula prevista em acordo coletivo, convenção coletiva ou sentença normativa homologatória de acordo.
A norma que estabelece a obrigação em análise não é preexistente, nos termos da jurisprudência desta Seção, não tendo sequer constado da sentença normativa vigente no período imediatamente anterior ao presente dissídio coletivo, visto que indeferida (fls. 278/280 – numeração eletrônica).
Por outro lado, esta Corte compreende ser possível a manutenção de cláusula quando representar conquista histórica.
Não obstante, esta Dt. Seção, nos autos do RO-313-41.2011.5.22.0000, julgado em 13/10/2014, DEJT: 24/10/2014, de Relatoria do Ministro Walmir Oliveira da Costa, decidiu que, para a caracterização da cláusula como uma conquista histórica da categoria profissional, necessário que o benefício nela tratado tenha sido objeto de negociação pelos Sujeitos Coletivos, em instrumento normativo autônomo, por 10 (dez) anos consecutivos, no mínimo.
Ressalva de entendimento do Relator que compreende não ser necessário um período tão longo para se caracterizar a conquista histórica da categoria, sendo bastantes cinco anos.
No caso, foram colacionadas aos autos as seguintes sentenças normativas que antecederam o presente dissídio – DC nº 00003.2009.000.22.00.0 (fls. 127/164 – numeração eletrônica); DC nº 0000018-04.2011.5.22.0000 (fls. 167/189 - numeração eletrônica); DC nº 0000313-41.2011.5.22.0000 (fls. 190/250 - numeração eletrônica); DC nº 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica) -, tendo a cláusula em comento sido objeto de acordo homologado judicialmente apenas no primeiro dissídio coletivo.
Nesse contexto, não há falar em caracterização da cláusula em debate como conquista histórica da categoria.
Desse modo, impõe-se a exclusão da cláusula em comento da presente sentença normativa.
fls.25
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP Ressalte-se que esta SDC decidiu nesse mesmo sentido no RO-18-04.2011.5.22.0000, de minha relatoria, julgado em 23.2.2015, envolvendo as mesmas partes deste dissídio.
Ante o exposto, dá-se provimento ao recurso ordinário, a fim de excluir da decisão normativa a CLÁUSULA 4ª- PROCESSOS JUDICIAIS. Ficam, entretanto, ressalvadas as situações fáticas já constituídas, a teor do art. 6º, § 3º, da Lei 4.725/65.
2. CLÁUSULA 6ª – DIVULGAÇÃO DO ACORDO.
O egrégio Tribunal Regional deferiu a cláusula nos termos em que postulada:
"CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.
(...)
CLÁUSULA SEXTA
"CLÁUSULA SEXTA – DIVULGAÇÃO DO ACORDO A EMGERPI garante a divulgação da presente Sentença Normativa, individualmente, a todos os seus empregados da base do SINDPD/PI."
Alega o suscitante que a cláusula vem sendo contemplada nos acordos da categoria ao longo dos anos, tendo sido objeto de disciplinamento nos últimos dissídios coletivos da categoria.
A suscitada sustenta que a cláusula em apreço lhe impõe um ônus que é do sindicato, razão pela qual requer o seu indeferimento ou, pelo menos, que a divulgação seja feita nos murais da empresa.
O Ministério Público do Trabalho recomenda o deferimento da cláusula, por tratar-se de conquista anterior da categoria, tendo sido deferida no ACT 2006/2007, exatamente pelos motivos ora expostos.
Extrai-se dos autos (seq. 017, p. 110 e seq. 022, p. 167) que a cláusula em comento constava em outros acordos coletivos de trabalho, tendo sido confirmada no dissídio anterior (DC no
0000336-50.2012.5.22.0000 - seq. 054). Nesse sentido, constitui-se norma preexistente, devendo ser respeitada, como forma de garantia das disposições mínimas de proteção ao trabalho, na forma estabelecida no art. 114, § 2o, da CF.
fls.26
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP No recurso ordinário, a Empresa Suscitada reitera "que esta cláusula impõe à empresa ônus que incumbe à representatividade sindical. Para tanto, requer o indeferimento desta cláusula ou no mínimo que a divulgação seja através dos murais da empresa" (fl. 540 – numeração eletrônica).
Com razão.
De acordo com a jurisprudência desta Seção Especializada, somente pode ser considerada norma preexistente, para fins de manutenção, a cláusula prevista em acordo coletivo, convenção coletiva ou sentença normativa homologatória de acordo.
A cláusula em questão não é preexistente, nos termos da jurisprudência desta Seção, pois prevista em sentença normativa vigente no período imediatamente anterior ao presente dissídio coletivo, não tendo sido fruto de acordo judicialmente homologado (fls. 280/282 – numeração eletrônica).
Por outro lado, esta Corte compreende ser possível a manutenção de cláusula quando representar conquista histórica.
Não obstante, esta Dt. Seção, nos autos do RO-313-41.2011.5.22.0000, julgado em 13/10/2014, DEJT: 24/10/2014, de Relatoria do Ministro Walmir Oliveira da Costa, decidiu que, para a caracterização da cláusula como uma conquista histórica da categoria profissional, necessário que o benefício nela tratado tenha sido objeto de negociação pelos Sujeitos Coletivos, em instrumento normativo autônomo, por 10 (dez) anos consecutivos, no mínimo.
Ressalva de entendimento do Relator que compreende não ser necessário um período tão longo para se caracterizar a conquista histórica da categoria, sendo bastantes cinco anos.
No caso, foram colacionadas aos autos as seguintes sentenças normativas que antecederam o presente dissídio – DC nº 00003.2009.000.22.00.0 (fls. 127/164 – numeração eletrônica); DC nº 0000018-04.2011.5.22.0000 (fls. 167/189 - numeração eletrônica); DC nº 0000313-41.2011.5.22.0000 (fls. 190/250 - numeração eletrônica); DC nº 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica) -, tendo a
fls.27
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP cláusula em comento sido objeto de acordo homologado judicialmente nos três primeiros dissídios.
Nesse contexto, vê-se que as condições presentes não são suficientes para caracterizar a cláusula em debate como conquista histórica da categoria.
Tendo em conta que a sentença normativa é peça documental comum às Partes, entende-se desnecessária e indevida a imposição à empresa do ônus de a divulgar por meio de sentença normativa. Ante o exposto, dá-se provimento ao recurso ordinário, a fim de excluir da decisão normativa a CLÁUSULA 6ª- DIVULGAÇÃO DO ACORDO. Ficam, entretanto, ressalvadas as situações fáticas já constituídas, a teor do art. 6º, § 3º, da Lei 4.725/65.
3. CLÁUSULA 8ª – REAJUSTE SALARIAL.
O egrégio Tribunal Regional deferiu a presente cláusula nos exatos termos da proposta:
"CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.
(...)
CLÁUSULA OITAVA
"CLÁUSULA OITAVA – REAJUSTE SALARIAL A tabela salarial da EMGERPI/PRODEPI, a vigorar a partir de 1º de setembro de 2013 será aquela decorrente da aplicação dos seguintes itens, cumulativamente sobre os valores vigentes em 31 de agosto de 2013:
a) Variação do INPC/IBGE apurado entre 1º de setembro de 2012 e 31 de agosto de 2013.
b) A EMGERPI/PRODEPI pagará a titulo de ganho real o percentual de 15% (quinze por cento).
Parágrafo Primeiro: A empresa pagará as diferenças salariais provenientes do reajuste contido no caput desta cláusula, referentes ao período compreendido entre setembro de 2013 e a assinatura deste Acordo Coletivo de Trabalho ou a
fls.28
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP publicação de Sentença Normativa, na primeira folha de pagamento dos trabalhadores.
Parágrafo Segundo: O índice correspondente a variação INPC/IBGE, conforme caput desta cláusula reajustará os seguintes códigos: 103 – Gratificação de Função; 120 – Salários Contratados; 280 – Gratificação Incorporada e 169 – Gratificação de Produtividade."
Alega o suscitante que "a presente cláusula tem por finalidade buscar melhorar o ânimo da categoria que espera receber ao menos as perdas salariais corroídas pela inflação.
Em verdade o Governo Federal liberou os empregados e empregadores para negociarem livremente os reajustes salariais podendo as partes, inclusive, escolherem o índice inflacionário aplicável que mais se amolde entre os diretamente interessados."
A suscitada concorda parcialmente com o reajuste salarial proposto, porém nas seguintes condições: 1) que o índice de reajuste seja a variação do INPC (IBGE) acumulado nos últimos 12 meses, correspondendo a 6,07% para o mês de setembro de 2013; 2) que o reajuste referido incida apenas sobre o salário base ou salário contratado, sob o código 120; 3) que o reajuste não seja retroativo, incidindo apenas a partir da data base da categoria; e 4) que o pagamento das diferenças relativas à retroação à data-base da categoria não seja efetuado de uma só vez, ressalvada a hipótese de anuência da SEAD, e existência de disponibilidade financeira.
O Ministério Público do Trabalho afirma que "houve concordância quanto ao disposto na alínea "a" e as matérias trazidas nas alíneas e parágrafos impugnados dependeriam de acordo, o que não houve. Por outro lado, também não se trata de conquista da categoria, tendo sido deferida parcialmente no dissídio coletivo anterior. Diante disso, [o MPT] recomenda o deferimento parcial desta cláusula, para que o reajuste observe o previsto apenas na alínea 'a' do caput, com o pagamento das diferenças em até duas folhas de pagamento consecutivas, logo após o julgamento."
Compulsando os autos, percebe-se que a cláusula em apreço constou da sentença normativa prolatada nos autos do último DC nº 0000336-50.2012.5.22.0000 (seq. 054, p . 379/383), cujos fundamentos pede-se aqui venia para transcrever:
"O aumento real efetivo do padrão remuneratório deve ser buscado através dos instrumentos disponibilizados pela autonomia privada coletiva, devendo a categoria profissional buscar meios que possam elevar o padrão salarial dos trabalhadores, de modo a evitar o achatamento dos seus ganhos.
Assim, este Tribunal tem seguido orientações do C. TST, no sentido de que as perdas salariais sejam recuperadas através do INPC/IBGE, conforme entendem suscitante e suscitada.
Há acordo nos autos acerca da vigência do acordo coletivo, razão pela qual o reajuste deve ser pago de uma só vez, com
fls.29
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP relação aos meses vencidos, com a devida atualização monetária e juros de mora.
Assim, defiro a cláusula na forma pleiteada pelo suscitante, mantendo a redação tal como proposta."
Ao contrário do que defende a suscitada, o reajuste deverá incidir em todas as parcelas de natureza salarial, e não só apenas na rubrica de código 120 (salário contratado).
Assim, defere-se a pretensão nos exatos termos da proposta."
No recurso ordinário, a Empresa Suscitada reafirma que "tal reajuste deverá estar restrito ao salário-base ou salário contratado (código 120), sob pena de se produzir um efeito cascata insuportável pelas finanças da empresa" (fl. 541 – numeração eletrônica).
Sem razão.
Ressalte-se, inicialmente, que as presentes razões recursais contêm insurgência apenas contra o parágrafo segundo da Cláusula 8ª, com pleito de incidência do reajuste apenas sobre os salários contratados (código 120).
Ora, o reajuste das parcelas "Gratificação de Função", "Gratificação Incorporada" e "Gratificação Produtividade" pelo INPC/IBGE consiste em mera correção dos valores de tais benefícios pelo mesmo índice do reajuste salarial constante da sentença normativa, o qual sequer foi questionado pela Recorrente, devendo, portanto, ser mantida a previsão constante do parágrafo segundo da Cláusula 8ª.
Esclareça-se que não se discute, no caso, a concessão de aumento salarial a título de produtividade, que, como se sabe, deve estar amparada em indicadores objetivos, tampouco se discute a própria concessão das parcelas "Gratificação de Função", "Gratificação Incorporada" e "Gratificação Produtividade", reconhecidas como devidas pela própria Empresa Recorrente.
Assim, nega-se provimento ao recurso ordinário. 4. CLÁUSULA 10 – REAJUSTES SALARIAIS FUTUROS.
O egrégio Tribunal Regional homologou a cláusula em questão:
fls.30
PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000
Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP "CLÁUSULAS ACORDADAS PELAS PARTES, COM ANUÊNCIA INTEGRAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO – HOMOLOGAÇÃO.
Em audiência de conciliação realizada no presente dissídio coletivo (seq. 039), as partes firmaram acordo no tocante às cláusulas a seguir relacionadas, com a anuência do Ministério Púbico do Trabalho, sendo ora homologadas por esta Corte, para que surtam os efeitos legais próprios da sentença normativa, passando a viger com a redação a seguir transcrita:
(...)
CLÁUSULA DÉCIMA - REAJUSTES SALARIAIS FUTURO Aos salários corrigidos em Setembro de 2013 será aplicada a política salarial oficial em vigor ou a que venha a substituí-la, até que seja firmado um novo acordo coletivo de trabalho."
No recurso ordinário, a Empresa Suscitada afirma que "não merece prosperar o pedido constante nesta cláusula, haja vista que é totalmente desnecessária, por não ser proveitosa a previsão de aplicação de futuras políticas salariais. Requer, pois o indeferimento desta cláusula" (fl. 541 – numeração eletrônica).
Sem razão.
A Cláusula 10 foi objeto de acordo entre as partes, tendo sido homologada pelo TRT de origem, com anuência total do Ministério Público do Trabalho, razão pela qual não há falar em interesse recursal da empresa Suscitada no particular.
Ressalte-se, ainda, que, tendo a Recorrente concordado, em juízo, com o conteúdo da cláusula em questão, não pode agora pleitear seu indeferimento.
Nega-se provimento ao recurso.
5. CLÁUSULA 11 – HORAS EXTRAORDINÁRIAS.
O egrégio Tribunal Regional deferiu parcialmente a cláusula postulada:
"CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO
Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.