• Nenhum resultado encontrado

CLÁUSULA 15 – AUXÍLIO FUNERAL

O egrégio Tribunal Regional deferiu parcialmente a cláusula referente ao auxílio funeral:

"CLÁUSULAS PARA JULGAMENTO

Destaca-se, para facilitar o entendimento da presente minuta de sentença normativa, que as cláusulas transcritas no início de cada tópico

fls.43

PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000

Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP representam a proposta tal como redigida pelo sindicato suscitante, enquanto o texto negritado ao final, após as considerações deste Relator, serão objeto de decisão deste Colegiado.

(...)

CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA

"CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA - AUXÍLIO FUNERAL

A EMGERPI manterá aos seus empregados, auxílio funeral no valor de 05 (cinco) salários mínimos, no caso de falecimento de esposo(a) ou companheiro(a), filhos legítimos ou legitimados, menores de dezoito anos, pagável ao empregado em uma única vez, no mês de ocorrência do óbito.

Parágrafo Único: Em caso de falecimento do empregado o auxílio funeral será pago à família do falecido."

O suscitante pleiteia a manutenção desta cláusula, visto que contemplada historicamente nos acordos anteriores da categoria. Realça que o benefício visa amenizar os encargos financeiros com funerárias, geralmente em momentos inesperados pela família do trabalhador.

A suscitada, utilizando-se dos mesmos argumentos apresentados no tocante à cláusula antecedente, propugna pelo indeferimento da proposta ou, sucessivamente, o deferimento com base em um valor menor do que o pleiteado.

O Ministério Público do Trabalho mais uma vez opina pelo deferimento da cláusula, por se tratar de conquista da categoria.

De fato, observa-se que em dissídios coletivos e em avenças anteriores, a exemplo do DC 0000336-50.2012.5.22.0000 (seq. 054, p. 400/402), consta a cláusula acordada sobre o mesmo tema, porém em valor fixo, correspondendo, à época, a 2 (dois) salários mínimos.

Desse modo, tratando-se de cláusula preexistente, deferida no último dissídio da categoria, situa-se na esteira do normatizado no art. 114, § 2.o, da Constituição Federal, e considerando-se que a vinculação ao salário mínimo pode ensejar futuras alegações de nulidade, razoável fixar-se o valor da indenização em R$ 1.576,00 (um mil, quinhentos e setenta e seis reais).

Assim, defere-se parcialmente a cláusula, com a seguinte redação: "CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA - AUXÍLIO FUNERAL

A EMGERPI manterá aos seus empregados, auxílio funeral no valor de R$ 1.576,00 (um mil, quinhentos e setenta e seis reais), no caso de falecimento de esposo(a) ou companheiro(a), filhos legítimos ou legitimados, menores de dezoito anos, pagável ao empregado em uma única vez, no mês de ocorrência do óbito.

Parágrafo Único: Em caso de falecimento do empregado o auxílio funeral será pago à família do falecido."

fls.44

PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000

Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP No recurso ordinário, a Empresa Suscitada requer a exclusão da cláusula, uma vez que sua concessão causaria desigualdade entre os trabalhadores da empresa, ou, no mínimo, a diminuição do valor, já que a proposta sobrecarrega suas finanças.

Ressalta que a "decisão do Colendo TST no Dissídio Coletivo Processo TRT 22 n° 313-41.2011.5.22.0000, ainda em tramitação, no qual as partes litigantes são as mesmas da presente contenda, onde este Tribunal por maioria decidiu dar provimento ao recurso da EMGERPI para excluir da sentença normativa a presente cláusula" (fl. 544 – numeração eletrônica).

Com razão.

A SDC compreende que as cláusulas que importem encargo econômico ao empregador podem ser fixadas por sentença normativa ou reajustadas somente se houver norma preexistente. Entende-se por norma preexistente aquele benefício que já foi discutido e fixado por livre negociação entre as partes, seja em acordo ou convenção coletiva ou sentença normativa homologatória de acordo.

A cláusula em questão não é preexistente, nos termos da jurisprudência desta Seção, pois prevista em sentença normativa vigente no período imediatamente anterior ao presente dissídio coletivo, não tendo sido fruto de acordo judicialmente homologado (fls. 303/305 – numeração eletrônica).

Por outro lado, esta Corte compreende ser possível a manutenção de cláusula quando representar conquista histórica.

Não obstante, esta Dt. Seção, nos autos do RO-313-41.2011.5.22.0000, julgado em 13/10/2014, DEJT: 24/10/2014, de Relatoria do Ministro Walmir Oliveira da Costa, decidiu que, para a caracterização da cláusula como uma conquista histórica da categoria profissional, necessário que o benefício nela tratado tenha sido objeto de negociação pelos Sujeitos Coletivos, em instrumento normativo autônomo, por 10 (dez) anos consecutivos, no mínimo.

Ressalva de entendimento do Relator que compreende não ser necessário um período tão longo para se caracterizar a conquista histórica da categoria, sendo bastantes cinco anos.

No caso, foram colacionadas aos autos as seguintes sentenças normativas que antecederam o presente dissídio – DC nº

fls.45

PROCESSO Nº TST-RO-340-19.2014.5.22.0000

Firmado por assinatura digital em 18/12/2015 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 00003.2009.000.22.00.0 (fls. 127/164 – numeração eletrônica); DC nº 0000018-04.2011.5.22.0000 (fls. 167/189 - numeração eletrônica); DC nº 0000313-41.2011.5.22.0000 (fls. 190/250 - numeração eletrônica); DC nº 336.50.2012.5.22.0000 (fls. 256/347 - numeração eletrônica) -, não tendo a cláusula em comento sido objeto de acordo homologado judicialmente em nenhum desses dissídios.

Nesse contexto, não há falar em caracterização da cláusula em debate como conquista histórica da categoria.

Desse modo, no caso concreto, a concessão de auxílio funeral escapa ao âmbito do poder normativo da Justiça do Trabalho. Benefício dessa espécie, que importa encargo econômico ao empregador, depende de negociação direta entre as partes.

Ressalte-se que esta SDC, no

RO-313-41.2011.5.22.0000, de relatoria do Min. Walmir Oliveira da Costa, julgado em 13.10.2014, e no RO-18-04.2011.5.22.0000, de minha relatoria, julgado em 23.2.2015, envolvendo as mesmas partes deste dissídio, decidiu que, por não se tratar de cláusula preexistente, nem de conquista histórica da categoria, deveria ser excluída a cláusula em debate, em face do encargo econômico gerado.

Assim, dá-se provimento ao recurso ordinário, a fim de excluir da decisão normativa a CLÁUSULA 15 – AUXÍLIO FUNERAL. Ficam, entretanto, ressalvadas as situações fáticas já constituídas, a teor do art. 6º, § 3º, da Lei 4.725/65.

10. CLÁUSULA 16 – ASSISTÊNCIA MÉDICO-ODONTOLÓGICA E