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3.2 ASPECTOS ESSENCIAIS DOS CONTRATOS

3.2.1 Classificação

A classificação dos contratos é uma premissa inicial para atingir sua natureza jurídica e, consequentemente, seus efeitos, assim como a classificação de todo e qualquer negócio jurídico que tem essa finalidade.

Segundo Venosa (2012, p. 387), “de acordo com a modalidade de contrato sob exame na prática jurídica, há distintas consequências com variadas formas de interpretação e enfoque da posição das partes e do objeto contratado”. Isso significa dizer que cada contrato apresenta pontos diversos.

Portanto, a classificação dos contratos serve para posicionar corretamente o negócio jurídico no âmbito do exame de seu adimplemento e inadimplemento.

Entretanto, a classificação ideal dos contratos é aquela que engloba as várias categorias em compartimentos, que não se confundem umas com as outras e que se afastam de tal maneira que não têm similitudes, isolando-se, assim, em sua compreensão. (VENOSA, 2012, p. 388).

Porquanto, “se a classificação é importante para esclarecer o estudo de um fenômeno, torna-se quase indispensável quando se têm em mira fins didáticos”. (RODRIGUES, 1981 apud VENOSA, 2012, p. 389).

Ainda segundo Venosa (2012, p. 389), pela classificação tradicional do Direito Romano, quatro são as categorias dos contratos: reais, orais, literais e consensuais.

Os contratos reais “são aqueles que apenas ultimam com a entrega da coisa, feita por um contraente a outro”. São exemplos de contratos reais: o depósito, o comodato, o mútuo e o penhor. (DINIZ, 2004, p. 96).

No mesmo sentido, para Martins (2010, p. 83), os contratos reais “são aqueles que para nascerem, além do consentimento exigem que uma coisa seja entregue por uma parte à outra”.

Por outro lado, os contratos orais são os que se formam com o pronunciamento de certas palavras. Nesse caso, a obrigação nasce de uma resposta que o futuro devedor dá a uma pergunta do futuro credor. (VENOSA, 2012, p. 389).

Os contratos literais são os que necessitam da escrita. Neste, a obrigação constitui- se mediante o lançamento da dívida no registro.

Em contrapartida, para Diniz (2004, p. 95), os contratos consensuais ou não- solenes “são os que se perfazem pela simples anuência das partes, sem necessidade de outro

ato. Basta o consentimento dos contratantes para a sua formação”. São exemplos de contratos consensuais: a compra e a venda, a locação e o mandato.

Corrobora com isso, Martins (2010, p. 83), que aduz que se entendem “por contratos consensuais aqueles que se tornam perfeitos pelo simples consentimento das partes”.

Entretanto, para Lisboa (2009, p. 94), não há como utilizar para o contrato, diante da evolução e de sua distinção com a obrigação, a mesma classificação, pois o contrato é fonte da obrigação e com ela não se confunde.

Sendo assim, dentre as várias classificações de contratos, destacam-se:

Quanto à tipicidade: contratos típicos e contratos atípicos; quanto à pessoalidade: contratos impessoais e contratos intuitu personae; quanto à matéria: contratos civis, contratos empresariais, contratos de consumo e contratos administrativos; quanto às obrigações: contratos unilaterais e contratos bilaterais; quanto à onerosidade: contratos onerosos e contratos gratuitos; quanto ao risco: contratos comutativos e contratos aleatórios; quanto à natureza: contrato de aquisição, contratos de uso e gozo, contratos de prestação de serviços, contrato de representação e contratos associativos; quanto à forma: contratos solenes e contratos não solenes; quanto ao prazo: contratos por prazo indeterminado e contratos por prazo indeterminado; quanto à execução: contratos instantâneos, contratos de trato sucessivo e contratos de execução cativa; quanto à eficácia: contratos consensuais, contratos reais e contratos de eficácia real; quanto aos contratos reciprocamente considerados: contratos principais e contratos acessórios; quanto à modalidade: contratos puros, contratos sob condição, contratos a termo e contratos com encargo; quanto aos interesses das partes: contratos individuais, contratos individuais plúrimos, contratos individuais homogêneos, contratos coletivos e contratos difusos; quanto aos interesses de terceiros: contratos com eficácia sobre terceiros determinados e contratos com eficácia sobre terceiros indeterminados. (LISBOA, 2009, p. 95).

Porém, no presente trabalho, serão apresentados mais detalhadamente os contratos classificados quanto às obrigações, quanto à eficácia, quanto à onerosidade e quanto ao risco.

Assim, quanto às obrigações, os contratos podem ser: unilaterais e bilaterais. Os contratos unilaterais preveem obrigações a serem cumpridas por apenas uma das partes, efetivando-se os direitos da outra parte.

Nesse sentido, define Venosa (2012, p. 390) que “são unilaterais os contratos que, quando de sua formação, só geram obrigações para uma das partes”. Pode ser citado, como exemplo, a doação pura e simples, uma vez que o donatário não tem nenhuma obrigação a desempenhar nesse tipo de contrato.

Nas palavras de Martins (2010, p. 84), quando do contrato nascem obrigações apenas para uma das partes, diz-se que esse contrato é unilateral.

Por outro lado, na definição de Diniz (2004, p. 83), são bilaterais as obrigações “em que cada um dos contratantes é simultânea e reciprocamente credor e devedor do outro, pois produzem direitos e obrigações para ambos, tendo por característica principal o

sinalagma, ou seja, a dependência recíproca de obrigações”. Por isso, estes contratos também são chamados de contratos sinalagmáticos.

Da mesma forma, a definição de Venosa (2012, p. 390) se assemelha, já que, para ele, “contratos bilaterais ou com prestações recíprocas são os que, no momento de sua feitura, atribuem obrigações a ambas as partes, ou para todas as partes intervenientes”. Como exemplo desse tipo de contrato, tem-se a compra e a venda.

Corrobora com esse conceito, Martins (2010, p. 84), quando diz que “se as obrigações forem para as duas partes o contrato é bilateral”.

Quanto à eficácia, os contratos podem ser: consensuais, reais e de eficácia real. A este respeito, define Venosa (2012, p. 411) que “os contratos são consensuais quando se aperfeiçoam pelo mero consentimento, manifestação de vontade contratual, seja esta formal ou não e são reais os contratos que só se aperfeiçoam com a entrega da coisa que constitui seu objeto”.

Por isso, pode-se dizer que os contratos consensuais são os que se perfazem pelo simples consentimento das partes, independentemente de qualquer forma oral ou escrita ou da entrega da coisa.

No mesmo sentido, nas palavras de Lisboa (2009, p. 102), o contrato consensual perfaz-se mediante a simples convergência de vontades; já o contrato real somente gera efeitos a partir da entrega da coisa, pela tradição. Assim também é o contrato de eficácia real, que é aquele que possibilita a transferência da propriedade, mediante a observância da forma exigida por lei, ainda que se trate de promessa ou compromisso.

Quanto à onerosidade, os contratos podem ser: onerosos e gratuitos. A este respeito, Diniz (2004, p. 85) define que os contratos benéficos ou a título gratuito “são aqueles que oneram somente uma das partes, proporcionando à outra uma vantagem, sem qualquer contraprestação”. São exemplos: a doação pura e simples e o comodato.

No mesmo sentido, para Venosa (2012, p. 399), “nos contratos gratuitos, toda a carga de responsabilidade contratual fica por conta de um dos contratantes; o outro só pode auferir benefícios do negócio. Daí a denominação também consagrada de contratos benéficos”.

Em contrapartida, nos contratos onerosos, ambos os contratantes têm vantagens, pois sofrem um sacrifício patrimonial, correspondente a um proveito almejado. São exemplos: a locação e a compra e venda. (DINIZ, 2004, p. 104).

Segundo Martins (2010, p. 84), diz-se gratuito o contrato que resulta vantagem apenas para uma das partes, cabendo à outra um sacrifício que consiste na diminuição do seu patrimônio; e oneroso é o contrato em que há proveito para ambas às partes.

Da mesma forma, nas palavras de Lisboa (2009, p. 98), os contratos onerosos são aqueles nos quais ambas as partes devem efetuar disposição patrimonial, por força do ajuste. Já os contratos gratuitos são aqueles nos quais apenas uma das partes dispõe de seu patrimônio em benefício da outra, que nenhum pagamento tem de fazer.

Quanto ao risco, os contratos podem ser: contratos comutativos e contratos aleatórios. Assim, diz-se que, nos contratos comutativos, “as partes podem antever o que receberão em troca das prestações que realizarem, por haver certeza quanto às prestações e cada prestação corresponder a uma contraprestação”. (DINIZ, 2004, p. 89).

Segundo Venosa (2012, p. 401), é comutativo “o contrato no qual os contratantes conhecem, ex radice, ou seja, desde a raiz, suas respectivas prestações”. Nesse tipo de contrato, as partes têm plano, conhecimento do que têm a dar e a receber. Por outro lado, é aleatório o contrato em que ao menos o conteúdo da prestação de uma das partes é desconhecido, quando da elaboração da avença. São exemplos de contratos aleatórios: os contratos de seguro e os de jogo e azar.

A este respeito, nas palavras de Diniz (2004, p. 89), nos contratos aleatórios, com a intervenção do risco, “há uma extensão indeterminada das prestações, dependente de um evento casual, incerto e desconhecido, sem o qual jamais serão exigíveis, uma vez que pode advir de vantagem para uma parte e perda para a outra”.

Para Rodrigues (2002, p. 33) é aleatório “o contrato bilateral e oneroso em que pelo menos uma das partes não pode antecipar o montante da prestação que receberá, em troca da que fornece.” Por isso, diz-se que se compra um risco.

Destarte, é importante destacar que um contrato que normalmente é comutativo, pode ser transformado em aleatório, pela vontade das partes, como, por exemplo, a aquisição de uma futura colheita.

Dessa forma, apresentadas as principais classificações dos contratos, segue-se com a definição de suas espécies.