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3 ASPECTOS PROCESSUAIS EM RELAÇÃO AOS ALIMENTOS

3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS

Observa-se que, para fins doutrinário, os alimentos foram classificados em provisórios, provisionais e definitivos, ou seja, tal classificação se dá em razão do momento procedimental em que os alimentos são concedidos.

Sabe-se que a ação de alimentos pode ser cumulada com outros tipos de demandas como, por exemplo: divórcio, separação de corpos, reconhecimento de união estável e

investigação de paternidade. Dessa maneira, os alimentos podem ser deferidos tanto no início da lide, como incidentalmente e até mesmo na sentença. (DIAS, 2004).

Washington de Barros Monteiro e Regina Beatriz Tavares da Silva (2012, p. 554) afirmam que: “Os alimentos provisionais e provisórios constituem medida preventiva, por via da qual o interessado reclama fornecimento de provisão alimentícia, até que se julgue o pedido de alimentos definitivos.”

3.2.1 Alimentos provisórios

Alimentos provisórios são aqueles concedidos por decisão interlocutória, logo no início da demanda, quando verificada a real necessidade do credor em recebê-los antes de serem concedidos os alimentos definitivos.

Para Maria Berenice Dias (2015), os alimentos provisórios são aqueles que estão previstos no Código Civil e na Lei de Alimentos e, reproduzindo os ensinamentos de Gelson Amaro de Souza, os mesmos são considerados como “tutela antecipada de caráter satisfativo.” Ou seja, para que os mesmos sejam deferidos liminarmente na ação de alimentos, é preciso que exista prova pré-constituída em relação ao parentesco ou obrigação de prestar alimentos, não precisando os mesmos serem requeridos, o juiz poderá deferi-los de ofício.

É o que determina o art. 4º da Lei de Alimentos:

Art. 4º Ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expressamente declarar que deles não necessita.

Parágrafo único. Se se tratar de alimentos provisórios pedidos pelo cônjuge, casado pelo regime da comunhão universal de bens, o juiz determinará igualmente que seja entregue ao credor, mensalmente, parte da renda líquida dos bens comuns, administrados pelo devedor. (BRASIL, 1968).

Em relação ao arbitramento do valor dos alimentos provisórios, o juiz deverá levar em conta os elementos constantes na petição inicial e que indicam a profissão do devedor, sua posição social e econômica, entre outros fatores. (FARIAS; ROSENVALD, 2014).

Assim, observa-se que os alimentos provisórios podem ser concedidos na relação entre pais e filhos, uma vez existente prova pré-constituída dessa relação jurídica é possível deferir os alimentos antes de proferida a sentença de procedência.

3.2.2 Alimentos provisionais

Os alimentos provisionais podem ser requeridos de acordo com o exposto no art. 852 do Código de Processo Civil, sendo concedidos provisoriamente, uma vez que são deferidos antes ou durante o curso da ação principal.

Sendo assim, tal artigo disciplina que:

Art. 852. É lícito pedir alimentos provisionais:

I - nas ações de desquite e de anulação de casamento, desde que estejam separados os cônjuges;

II - nas ações de alimentos, desde o despacho da petição inicial; III - nos demais casos expressos em lei.

Parágrafo único. No caso previsto no no I deste artigo, a prestação alimentícia

devida ao requerente abrange, além do que necessitar para sustento, habitação e vestuário, as despesas para custear a demanda. (BRASIL, 1973, grifo nosso).

Como destacado no mencionado dispositivo, tal medida tem o objetivo de garantir o sustento daquele que pleiteia os alimentos, e ainda, vale ressaltar que mesmo tendo a denominação de medida cautelar nominada, os alimentos provisionais não possuem tal natureza assecuratória. Tal afirmação decorre do fato de que os alimentos provisionais não têm o objetivo de assegurar o resultado do processo principal, servem apenas para entregar ao credor os alimentos que ele necessita para sobreviver. (FARIAS; ROSENVALD, 2014).

Sobre o assunto Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald (2014, p. 765) afirmam que:

Serão concedidos os provisionais quando o interessado não tiver prova pré- constituída da existência da obrigação alimentar, não podendo pleitear alimentos provisórios em sede de ação de alimentos. Então, poderá ajuizar uma ação cautelar, preparatória ou incidental, requerendo alimentos provisionais, demonstrada a presença dos requisitos genéricos das cautelares (isto é, periculum in mora e fumus

boni juris), para garantir sua sobrevivência, enquanto promove uma outra demanda,

na qual demonstrará a existência da obrigação alimentar. Esta ação principal pode ser, por exemplo, uma ação de dissolução de união estável, de investigação de parentalidade ou mesmo uma ação de alimentos.

Expostas as particularidades dos alimentos provisórios e dos alimentos provisionais, os quais são deferidos provisoriamente até que sejam deferidos os alimentos definitivos, importante ressaltar que a principal diferença entre eles é a existência ou não de prova pré-constituída, comprovando a obrigação alimentar entre as partes, motivo pelo qual os alimentos serão provisórios quando existente tal prova e, provisionais quando não existente. Ambos os casos são muito parecidos, uma vez que visam assegurar que o credor receba os alimentos de que necessita antes de proferida a sentença.

Porém, importante ressaltar que os alimentos provisionais não serão concedidos entre pais e filhos, visto que tais alimentos somente poderão ser concedidos caso não exista prova pré-constituída da relação jurídica entre as partes. Podendo, portanto, serem concedidos em uma ação de investigação de paternidade c/c alimentos, caso em que essa relação jurídica ainda não restou comprovada.

3.2.3 Alimentos definitivos

Por sua vez, os alimentos definitivos são aqueles proferidos na sentença após o trânsito em julgado, porém, os alimentos definitivos não são definitivos, já que podem sofrer alteração no seu valor em caso de uma ação revisional. (DIAS, 2015).

Sobre a fixação do valor dos alimentos definitivos, o entendimento de Paulo Nader (2013, p. 460-461, grifo do autor) é no seguinte sentido:

Nem sempre o quantum estipulado nos alimentos provisórios é confirmado na fixação dos definitivos. De qualquer forma, estes retroagem à data da citação. Se menores, incabível a repetição do indébito, dado que a irrepetibilidade é uma das características da obrigação alimentar. O Código Civil português, pelo art. 2.007, nº 2, é específico: “Não há lugar, em caso algum, à restituição dos alimentos

provisórios recebidos.” Se a sentença final situou os alimentos definitivos em

patamar mais alto do que os provisórios, ao alimentando caberá receber o complemento das importâncias já pagas.

Assim, importante ressaltar que os alimentos somente retroagirão à data da citação caso no curso da ação não tenham sido deferidos alimentos provisórios, ou, caso estes tenham sido deferidos, o valor deles seja inferior ao dos alimentos definitivos. Pois, caso o valor dos alimentos provisórios seja superior ao dos definitivos, em razão ao princípio da irrepetibilidade, tais valores já pagos não poderão ser devolvidos ao devedor. (DIAS, 2015).

Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald (2014) explicam que em todos os casos, sejam alimentos provisórios, provisionais ou até mesmo definitivos, os alimentos são devidos a partir do momento da citação do réu, possuem a característica da irrepetibilidade e, ainda, caso o devedor não cumpra com sua obrigação é possível ocorrer a prisão civil, como medida coercitiva.

Por fim, observa-se que a denominação dos alimentos entre provisórios, provisionais e definitivos tem apenas o objetivo de mencionar o momento em que eles são concedidos, já que possuem a mesma finalidade de garantir a sobrevivência do credor.

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