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3. Trabalho Desenvolvido

3.3. Maquete – Cidade China

3.3.1. Cliente

VÍTOR HUGO - COORDENAÇÃO E GESTÃO DE PROJECTOS, SA9

Criada em 1993, após o seu fundador ter sido convidado para levar a efeito uma obra emblemática para a cidade do Porto, os edifícios 'Les Palaces'.

A empresa adotou a marca registada VHM, tendo-se assistido a uma evolução crescente do seu volume de negócios, conseguido não só pelo seu dinamismo como pela orientação para a satisfação das necessidades e exigências do mercado. A VHM concebe, projeta e fiscaliza soluções de engenharia em todas as áreas da gestão de empreendimentos, estudos e projetos, contando atualmente com cerca de 170 colaboradores.

A VHM tem sede no Porto e delegações em Coimbra e Lisboa, existindo delegações temporárias que acompanham as obras de maior valor, da Madeira ao Algarve. Em 2008 iniciou a sua internacionalização tendo escritórios em Angola, Marrocos, República Dominicana e Panamá.

3.3.2. O projeto

O projeto foi concebido por Arquitetos e engenheiros da “VHM”, sendo germinado em maqueta pela Tridaxis, trabalho de grande complexidade, todo realizado em acrílico, numa vasta gama de espessuras e tonalidades. Após a reunião foram facultados à empresa os ficheiros da modelação 3D dos elementos que compunham este projeto, como edifícios, patamares, monocarril, jardins entre outros.

O projeto tridimensional foi decomposto em várias camadas com espessuras iguais à do acrílico aplicado, planificando todos os edifícios em peças numeradas para facilitar a sua montagem. Este projeto consiste numa cidade com habitações, meio empresarial, hotel e hospital a ser construído na China, sendo uma cidade futurista, que exalta a verticalidade.

3.3.3. Edifícios

Os primeiros ensaios foram realizados nos edifícios, pois nestes tinham de ser ensaiados a aplicação do vinil, a união dos acrílicos opalino nos cristais, a sua montagem e a iluminação dos mesmos.

A Figura 48 ilustra o primeiro estudo que foi realizado para testar se resultaria o pretendido para realizar a maqueta. Este estudo foi modelado à parte, assim sendo não resulta de nenhum edifício existente no real, apenas serviu para testar a hipótese de colocar o acrílico cristal por fora e o opalino encaixado na respetiva peça e ainda qual seria a melhor maneira de aplicar o papel em vinil branco.

Figura 48 - Primeiro estudo para edifícios.

Fonte: Elaboração própria.

O vinil branco servia para cortar a iluminação interna, para fazer a divisão entre andares. O acrílico opalino ficaria interno, pois o objetivo era que a iluminação fosse suave, logo o cristal em torno deste daria a ideia de envidraçado, como eram os imóveis a construir.

O resultado foi satisfatório, apenas resultando uma alteração, que consistiu em colocar exclusivamente o papel autocolante em vinil branco sobre as peças de acrílico cristal, para a iluminação passar entre os opalinos unanimemente.

Figura 49 - Aplicação de vinil sobre as peças.

Fonte: Elaboração própria.

A aplicação do vinil, Figura 49, foi efetuada após o corte a laser das peças planificadas e numeradas. Antecedendo este passo, foi necessário retirar a película protetora do material, e encaixar estes nos respetivos pares opalinos e organizar por casas decimais as peças, facilitando, deste modo, o trabalho seguinte.

Foram talhadas do rolo de vinil tiras, que posteriormente foram cortadas em pedaços de tamanho suficiente para cobrir as peças de cristal. Estas peças só eram totalmente preenchidas de 5 em 5 andares, pois nestes intervalos teriam jardim e seriam abertas na extremidade do edifício. Como apenas o cristal era colocado por fora, o vinil tinha de ser retirado onde estava em excessos com o auxílio de um bisturi.

As peças opalinas tinham um quadrado recortado interiormente com a mesma geometria do varão metálico, que auxiliava na montagem e colagem dos imóveis, que serviria posteriormente para colocar a fibra ótica responsável pela iluminação. Estes eram também responsáveis pela rotação dos edifícios.

Figura 50 - Acrílicos com vinil ordenados.

Fonte: Elaboração própria. Figura 51 - Teste de montagem em varão metálico.

Fonte: Elaboração própria.

Terminando os testes, Figura 48 e 51, conclui-se que o varão metálico funcionava, desta forma foram criados uns gabaritos10, Figura 52, que tinham como função orientar na colagem das peças de modo a obter um edifício perfeitamente alinhado na sua estrutura, assim como auxiliar nas fachadas recortadas dos mesmos. Estes foram realizados para o efeito, recortando na serra elétrica pedaços de MDF, de onde foram retirados uns quadradinhos centrais por meio de marcação a laser para a colocação do varão metálico, posteriormente colado com cola de cianoacrilato.

Figura 52 - Gabaritos de auxílio de montagem dos edifícios.

Fonte: elaboração própria.

Figura 53 - Cola para acrílico.

Fonte: Elaboração própria.

Procedeu-se à montagem dos seis conjuntos de edifícios que compunham a maqueta, empregando sempre o uso dos gabaritos confecionados para o efeito. As peças eram colocadas uma a uma colando com cola própria para acrílico e onde tinha apenas vinil utilizava-se UHU fazendo sempre alguma pressão.

A cola para acrílico, Figura 53, utilizada é da “Dagol” e apresenta dois tipos a “Speedy” e a “Gold” a primeira é mais líquida e foi utilizada para colar duas peças ao mesmo nível, o encaixe do opalino no cristal, e é aplicada com lâmina, a segunda é mais espessa, é aplicada com pincel e cola duas superfícies de contacto. Para limpar os pincéis é aplicado álcool etílico, que endurece a cola que passa a ser de fácil remoção.

O acrílico escolhido foi em placas extrudidas, de modo a ser mais coerente na espessura ao longo da placa, mesmo assim foram realizados alguns ajustes no opalino, pois apesar de a espessura utilizada em ambos ser a mesma, este apresentava maior contração.

Figura 54 - Montagem de edifícios em gabaritos.

Fonte: Elaboração própria.

Foram ainda pintados com tinta de alumínio, Figura 55, a parte de baixo dos edifícios com o intuito de cortar completamente a passagem da luz, uma vez que por baixo destes estão localizados os LED’s. Na parte de cima das peças foram criados os jardins que não se solicitava que fossem iluminados.

O hospital, representado nas imagens que compõem a Figura 56, é um dos edifícios que compõem esta cidade e marca pela irreverência. As suas peças principais foram impressas utilizando a “Zprinter 650”. As peças foram retiradas e sopradas, retirando restos de pó cerâmico sem aglomerado, seguidamente foram endurecidas com verniz cianoacrilato.

No seu interior foram colocados acrílicos opalinos e no exterior, peças em acrílico cristal como se pode observar na Figura 56. Foi ainda encimado por jardins relvados.

Figura 56 - Hospital.

Fonte: Elaboração própria.

Um dos conjuntos de edifícios constitui um trio e que é diferente de todos os outros, uma vez que em vez do vinil foram acrescentados umas peças em Ava, um material americano, que intercalam as peças acrílicas. Este material foi cortado a laser e como é frágil derreteu nas linhas de corte, como tal procedendo-se à lixagem das faces, de modo a permanecerem uniforme. Após colados todos os edifícios foram apertados com grampos utilizando pedaços de madeira para não os danificar.

3.3.4. Jardins

A par da montagem final dos edifícios foram executados conforme apresentava a planta os jardins, quer dentro do próprio edifício, quer em redor destes. Foram utilizados diversos materiais para criar o envolvente da cidade, como se pode constatar na observação da Figura 57.

Figura 57 - Materiais para jardins.

Fonte: Elaboração própria.

Figura 58 - Estudo de um piso relvado.

Fonte: Elaboração própria.

Os materiais acima foram utilizados para fazer as relvas em três tons de verde misturado com um pouco de pó amarelo, o “tartan”11 em grão avermelhado, as verduras

das árvores, entre outros.

As relvas foram executadas em pó verde, que antes de ser aplicado foi peneirado, para apenas ficar o mais fino possível, para obter uma maior aderência na cola. Mas para minimizar as falhas a cola branca foi misturada com tinta acrílica verde, que era aplicada nas peças acrílicas opalinas que constituíam as bases dos edifícios, assim sendo virava-se um pouco de pó sobre a cola e pressionava-se com um pedaço de borracha duro deixando secar para se poder varrer o excesso com uma trincha.

As zonas a colocar relvado foram marcadas nas peças através do laser, criando um rebaixamento no material.

Seguidamente foram realizadas as árvores, utilizando fio elétrico de cobre, este processo consistia em descarnar o fio, cortá-lo em partes iguais de um centímetro e meio e enrolar parte com os dedos criando uma torção no material, rematando com os

mergulhadas em copos com misturas de pós verdes, que agarravam à tinta húmida. Após secar foram pulverizados com cola em spray, que lhes conferiu consistência.

Figura 59 - Criação das árvores.

Fonte: Elaboração própria.

Na planta relativa à maqueta, existia a passagem de um rio, que levou à realização de estudos, Figura 60, para que este ficasse o mais real possível, foram executados estudos com base em resina de poliuretano “Crystal clear”. O primeiro teste foi efetuado com tinta azul na base vertendo por cima a resina, no segundo foi conferido cor azul à resina acrescentando pigmento liquido e por fim foi coberta a base com uns grãos cinza, criando a impressão de areias, vertendo a mesma mistura do segundo teste. Para conferir bolhas na resina, parecendo-se o mais possível com água a resina foi aquecido com uma pistola de ar quente, mas o teste não foi bem-sucedido.

A água foi então realizada de outra forma, numa placa de acrílico preto foi marcado a laser o locar por onde passaria o rio, onde posteriormente foi coberto por

spay azul Danúbio. Por cima deste foi colocado acrílico cristal.

Figura 60 - Estudo de água em resina de poliuretano.

Fonte: Elaboração própria.

As estradas que passam na cidade foram realizadas também em acrílico preto, mas este foi cortado e lixado retirando deste modo o brilho e ficando mais baço, esta foi uma alternativa à primeira ideia, que consistia em colar sobre a superfície uma lixa preta

fina. Mas como não foi possível encontrar este material em rolo ou em folha com as dimensões pretendidas esta foi a melhor solução.

Os jardins como se pode observar na Figura 61, foram colocados nos imóveis, em zonas próprias abertas e em passagens entre eles. Além da relva foram colados tufos de verdura e as árvores. A existência de árvores também é visível de 5 em 5 andares nas extremidades dos edifícios e nas cúpulas que encimam estes, onde foram colocadas árvores dentro das resinas que as compõem.

Figura 61 - Jardins em edifícios.

Fonte: Elaboração própria.

As bases da maqueta também apresentam jardins, Figura 62, não só em relva como também em terra e o “tartan” em torno do estádio. As relvas foram todas colocadas da mesma forma assim como a terra, mas neste revestimento a cola branca tinha coloração castanha.

Figura 62 - Jardins das bases da maqueta.

3.3.5. Moldes

As Cúpulas foram modeladas em 3D e impressas na impressora que trabalha com pó cerâmico. O equipamento tem um tabuleiro cheio de pó, e apenas vai depositar o aglomerado nas zonas indicadas pelos ficheiros. Após concluída a impressão, a máquina tem um cano extensível que aspira o pó que é reintroduzido na máquina e que volta a ser utilizado. As peças são retiradas com cuidado e passam para o outro lado onde são sopradas ficando sem pó à superfície.

Seguidamente são embebidas em verniz cianoacrilato, Figura 63, que as endurece e as torna resistentes. Para a realização dos moldes as peças foram lixadas e envernizadas, pois o molde de silicone fica com a configuração da peça, assim como a resina de poliuretano, ou seja, se as peças não fossem envernizadas as cúpulas ficavam baças e não brilhantes.

Figura 63 - Cúpulas em poliamida.

Fonte: Elaboração própria.

Num recipiente foi misturado o silicone com o catalisador, que lhe confere a cor rosa e misturou-se bem, levando a uma câmara de pressão, onde esta é colocada a zero para que o ar saia do material.

As peças impressas com as configurações das cúpulas foram colocadas em outro recipiente, onde foi vazado o preparado para o molde e deixou-se secar. Quando secou, retiraram-se as peças e foi vertida a resina já preparada segundo as indicações do fabricante, deixando secar no forno durante algumas horas. Na resina acabada de vazar foram inseridas algumas árvores coladas num cartão para não descerem, como se pode analisar nas Figuras 64 e 65.

Figura 64 - Moldes e cúpulas em resina de poliuretano.

Fonte: Elaboração própria.

Figura 65 - Cúpulas colocadas nos edifícios.

Fonte: Elaboração própria.

Quando secou a resina, retiraram-se as peças com luvas para não as marcar, e foram embrulhadas em película aderente, para se poder lixar a base protegendo-as dos resíduos, a fim de retirar o cartão e acertar o fundo para serem coladas no topo dos edifícios com cola UHU.

Os chapeuzinhos, Figura 66, que estavam espalhados pela cidade tinham a função de armazenar a água da chuva e foram realizados pelo mesmo processo, alterando a forma como foi vazado o silicone do molde e a resina. Estes foram impressos encaixilhados e foram colados num pedaço de madeira e fechados com plasticina, para não entrar ar. O silicone foi entornado dentro deste caixilho. Após secar foram retirados com cortes e enchidos de resina pelo meio de uma seringa.

Figura 66 - Chapeuzinhos em pó cerâmico.

3.3.6. Montagem

A montagem foi executada apoiada nos gabaritos criados para aparelhar os edifícios para que tudo no final ficasse tal como foi planeado. Foi-se montando de baixo para cima, colando as partes entre si com colas para acrílico e cianoacrilato. A última coisa a colocar foram os imóveis.

Como é visível na Figura 67, a maqueta está assente num paralelepípedo preto, caixa executada para arrumar toda a componente elétrica. Sobre esta foi colocada uma caixa em acrílico cristal, para proteger todo o conjunto. Foi nesta tampa, que levou a gravação referente à empresa que encomendou o serviço.

Figura 67 - Montagem da maqueta.

Fonte: Elaboração própria.

3.3.7. Iluminação

A iluminação foi toda realizada por um engenheiro eletrotécnico, que montou os fios elétricos, os cabos, as fontes de alimentação, os LED’s e as fibras óticas. Realizou diversos estudos de iluminação adaptados a cada edifício, tendo em conta a cor e intensidade de iluminação, de forma a obter um conjunto harmonioso.

O software utilizado foi o “FreeStyler”, programa de fácil acesso pela internet. Realizasse o Download do programa e assim que este estiver instalado o Engenheiro enviava um e-mail com uma pasta que contêm todos os dados relativos à maqueta. Estes são colocada no “Disco local (C)” do computados, pois assim que se abria o programa este reconhecia os dados, sendo apenas preciso acender a iluminação. O primeiro teste

foi realizado no meu PC particular, de modo a obter conclusões sobre a perceção da instalação. Além dos edifícios foram ainda iluminados os chapeuzinhos que armazenavam a água da chuva, o monocarril e o hospital.

Figura 68 - "FreeStyler" ambiente de trabalho.

Fonte: Elaboração própria.

Figura 69 - Atalhos do software "FreeStyler".

Fonte: Elaboração própria.

Os fios elétricos escolhidos aguentam altas temperaturas, mesmo tendo o sistema duas ventoinhas para refrigeração, diminuindo a temperatura elevada devido à fonte de energia. A maqueta quando terminada foi assente em cima de uns pés em acrílico da cor da base. O tampo foi aparafusado, para se poder retirar, caso fosse necessário retificar ou reparar o sistema elétrico visível na Figura 70.

Figura 70 - Equipamento eletrónico.

Fonte: Elaboração própria.

dissipar o calor dos mesmos. Os apoios foram pintados com tinta de alumínio para diminuir a perda de iluminação.

Acima dos LED’s passam verticalmente as fibras óticas que sobem pelos edifícios no local onde inicialmente se encontravam os gabaritos.

Figura 71 - Apoio para LED’s.

Fonte: elaboração própria.

3.3.8. Embalamento

O embalamento foi realizado por camadas de esferovite de modo a proteger todo o conteúdo da maqueta, como se pode constatar na Figura 72, pois esta seria enviada para a China, preservando todo o projeto corretamente até ao destino. Em cima destas camadas de esferovite foi colocada a tampa de acrílico cristal.

Para o transporte realizou-se uma caixa de madeira, que foi pregada e revestida por uma camada de esferovite no seu interior. A maqueta entrou de lado na caixa e a tampa foi aparafusada de modo a facilitar a sua remoção sem comprometer o trabalho realizado. A par da embalagem foi enviado um guia para funcionar com o programa de iluminação.

Figura 72 - Embalamento do projeto.

3.3.9. Projeto final

As Figuras 73 e 74, ilustram a maquete finalizada e alguns pormenores relativos à mesma, as restantes imagens encontram-se em anexo agrupadas num Moodboard (consultar anexo 6).

Figura 73 - Maqueta Finalizada.

Fonte: Elaboração própria.

Figura 74 - Pormenores da base da maqueta.

3.4. Modelação 3D

Dando continuidade ao plano de estágio, o trabalho que se segue é sobre CNC, e mais uma vez era para realizar uma peça ao meu critério. Optei pela realização de um “puff”, mas para ser concretizado tinha de ser modelado tridimensionalmente no

software Rhinoceros, pois o modelo tinha de ser programado para o corte e como tal

neste software o meu supervisor já tinha programações pré-definidas e era só aplicá-las nos ficheiros 3D.

Como ainda não tinha contactado com este software foi-me proposto pelo supervisor realizar algumas vídeo aulas para contactar com os comandos mais básicos deste programa, para assim poder modelar a minha peça.

As vídeo aulas foram escolhidas pelo supervisor e recaíram sobre a garrafa de coca-cola e um anel. As peças foram modeladas e posteriormente renderizadas como exibem as Figuras 75 e 76.

Figura 75 - Render: garrafa de coca-cola.

Fonte: Elaboração própria.

Figura 76 - Render: Anel.

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