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CLUBE DOS AVENTUREIROS

No documento OS MAIO RES (páginas 73-77)

Em 1991 nós fundamos o Clube dos Aventureiros – que tinha o principal objetivo de agregar pessoas que gostassem de fazer atividades na natureza – e a partir de uns poucos que foram convidando outros, nós formamos um grupo razoável de pessoas que tinham as mesmas afinidades e que se propuseram a fazer coisas junto. O que não só é muito melhor, como também é mais barato (quando podemos dividir despesas) e, em alguns casos, possível – quando precisamos reunir um grupo para fazer uma festa, por exemplo.

Mas o Clube dos Aventureiros não nos trouxe apenas bons momentos de lazer; o Clube serviu principalmente para aproximar pessoas, que até então não se conheciam, e formar boas amizades. Eu, pelo menos, posso dizer que alguns dos melhores amigos que tenho, ou tive, eu conheci através do Clube dos Aventureiros – seguem alguns nomes, dos que lembro agora: o Amyr, o Tiago, o Marco, a Josélia, o Roque (de Blumenau), o Jorge, o Guto (do caiaque), o Rubens (do canyoning), a Neiva (de Agudo), a Dany, a Taiara, etc., etc., et cetera. Se o Clube tivesse servido só para aproximar pessoas já teria cumprido muito bem a sua função; mas o Clube dos Aventureiros foi muito mais do que isso: foi uma oportunidade que tivemos de construir histórias inesquecíveis; que ficarão, com certeza, em nossas boas memórias (e fotos) para toda a nossa vida.

Uma das primeiras coisas que a gente fez, como grupo, foi acampar na Tertúlia Nativista, no parque do Minuano – coisa que eu já tinha feito algumas vezes, em outros festivais, mas nunca em grupo. Naquele acampamento estavam o Oscar (dono da barraca), a Silvana, a Sybele, a Sandra, o Carlos, a Lisi, e etc.

Mais adiante, a Silvana, que fazia parte do grupo de fundação do Clube, convidou o César – um colega de faculdade – para participar. E uma das primeiras atividades que o César participou com a gente (e que eu lembro agora) foi um passeio até a cascata do Banrisul, em Itaara. A família da Carine – namorada do Bernardo, que fazia parte do Clube – tinha uma casa de fim-de-semana na serra – próxima da cascata – e nos ofereceu para que fosse a nossa “sede campestre”.

Num fim-de-semana a gente se reuniu para conhecer o local – que também serviria para uma festa junina, que eu tinha em mente já há algum tempo...

Nosso passeio, naquele fim-de-semana, foi muito bom. Quando nós chegamos na cascata tinha umas gurias tomando banho – pois o dia estava quente. O pessoal, que estava comigo desceu mais um trecho do riacho; mas eu fiquei por ali – louco para entrar n’água. Só que eu não tinha levado roupa de banho; e como tinham umas gurias desconhecidas tomando banho eu fiquei meio constrangido de entrar n’água só de cueca. Mas a vontade foi crescendo, principalmente ao ver as gurias nadando de camiseta (¿sabe, camiseta molhada?) e eu perguntei se elas não se importavam se eu entrasse só de cueca. E elas me responderam: adivinha como é que a gente tá? E foi assim que eu tomei banho com três gurias desconhecidas numa piscina natural: eu de cueca e as gurias só de calcinha e camiseta molhada. Mas nem deu pra ver muita coisa, porque elas não saíram de dentro d’água. De qualquer forma, este foi mais um momento mágico e marcante na minha história... Logo depois que os meus parceiros chegaram eu sai d’água e comentei com o César: as gurias estão só de calcinhas. E ele me disse: eu vi isso...

De volta a casa, nós marcamos a data para a tal festa junina do Clube. Porém, me surgiu um imprevisto de última hora e tive que viajar para São Sepé no fim-de-semana que a gente tinha combinado para a festa. Eu tentei convencer o pessoal para a gente mudar a data, mas não deu muito certo porque eles já estavam determinados a fazer naquele fim-de-semana mesmo.

Na outra semana eu falei com o César e perguntei como tinha sido a festa. O César me falou que eles fizeram uma pequena fogueira, comeram pipoca e foram dormir. Eu disse para o César que a minha idéia era fazer algumas brincadeiras e até um baile. O César gostou da idéia e me falou que a gente poderia fazer outra no próximo final de semana. E foi o que a gente fez. Só que desta vez fizemos na casa da Neiva, cuja família morava numa chácara do outro lado da cidade. E esta festa ficou marcada na história como a melhor festa junina que nós já tínhamos feito ou participado até então – foram muitas brincadeiras e gargalhadas que viraram a noite... O resultado ficou gravado em vídeo – para quem quiser conferir.

Depois do sucesso dos nossos primeiros empreendimentos, a gente também fez uma viagem, nos carros do César e do Carlos, até São Sepé para conhecer a Gruta do Marco.

O César passou a ser um amigo freqüente em algumas atividades do Clube e fora do Clube também – pois a gente também tinha um gosto musical parecido (ele também era fã do 14 Bis, como eu...).

Numa outra ocasião, em 1992, o César deu uma carona pra mim, e mais duas gurias (a Rosana e a Marly), até Laguna – para o carnaval. Ele e um colega iam até Florianópolis, onde estava a família dele, e nos deixaram num motel próximo a Laguna. Difícil – me disse ele depois – foi sair do motel só ele e o colega no carro. Se algum conhecido dele visse aquela cena, ele teria que passar o resto da vida explicando porque ele estava saindo de um motel com outro cara... – mais detalhes desta história estão no meu livrinho “Histórias do Carnaval de Laguna”...

Quando a gente se encontrava, sempre tinha um assunto relacionado a viagens, aventuras e natureza. Eu lembro de uma vez em que o César esteve em Londres visitando uma irmã e, depois, fez uma janta para contar da viagem. Lembro, também, quando ele começou a escrever (passar a limpo) no computador – que ele já tinha e eu ainda nem sonhava com um – minhas anotações sobre uma viagem que fiz nas serras do Paraná e Santa Catarina em 1994; e que seria o meu primeiro livro...

O César foi, sem dúvida, um grande amigo e companheiro de algumas aventuras. É pena que hoje ele esteja tão longe – em Rio Branco (no Acre), onde dá aula numa universidade por lá.

A última vez que a gente se viu foi em 2012, quando ele ficou uns dias por Santa Maria, na casa dos pais dele.

Até hoje a gente ainda mantém contato por e-mail, eventualmente. Ele já me convidou para conhecer a casa dele, mas ainda não deu no jeito. Mesmo assim, não vai ser uma distânciazinha de 2.000 km que vai me impedir de fazer uma visita...

Qualquer hora dessas eu embarco para Rio Branco e faço uma surpresa para o César – não duvide disso! Até porque Rio Branco é uma das três capitais brasileiras que eu ainda não conheço.

No documento OS MAIO RES (páginas 73-77)