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2010 CNE, 2012 EURYDICE, 2015

No documento DA EDUCAÇÃO (páginas 81-86)

Quais os efeitos da Globalização na Avaliação Externa de Escolas? 1 Sousa, Joana 2

2010 CNE, 2012 EURYDICE, 2015

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Avaliação Externa de Escolas

Numa análise geral, e considerando os resultados obtidos na tabela 1, emerge com especial relevância o conceito de qualidade, que é transversalmente destacado por todos os documentos analisados, sendo que em todos eles, o termo surge mais de uma vez a cada dez páginas. De salientar que, no documento do CNE do ano 2010, este termo surge referido quase uma vez por página. Apesar de ser um documento de curta dimensão, com um total de cinco páginas, também se verifica uma grande incidência do termo no documento da OCDE do ano 2013, com 674 páginas. Neste documento, o termo qualidade é referido mais de uma vez a cada três páginas.

Tendo em conta que no contexto das políticas de globalização, a avaliação é um dos aspetos centrais do sistema educativo (Teodoro, 2010; Steiner-Khamasi, 2012) a incidência do termo de qualidade pode espelhar a pertinência do mesmo no âmbito da educação no panorama nacional e internacional.

Por outro lado, o conceito de accountability nos relatórios internacionais e o conceito de responsabilidade nos documentos nacionais têm vindo a apresentar uma incidência relevante nos discursos dos organismos enunciados. A nível nacional, no estudo do CNE (2010), o termo

“qualidade” surge associado a “responsabilidade” com igual número de incidências, ou seja, quase uma vez por página. A OCDE (2013), que apresenta um estudo mais exaustivo, refere também com frequência a questão da “responsabilidade”. Por outro lado, os conceitos de avaliação externa de escolas e sucesso, também demonstram incidência relevante, sobretudo no relatório OCDE (2013) e nos relatórios do CNE (2010, 2012).

Questões para estudos futuros

Através da análise de conteúdo é possível verificar que todos os documentos estão centrados na

questão da qualidade. Verificando as unidades de registo formais com incidência relevante em cada um dos documentos, deixamos as seguintes questões:

a) Será que os organismos transnacionais pretendem que o conceito de qualidade esteja associado ao de responsabilidade para responder ao accountability, num enquadramento de AEE?

b) Será que o CNE (2010) entende qualidade como ser capaz de ser responsável? Ou como ser capaz de ter sucesso? (CNE, 2012)?

c) O conceito de responsabilidade refere-se a que contexto? Responsabilidade de quem? Dos recursos? Responsabilidade para com quem?

d) Há uma intencionalidade na eficácia? Ou na eficiência?

Conclusão

Com este estudo, verifica-se que, tal como defende Ball (1997), no ciclo de construção das políticas, o contexto de influência é um dos vetores mais determinantes na regulação que é exercida pelos organismos transnacionais, que são o berço das políticas de partilha de conhecimento (Steiner-Khamasi, 2012) e das políticas de accountability. Os dados empíricos apontam para que a teoria e a prática se constituam num tipo pragmático de globalização (Ball, 2012), que promove a lógica de mercado e performance, baseado na homogeneização tanto de discursos como de práticas avaliativas. A globalização funciona como quadro definidor de conceitos-chave que regulam as políticas nacionais, compreendidas cada vez mais num sistema de rede orientado para a valorização dos resultados, assumindo a inspeção um papel preponderante na regulação da avaliação externa (Grek, Ozga & Segerholm, 2013). A relação da AEE com o conceito de qualidade é notória, o que poderá estar na base da utilização de standards geralmente definidos em função de quadros de decisão mais amplos e que servem de escolha dos critérios e indicadores para a qualidade. Desta forma, os efeitos surgem sobretudo como forma de resultados de desempenho mensuráveis e quantificáveis (Taubman, 2010). Assim, as medidas de accountability são processos de decisão identificados com standards com vista à obtenção da eficiência dos resultados.

A AEE transforma-se, assim, num instrumento efetivo de medição e quantificação, dado que “the overall nature of each school’s curriculum is whatever is tested” (Breault, 2010: 5). Esta cultura de prestação de contas das escolas presente no modelo nacional de AEE torna-se mais visível quanto mais implementada estiver a prática de standards e indicadores de desempenho quantificáveis para a medição da qualidade, tornando a educação uniforme: “A homogeneização aparente das escolas, patente nos relatórios de avaliação externa, indicia a construção social de uma imagem das escolas fortemente dependente das medidas de política e das opções administrativas da sua gestão e organização.” (Veloso, Abrantes & Craveiro, 2011: 175).

Perante esta realidade, torna-se pertinente a partilha nacional e internacional de investigação sobre a AEE, já que “what counts as evidence and objectivity, and what constitutes the practicality of research in teacher education, is now a heterogeneous and often contested terrain.” (Saari, Salmela & Vilkkilӓ, 2014: 194).

Referências

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