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COLETA DE MONÓLITOS PARA O “MUSEU DE SOLOS DO SUDOESTE DA BAHIA”

Não atende padrões microbiológicos Atende padrões microbiológicos

COLETA DE MONÓLITOS PARA O “MUSEU DE SOLOS DO SUDOESTE DA BAHIA”

Risely Ferraz de Almeida¹, Luciana Gomes Castro² & Carlos Henriques Farias Amorim²

¹ Graduanda do curso de Engenharia Agronômica da UESB, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Estrada do Bem-Querer, km 4, Vitória da Conquista - BA, CEP 45.083-900. E-mail: [email protected];

² Professor Adjunto da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Estrada do Bem-Querer, km 4, Vitória da Conquista - BA, CEP 45.083-900. E-mail: [email protected].

RESUMO

O projeto Museu de solos do Sudoeste da Bahia tem por objetivo identificar e coletar solos do Estado da Bahia, em especial da região Sudoeste, com vistas a auxiliar no ensino, pesquisa e extensão. A primeira coleta de solo para o Museu foi realizada na Reserva do Poço-Escuro no município de Vitoria da Conquista/BA. Nesta foi coletado um perfil de 2m de altura por 20 cm de largura. De acordo as analises o solo apresentou uma colo-ração escura, caráter distrófico e álico, além de alta concentcolo-ração de matéria orgânica em todas as camadas.

Na parte inferior do perfil, teve a apresentação de um encharcamento e coloração escura mais intensa, além da presença marcante de sódio. No entanto, a vegetação mista, de pequeno a grande porte, não evidencia sinto-mas de intoxicação pelo elemento sódio. Salienta-se que tradagens foram realizadas no local e evidenciadas grande parte do solo da Reserva caracterizava-se por ser formado por deposições com grande influencia de ação antrópica, o que poderia explicar a grande quantidade de sódio em subsuperfície. Mais pesquisas e coleta de novos monólitos auxiliarão na explicação da formação do solo e a presença crescente do sódio em horizon-tes subjacenhorizon-tes.

INTRODUÇÃO

O projeto Museu de Solos do Sudoeste da Bahia criado em março de 2009, por iniciativa dos professo-res Luciana Gomes Castro e Carlos Henriques Farias Amorim, estando vinculado ao Departamento de Enge-nharia Agrícola e Solos - DEAS da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, no campus de Vitoria da Conquista.

O projeto tem o objetivo de identificar e coletar os solos do Estado da Bahia, em especial da região Su-doeste, com o intuito de auxiliar didaticamente os professores-pesquisadores da Instituição, assim como de outras que desejarem este tipo de serviço, e auxiliar na comunicação com extensionistas e com a comunidade, atuando através de recebimento de visitas agendadas de escolas de ensino médio-básico, outras universida-des, ou comunidade.

Os locais para as coletas dos perfis de solo foram selecionados mediante estudos e conhecimento local dos professores da Instituição auxiliados pelo RADAM Brasil objetivando-se a coleta de uma maior diversidade das classes de solos de acordo a ordem/grupos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 2006). Desta forma, o Museu visa contemplar os municípios de Vitória da Conquista, Barra da Choça, Cândido Sales, Tremedal, Jequié, Ilhéus, Planaltino, Guanambi, Anagé, Itapetinga, Caraíbas e Itambé, os quais apre-sentam LATOSSOLOS, LUVISSOLOS, NEOSSOLOS, ESPODOSSOLOS, NITOSSOLOS, PLANOSSOLOS, VERTISSOLOS, CHERNOSSOLOS, CAMBIOSSOLOS e GLEISSOLOS (segundo EMBRAPA/SUDENE, 1973).

Visa-se também contemplar, além da Reserva Municipal Poço-Escuro, a Floresta Nacional Contendas do Sin-corá, a Reserva de Cristópolis e a Chapada Diamantina, com intuito de auxiliar na preservação Ambiental des-ses biomas.

O primeiro perfil da coleção foi coletado na Reserva Municipal Poço-Escuro em de Vitória da Conquista, sendo avaliados os atributos físicos, químicos e biológicos para a sua identificação e posterior exposição em monólitos de 2 m de altura por 20 cm de largura e 10 cm de espessura. Esse trabalho busca demonstrar as etapas de caracterização geral da área e descrição de perfil, contemplando a coleta e analises do perfil de solo, particularmente, por meio da coleta de uma das Reservas acima mencionadas.

MATERIAL E MÉTODOS

Simultaneamente estão sendo montadas as estruturas para o recebimento dos monólitos do Museu e a coleta e identificação do material a ser exposto, comumente chamado de perfil propriamente dito.

O primeiro perfil coletado na Reserva do Poço Escuro, no município de Vitória da Conquista-BA, área ambiental protegida pelo decreto N° 8.595 (Vitória da Conquista, 1996), com 17 hectares de Mata Ciliar, situada na Serra do Periperi, entre as coordenadas 14º50‟21,6”S e 14º50‟12,5”W, altitude de 955m, em que abriga a nascente do rio Verruga e é circundada pela urbanização. Neste local foi realizado um levantamento explorató-rio das características físicas e químicas do solo da Reserva mediante a amostragem georreferenciada de 84 pontos locais. Mediante análise dos dados coletados foram criados mapas de dados físicos e químicos onde pode-se verificar duas situações: a de solos com alta concentração de material orgânico e grande influência da urbanização e outra a de solos com baixo teor de material orgânico, pouca influência da urbanização e grande quantidade de material originário. De acordo com estas observações foi efetuada uma primeira coleta de perfil onde havia a maior concentração de material orgânico. Em contrapartida ainda será realizada outra coleta no local de menor teor de material orgânico.

No primeiro local escolhido foi aberta uma trincheiras de 1,5 x 2,2 m para a coleta do solo. Utilizou-se com uma chapa de ferro reforçada nas dimensões de 0,20 x 0,05 x 2 m de profundidade para auxiliar na delimi-tação, corte e transporte do material. A retirada do material da trincheira foi um procedimento lento e trabalhoso para que fosse coletada uma amostra o mais integra e representativa possível. Juntamente com a coleta do monólito foram identificados os horizontes do perfil e coletadas amostras indeformadas para análises em labo-ratório. Imediatamente após a coleta dos materiais, o perfil foi levado para o Laboratório de Física do solo da UESB, colocado à sombra para secagem e as amostras foram submetidas a analises física, química e morfoló-gica.

RESULTADOS

Constatou no local alta deposição de serrapilheira com uma coloração escura tendendo a preta até mais de 2m de profundidade. O perfil foi dividido em seis horizonte/camadas devido a coloração e textura do solo, apresentando uma grande concentração de Matéria Orgânica em diferentes estágios de decomposição. Os resultados da analise granulométrica na Tabela 1 classificou o perfil com as texturas Franco Argilo Arenoso nas primeiras camadas e Argila Arenosa nas demais, evidenciando na Tabela 2 as características distrófico-álica em todo o perfil e teores de sódio na porção inferior.

Tabela1. Resultados da Analise Granulométrica do perfil do Poço Escuro

Camada F. Argila F. Silte F. Areia total Classe Textural Relação Silte/

Argila (g/Kg-1) (g/Kg-1) (g/Kg-1)

1 293.0 53.8 652.4 Franco-Argilo Arenoso 0.183

2 305.3 86.4 608.4 Franco-Argilo Arenoso 0.2830

3 299.0 184.9 516.2 Franco-Argilo Arenoso 0.6183

4 325.2 94.0 580.8 Franco-Argilo Arenoso 0.2890

5 357.9 48.4 593.7 Argila Arenosa 0.1352

6 402.5 86.4 511.2 Argila Arenosa 0.2145

Características Químicas / Camada 1 2 3 4 5 6

pH (Água) 4,2 4,1 4,3 4,3 5,4 5,4

Fósforo (mgc.dm-3) 8 7 2 1 2 4

Potássio (cmolc.dm-3) 0,15 0,1 0,04 0,02 0,02 0,02

Cálcio (cmolc.dm-3) 0,4 0,3 0,1 0,1 0,1 0,1

Magnésio (cmolc.dm-3) 0,4 0,2 0,2 0,1 0,1 0,2

Alumínio (cmolc.dm-3) 4,3 3,7 2,5 1,6 2,2 2,8

H (cmocc.dm-3) 18,5 13 9,5 6,4 11,2 12,2

Sódio (cmolc.dm-3) - - - 0,2 0,47 0,9

Soma das bases (cmolc.dm-3) 1 0,6 0,3 0,4 0,7 1,2

CTCe (cmolc.dm-3) 5,3 4,3 2,8 2 2,9 4

CTC (cmolc.dm-3) 23,8 17,3 12,3 8,4 14,1 16,2

Saturação por bases (%) 4 3 3 5 5 8

Saturação por alumínio (%) 82 86 88 79 76 70

Porcentagem de Sódio trocável (%) - - - 2 3 6

Matéria orgânica (g.dm-3) 104 68 54 24 38 76

Profundidade (cm) 0-28 28-54 54-87 87-103 103-135 135-200

Tabela 2. Resultados das analises físico-química do perfil do Poço-Escuro

DISCUSSÃO

Constatou no local de coleta do perfil a deposição de 20 cm serrapilheira formada principalmente de folhas, galhos e raízes menores que três milímetros de espessura, certificando os dados obtidos nas amostra-gens. O perfil apresentou uma seqüência de camadas deposicionais de matéria orgânica, em quantidades e estágios de decomposição diferenciados, sendo dividido em seis horizontes/camadas que apresentavam uma coloração decrescente continua até a quinta camada, tendo um encharcamento e coloração mais intensa na porção inferior, provavelmente pelo ambiente anaeróbico de decomposição da matéria orgânica, já que o local de coleta aproxima-se da área de preservação da nascente, caracterizada como subterrânea difusa, onde o curso hídrico torna-se definido por uma veia de água exposta superficialmente.

Evidenciou através da análise granulométrica, Método da pipeta (EMBRAPA, 1997), a classe textural Franco Argilo Arenoso nas quatro primeiras camadas e Argila Arenosa nas demais.

Com os resultados das analises química (EMBRAPA, 1997) classificou o perfil com o caráter distrófico, pela baixa concentração das bases trocáveis, como o cálcio, magnésio e potássio, assim como valores decres-centes com a profundidade, explicado pelo encharcamento e posterior lixiviação desses nutrientes, Tabela 2.

Com esses dados também evidenciou-se o caráter Álico pela presença de grande quantidade de alumínio. No entanto as plantas de pequeno á grande porte não apresentavam nenhum sintoma de intoxicação, provavel-mente pela matéria orgânica exercer a função de imobilização. Constatou também a presença de sódio a partir da quarta camada (aproximadamente 100 cm) em valores crescentes com a profundidade, também não eviden-ciando-se sintomas de intoxicação, neste caso, provavelmente pela a baixa concentração em superfície.

O perfil apresentou alta quantidade de fósforo e hidrogênio nos primeiros 20 cm de profundidade, a ca-pacidade de troca catiônica (CTC) oscilou em profundidade, mas confirmando menor sítio de troca catiônica no subsolo. A decomposição da matéria orgânica na parte inferior do perfil (103-200 cm) apresentou um estagio de decomposição avançada e a água enlameada (Estágio orgânico hêmico a sáprico) em comparação com a su-perior (0-103 cm) onde o material orgânico foi facilmente identificável e uma água de coloração mais clara (Estágio orgânico-fíbrico).

CONCLUSÃO

Conclui que o perfil coletado na Reserva Poço-Escuro, para compor os exemplares de monólitos expos-tos no Museu de Solos do Sudoeste da Bahia, com sede no município de Vitória da Conquista/BA, apresenta-se como um excelente exemplar demonstrativo da ação antrópica de preapresenta-servação do ambiente florestal demo-graficamente espremido pela urbanização, sendo caracterizado como distrófico e álico, onde a nutrição das plantas depende exclusivamente da reciclagem da matéria orgânica local. No entanto, ainda serão necessárias mais amostragens, coleta e pesquisas locais para explicar a formação do solo e a presença de sódio em subsu-perfície.

AGRADECIMENTOS

À Prefeitura do Município de Vitória da Conquista e a UESB pela colaboração com o projeto.

REFERÊNCIAS

FUNDO CONQUISTENSE DE APOIO AO MEIO AMBIENTE (FAM). Poço Escuro. http://

www.semmapmvc.com.br/interface/conteudo_local.asp?cod=62. Acessado em novembro de 2009.

PROJETO RADAM-BRASIL. Levantamento de Recursos Naturais. Volume 24 Salvador. Rio de Janeiro. 1981.

620 p.

BARROS, A.H.C. et al. (1973). Levantamento Exploratorio-Reconhecimento de Solos do Estado da Bahia. Dis-ponível em: http://www.uep.cnps.embrapa.br/solos/index.php?ljnk=ba . Acesso em nov./2009.

PAULA, J. L.; DUARTE, M. N. Manual de Métodos de Análises de Solo. 2ª Ed. EMBRAPA. Rio de Janeiro.

1997. 212p.

SANTOS, H. G. dos ; JACOMINE, P. K. T.; ANJOS, L. H. C. dos; OLIVEIRA, V. A.; OLIVEIRA, J. B.; COELHO, M. R.; LUMBRERAS, J. F.; CUNHA, T. J. F. da. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 2ª Ed. EM-BRAPA. Rio Janeiro. 2006

SANTOS, R.D.; LEMOS, R.C.; SANTOS, H.G. et al. Manual de descrição e coleta de solo no campo. 5ª Ed.

Viçosa: SBCS. 2005. 100p.

CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA "SOLOS PARA PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL E

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