• Nenhum resultado encontrado

PROGRAMA EMBRAPA ESCOLA: EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM FOCO EM SOLOS PARA O PÚBLICO ESTUDANTIL

Não atende padrões microbiológicos Atende padrões microbiológicos

PROGRAMA EMBRAPA ESCOLA: EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM FOCO EM SOLOS PARA O PÚBLICO ESTUDANTIL

Claudio Lucas Capeche¹ & Lúcia Helena Cunha dos Anjos²

¹ Pesquisador da Embrapa Solos em manejo e conservação do solo e água e recuperação de áreas degradadas.

Coordenador do Programa Embrapa Escola na Embrapa Solos. Rua Jardim Botânico, 1024, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.

CEP- 22460-000. Tel (21) 2179-4536. E-mail: [email protected];

² Professora PHD do Departamento de Solos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. UFRRJ – IA – Depto. de Solos, BR 465 km 7, Seropédica, RJ. CEP- 23890-000. Tel: (21) 3787-3772. E-mail: [email protected]

RESUMO

O trabalho visa apresentar as ações de educação ambiental desenvolvidas pela Embrapa Solos, voltadas para o ensino do solo junto às escolas do ensino fundamental e médio e à sociedade em geral. São realizadas palestras e visitas orientadas na Embrapa Solos, nas escolas e em Unidades Demonstrativas da Embrapa. Também ocorre a participação em eventos escolares e populares, além de orientações para implantação de hortas escolares. Para auxiliar nas atividades de EA é utilizado um Kit Didático Temático de Solos Tropicais, com diversos materiais educacionais. Os resultados tem sido positivos, com grande interesse do público alvo nas atividades realizadas. O programa Embrapa Escola contribui de forma decisiva na popularização da Ciência do Solo.

INTRODUÇÃO

A educação ambiental (EA) se baseia em processos nos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, atitudes, habilidades, interesse ativo e competência para a conservação do meio ambiente, e a sustentabilidade rural e urbana (Comissão de Defesa do Meio Ambiente da ALERJ e Defensores da Terra, 2000; Hammes 2004 v1). Mais sobre EA está em Hammes 2004 v1, v2, v3, v4 e v5. A escola tem o importante papel de formar cidadãos éticos comprometidos com a qualidade de vida do planeta.

(Hammes 2004 v1). Entretanto, a escola deve trabalhar toda a comunidade escolar como professores, alunos, pessoal de apoio, pais e responsáveis. As atividades de EA precisam ser diferenciadas da metodologia tradicional e usar materal didático, formal e não formal, adequado. Trabalhos relacionados ao ensino de temas ambientais citam: 1 - a qualidade das informações para o público alvo; 2- o nível de capacitação dos educadores; e 3- a forma de repasse das informações (aulas, palestras, material áudio visual) (Hammes 2004 v1; Prates e Zonta, 2009; Souza et al, 2009; Muggler et al, 2009; Cirino et al, 2009).

Com relação ao ensino do solo, existe uma deficiência nos materiais didáticos, que são mecânicos e não despertam o interesse do aluno (Prates e Zonta, 2009). O processo de aprendizagem deve levar o aluno à construção gradativa do conhecimento, a partir de um fazer científico. (Curvello e Santos, 1993). Publicações atuais mostram essa experiência (Talarico et al, 2007), (Embrapa Informação Tecnológica, 2008), (Educandocomahorta.org.br, 2009). Visando promover a educação ambiental junto a estudantes e professores da rede pública e privada do ensino fundamental e médio, além da sociedade como um todo, a Embrapa criou em 1997 o Programa Embrapa Escola. O presente trabalho objetiva apresentar a ações de EA realizadas pela Embrapa Solos, com foco no recurso solo, e apresentar um Kit Didático Temático de Solos Tropicais, que pode auxiliar educadores ambietais em suas atividades de ensino do solo.

MATERIAL E MÉTODOS

A metodologia segue o método Ver-Julgar-Agir (Hammes 2004, v2). A Embrapa Solos começou a montar um Kit Didático em 1997, que vem sendo aperfeiçoado. Experiências semelhantes no ensino de solo são realizadas pelo Museu de Ciências da Terra Alexis Dorofeef (Muggler et al, 2009), pelo Projeto de Extensão Universitária Solo na Escola, Univ. Fed. do Paraná e Museu de Solos do RS. As atividades da Embrapa Solos são agendadas e constam de: palestras e visitas orientadas na Embrapa Solos, nas escolas ou na “Fazendinha Agroecológica” da Embrapa no RJ; implantação de hortas escolares; estandes em eventos; e dias de campo. Os temas abordados são: ações de pesquisa da Embrapa; origem, diversidade e interações do solo com a água e biodiversidade; pesquisa dos solos; ciclo hidrológico; degradação ambiental; conservação do solo; recuperação de áreas degradadas; recilclagem. O Kit Temático é composto por : rochas, macro e micromonolitos, amostras de solos, vidraria de laboratório, compostário, minhocário, maquetes, lupa, painéis tecnológicos, material rciclado, sementes, Carta de Munsell, trado, martelo e faca pedológica, analisador de pH, lupa de bolso, trena, simulador de erosão, tinta de solo. Em 2010 o kit será ampliado com insetário, herbário, jogos ambientais, vídeos, amostras da frações granulométrica - cascalho, calhaus, areia, silte e argila, estruturas do solo (blocos, granular, prismática, laminar) etc.

RESULTADOS

Os resultados alcançados de 2001 a 2009 estão na tabela 1. Os dados referentes ao ano de 2009

incluem a participação da Unidade de Execução de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Solos – UEP Recife. Observa-se um número mais ou menos constante de palestras e oficinas com média de 17 eventos por ano, excluindo 2007 e 2008. Para os dias de campo, até 2006 a média anual foi de 5. O número de professores e alunos foi em média de 670. Participou-se de 5 feiras e exposições ao ano. No total, incluindo-se a sociedade em geral, o público foi de aproximadamente 5000 pessoas. Na tabela 2 são mostrados resultados de 2009. A visita de escolas na Embrapa Solos no RJ ficou em 6, com 495 alunos e professores do ensino fundamental. 5 palestras foram dadas em outras escolas para 145 alunos do ensino fundamental e 40 do ensino médio. Em feiras escolares chegou a 3 (450 alunos e professores). Escolas em feira de ciência de catárer popular chegou a 150 com 6000 alunos e professores atendidos. Nas 42 oficinas didáticas (pintura com tinta de solo) foram mobilizados 850 alunos.

Tabela 1 - Atividades de educação ambiental da Embrapa Solos pelo Programa Embrapa Escola no período de 2001 a 2009.

Ano Palestras e

Ofici-nas Dias de Campo Alunos e

Profes-sores Exposições e

Feiras Público nos even-tos

2001 17 3 740 2 3740

2002 24 12 749 5 6500

2003 17 1 900 3 4400

2004 23 4 955 5 4255

2005 15 6 721 10 11055

2006 12 2 600 3 1620

2007 6 0 300 3 1820

2008 5 0 339 3 2389

2009 54 0 700 7 8000

Tabela 2 - Atividades de educação ambiental da Embrapa Solos pelo Programa Embrapa Escola no ano de 2009.

Evento Número de

Escolas Atendidas

Número de Palestras Proferidas

Número de Visitas

Número de alunos Ensino

Fundamental

Ensino Médio

Palestras nas escolas 6 6 6 495

Visitas orientadas na Embrapa Solos

5 5 5 145 40

Feiras de Ciências escolares 3 4 450

Feira de Ciências populares 150 5000 1000

Oficina em escolas 2 100

Oficina em Feiras de Ciências Populares

40 600 150

DISCUSSÃO

As ações de educação ambiental promovidas e realizadas pela Embrapa Solos, nas áreas rural e urba-na, tem conseguido sensibilizar e mobilizar o seu público alvo sobre as causas e conseqüências dos problemas ambientais e a utilização de tecnologias e conhecimentos agrícolas sustentáveis, para a recuperação, manejo e conservação do solo e da água. Esse resultado positivo é observado pelo interesse dos professores e alunos pelo Kit Temático de Solos Tropiciais e pelas atividades realizadas. Os resultados mais expressivos de partic-pação nas atividades de EA de 2001 a 2006, presentes na tabela 1, se deve à grande quantidade de projetos da Embrapa Solos realizados durante o período na área rural, que envolvia o público alvo. Em 2007 e 2008 o Programa teve sua atuação mais presente na área urbana, reduzindo o quantitativo de participantes. Em 2009, com a entrada da UEP Recife no Programa, os indices voltaram a crescer. Um evento que contribuiu para a elevação do númenro de pessoas atendidas pelo Programa foi a 6ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, onde foram realizadas mais de 40 oficinas educativas de pintura com solo no estande da Embrapa Solos, a-brangendo alunos de mais de 100 escolas públicas e particulares.

CONCLUSÕES

O Programa Embrapa Escola realizado pela Embrapa Solos, tem como impactos potenciais: proporcio-nar a popularização da Ciência do Solo; subsidiar o ensino formal e informal do solo no ensino fundamental e médio, com materiais didáticos atrativos; promover a imagem da Embrapa Solos; sensibilizar o público alvo sobre uso da terra e tomada de atitudes corretas, relacionadas às questões ambientais voltadas à atividade agrícola e conservação do meio ambiente.

REFERÊNCIAS

CIRINO, F. O.; MUGGLER, C. C.; CARDOSO, I. M. Sistematização participativa de cursos de capacitação em solos para professores da educação básica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLOS, 32.

Fortaleza, 2009. Resumos, Fortaleza: SBCS, 2009. CD – ROON

COMISSAO DE DEFESA DO MEIO AMBIENTE DA ALERJ E DEFENSORES DA TERRA. Educação ambien-tal: como elaborar um projeto de educação ambienambien-tal: tudo sobre a Lei Estadual 3325/99: texto comentado.

Rio de Janeiro: ALERJ, [2000]. 20 p.

CURVELLO, M.A.; SANTOS, G.A. Adequação de conceitos básicos em ciência do solo para aplicação na esco-la de 1o grau. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 24., Goiânia, 1993. Resumos. Goiâ-nia: SBCS, 1993. v. 3. p. 191-192.

EDUCANDOCOMAHORTA.ORG.Br. Disponível em: <http://www.educandocomahorta.org.br/material.asp>.

Acesso em: 17 jul. 2009.

EMBRAPA INFORMAÇÃO TECNOLÓGICA. Brinque com ciência. Brasília, DF: 2008. 12 p. + 5 folhas soltas il.

HAMMES, V. S. (Ed.). Agir - percepção da gestão ambiental. São Paulo: Globo, 2004. v.5 280 p. il. (Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável, v. 5).

HAMMES, V. S. (Ed.). Construção da proposta pedagógica. 2.ed. São Paulo: Globo, 2004. v.1 300 p. (Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável, v. 1).

HAMMES, V. S. (Ed.). Julgar - percepção do impacto ambiental. São Paulo: Globo, 2004. v.4 223 p.

il. (Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável, v. 4).

HAMMES, V. S. (Ed.). Ver - percepção do diagnóstico ambiental. São Paulo: Globo, 2004. v.3 228 p.

il. (Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável, 3).

HAMMES, V. S. [Ed.]. Proposta metodológica de macroeducação. São Paulo: Globo, 2002. v. 2. 159p. il.

(Educação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável, 2)

MUGGLER, C. C.; MORAIS, E. H. M DE; SANTOS, J. A. A. DOS. Solos: Evolução e Diversidade – Populariza-ção do conhecimento e ampliaPopulariza-ção da percepPopulariza-ção pública de solos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CI-ÊNCIA DO SOLOS, 32. Fortaleza, 2009. Resumos, Fortaleza: SBCS, 2009. CD – ROON

PRATES, R.; ZONTA, E. Análise da abordagem do conteúdo Solos no Ensino Fundamental. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLOS, 32. Fortaleza, 2009. Resumos, Fortaleza: SBCS, 2009. CD – ROM SOUZA, A. L. V.; VIEIRA FILHO, N. DA SILVA.; ANDRADE, G. C.; SILVA, E. O. DA; BATISTA FILHO.

JOVINI-ANO, L. Diagnóstico sobre o estudo de solos nas escolas de Ensino Fundamental (séries iniciais) do municí-pio de Santa Inês – Bahia. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLOS, 32. Fortaleza, 2009.

Resumos, Fortaleza: SBCS, 2009. CD – ROM

TALARICO, T. C.; ANDRADE, A. G. de; FREITAS, P. L. de; DÖWICH, I.; LANDERS, J. N. De olho no ambiente.

Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2007.

TRILHANDO PELOS SOLOS: A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA E EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NO

Outline

Documentos relacionados