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COMENTÁRIOS E ANOTAÇÕES PRELIMINARES PARA UM

No documento Revista Estudos nº 38 | ABMES (páginas 33-38)

CONCEITO PRELIMINAR

A

Portaria Normativa n.º 4, de 05 de agosto de 2008 (DOU n.º 150, Seção 1, 6/8/2008, p. 19; republicada no DOU n.º 151, Seção 1, 7/8/2008, p. 15), regulamenta a aplicação do Conceito Preliminar de Curso (CPC), criado pelo art. 35 da Portaria Normativa n.º 40, de 12 de dezembro de 2007 (DOU n.º 239, Seção 1, 13/12/2007, p. 39), para fins de renovação de reconhecimento de cursos de graduação. A referida portaria é fundamentada na Lei n.º 10.861, de 14 de abril de 2004, no Decreto n.º 5.773, de 09 de maio de 2006, e na Portaria Normativa n.º 40, de 2007.

O CPC contempla notas ou conceitos de 1 a 5. Os conceitos de 3 a 5 são positivos. Os iguais ou inferiores a 2 são insatisfatórios e conduzem a processo de saneamento de deficiências.

No dia 06 de agosto de 2008, o Inep divulgou o CPC dos cursos da área da Saúde, Ciências Agrárias e o bacharelado em Serviço Social, tendo por base os resultados do Enade/2007, também divulgado no mesmo dia.

O curso que obteve CPC satisfatório (igual ou superior a 3) está dispensado de avaliação in loco no processo de renovação de reconhecimento.

1 Consultor sênior do Instituto Latino-Americano de Planejamento Educacional (Ilape) e da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), especialista em organização, legislação e normas da educação superior. [email protected].

O curso que tenha obtido conceito 5 terá o seu reconhecimento renovado automaticamente, median- te portaria da SESu ou da Setec, sem necessidade de avaliação in loco.

A IES cujo curso tenha obtido CPC 4 ou 3 pode requerer a avaliação in loco, no prazo de sessenta dias (até 6/10/2008), a qual resultará na confirmação do conceito preliminar ou na sua alteração, para mais ou para menos, cabendo recurso à Comissão Técnica de Acompanhamento da Avaliação (CTAA/Inep). Não sendo requerida avaliação, o conceito será considerado definitivo, encaminhan- do-se o processo à SESu ou à Setec para expedição da portaria de renovação de reconhecimento do curso.

A avaliação in loco para os cursos que tenham obtido CPC 3 ou 4 deve atender aos seguintes procedimentos:

I. processos de renovação de reconhecimento em tramitação no Sapiens: protocolar novo pedido no sistema

e-MEC, com o recolhimento da taxa de avaliação respectiva, exceto nas hipóteses legais de isenção, arquivan- do-se o processo Sapiens;

II. processos em tramitação no sistema e-MEC: preencher os formulários de avaliação, no prazo legal.

Caso a IES não atenda aos requisitos procedimentais referidos acima, o pedido de avaliação in loco será indeferido, sendo confirmado o CPC 3 ou 4, encaminhando-se o processo à SESu ou à Setec para expedição da portaria de renovação de reconhecimento do curso.

Quando a IES atender a esses requisitos procedimentais, a avaliação será programada no calendário do Inep, “para realização em momento subseqüente ao destinado aos processos de renovação de reconhecimento de cursos com conceito preliminar insatisfatório”, ou seja, que tenham CPC 2 ou 1. A IES que já pagou a taxa e não deseja ou não tenha mais a avaliação in loco, o valor da taxa será restituído, “nos termos do art. 11, § 3.º da Portaria Normativa n.º 40, de 2007”:

PN n.º 40/2007:

Art. 11. Concluída a análise dos documentos, o processo seguirá ao Diretor competente da SESu, da Setec ou da Seed, conforme o caso, a quem competirá apreciar a instrução, no seu conjunto, e determinar a correção das irregularidades sanáveis, se couber, ou o arquivamento do processo, quando a insuficiência de elementos de instrução impedir o seu prosseguimento.

§ 1.º Não serão aceitas alterações do pedido após o protocolo.

§ 2.º Em caso de alteração relevante de qualquer dos elementos de instrução do pedido de ato autorizativo, o requerente deverá solicitar seu arquivamento, nos termos do § 3.º, e protocolar novo pedido, devidamente alterado.

2 O parágrafo único passou a ser §1.º do art. 68 do Decreto n.º 5.773/2006, com a redação dada pelo Decreto n.º 6.303, de 12 de dezembro de 2007, com o acréscimo do §2.º.

35 COMENTÁRIOS E ANOTAÇÕES PRELIMINARES PARA

UM CONCEITO PRELIMINAR CELSO DA COSTA FRAUCHES

§ 3.º O arquivamento do processo, nos termos do caput ou do § 2.º não enseja o efeito do art. 68, parágrafo único2, do Decreto n.º 5.773, de 2006, e gera, em favor da requerente, crédito do valor

da taxa de avaliação recolhida correspondente ao pedido arquivado, a ser restituído na forma do art. 14, § 3.º.

§ 4.º Caso o arquivamento venha a ocorrer depois de iniciada a fase de avaliação, em virtude de qualquer das alterações referidas no § 2.º, não haverá restituição do valor da taxa. (grifo nosso)

(...)

Art. 14. A tramitação do processo no Inep se iniciará com sorteio da Comissão de Avaliação e definição da data da visita, de acordo com calendário próprio.

§ 1º A Comissão de Avaliação será integrada por membros em número determinado na forma do § 2.º do art. 3.º da Lei n.º 10.870, de 2004, e pela regulamentação do Inep, conforme as diretrizes da Conaes, nos termos do art. 6.º, I e II da Lei n.º 10.861, de 2004, sorteados por sistema próprio dentre os integrantes do Banco de Avaliadores do Sinaes (Basis).

§ 2.º Caso a Comissão de Avaliadores exceda o número de dois membros, o requerente efetuará o pagamento do complemento da taxa de avaliação, nos termos dos §§ 1.º e 2.º do art. 3º da Lei n.º 10.870, de 2004, exceto para instituições de educação superior públicas.

§ 3.º Na hipótese do agrupamento de visitas de avaliação in loco, considerando a tramitação simultânea de pedidos, será feita a compensação das taxas correspondentes, na oportunidade de ingresso do processo no Inep e cálculo do complemento previsto no § 2.º, restituindo-se o crédito eventualmente apurado a favor da instituição requerente. (grifo nosso)

§ 4.º O Inep informará no e-MEC os nomes dos integrantes da Comissão e a data do sorteio.

Decreto n.º 5.773/2006:

Art. 68. O requerente terá prazo de doze meses, a contar da publicação do ato autorizativo, para iniciar o funcionamento do curso, sob pena de caducidade.

§ 1.º Nos casos de caducidade do ato autorizativo e de decisão final desfavorável em processo de credenciamento de instituição de educação superior, inclusive de campus fora de sede, e de autorização de curso superior, os interessados só poderão apresentar nova solicitação relativa ao mesmo pedido após decorridos dois anos contados do ato que encerrar o processo. (redação dada pelo Decreto n.º 6.303, de 12/12/2007) (grifo nosso)

§ 2.º Considera-se início de funcionamento do curso, para efeito do prazo referido no caput, a oferta efetiva de aulas. (redação dada pelo Decreto n.º 6.303/2007)

O § 4.º do art. 11 da PN n.º 40/2007 determina que “caso o arquivamento venha a ocorrer depois de iniciada a fase de avaliação, em virtude de qualquer das alterações referidas no § 2.º, não haverá restituição do valor da taxa”.

O curso que tenha obtido CPC insatisfatório (2 ou 1) deverá obrigatoriamente submeter-se à avaliação in loco, para obter a renovação de reconhecimento, observados os seguintes requisitos procedimentais, para requerimento até 06 de outubro de 2008, prazo fixado pela Portaria Normativa n.º 12/2008:

I – processo em tramitação no Sapiens:

a) protocolar novo pedido no e-MEC, com o recolhimento da taxa de avaliação, “exceto nas hipóteses legais de isenção, arquivando-se o processo Sapiens correspondente”;

b) apresentar relatório de auto-avaliação, levando em consideração o CPC insatisfatório (dois ou um); e c) indicar “medidas concretas capazes de produzir melhoria efetiva do curso, em prazo não superior a um ano”.

II – processo em tramitação no e-MEC:

a) apresentar relatório de auto-avaliação, considerando o CPC insatisfatório (dois ou um); e

b) indicar “medidas concretas capazes de produzir melhoria efetiva do curso em prazo não superior a um ano”.

O processo será analisado pela SESu ou Setec e encaminhado ao Inep para desencadear a avalia- ção in loco, cujo relatório poderá confirmar o CPC ou modificá-lo, “para mais ou para menos”. Caso o conceito continue negativo (2 ou 1), o processo será encaminhado à SESu ou à Setec, “para eventual apreciação de protocolo de compromisso e seguimento do processo”.

O curso com CPC insatisfatório (2 ou 1) que não instruir a avaliação in loco nos termos da PN n.º 4/2008 “será considerado em situação irregular, conforme o art. 11, § 3.º do Decreto n.º 5.773, de 2006”.

Decreto n.º 5.773/2006:

Art. 11. O funcionamento de instituição de educação superior ou a oferta de curso superior sem o devido ato autorizativo configura irregularidade administrativa, nos termos deste Decreto, sem prejuízo dos efeitos da legislação civil e penal.

§ 1.º Na ausência de qualquer dos atos autorizativos exigidos nos termos deste Decreto, fica vedada a admissão de novos estudantes pela instituição, aplicando-se as medidas punitivas e reparatórias cabíveis. § 2.º A instituição que oferecer curso antes da devida autorização, quando exigível, terá sobrestados os processos de autorização e credenciamento em curso, pelo prazo previsto no parágrafo único do art. 68. § 3.º O Ministério da Educação determinará, motivadamente, como medida cautelar, a suspensão preventiva da admissão de novos alunos em cursos e instituições irregulares, visando evitar prejuízo a novos alunos. § 4.º Na hipótese do § 3.º, caberá recurso administrativo ao CNE, no prazo de trinta dias, sem efeito suspensivo.

Os “cursos nobres” – Direito, Medicina, Odontologia e Psicologia – foram excluídos do processo instaurado pela PN n.º 4/2008 e deverão ser encaminhados à apreciação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Direito – ou do Conselho Nacional de Saúde (CNS) – Medicina, Odontologia e Psicologia – “nos termos dos arts. 36 e 41, § 2.º, do Decreto n.º 5.773, de 2006”, dispositivos transcritos a seguir:

Decreto n.º 5.773/2006:

Art. 36. O reconhecimento de cursos de graduação em direito e em medicina, odontologia e psicologia, deverá ser submetido, respectivamente, à manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ou do Conselho Nacional de Saúde.

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UM CONCEITO PRELIMINAR CELSO DA COSTA FRAUCHES

Art. 41. A instituição deverá protocolar pedido de renovação de reconhecimento ao final de cada ciclo avaliativo do Sinaes junto à Secretaria competente, devidamente instruído, no prazo previsto no § 7.º do art. 10. § 1.º O pedido de renovação de reconhecimento deverá ser instruído com os documentos referidos no art. 35, § 1.º, com a atualização dos documentos apresentados por ocasião do pedido de reconhecimento de curso.

§ 2.º Aplicam-se à renovação do reconhecimento de cursos as disposições pertinentes ao processo de reconhecimento. (grifo nosso)

§ 3.º A renovação do reconhecimento de cursos de graduação, incluídos os de tecnologia, de uma mesma instituição deverá ser realizada de forma integrada e concomitante.

O Conceito Preliminar de Curso (CPC), com o seu conseqüente uso nas funções de regulação e supervisão do MEC, está previsto na Portaria Normativa n.º 40/2007, cujos dispositivos vão transcri- tos a seguir:

Art. 35. Superada a fase de análise documental, o processo no Inep se iniciará com a atribuição de

conceito preliminar, gerado a partir de informações lançadas por instituições ou cursos no Censo da Educação Superior, nos resultados do Exame Nacional de Estudantes (Enade) e nos cadastros pró- prios do Inep. (grifo nosso)

§ 1.º Caso o conceito preliminar seja satisfatório, nos casos de renovação de reconhecimento, a partir dos parâmetros estabelecidos pela Conaes, poderá ser dispensada a realização da avaliação in loco. § 2.º Caso a instituição deseje a revisão do conceito preliminar, deverá manifestar-se, por ocasião da impugnação referida no art. 16, § 2.º, requerendo a avaliação in loco.

§ 3.º Na avaliação de curso que tiver obtido conceito inferior a três no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e no Índice de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), quando a Comissão de Avaliação atribuir conceito satisfatório ao curso, o processo deverá ser obrigatoriamente submetido à CTAA, com impugnação, de ofício, do pare- cer de avaliação pela Secretaria competente. (grifo nosso)

Art. 36. Na hipótese de resultado insatisfatório da avaliação, exaurido o recurso cabível, o processo será submetido à SESu, Setec ou Seed, conforme o caso, para elaboração de minuta de protocolo de compromisso, a ser firmado com a instituição.

§ 1.º O Secretário da SESu, da Setec ou da Seed, conforme o caso, decidirá pela assinatura do protocolo de compromisso e validará seu prazo e condições.

§ 2.º O protocolo de compromisso adotará como referencial as deficiências apontadas no relatório da Comissão de Avaliação, bem como informações resultantes de atividades de supervisão, quando houver. § 3.º A celebração do protocolo de compromisso suspende o processo de recredenciamento ou de renovação de reconhecimento em curso.

§ 4.º Na vigência de protocolo de compromisso poderá ser suspensa, cautelarmente, a admissão de novos alunos, dependendo da gravidade das deficiências, nos termos do no art. 61, § 2.º, do Decreto n.º 5.773, de 2006, a fim de evitar prejuízo aos alunos.

§ 5.º Na hipótese do § 3.º, em caráter excepcional, a Secretaria poderá autorizar que a instituição expeça diplomas para os alunos que concluam o curso na vigência do protocolo de compromisso, com efeito de reconhecimento.

§ 6.º Na hipótese da medida cautelar, caberá recurso, sem efeito suspensivo, à CES/CNE, em instância única e irrecorrível, no prazo de 30 dias.

Art. 37. Ao final do prazo do protocolo de compromisso, a instituição deverá requerer nova avaliação ao Inep, na forma do art. 14, para verificar o cumprimento das metas estipuladas, com vistas à alteração ou manutenção do conceito.

Parágrafo único. Não requerida nova avaliação, ao final do prazo do protocolo de compromisso, consi- derar-se-á mantido o conceito insatisfatório, retomando-se o andamento do processo, na forma do art. 38. Art. 38. A manutenção do conceito insatisfatório, exaurido o recurso cabível, enseja a instauração de proces- so administrativo para aplicação das penalidades previstas no art. 10, § 2.º, da Lei n.º 10.861, de 2004. Art. 39. A instituição será notificada da instauração do processo e terá prazo de 10 dias para apresentação da defesa.

Art. 40. Recebida a defesa, a SESu, Setec, ou Seed, conforme o caso, apreciará os elementos do processo e elaborará parecer, encaminhando o processo à Câmara de Educação Superior do CNE, nos termos do art. 10, § 3.º da Lei n.º 10.861, de 2004, com a recomendação de aplicação de penalidade, ou de arquivamento do processo administrativo, se considerada satisfatória a defesa.

Art. 41. Recebido o processo na CES/CNE, será sorteado relator dentre os membros da CES/CNE e obser- vado o rito dos arts. 20 e seguintes.

Parágrafo único. Não caberá a realização de diligência para revisão da avaliação.

Art. 42. A decisão de aplicação de penalidade ensejará a expedição de Portaria específica pelo Ministro. Art. 43. A obtenção de conceito satisfatório, após a reavaliação in loco, provocará o restabelecimento do fluxo processual sobrestado, na forma do art. 36.

O CPC é referido no art. 35 da PN n.º 40/2007 e na PN n.º 4/2008 sem a sua clara composição, mas “gerado a partir de informações lançadas por instituições ou cursos no Censo da Educação Superior, nos resultados do Exame Nacional de Estudantes (Enade) e nos cadastros próprios do Inep”.

A composição do CPC é informada no portal do Inep, em duas Notas Técnicas inseridas no dia 6/8/2008. Não há lei criando esse conceito; o CPC não é contemplado na Lei n.º 10.861, de 14 de abril de 2004 (Sinaes). (Ver Notas técnicas p.77)

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