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2. OS AFETOS NA PESQUISA COMUNICACIONAL

2.2 Como lidar com afetos na pesquisa comunicacional

Nossa entrada na discussão da teoria dos afetos é feita por meio da argumentação de Clough (2007) e nos ajuda a formatar a visão sobre eles. Além dessa pesquisadora, o trabalho de Stewart (2007) também auxilia a reforçar nosso entendimento e ainda indica um caminho de inspiração metodológica interessante para refletirmos e nos inspirarmos como método próprio para essa pesquisa.

Em “Ordinary Affects”, seu experimento sobre os afetos ordinários, Stewart (2007) descreve cenas diversas como modo de discorrer sobre o tema central do livro. Para fazê-lo, a autora tomou inspiração de outros pensadores, como Barthes (1981). A pesquisadora diz que

O afeto ordinário é um tipo de ondulação, fricção, conexão que tem um impacto. É transpessoal ou pré-pessoal—não é sobre os sentimentos de uma pessoa se tornando os de outra, mas sobre corpos literalmente afetando uns aos outros e gerando intensidade: corpos humanos, corpos discursivos, corpos de pensamento, corpos de água.47 (STEWART, 2007, p. 128) (tradução nossa).

46 No original: inserts the technical into felt vitality, the felt aliveness given in the preindividual bodily capacities to act, engage, and connect - to affect and be affected.

47 No original: Ordinary affect is a surging, a rubbing, a connection of some kind that has an impact. It’s transpersonal or prepersonal—not about one person’s feelings becoming another’s but about bodies literally affecting one another and generating intensities: human bodies, discursive bodies, bodies of thought, bodies of water.

51 Nessa definição nos chama atenção a importância dada aos corpos. Eles são compreendidos de forma mais abrangente, o que começa a nos indicar ainda mais fortemente que os afetos perpassam a vivência dos sujeitos de suas mais variadas maneiras: seja na materialidade da carne corporal, em seus discursos (que nos lembra a aproximação feita entre Stewart e Barthes) e pensamentos. Esses últimos nos atentam para tudo aquilo que o pensar instaura em nossas ações diárias. Os significados que tiramos do que está à nossa volta, as percepções que fazemos, as análises, os entendimentos aos quais chegamos.

Contudo, esse arsenal de coisas que estão ligadas ao pensamento ganha mais complexidade quando Stewart diz sobre o terceiro significado dos afetos. Os afetos ordinários “não trabalham através de ‘significados’ per se, mas pelo modo que eles escolhem densidade e textura enquanto se movem por meio de corpos, sonhos, dramas e mundanismos sociais de todos os tipos”48 (STEWART, 2007, p. 3) (tradução nossa). Há uma característica errática e de difícil apreensão quando pensamos nos afetos porque, ao contrário de um pensamento estruturalista, os significados das coisas não estão prontos ou dados apenas para serem tomados pelos sujeitos

A capacidade de afetação mútua, que funciona de todos os sentidos em uma interação comunicacional entre sujeitos, modifica a nossa percepção. Essa pesquisa lida diretamente com as narrativas dos sujeitos que se conheceram pelo Grindr e há diversas lacunas que não são preenchidas por meio de uma análise dura e asséptica. Há que se viver, afetar e se deixar ser afetado pelo fenômeno a fim de construir um conhecimento fluido que consegue discutir pontos maiores do que aqueles que são vistos a olho nu.

Pensamos isso a partir do momento em que Stewart define que todo o experimento feito em seu livro é uma forma de refletir sobre termos macros que podem ser sentidos no dia a dia, se o sujeito tiver a sensibilidade e abertura para conseguir apreender esses afetos. A pesquisadora fala sobre neoliberalismo, capitalismo e globalização durante as cenas que narra em todo o “Ordinary Affects”, mas não faz esse movimento com termos científicos.

Ela entende que essas nomenclaturas podem ser abstratas, mas nem por isso menos reais. O movimento feito é justamente o de “trazê-los [esses termos] à vista como uma cena de força imanente, em vez de deixá-los parecendo efeitos mortos impostos em um mundo inocente”49 (STEWART, 2007, p. 1) (tradução nossa). A conceituação pode ser muito imaterial, então

48 No original: work not through “meanings” per se, but rather in the way that they pick up density and texture as they move through bodies, dreams, dramas, and social worldings of all kinds.

49 No original: bring them into view as a scene of immanent force, rather than leave them looking like dead effects imposed on an innocent world.

52 pensar sobre os afetos ordinários é justamente uma maneira de trazer essas ideias à luz de forma mais sensível.

Há forças políticas, sociais e culturais que constroem o tecido do real em que vivemos e basta às vezes uma pequena mudança para que essas forças se apresentem para nós. É como o que acontece em um primeiro contato pessoal entre duas pessoas (STEWART, 2007, p. 15), que pode ser resumido à paixão à primeira vista ou ser pensado a partir de todas as potencialidades superiores que fizeram aquilo acontecer. De qualquer maneira, isso muda a vida de alguém.

Há um elemento de aleatoriedade que parece fazer parte desses afetos. Stewart (2007, p. 79) deixa isso em aberto quando nos fala que “As coisas acontecem. O eu mesmo se move para reagir, frequentemente se puxando para algum lugar que ele não pretendia ir exatamente”50

(tradução nossa). Uma conexão que não se espera acontecer, que exige do sensorial algum grau de percepção, que aguarda ter ações de criatividade e abertura de ser afetado dos sujeitos. Há diversos estímulos que nos afetam constantemente e que não nos damos conta, mas que os sentimos continuamente. O mundo parece sempre muito sólido até que algo nos afeta e faz impossível não perceber sua intensidade capilar. Para além disso, ainda temos que lidar com os significados que essas coisas fazem emergir da nossa relação com elas.

A pesquisadora dá um exemplo que resume muito bem essa virada afetiva de compreensão de mundo. Ao falar sobre um grupo de pessoas que sua mãe participa e faz cromoterapia, ela narra:

Mas as pessoas que estão mesmo por dentro de cromoterapia não leem as cores como símbolos ou códigos. Elas estão interessadas nas qualidades superficiais reais das cores e o que elas podem fazer. Elas não se importam com o que as cores “significam”. Elas estão brincando por aí com as forças que são, para ver do que as coisas são feitas. Elas querem colocar as coisas em movimentos alquímicos. Elas estão conversando sobre essas coisas com pessoas que pensam igual. Você nunca sabe.51 (STEWART, 2007, p. 33) (tradução e grifo nossos)

É complicado mudar o pensamento comunicacional e simbólico que temos das cores, mas esse exemplo nos lembra que é possível repensar essa apreensão tão fixada que criamos das coisas que nos afetam. A cromoterapia está ligada ao sensível que aqueles estímulos causam

50 No original: Things happen. The self moves to react, often pulling itself someplace it didn’t exactly intend to go.

51 No original: But the people who are really into color therapy don’t read colors as symbols or codes. They’re into the real surface qualities of colors and what they can do. They don’t care what colors “mean.” They’re fooling around with the forces that be, to see what things are made of. They want to set things in alchemical motion. They’re talking things over with like-minded people. You never know.

53 nos sujeitos. Não diz apenas de se fechar na concepção do vermelho ser uma cor quente, que traz energia para o ambiente, se liga à fome ou qualquer outra concepção já pronta, mas sim de se permitir afetar e ser afetado. A partir disso, chega-se a um significado, mas não como se ele estivesse pronto para ser reclamado, afinal, os afetos são percebidos como algo errático (STEWART, 2007, p. 3).

Dessa forma, entendemos que pensar os afetos no Grindr expande a percepção que podemos ter da plataforma. É mais do que possível o acontecimento de certo tipo de relação mesmo que os sujeitos não esperem por isso. Ainda que o próprio aplicativo liste “Relacionamento” como uma opção do campo “Em busca de”, tem-se uma descrença dessa possibilidade acontecer, mas quando consideramos os afetos que nos cercam diariamente compreendemos que isso não se justifica como algo além de uma percepção enviesada das potencialidades do aplicativo.

Para Stewart (2007, p. 1-2), os afetos ordinários acontecem de maneiras muito variadas: “(…) impulsos, sensações, expectativas, sonhos acordado, encontros e hábitos de relacionamento, em estratégias e suas falhas, em formas de persuasão, contágio e compulsão, em modos de atenção, pertencimento e agência”52 (tradução nossa) e mais do que apenas essas possibilidades, a principal questão é que os sujeitos entendem que algo está em agitação.

Assim como a pesquisadora discorre mais sobre os afetos, o que aumenta nossa concepção do conceito, todo seu movimento de descrever cenas diárias nos inspira. Entendemos ser possível pensar acerca do fenômeno com base no que os sujeitos dessa pesquisa narram. A partir das narrativas sobre as relações deles, nossa entrada analítica e descritiva se faz por meio da afetação ocorrida entre sujeitos – os casais e o pesquisador – e instaura a necessidade de pensar como se posicionar e apreender os sentidos à medida que eles próprios emergem dessa relação.

Ainda que as cenas descritas por Stewart em seu trabalho nos inspirem um caminho para um método aplicável de como podemos transpor nossa apreensão afetiva para as páginas da pesquisa, nossa metodologia própria também busca inspiração numa abordagem descrita por Moriceau e Mendonça.

Tomamos a discussão do artigo dos pesquisadores como ideias de operadores metodológicos para a dissertação. Diante da experiência estética, proposta de investigação do trabalho do trabalho dos dois, eles elegem seis pontos que acreditam ser necessários para

52 No original: impulses, sensations, expectations, daydreams, encounters, and habits of relating, in strategies and their failures, in forms of persuasion, contagion, and compulsion, in modes of attention, attachment, and agency.

54 apreender metodologicamente a experiência: 1) tocar e ser tocado; 2) ser contaminado pela experiência; 3) experimentar a experiência; 4) refletir política e 5) esteticamente; 6) investir em uma escrita performática.

A conjugação feita entre afetos e experiência estética nos mostra uma aproximação com a nossa pesquisa pela abordagem afetiva que também compartilhamos. Entretanto, em nosso caso, não falamos de experiência estética e estamos localizados em outra discussão. Dessa forma, não iremos tratar as conversas com os sujeitos como uma experiência estética, mas os apontamentos metodológicos de Mouriceau e Mendonça ainda nos mostram caminhos muito interessantes.

Como o início da abordagem dos afetos enquanto método, os pesquisadores dizem que ela “começa com uma fenomenologia do contato sensorial, atenta às luzes, cores, sons, gostos, cheiros, toques produzidos em nós” (MORICEAU, MENDONÇA; 2016, p. 85). É necessário estar presente e se deixar ser afetado, bem como afetar. As mediações devem ficar de lado e o pesquisador precisa se acercar o mais próximo possível da experiência (MORICEAU, MENDONÇA; 2016).

No nosso caso, isso diz de uma proximidade com as pessoas que formaram uma relação depois de se conhecerem pelo Grindr. Há uma mudança de possibilidades do sensorial quando sujeitos se encontram pessoalmente. Diferente de uma entrevista realizada por Skype, poder dividir o espaço com os sujeitos nos leva a perceber mais sobre eles do que com uma conversa mediada por softwares.

A ideia de se encontrar na casa de um dos sujeitos do casal vem tanto como maneira de deixá-los mais confortáveis em um cenário que o corpo estranho é o do pesquisador, quanto como modo de estar em um ambiente que eles dividem mais comumente entre si. Compartilhamos, ainda que momentaneamente, um espaço que traz estímulos sensoriais que, em alguma medida, também diz sobre aqueles corpos.

Por isso, durante a análise, o ambiente, chamado de cenário com base no que é proposto por Erving Goffman (2002), também será recobrado como algo que nos toca durante a entrevista com os casais. A escolha específica do cenário (quarto, sala, cozinha), será definida pelos sujeitos entrevistados, para que possam ter mais confiança de que eles têm total liberdade de escolher o lugar que se sentem mais confortáveis de receber um corpo estranho em seu lar.

O segundo operador que destacamos é aquele que diz sobre reagir, interagir, ser afetado pelo engajamento (MORICEAU, MENDONÇA; 2016), ou seja, deixar-se contaminar pela experiência. A descrição no início da abordagem do método ainda pode fazer com que o

55 pesquisador carregue algo de um sujeito observador e a experiência pede que haja engajamento nela para que a mútua afetação se apresente. Essa contaminação é importante para lidar com o que o corpo e a mente fizerem emergir no momento da investigação, com os efeitos de presença que também fazem parte do nosso movimento de conversar pessoalmente com os casais.

Para além da conversa, gravada em vídeo e áudio, tem-se uma contaminação do pesquisador no momento em que ele adentra o cenário, antes de colocar os aparatos técnicos de filmagem para funcionar, e também o posterior, do que acontece após a câmera ser desligada. As percepções desses momentos, que vão para além das narrativas suscitadas por causa das perguntas feitas, também são válidas. Principalmente porque elas dizem respeito à condição de afetação do pesquisador. Ser um novo sujeito dentro daquele ambiente perturba o espaço comum, instaura novas dinâmicas, tanto para os casais quanto para o pesquisador em si.

Antes mesmo disso, ainda há o contato do pesquisador pelos meios mais diversos – Messenger, WhatsApp, e-mail – que antecede o dia da conversa. Possuir o número de um dos sujeitos salvos na agenda, conversar na intimidade do WhatsApp pode mudar percepções de ambas as partes. É preciso ficar atento a esses sinais e estar aberto a entender que tipo de resposta se dá a eles para que assim a noção de afetos não seja acionada somente no momento em que as narrativas forem construídas com a câmera ligada.

Como um terceiro passo, não que eles sejam compreendidos de modo linear, é necessário experimentar a experiência, para que os sentidos, que são “resultado da potência do afetar” (MORICEAU, MENDONÇA; 2016, p. 88), possam ser percebidos. Não se trata de descobrir os sentidos e/ou significados que estão postos na experiência, como se estivessem prontos para serem revelados, mas sim de entender como eles podem aparecer enquanto o sujeito afeta e é afetado de volta. Percebemos novamente aqui a importância de não se aproximar de uma visão asséptica, descolada e fria da realidade, mas sim de experimentar o que a experiência nos proporciona para pensarmos os sentidos que emergem.

No nosso caso, como queremos discutir sobre a relação entre os sujeitos terem se conhecido no Grindr e começarem a desenvolver sua relação, sentimos a necessidade de entender como era a rotina deles na plataforma. Como já fomos usuários do app, nossa afetação anterior com o aplicativo também ganha forma. Vale recobrar afetos positivos e negativos que perpassaram nossa interação com os perfis daquele aplicativo. De alguma maneira, acreditamos que cruzarmos nosso modo de uso feito antes do início dessa pesquisa com a forma como fomos afetados pela plataforma ao criarmos um perfil de pesquisador para essa dissertação, pode nos

56 colocar em contato com afetos que corroborem com a maneira que os sujeitos entrevistados narram.

Durante todo esse processo, a reflexão política precisa ser feita para que possamos entender como o contexto interpessoal que vivemos tem desdobramentos para além da individualização do sujeito. É lembrar que esse sujeito é sempre pensado enquanto sócio-histórico e que importa os modos como ele afeta e é afetado pelo mundo.

Nesse momento, faz-se necessário uma análise que permita buscar reflexões que perpassem “gênero, sexualidade, etnia, idade classe social, nação, religião, margem política etc” (MORICEAU, MENDONÇA; 2016, p. 90). Forçar-se a produzir sentidos fechados e unidirecionais interrompe os caminhos que os afetos poderiam seguir. Devemos sempre lembrar que os consideramos de forma errática e retiramos suas potencialidades caso façamos uma reflexão enviesada para um certo ponto fixado de sentido.

Já a reflexão ética esbarra em como o pesquisador deve lidar com a experiência que é indicada pelos seus afetos quando se encontra com algo que não é seu, mas do outro (MORICEAU, MENDONÇA; 2016, p. 92). Essa questão chama atenção para se preparar a refletir sobre os diversos afetos que possam surgir da pesquisa. Não se deve esperar que eles sejam favoráveis e confortáveis todas as vezes, já que também há a possibilidade de encarar aqueles afetos que nos inquietam e são tidos como negativos. É necessário refletir eticamente sobre os modos de afetação que podem dizer tanto da experiência estudada quanto do próprio pesquisador.

O fato de sugerir que as conversas sejam feitas em lugares que deixem os sujeitos mais confortáveis, por exemplo, pode ir totalmente em contramão para o pesquisador. Visitar a casa de um deles com o intuito de fazer uma gravação e escutar suas narrativas tem um caráter de desconforto que não podemos ignorar. Tanto para os casais, que recebem um estranho em sua intimidade, quanto para o pesquisador, que propõe ser afetado por um ambiente totalmente desconhecido. O que irá afetar o sujeito não está dado e as sensações podem surgir em qualquer momento. As coisas acontecem e o caminho para o qual elas levam o sujeito pode nem sempre ser para onde ele pretendia se enveredar (STEWART, 2007, p. 79).

Por último, ainda é importante pensar em como a pesquisa vai ser repassada, especificamente na escrita. Moriceau e Mendonça (2016, p. 94) sugerem uma escrita performática “não para constatar e codificar, mas dar-se a sentir, tentar tocar não só a experiência, mas também o leitor. (...) [A escrita agirá] pela ‘exatidão’ da atmosfera e da eficácia afetiva”.

57 A escrita como performance precisa ser entendida enquanto uma ação. Ela age sobre o leitor e também sobre quem a escreve, demanda coisas que talvez não estejamos dispostos a enfrentar ou mesmo preparados. Ela precisa fazer com que haja sensações por meio de si, o que exige sensibilidade de todas as partes envolvidas no processo. Ainda que a análise escrita dessa dissertação não se proponha a ser arte, o pesquisador Luiz Fernando Ramos (2015, p. 98) diz que é interessante pensar que “não precisamos estar em busca de uma mensagem ou de um sentido para aceitar ou recusar algo que se nos apresenta espetacularmente”.

A mensagem emerge da própria afetação dos sujeitos e, nesse sentido, a escrita performática também afeta o mundo, porque ela precisa ser algo que tenha uma capacidade de agência. Nesse lugar, lembramos de Stewart (2007, p. 86) quando ela diz que “agência pode ser estranha, deturpada, presa nas coisas, passiva ou exausta. Não do jeito que pensamos”53

(tradução nossa) e percebemos que os sentidos em uma abordagem afetiva não devem ser forçados a seguir apenas um caminho. Eles devem ter a liberdade para agir, nesse caso, por meio de uma escrita performática.

Com esses seis eixos que entendemos enquanto inspiração para operadores metodológicos, acreditamos que uma pesquisa com base nos afetos se mostra capaz de construir conhecimento científico com o mesmo rigor das abordagens críticas e objetivas, que tendem a afastar o pesquisador de seu objeto e esterilizar a relação entre fenômeno e sujeito.

Por entendermos os afetos como algo obtuso, é necessário um esforço para sistematizar nosso entendimento sobre eles. Certas coisas ainda nos escaparão e essa é a consequência de uma abordagem afetiva. Entretanto, construir uma metodologia que está de acordo com a compreensão que temos da qualidade sensível dos afetos é indispensável para que a abertura que eles instauram na pesquisa não seja fechada e assim demonstrar, na medida do possível, as potencialidades envolvidas em todo o processo.