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Capítulo IV – Competitividade

4.3. Como Medir a Competitividade

A competitividade engloba vários aspetos que no relatório são distribuídos por 12 pilares, e estes são agregados num único índice – Índice Global de Competitividade (IGC). Este índice tem na sua essência a captação da complexidade que está por trás de todo o conceito de competitividade daí ser a junção de 12 pilares, agrupando-se depois em três sub-índices.

O IGC tem uma escala de 1 a 7, em que um significa que um país é pouco competitivo e sete corresponde ao máximo de competitividade.

“Definimos a competitividade como o conjunto de instituições, políticas, e os fatores que determinam o nível de produtividade de um país.”

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Figura nº 4.1: Os 12 Pilares da Competitividade e Sub-Índices

Fonte: autor, baseado em World Economic Forum (2010), figura 1, p.9.

Estes pilares indicam o caminho que os países têm que percorrer para que atinjam a competitividade máxima. O sub-índice requisitos básicos e os respetivos pilares são considerados como fatores motores, ou seja, impulsionam a economia para a competitividade. O sub-índice requisitos de eficiência e os respetivos pilares são considerados como impulsionadores da eficiência, ou seja, as economias têm que ser mais eficientes. Por último, o sub-índice inovação e fatores de sofisticação e os respetivos pilares são considerados como impulsionadores da inovação, as economias crescem através da inovação.

Requisitos Básicos: • Instituições • Infraestruturas • Ambiente Macroeconómico • Saúde e Educação Primária Requisitos de Eficiência: • Ensino Superior e Formação • Eficiência no Mercado de Bens • Eficiência no Mercado de Trabalho • Desenvolvimento do Mercado Financeiro • Preparação Tecnológica • Dimensão do Mercado Inovação e Fatores de Sofisticação: • Sofisticação dos Negócios • Inovação

IGC

Fatores Motor Impulsionadores da Eficiência Impulsionadores da Inovação

38 A descrição de todos os pilares tem por base o que está descrito no RGC (WEF, 2010), mas será apresentado de uma maneira mais sucinta. Assim sendo:

Pilar nº1: Instituições

A qualidade das instituições têm um impacto forte na competitividade e no crescimento, pois são elas que no fundo influenciam a forma como as sociedades distribuem benefícios e os custos.

O papel das instituições não é só a parte legal e administrativa em que os indivíduos, empresas e os governos interagem para produzir rendimento e riqueza. Vai para além disso; é necessária transparência por parte do governo em direção aos mercados e gestão adequada de finanças públicas. Também é importante o papel das instituições privadas na criação de riqueza.

Pilar nº2: Infraestruturas

Para assegurar o funcionamento eficaz da economia são necessárias redes de infraestruturas extensas e eficientes, que permitam reduzir o efeito distância entre regiões, conectando o mercado e permitindo baixar os custos.

O desenvolvimento da rede de infraestruturas de transporte e comunicações é um pré- requisito para o acesso dos países subdesenvolvidos ao núcleo das atividades económicas e serviços.

Este desenvolvimento serve para diminuir as desigualdades e na aproximação entre nações.

Pilar nº3: Ambiente Macroeconómico

A estabilidade do ambiente macroeconómico é importante para os negócios e, portanto, é importante para a competitividade global de um país.

39 A economia não pode crescer de forma sustentável se o ambiente macroeconómico não for estável.

Este pilar mede a estabilidade e não como o governo gera as contas públicas. Isto é levado a cabo pelo pilar nº1, o das instituições.

Pilar nº4: Saúde e Educação Primária

Uma força de trabalho saudável e com uma educação básica mínima é essencial para a competitividade e produtividade de um país.

A falta de saúde resulta em custos para as empresas e a falta de educação básica, torna- se uma restrição ao desenvolvimento de negócios, uma vez que os trabalhadores com pouca educação podem apenas realizar trabalho simples e manual e têm dificuldade de adaptação a outros processos de produção.

Estes quatro pilares referem-se aos requisitos básicos para impulsionar a economia, são considerados como os factores motores. Estes pilares têm em atenção aos estádios de desenvolvimento de um país e por isso cada país segue o seu caminho.

Numa fase inicial de desenvolvimento e para que se mantenha a competitividade é necessário um bom funcionamento das instituições públicas e privadas (pilar nº1), infraestruturas bem desenvolvidas (pilar nº2), um ambiente macroeconómico estável (pilar nº3) e uma força de trabalho saudável e com educação básica (pilar nº4).

Depois desta fase o país torna-se mais competitivo, a produtividade aumenta, os salários também e há um avanço no desenvolvimento.

Pilar nº5: Ensino Superior e Formação

Para uma economia subir na cadeia de valor, a qualidade do ensino superior é fundamental, para que os trabalhadores sejam capazes de se adaptar rapidamente à evolução das necessidades do sistema produtivo.

Também é importante que os trabalhadores procedam a formações em contexto de trabalho contínuo.

40 Pilar nº6: Eficiência no Mercado de Bens

Países com mercados bons e eficientes estão bem posicionados para produzir diversos produtos e serviços e para que possam ser transacionados mais eficazmente. É importante ter um mercado com uma concorrência saudável, tanto no mercado nacional como internacional, para que funcione com mais eficiência, devido à redução dos obstáculos à atividade empresarial por meio da intervenção do governo.

Existem países com clientes mais exigentes que outros e é importante as empresas sejam mais inovadoras e com atendimento direcionado para cada cliente. Isto impõe uma disciplina necessária para alcançar a eficiência.

Pilar nº7: Eficiência no Mercado de Trabalho

O mercado de trabalho deve ser eficiente para garantir uma relação clara entre os incentivos dados aos trabalhadores e o esforço efetivamente feito por estes, bem como a equidade entre homens e mulheres.

Um mercado de trabalho flexível permite alterar a atividade económica e a baixos custos.

Pilar nº8: Desenvolvimento do Mercado Financeiro

Um setor financeiro eficiente canaliza os recursos economizados pelos cidadãos de um país, bem como recursos que entram a partir do estrangeiro para projetos empreendedores e investimentos com maiores taxas de retorno.

O setor bancário precisa de ser transparente e confiável, pois é essencial que o capital esteja disponível, através de empréstimos, bolsa de valores, capital de risco e outros produtos financeiros.

41 Pilar nº 9: Preparação Tecnológica

Neste mundo globalizado é importante avançar com as tecnologias de informação e comunicação (TIC) nas atividades diárias e nos processos de produção para aumento da eficiência e competitividade.

É importante que as empresas que operam no país tenham acesso a produtos avançados e capacidade para os utilizar, sendo ou não desenvolvidas dentro das fronteiras nacionais.

Este pilar contempla o nível de tecnologia disponível para um país, o qual distingue da capacidade do país para inovar e expandir as fronteiras do conhecimento (que vai ser retratado no pilar nº12).

Pilar nº 10: Dimensão do Mercado

A dimensão do mercado afeta a produtividade uma vez que grandes mercados permitem às empresas explorar economias de escala.

Não há muitas evidências empíricas que mostrem que a grande abertura comercial está positivamente associado com o crescimento, mas o comércio tem um efeito positivo no crescimento.

As exportações podem ser pensadas como um substituto para a procura interna, para determinar a dimensão do mercado para as empresas de um país.

Estes últimos seis pilares são conhecidos por impulsionar a eficiência das economias, pois, neste estádio de desenvolvimento, os países devem desenvolver processos de produção eficientes, aumento de produtos de qualidade.

Neste ponto a competitividade está orientada para o ensino superior e formação (pilar nº5), eficiência do mercado (pilar nº6), bom funcionamento do mercado de trabalho (pilar nº7), mercados financeiros eficientes (pilar nº8), capacidade de aproveitar os benefícios da tecnologia (pilar nº9) e um mercado grande (pilar nº10).

42 Pilar nº11: Sofisticação de Negócios

A sofisticação de negócios é propício a uma maior eficiência na produção de bens e serviços, aumentando a produtividade e, por sua vez, aumentando a competitividade de um país.

Quando empresas e fornecedores de um determinado setor estão interligados (Clusters) a eficiência é elevada e maiores oportunidades de inovação são criadas.

Pilar nº 12: Inovação

Depois de todos estes pilares anteriores e, no longo prazo, as normas de vida só podem ser reforçadas pela inovação tecnológica.

Num estádio de desenvolvimento mais elevado (Estádio 3-Impulsionador de Inovação) é necessário as empresas manterem uma vantagem competitiva. Requer que haja um ambiente que propicie a atividade inovadora apoiada pelo sector público e privado, criando meios suficientes para o investimento em investigação e desenvolvimento (I&D), presença de instituições de investigação científica e colaboração entre universidades e empresas.

Finalmente, estes dois últimos pilares são conhecidos por impulsionar a economia através da inovação. Nesta última fase de desenvolvimento as empresas devem competir produzindo mercadorias novas e diferentes que utilizam uma produção mais sofisticada (pilar nº 11) através da inovação (pilar nº12).

Estes pilares não atuam independentemente uns dos outros, isto porque os primeiros vão influenciar os segundos e assim sucessivamente. É impossível chegar ao ensino superior e formação profissional (pilar nº5) se a população não tiver já uma educação básica (pilar nº4), por exemplo.

Os 12 pilares são agregados no IGC, e as fases de desenvolvimento são tidas em conta, atribuindo maior peso relativo aos pilares que são mais importantes para uma economia dependendo do seu desenvolvimento. Aos três sub-índices são atribuídos diferentes pesos em cada estádio de desenvolvimento apresentados na tabela seguinte.

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Tabela nº 4.1: Pesos dos Sub-índices em cada Estádio de Desenvolvimento

Sub-índices Estádio Fator Motor (%) Estádio Impulsionador de Eficiência (%) Estádio Impulsionador de Inovação (%) Requisitos Básicos 60 40 20 Requisitos de Eficiência 35 50 50 Inovação e Fatores de Sofisticação 5 10 30

Fonte: World Economic Forum (2010), p.10

Na tabela 4.1 pode ver-se que, à medida que os países vão evoluindo no seu processo de competitividade, ou seja, vão passando para o estádio seguinte, a importância dada a cada sub-índice altera-se. Por exemplo, quando uma economia se encontra no primeiro estádio, o sub-índice mais importante será o dos requisitos básicos, contemplando uma maior percentagem (60%).

A tabela seguinte mostra quais os limites de rendimento para que se possam distribuir os países por cada estádio de desenvolvimento.

Tabela nº4.2: Limites de Rendimento para Estabelecer os Estádios de Desenvolvimento

Estádios de Desenvolvimento PIB per capita (em US$) Estádio 1: Fator Motor ‹ 2000 Transição do estádio 1 para o estádio 2 2000-3000 Estádio 2: Impulsionador de Eficiência 3000-9000 Transição do estádio 2 para o estádio 3 9000-17000 Estádio 3: Impulsionador de Inovação › 17000

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4.4. Síntese e Conclusão do Capítulo

No RGC definem competitividade como o conjunto de instituições, políticas e factores que determinam o nível de produtividade de um país.

O IGC é composto por três sub-índices e doze pilares: Requisitos Básicos (Instituições; Infraestruturas; Ambiente Macroeconómico; Saúde e Educação), Requisitos de Eficiência (Ensino Superior e Formação; Eficiência no Mercado de Bens; Eficiência no Mercado de Trabalho; Desenvolvimento do Mercado Financeiro; Preparação Tecnológica; e Dimensão de Mercado) Inovação e Fatores de Sofisticação (Sofisticação dos Negócios e Inovação).

Estes pilares não funcionam uns independentes dos outros, têm presente a evolução de economia e cada sub-índice é um novo desafio para um país no alcance da competitividade.

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