Capítulo IV – Competitividade
4.2. Conceito de Competitividade
A Definição
Pelas inúmeras vezes que o termo competitividade nos é apresentado, quer por parte dos economistas, dos mass média e sobretudo pelos diversos líderes políticos, este termo parece-nos claro. Por detrás de toda esta naturalidade, a verdade é que este conceito se apresenta de uma forma muito mais complexa e imprecisa.
Há muitos artigos que definem competitividade como a capacidade de criar bem-estar (Aiginger, 2006), outros equiparam competitividade com produtividade, disponibilidade de recursos baratos. (Aiginger e Landesmann, 2002)
33 A competitividade pode também ser vista como a capacidade de uma economia para aumentar o rendimento numa economia aberta (Aiginger e Landesmann, 2002). É de referir que há vários conceitos de competitividade que se aplicam às economias nacionais como competitividade no mercado interno, competitividade dos preços externos, competitividade de custos externos e competitividade com base em fundamentos de crescimento. (Hawkins, 2006)
O termo competitividade é utilizado tanto a nível de uma empresa como de uma nação. No entanto, definir competitividade de uma nação é muito mais problemático do que a definição de competitividade de uma empresa. (Krugman, 1994)
Apesar desta dificuldade em definir competitividade, estão disponíveis várias definições de competitividade de uma nação, o que mostra um grande esforço para se chegar a uma definição, mas também a complexidade do termo. O quadro seguinte sugere várias definições ao longo dos anos e de diferentes autores.
Quadro nº4.1: Definições de Competitividade de uma Nação
Autor Ano Definição
Uri 1971 "A capacidade de criar as condições para salários altos"
The German Sachverständigenrat
1981 "Capacidade de desenvolver produtos especiais e soluções técnicas que geram o crescimento do rendimento sob o pleno emprego, apesar da concorrência emergente dos novos países industrializados"
Orlowski 1982 "A capacidade de vender"
Scott & Lodge 1985 "A capacidade de um Estado-nação para produzir, distribuir bens e serviços na economia internacional... e fazê-lo, para que ganhe nível de vida"
Fagerberg 1988 "A capacidade de um país central para realizar objetivos económicos, especialmente o crescimento do rendimento e do emprego, sem entrar em dificuldades na balança de pagamentos"
Porter 1990 "O único conceito significativo de competitividade a nível nacional é a produtividade nacional"
OCDE / TEP 1992 "Para produzir bens e serviços que atendam o teste da concorrência externa, ao mesmo tempo manter e expandir a rendimento real doméstico"
Competitive Policy Council (EUA)
1994 "A capacidade de vender produtos nos mercados internacionais, enquanto aumenta o rendimento nos mercados domésticos de uma forma sustentável"
34 UE 1994 "A competitividade como a capacidade de combinar crescimento com
equilíbrio comercial"
Fórum de Gestão 1994 "Competitividade Mundial é a capacidade do país ou empresa que, proporcionalmente, gera mais riqueza do que os seus concorrentes nos mercados mundiais".
UE 1995 "Capacidade de aumentar ou manter o padrão de vida em relação a economias comparáveis (por exemplo, os países desenvolvidos industrializados), sem deterioração de longo prazo das contas externas"
OCDE 1995 "A política competitiva... (é) o apoio à capacidade das empresas, indústrias, regiões e nações ou supra - regiões nacionais para gerar, ao mesmo tempo ser e permanecer expostos à concorrência internacional, factor de rendimento relativamente alto e os níveis de emprego em bases sustentáveis ".
Oughton, Whittam 1995 "O crescimento de longo prazo na produtividade e, consequentemente, a elevação dos padrões de vida, consistente com o aumento do emprego ou a manutenção de quase pleno emprego"
Tunzelmann 1995 Os historiadores tendem a igualar "a competitividade... com políticos, dirigentes, técnico comercial"
Krugman 1996 "Parece muito cínico para sugerir que o debate sobre a competitividade seja simplesmente uma questão de tempo - falácias honrado o comércio internacional a ser coberta numa nova e pretensiosa retórica"
Aiginger 1998 "A competitividade das nações é a capacidade de (i) vender bastantes produtos e serviços (para cumprir uma restrição externa), (ii) com factor de rendimentos, em conformidade com o nível de aspiração (actuais e mutação) do país, e (iii) em condições macro do sistema económico, social visto como satisfatório pelo povo "
Comissão Europeia 1998 "Uma economia é competitiva, se sua população pode desfrutar de altos padrões de vida e de um alto nominal de emprego durante o acompanhamento de uma posição externa sustentável"
Fórum Económico Mundial
2000 "A competitividade é o conjunto de instituições e políticas económicas de apoio de altas taxas de crescimento económico no médio prazo".
Comissão Europeia 2001 "A capacidade da economia proporcionar à sua população níveis de vida elevados e crescentes, e elevadas taxas de emprego numa base sustentável".
Fonte: autor, baseado em Aiginger (2006), tabela nº1, p. 166-167 e Aiginger e Landesmann (2002), anexo 3.3, p.44.
35 Todas estas definições mostram-nos pontos em comum. A maior parte dos autores refere-se à competitividade como a capacidade de a economia proporcionar bem-estar, de garantir crescimento, emprego e equilíbrio na balança comercial.
Para Krugman (1994), o principal problema é a obsessão que tantas pessoas têm pelo termo competitividade, nomeadamente pelo facto de desviar as políticas internas e ameaçando o sistema económico internacional tudo em prol da tão aclamada competitividade.
Há uma questão que se coloca: o porquê de esta retórica da competitividade se ter tornado tão apetecida? Segundo Krugman (1994), para os líderes mundiais tem sido muito útil a sua utilização na esfera política quer para justificar ou evitar escolhas difíceis.
Pensar e falar em termos de competitividade coloca três perigos reais. Em primeiro lugar, pode resultar no desperdício de dinheiro por parte do governo, que supostamente é utilizado para aumentos de competitividade; em segundo lugar pode levar a guerras comerciais e protecionismos; e por último pode resultar numa má política pública em detrimento de outros assuntos importantes. (Krugman, 1994)
Apesar deste lado negativo dado por Krugman, há artigos que defendem que uma economia que não é competitiva é uma coisa má. (Hawkins, 2006)
Segundo o presidente executivo do Fórum Económico Mundial Klaus Schwab, num ambiente económico global, é mais importante do que nunca para os países porem em prática os fundamentos que sustentam o crescimento económico e de desenvolvimento. O Relatório Global de Competitividade (RGC) ajuda a explicar porque alguns países são mais bem-sucedidos do que outros e é uma ferramenta para os vários líderes políticos.
Mercados mais abertos (globalização) tem um efeito positivo no aumento da produtividade. Para que os países se mantenham competitivos na economia global terão que aumentar os conhecimentos e investir em tecnologia. (OCDE, 2007a)
36 Morgan (2005) anunciou que com o aumento do ritmo da globalização, a realidade é que os governos estão em concorrência uns com os outros, e que o papel principal era estabelecer e promover as condições para que a economia possa competir efetivamente com o resto do mundo. (citado em Hawkins, 2006)
Esta definição curta do que é entendido por competitividade mostra a ligação com outro conceito, o de produtividade. Aliás já dizia Porter (1990) que o único conceito significativo de competitividade a nível nacional é a produtividade nacional. (citado em Aiginger e Landesmann, 2002)
A produtividade de um país determina claramente a sua capacidade de sustentar um nível alto de rendimento, e é também um dos determinantes centrais dos retornos do investimento, que é um dos principais factores que explicam o potencial de crescimento de uma economia. (WEF, 2010, p.4)