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Comparativo entre Despesas Executadas do OGU e Despesas Sigilosas Executadas

4 ACCOUNTABILITY, ORÇAMENTO PÚBLICO E DESPESAS SIGILOSAS 4.1 O QUE É ACCOUNTABILITY (PRESTAÇÃO DE CONTAS)?

4.4 COMO PRESTAR CONTAS DE DESPESAS SIGILOSAS?

Deve prestar contas todo aquele, pessoa física ou jurídica, que realize a gestão de bens, valores e dinheiros públicos, inclusive de recursos que sejam classificados como sigilosos. Assim, percebemos que nenhum órgão ou entidade pública realizará despesa que esteja livre de prestação de contas, até mesmo as despesas sigilosas.

Em pedido de informação ao TCU, solicitou-se saber se havia algum documento normativo que regulasse a fiscalização de despesas sigilosas de forma distinta das despesas não classificadas como tal, no âmbito daquele Tribunal. Obtivemos a resposta de que não há, na jurisdição do TCU, normas nem procedimentos específicos para realizar prestação de contas de despesas sigilosas.

Contudo, um projeto de lei estabelecia normas específicas para o planejamento, execução e prestação de contas das despesas públicas de caráter sigiloso, tal como as despesas das áreas de Inteligência, Segurança e Defesa públicas. O referido projeto foi de autoria do senador Renato Casagrande, mas foi arquivado no fim do seu mandato.

No projeto, havia a determinação de que esse tipo de despesa deveria ser individualizada em rubrica específica nos orçamentos. A unidade gestora que executar despesas acobertadas pelo segredo governamental deve organizar prestação de contas ostensiva, de natureza ordinária, e outra reservada, pormenorizada para as sigilosas. No caso da ostensiva, os gastos deverão ser registrados apenas em termos de valores, sem nenhum detalhamento.

A prestação de contas reservada conterá os dados exigidos para as demais despesas da prestação ordinária, e apenas ficará disponível ao controle externo, desempenhado pelo Legislativo, e aos órgãos que exercem o controle interno das unidades responsáveis pelo gasto.

O sigilo da documentação será transferido aos órgãos de controle, sem limite ou ressalva, que analisarem normalmente as prestações de contas. Os servidores e as autoridades que analisarem as informações deverão possuir credencial de sigilo para tratar dos dados, ficando sujeitos a sanções em âmbito administrativo, civil e penal caso as informações sejam divulgadas sem a necessária autorização.

A execução de despesas por meio de regime de adiantamento, como definidas nos termos da legislação aplicável aos dados e informações cujo conhecimento irrestrito ou divulgação possa acarretar qualquer risco à segurança da sociedade e do Estado, far-se-á rigorosamente nas mesmas condições que qualquer outra despesa. Isto posto, ela deve considerar algumas questões, como:

a) os ordenadores de despesas autorizados à execução de tais despesas serão apenas os detalhados em decreto;

b) os instrumentos utilizados serão destinados apenas à realização de despesas desta natureza, como definidos no ato de concessão do respectivo adiantamento, sendo proibida a utilização de uma mesma conta corrente ou cartão para realizar simultaneamente operações normais e de natureza sigilosa;

c) a classificação contábil dessas despesas deve evidenciar o seu montante e a sua natureza sigilosa;

d) o acesso aos documentos e registros da despesa e ao processo documental de prestação de contas ficará restrito ao ordenador de despesas, aos seus superiores hierárquicos e aos órgãos de controle interno e externo, aos quais será transferido sem qualquer ressalva o sigilo das informações respectivas;

e) os dados informatizados serão mantidos nas mesmas condições de quaisquer despesas, podendo a sua integração aos demais dados da execução financeira e orçamentária contemplar código específico de sigilo para evitar a divulgação, exclusiva, dos dados relativos ao objeto da compra e ao fornecedor.

Além do TCU, que exercerá a fiscalização quanto ao controle externo das despesas públicas de caráter sigilo, caberá à Comissão Mista de Controle das atividades de Inteligência (CCAI), órgão do Congresso Nacional, examinar os montantes aplicados em rubricas específicas de despesas sigilosas. Salienta-se a

distinção entre esses dois órgãos, enquanto o primeiro tem o foco na fiscalização orçamentária, financeira e operacional, o segundo tem como objetivo o controle da atividade.

A prestação de contas de despesas sigilosas é realizada, a priori, da mesma maneira como é prestada as despesas públicas ostensivas, por meio do relatório de gestão entregue ao TCU, em datas determinadas. Os órgãos e entidades que se utilizam de despesas sigilosas apresentam o relatório de gestão aos órgãos de controle interno e externo e à sociedade como forma de prestação de contas anual, como determina o parágrafo único do artigo 70 da CF88, seguindo as orientações da Instrução Normativa TCU nº 63/2010, que normatiza a forma e conteúdo do relatório de gestão, e, especificamente, para o exercício de 2017, a Decisão Normativa TCU nº 161/2017, que regula procedimentos para aquele exercício.

Os Relatórios de Gestão devem trazer informações peculiares sobre a visão geral da instituição; o planejamento organizacional e resultados; governança, gestão de riscos e controles internos; áreas especiais da gestão; relacionamento com a sociedade; desempenho financeiro e informações contábeis; e, conformidade da gestão e demandas de órgãos de controle, como apresentado no Apêndice F.

Seguindo a normatização da IN TCU nº 63/2010 e as especificidades da Decisão Normativa anual, os órgãos e entidades entregam o Relatório de Gestão aos órgãos de controle interno e externo, com o fim de cumprir com a obrigação de prestar contas.

Para os que se utilizam de despesas de caráter sigiloso, é imprescindível que demonstrem aos órgãos de controle legislação específica que proteja expressamente a divulgação de dados e informações, com o intuito não infringir essa prerrogativa. Assim, alguns conteúdos não são formalizados no Relatório de Gestão ostensivo, mas esses conteúdos são disponibilizados no Relatório de Gestão reservado, em sua versão integral, o qual os órgãos de controle têm livre acesso, por estarem sujeitos a tratamento de caráter sigiloso, com amparo no inciso XXXIII do art. 5º da CF88, como previsto nos artigos 22 e 23 da LAI e no art. 25 do Decreto nº 7.724/2012.

4.5 UMA VISÃO PROSPECTIVA DAS DESPESAS SIGILOSAS NO ORÇAMENTO