Uma capacidade Uma competência
E uma estrutura cognitiva estabilizada. Por exemplo: conhecer um procedimento para descobrir a fórmula da área de um quadrilátero. Comentário: Uma capacidade faz referência a um conteúdo já construído pelo sujeito.
E um concretizar eficaz (mobilização, selecção, coordenação) de recursos variados para tratar uma determinada situação. Este concretizar varia de situação para situação.
Comentário: A competência envolve uma série de recursos de acordo com a situação na qual se encontra o sujeito e sobretudo da representação que ele faz dessa concretização. Não será necessariamente a mesma que ele utilizara numa outra situação de inquérito.
E organização invariável para um tipo de
situações. representação que o sujeito faz dessa situação. E contextualizada numa situação e é tributária da Comentário: Seja qual for a situação, as
propriedades da multiplicação ficarão invariáveis e independentes em relação à situação na qual foram utilizadas.
0 texto histórico redigido pelos alunos adquire um significado particular por causa do contexto de aniversário da escola.
Ela refere-se a um conteúdo preciso e clara- mentedef inido, ela é determinada por uma di- mensão particular de um saber codificado.
Ela convoca as capacidades que se podem inscrever nos conteúdos disciplinares variados. Ela não é necessariamente inscrita numa única disciplina escolar.
Ela pode ser utilizada num número variado de situações pertencendo a uma mesma classe de situações neste sentido ela é transversal.
Uma competência é sempre específica a uma situação particular e é tributária da representação que o sujeito construiu dessa situação e dos recursos aos quais ele tem acesso como das dificuldades dessa situação particular. Uma competência é específica de uma situação mas também das representações dos sujeitos que a realizam.
Uma capacidade abarca os critérios que permitem verificar em que medida ela foi utilizada com sucesso numa dada situação.
Uma competência tem em consideração a sua própria evolução. Não somente a situação deve ser tratada com sucesso mas é preciso ainda que o resultado desse tratamento seja aceitável socialmente. A competência contém, portanto, uma dimensão ética.
Uma capacidade só mostra o seu significado pleno assim que é utilizada para pôr em acção uma competência. Uma capacidade só tem sentido se é constitutiva de competências.
Uma competência (...) apela a uma ou várias capacidades sem as quais o tratamento de uma situação é impossível. Uma competência é mais tributária das capacidades.
78 Ibidem, p. 35.
79 Ibidem, pp. 52-53.
«Uma arquitectura de competências pode ser definida articulando-se entre elas os diferentes elementos: uma situação, capacidades, habilidades, conteúdos disciplina- res, recursos afectivos, recursos sociais, recursos contextuais e estratégias para vencer as dificuldades da situação, etc. O elemento mais importante desta arquitectura é a situação. Ela é ao mesmo tempo o ponto de partida da competência e o principal critério que servirá para verificar se a competência foi eficaz ou não ao se pôr em prática»80.
«Para os construtivistas, os conhecimentos são construídos pelo próprio sujeito através das experiências que ele vive no seu ambiente, a partir do que ele já viveu e através das interacções com os outros. O saber codificado nos programas escolares, não é transmissível para os construtivistas»81.
Os conhecimentos reúnem, segundo uma perspectiva construtivista, quatro ca-
racterísticas:
«1) Os conhecimentos são construídos (e não transmitidos);
2) Os conhecimentos são temporariamente exequíveis (e não definidos uma vez por todas);
3) Eles necessitam de uma prática reflexiva (não são admitidos como tais sem se colocarem em causa);
4) Eles são situados em contextos e situações (e não descontextualizados)»82.
Os construtivistas defendem que o conhecimento não é o resultado de uma recepção passiva de objectos exteriores, mas constitui antes o fruto da actividade do sujeito, sendo este o construtor dos seus conhecimentos através de uma actividade reflexiva sobre o que ele já sabe, adaptando os seus próprios conhecimentos às exigên-
80 Ibidem, p. 61. 81 Ibidem, p. 66. 82 Ibidem, p. 69.
cias da situação com a qual ele é confrontado e às características que ele descodifica sobre o objecto a aprender83.
O conceito de situação torna-se o elemento central da aprendizagem. É em situação que o aluno forma, modifica ou recusa os conhecimentos situados e desenvolve as competências situadas, pelo que as situações no interior das quais os alunos podem construir os conhecimentos à sua maneira e desenvolver as competências são determinantes numa perspectiva construtivista.
Ao professor compete «(...) criar situações que permitam ao aluno aí construir
conhecimentos e desenvolver competências. Uma competência é construída, situada, reflexiva e temporariamente exequível. O conceito de competência pode inscrever-se num paradigma epistemológico construtivista do conhecimento»84.
Na sequência de tudo quanto vimos a referir, surge uma questão pertinente e actual: Que competências85 privilegiar?
Dizer que cabe à escola desenvolver competências não significa confiar-lhe o monopólio disso. Pode-se então dizer que as competências são um horizonte, sobretudo para aqueles que se orientarem para profissões científicas e técnicas, servirem-se das línguas na sua profissão ou fizerem pesquisa. Pode-se dizer que a escola é um lugar onde todos acumulam os conhecimentos de que alguns necessitarão mais tarde, em função de sua orientação.
Toda a escolha coerente tem seu reverso: o desenvolvimento de competências desde a escola implicaria uma diminuição dos programas nacionais, com vista a libertar o tempo requerido para exercer a transferência e acarretar a mobilização dos saberes. Isso é grave? E realmente necessário que, na escola obrigatória, se aprenda o máximo
83 Cf. Ibidem, p. 71. 84 Ibidem, pp. 76-78.
85 Cf. JONNAERT, Philippe - Compétences et socioconstructivisme. Un cadre théorique, pp. 76-78. 145