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COMPARAÇÕES ENTRE OS BENEFICIÁRIOS DE PROGRAMAS

No documento Participação das classes (páginas 56-60)

4. IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 28 

4.5 COMPARAÇÕES ENTRE OS BENEFICIÁRIOS DE PROGRAMAS

OCORRE A INCLUSÃO SOCIAL

Inclusão social é um termo amplo, utilizado ao fazer referência à inserção de pessoas com algum tipo de deficiência às escolas de ensino regular e ao mercado de trabalho, ou ainda a pessoas consideradas excluídas, que não tem as mesmas oportunidades dentro da sociedade, por motivos como: condições socioeconômicas; gênero; raça; falta de acesso a tecnologias (exclusão digital). A inclusão social é efetivada por meio de políticas públicas (PACIEVITCH, 2014).

Mota (2007 apud SASSAKI, 1997) define inclusão como a modificação da sociedade para que as pessoas possam buscar seu desenvolvimento e exercício da cidadania. Ou seja, todas as pessoas usufruindo dos mesmos benefícios da vida em sociedade.

Para a WIKIPÉDIA (2014a) inclusão social “é oferecer aos mais necessitados oportunidades de acesso a bens e serviços, dentro de um sistema que beneficie a todos.” Para que isso ocorra “é necessário combater pobreza, a exclusão social e a desigualdade social”.

De acordo com BARROS (2014), a inclusão não deve ser vista somente em igualar a renda, deve oferecer as mesmas oportunidades aos idosos, aos negros e aos portadores de deficiências físicas.

A Organização Internacional do Trabalho - OIT, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD consideram a pobreza como uma forma de exclusão social. Na Cúpula do Milênio, em 2000, 191 países se comprometeram em reduzir as desigualdade e a pobreza, e de melhoria das condições de vida da população até 2015 (MC, 2010).

Em 2003 foi realizada a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (WSIS– World Summit on the Information Society) que traçou metas relativas às tecnologias da informação e de comunicação pretendendo estender a Internet a todas as localidades do mundo até 2015.

“São metas da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação: conectar todas as localidades, todas as instituições de ensino, todas as instituições de pesquisa científica, todos os museus e bibliotecas

públicas, todos os hospitais e centros de saúde, assim como as instituições em todos os níveis de governo. Adicionalmente, visa adaptar os currículos escolares para enfrentar os desafios da sociedade da informação, assegurar que todos tenham acesso à televisão e ao rádio, e garantir que mais da metade da população mundial tenha acesso às TIC até 2015.”

Pode-se observar que o termo “inclusão social” já era mencionado no século passado. Porém só passou a ser preocupação da sociedade e dos governos mais recentemente. Vivemos em uma economia do conhecimento e o acesso a Internet em banda larga é visto como essencial para o desenvolvimento e competitividade das nações pelo PNUD. O acesso à Internet além de dinamizar a economia traz benefício sociais. No apêndice I pode-se observar que nos últimos anos a população de baixa renda que acessa a Internet está aumentando. Também é observado, no apêndice J, a utilização do telefone celular por trabalhadores em atividades menos remuneradas.

O Brasil tem vários programas e ações que promove a inclusão social utilizando de forma direta ou indireta os serviços de telecomunicações. Eles são realizados por governos, empresas e associações, entre outros parceiros. A seguir são apresentados alguns exemplos.

O telefone popular, que é uma ação do Governo Federal, atendia 116,1 mil usuários no final de 2013. De janeiro a dezembro houve um aumento de 88,4%. A maior concentração da distribuição dos usuários de telefones populares no Brasil está em São Paulo, Bahia e Rio de janeiro correspondendo a 50%. No restante dos outros Estados o número é inferior a 10% em cada, conforme Relatório Anual 2013 (ANATEL, 2014, p.21).

Uma ação da Secretaria de Cultura do Estado de Mato Grosso proporcionou acesso a Internet à maioria das aldeias indígenas. São 33 povos com acesso à Internet via cabo, satélite ou rádio. “O acesso à tecnologia é uma necessidade indígena no mundo atual, incluindo Internet, celular, televisão, máquina fotográfica, filmadora e tudo mais que surgir de novidade”. (WERNECK, 2014). Segundo o indígena Edivaldo Lourival Manpuche, de 27 anos, pelo orelhão da aldeia Kravari, a Internet é usada por professores e “muitos jovens também têm Facebook, mas o pessoal de 30 a 40 anos também curte”. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc), atendendo à solicitação dos próprios indígenas, também inseriu a Internet em 42 escolas estaduais localizadas em aldeias.

Os trabalhadores rurais de mais de 20 assentamentos na Paraíba receberam ajuda da Associação Nacional para Inclusão Digital (ANID) para instalação de telecentros que possibilita o fortalecimento da inclusão digital nas comunidades rurais. A partir do projeto de Letramento Digital, cada comunidade recebe Internet em banda larga (wi-fi) e também tem linhas de Voip para fazer ligações telefônicas sem custo (PESSOA, 2013).

Quilombolas e assentamentos da Paraíba participam do Programa Estações de Inclusão Digital, resultado de uma parceria entre o SEBRAE, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério das Comunicações (PORTAL BRASIL, 2012). O objetivo do programa é proporcionar acesso a computadores com Internet e curso de informática para se conectar a Internet. Serão beneficiadas 23 comunidades, cada uma com 10 computadores, além da capacitação.

O Programa Minha casa minha vida (PMCMV) é um programa social do governo federal. Ele foi criado para financiar moradia para população de baixa renda urbana e rural. As construções para poderem participar do programa tem que atender alguns requisitos de acordo com a Lei n° 11.977/2009 no artigo 5º:

“III - infraestrutura básica que inclua vias de acesso, iluminação pública e solução de esgotamento sanitário e de drenagem de águas pluviais e permita ligações domiciliares de abastecimento de água e energia elétrica; IV - a existência ou compromisso do poder público local de instalação ou de ampliação dos equipamentos e serviços relacionados a educação, saúde, lazer e transporte público” (BRASIL, 2014f).

Conforme pode ser observado, os serviços de telecomunicações não foram incluídos. No entanto, devem estar disponíveis para a população e para apoio dos serviços de educação e saúde principalmente.

Outro programa social de inclusão do governo é Pronatec Brasil Sem Miséria. Uma parceria do Ministério da Educação (MEC) com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) promove a qualificação profissional e o acesso ao mercado de trabalho de pessoas de baixa renda. O objetivo do programa é expandir, interiorizar e democratizar a educação profissional e tecnológica. Em todo o Brasil, já são mais de 1,1 milhão de matrículas, em 570 cursos oferecidos (MEC, 2014a).

As pessoas que participam do programa conseguem uma colocação no mercado de trabalho. Pode ser um emprego formal ou informal. Também pode ter seu próprio negócio e se tornar micro empreendedor individual. Segundo o Portal do

Empreendedor (2014), as atividades de vendedores de roupas, cabeleireiros e pedreiros correspondem juntas a 22% do total de pessoas que optaram pelo caminho da formalização. As famílias aumentando a renda deixam de ser beneficiadas pelos programas sociais de baixa renda. Este é outro programa que utiliza as telecomunicações para alavancar os negócios, seja através do telefone ou da Internet.

Outros benefícios concedidos a população de baixa renda são as cotas em universidade públicas, o Programa Nacional de Bolsa Permanência (que atende também a estudantes indígenas e quilombolas), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e Programa Universidade para Todos (ProUni) com bolsas para o exterior. O objetivo é promover a inclusão do jovem de baixa renda ao ensino superior (PORTAL BRASIL, 2013) (MEC, 2014b). Neste caso o papel das telecomunicações é de proporcionar acesso a informações acadêmicas ou de mercado aos estudantes auxiliando a geração de novos conhecimentos e a troca de informação gerada.

Esta geração e intercambio de informação é importante também para o País. Ele pode ajudar a melhorar o prestigio internacional das universidades brasileiras que ficaram fora da lista das 200 melhores do mundo em 2014 segundo o ranking global de universidades da THE (Times Higher Education). A USP esta classificada entre as posições 202 a 225. Uma das justificativas para as universidades brasileiras não estarem em melhor posição é a falta de pesquisas em colaboração com parceiros internacionais (GASPARINI, 2014).

Compartilhar conhecimento foi o principal motivo do surgimento do World Wide Web (WWW). O CERN - Organização Europeia para a Investigação Nuclear - necessitava compartilhar informações, noticias e documentos com outros físicos e o desenvolveu. Os primeiros a adotar a WWW foram os departamentos de pesquisas das universidades e laboratórios de física (WIKIPEDIA, 2014b). Esta necessidade de conexão também é verificada nos jovens universitários americanos, “73% dos jovens não conseguem estudar sem tecnologia” (CLOUD EAD, 2014). Eles estão sempre conectados, são nativos digitais e transferem parte de si para ambientes virtuais. Este comportamento está sendo chamado de cibridismo que é a expansão do nosso cérebro para o ambiente virtual. Isto também ocorre no Brasil, confirmado pelo número usuários conectados em redes sociais.

A inclusão social ocorre de várias maneiras no país. Os principais beneficiários são as famílias de baixa renda cadastradas no cadastro único. Os programas sociais atendem a população indígena, aos assentamentos da reforma agrária, as comunidade quilombolas, os estudantes em cursos de nível superior e os trabalhadores que precisam de cursos de qualificação profissional.

Todos os programas citados geram demanda de serviços de telecomunicações. Não é uma demanda por serviços de ultima geração, ao contrário, os atuais serviços disponíveis são suficientes para atender a demanda e através de pacotes de serviços promocionais a população tem facilidade de acesso. Ou então podem acessar através de hotspots públicos.

4.6 IDENTIFICANDO DE NOVOS SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES QUE A

No documento Participação das classes (páginas 56-60)