• Nenhum resultado encontrado

Componente 3: Modelo de funcionamento do sistema

4.6 Análise dos resultados da entrevista

4.6.3 Componente 3: Modelo de funcionamento do sistema

Esta componente da entrevista tinha como principal objetivo conhecer as expectativas dos utilizadores sobre o modelo de funcionamento do sistema, nomeadamente no que concerne a: perfis de utilizador, componentes e fluxos de comunicação entre agentes deste sistema.

Questão 1: Na sua perspetiva, quem seriam os principais utilizadores deste sistema?

A resposta a esta questão foi divida em duas dimensões: segmento (empresarial e particular) e perfil de utilizador. De acordo com as respostas obtidas poder-se-á concluir que este sistema tem potencial de adaptação a qualquer empresa, independentemente do sector de atividade, embora na perspetiva de alguns utilizadores entrevistados, somente com os materiais de formação adaptados ao contexto de cada organização. Considera-se relevante salientar que 13% das referências positivas indicam ainda a orientação tecnológica como requisito para a utilização com sucesso desta tipologia de sistemas.

Utilizador a: “Toda a gente, de todos os sectores de atividade, de todos os graus de aprendizagem”

Utilizador b: “Em termos de tipo de utilizadores diria que tanto funciona para a dimensão particular como empresarial.”

Utilizador c: “é útil para qualquer tipo de empresa. Adapta-se e estamos a falar de gestão do conhecimento”

CAPÍTULO 4 – CARACTERIZAÇÃO DAS FUNCIONALIDADES DE COMUNICAÇÃO NUM SISTEMA DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM

161

Gráfico 59: Entrevistas - Perfis de utilizador COLOR - empresarial e perfil (% de referências por função)

Relativamente aos perfis de utilização, foram identificados os seguintes: administrador; conceptor; gestor de conteúdos; moderador; colaborador e o formando. Esta identificação permite-nos observar que os utilizadores inquiridos propõem funções que acabam por se sobrepor a alguns dos perfis que sugerem. Assim, e numa tentativa de concentrar funções por grupo (analisando as referências), é possível identificar quatro grandes perfis: administrador; conceptor, formando e o gestor de conteúdos.

O perfil colaborador foi sugerido como um agente que tem como principal função colaborar através de interações assíncronas para a melhoria dos objetos de aprendizagem no sistema.

Utilizador a: “O perfil colaborador. Porque não tens só a formação, tens informação também, não é? Eu posso não fazer a formação COLOR, mas posso permanentemente utilizar a parte de informação. Portanto, se calhar estarmos, à partida, a chamá-lo formando, logo aí estás a restringir e, se calhar, estás a criar aqui algumas barreiras: "Ah, formando. Mais um sistema, mais uma plataforma de e-learning. Tenho que ir estudar?! Assim seria diferente"

Utilizador b: “há a figura de conciliador, que tem alguns privilégios, como fazer comentários, ou sugestões”

O perfil moderador foi sugerido como um agente que tem como principal função dinamizar e moderar os canais de comunicação síncrona e assíncrona do sistema (numa lógica de proatividade de discussão de temas e de esclarecimento de dúvidas).

Utilizador a: “… alguém que estava por trás dele, que não tinha necessariamente de ser quem o tinha produzido, e que tinha, de alguma forma, a responsabilidade de havendo uma dúvida poder responder, ir moderando até nos fóruns a parte que diga respeito aos OA, sobre os quais tem a responsabilidade de ir acompanhando. Moderador/Formador.”

O perfil gestor de conteúdos (identificado por todos os utilizadores inquiridos) foi sugerido como um agente que tem como principal função fazer a gestão administrativa dos objetos de aprendizagem no sistema (processo de validação, classificação e monitorização). Trata-se de uma figura central na garantia da qualidade, atualidade e validade dos materiais científicos distribuídos no sistema.

“… o formando simples, que só estuda, há o formando que também pode ser conceptor, depois há o tal GateKeeper, ou seja, o gestor de conteúdos e o administrador”

2% 9% 13% 2% 14% 13% 16% 18% 7% 2% 5% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Empresa - qualquer tipo de empresa

qualquer tipo de empresa mas com conteudos … porque todas as empresas precisam de acesso a … qualquer tipo de empresa mas que ja esteja … Perfil - Conceptor de conteúdos Perfil - administrador do sistema Perfil - Formando Perfil - Gestor de conteúdos Perfil Moderador Perfil colaborador Particulares

CAPÍTULO 4 – CARACTERIZAÇÃO DAS FUNCIONALIDADES DE COMUNICAÇÃO NUM SISTEMA DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM

162

Relativamente aos perfis conceptor e aluno, apesar de ambos terem sido referidos, a maior parte dos utilizadores não conseguiu identificar em termos práticos a sua diferença, uma vez que se considera que um formando é um potencial conceptor (ver com detalhe resposta à pergunta 3). Porém, até à produção efetiva de materiais de aprendizagem o perfil base é de formando. Assim considera-se que estes dois perfis podem existir em simultâneo no sistema. O perfil administrador assume as funções principais de administração, manutenção e coordenação das diversas áreas do sistema. Tem total privilégio de consulta e edição no repositório. Assegura igualmente funções de coordenação dos utilizadores que existem na comunidade do sistema.

A distribuição das respostas por função apresenta um padrão que destaca a função da gestão como aquela que mais contextos e perfis identificou como resposta a esta questão (cerca do dobro das referências face às restantes funções). Este facto poderá estar relacionado com as tarefas que utilizadores com este perfil habitualmente executam numa organização, isto é, quem define o modelo de governance num sistema desta natureza são, na maior parte dos casos, os gestores das áreas de formação e recursos humanos de uma organização. Estes dados evidenciam uma visão integrada de perfis e fluxo de tarefas dentro do sistema.

Questão 2: Considera que um utilizador deve ter múltiplos perfis de utilização?

Esta questão foi integrada na entrevista de forma a obter dados sobre a perceção que os utilizadores entrevistados têm desta tipologia de controlo de acessos e atribuição de perfis, assim como de tentar identificar práticas nas respetivas organizações em que trabalham sobre a aplicação deste modelo de gestão de utilizadores.

Pela análise das respostas obtidas podemos concluir que os utilizadores inquiridos consideram que um utilizador pode ter vários perfis no sistema (70% de referências positivas), muito embora na condição de uma validação prévia.

Gráfico 60: Entrevistas - Utilizador com múltiplos perfis de utilização (% de referências por função)

Foi igualmente referido que esta possibilidade, embora considerada, não seja muito comum. Uma das razões que poderá estar na base desta perceção prende-se com um mapeamento das funções que os utilizadores desempenham nas organizações, com os perfis que assumem no sistema, situação essa que num modelo colaborativo de aprendizagem pode representar baixa flexibilidade no sistema de adaptação ao contexto pedagógico.

30% 30% 40%

0% 50% 100%

CAPÍTULO 4 – CARACTERIZAÇÃO DAS FUNCIONALIDADES DE COMUNICAÇÃO NUM SISTEMA DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM

163

Utilizador a: “…Portanto eu posso ter vários perfis (…) em determinadas circunstâncias eu poderei ter mais do que um perfil, mesmo que isso signifique ter acesso a mais funcionalidades ou não, ou ter privilégios de leitura/escrita.”

Utilizador b: “Sim mas sempre sujeito a validação”

Do ponto de vista do contributo para o modelo de comunicação, estas respostas permitem-nos explorar melhor as tipologias de agentes na dimensão perfil, assim como especificar melhor o comportamento dos mecanismos de comunicação que suportam os fluxos de comunicação que se estabelecem no sistema entre os diversos agentes. A distribuição das respostas por função e sector de atividade apresenta um padrão regular, não sendo possível identificar nenhuma tendência por atributo.

Questão 3: Considera que o formando é um potencial conceptor?

A resposta a esta questão obteve 91% de referências positivas, dados estes que revelam uma quase total concordância com a alteração do papel do formando, tradicionalmente descrita numa perspetiva mais passiva no processo de aquisição e disseminação do conhecimento, para uma visão mais proactiva, com reconhecimento do capital intelectual e da capacidade de partilha e criação de materiais de aprendizagem.

Gráfico 61: Entrevistas - Formando como potencial conceptor (% de referências por função)

Utilizador a: “… em termos daquilo que é o objetivo da formação para o futuro, naturalmente que o formando, ele já em si é conceptor, embora não o saiba. E para ser conceptor, na aceção da palavra, em termos pedagógicos, terá que ser, necessariamente, uma pessoa orientada e uma pessoa encaminhada. Isto porquê? Qualquer pessoa de uma organização, qualquer indivíduo tem muitos conhecimentos e potencialidade que partilha. A única questão que é importante aqui reter é que eu, se calhar, hoje, qualquer que seja a minha idade, quaisquer que sejam os meus conhecimentos técnicos e que não esteja numa intervenção direta em termos de área da formação, eu tenho muitas potencialidades de partilhar

conhecimentos. Não sei é como o fazer da melhor forma (…) acho que é a altura ideal para o COLOR (…). Uma das melhores fontes desse conteúdo pode e deve ser o formando, tem é que ser orientado. “

Utilizador b: “Eu acho que aí seria grande vantagem ou possível sucesso se se conseguisse a motivação dos formandos para produzir, também, informação. É aí que o sistema passa a ser efetivamente vivo. E utilizado de uma forma muito mais regular, massiva, com interesse e motivação de toda a gente que anda de volta disto”.

Considera-se relevante assinalar que a análise desta questão deve ser realizada cruzando a informação da pergunta 2 com os resultados da pergunta 4, uma vez que existe uma relação de dependência de fluxo entre as mesmas.

A integração desta questão na entrevista foi efetuada com o objetivo de perceber se efetivamente o perfil conceptor deve existir, considerando para o efeito, que o formando é um

91% 9% 0% 50% 100% Sim Não

CAPÍTULO 4 – CARACTERIZAÇÃO DAS FUNCIONALIDADES DE COMUNICAÇÃO NUM SISTEMA DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM

164

potencial conceptor. Sublinha-se a referência colaborativa como ponto charneira na dimensão motivacional para o sucesso da utilização e implementação do sistema em contexto organizacional, com enfoque particular para o papel do formando na transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito (Nonaka & Toyama, 2003).

A distribuição das respostas por função e sector de atividade apresenta um padrão regular, não sendo possível identificar nenhuma tendência por atributo.

Questão 4: Considera que o formando pode criar OA sem ter que solicitar permissão para o efeito?

A análise das respostas obtidas permite-nos concluir que os utilizadores entrevistados apresentaram dúvidas sobre a disponibilização desta funcionalidade, pelo menos sem um processo de autorização associado (40% de referências negativas).

Gráfico 62: Entrevistas - Formando pode criar OA (% de referências por função)

Utilizador a: “…ter disponível, por livre iniciativa da plataforma, acho perigoso”.

Utilizador b: “O que iria acumular muito lixo a nível de conteúdos para serem validados”

As referências positivas identificadas dividem-se em dois grupos: um grupo que considera o processo de criação de objetos de aprendizagem disponível para o formando livremente, pois não só permite transmitir o conhecimento de uma forma mais rápida, mas também mais motivadora, pois o acesso sem solicitação sugere dinâmica, interação e outro grupo que considera a integração desta funcionalidade associada a um processo de validação (do conceptor ou validação central).

“… É assim, o ter que solicitar acaba um bocadinho por travar a espontaneidade e a vontade de partilhar. O estar totalmente aberto pode ter a outra perspetiva, que é, claro que sim, ao partilhares informação e essa informação é útil, e alguém a pode utilizar, mas de uma forma consistente já não será, não é?”

7% 7% 13% 20% 7% 7% 33% 7% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Sim

Sim Porque é uma forma de transmitirmos conhecimento Sim Porque solicitar acesso pode inibir utilizador de criar LOs Sim mas sempre sujeito a um processo de validação Sim sobre qualquer temática Sim sujeito à mesma validação de LOs que o conceptor Não. Deve solicitar acesso primeiro Não porque pode criar muito lixo em termos de conteudo para

CAPÍTULO 4 – CARACTERIZAÇÃO DAS FUNCIONALIDADES DE COMUNICAÇÃO NUM SISTEMA DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM

165

Tendo em consideração os resultados obtidos na questão anterior (o formando é um potencial conceptor), seria expectável que a taxa de referências positivas fosse maior do que a obtida. Neste sentido, é possível constatar alguma dificuldade por parte dos utilizadores entrevistados em conseguir definir claramente o papel e comportamento do sistema em fluxos de interação que apresentam dependência semântica de processo, como é o caso de um formando, como potencial conceptor, deve ter disponíveis as ferramentas para operacionalizar a (s) sua (s) funções e ter que solicitar para as utilizar poderá constituir ruído no fluxo.

A distribuição das respostas por função apresenta um padrão que destaca a função técnica como aquela que mais referências negativas e também positivas, embora com mecanismo de validação integrado, identificou como resposta a esta questão (cerca do dobro das referências face às restantes funções).

Este facto poderá estar relacionado com as tarefas que utilizadores com este perfil habitualmente executam numa organização, de entre as quais é possível destacar o processo de validação dos materiais pedagógicos antes de serem publicados no sistema. Este facto foi inclusivamente apontado durante a entrevista, como um receio generalizado de existirem conteúdos a mais, pouco ajustados ao contexto do sistema que implicam o investimento de tempo e esforço de vários agentes na sua validação.

O principal contributo que esta questão traz para o desenho conceptual do modelo consiste na especificação das funcionalidades por perfil do agente de comunicação, assim como na identificação das principais categorias do fluxo para o contexto de criação de objetos de aprendizagem.

Questão 5: Quais os tipos de conteúdos preferenciais para estudar on-line, nestes contextos? E em que tipo de formatos?

No que concerne à tipologia de materiais que o sistema deve permitir criar e/ou disponibilizar, foram identificados quatro tipo de media, com enfoque particular no vídeo (36% de referências) e nos documentos do tipo scripto (32% de referências positivas).

Gráfico 63: Entrevistas - Tipos de conteúdos preferenciais (% de referências por função)

Utilizador a: “Eu acho que funcionam todos. Depende do objetivo, depende do conteúdo...portanto, qualquer um deles. Ou todos em conjunto.”

Utilizador b: “Eu acho que isso é um tipo de coisa que depende muito dos contextos. Tem de se ver caso-a-caso, público-a-público.”

32% 14% 36% 18% 0% 50% 100%

CAPÍTULO 4 – CARACTERIZAÇÃO DAS FUNCIONALIDADES DE COMUNICAÇÃO NUM SISTEMA DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM

166

Considerando a totalidade das respostas, ajustadas ao contexto de mobilidade, verifica-se que o vídeo é o tipo de media preferencial para estudar on-line, conjugado com as restantes tipologias.

As respostas obtidas para esta questão evidenciam um conhecimento pedagógico avançado sobre a adaptação do tipo de media ao conteúdo, assim como ao contexto. Do ponto de vista de interação e de representação gráfica, a tendência é identificar tipos de media mais dinâmicos como o vídeo ou multimédia, porém do ponto de vista pedagógico é relevante para a aquisição efetiva de conhecimento, saber adaptar o tipo de media ao objeto científico, assim como ao canal em que se consome essa informação. Esta é uma das causas do tipo de media scripto surgir com maior peso percentual face aos restantes.

Um dos fatores que contribui ativamente para o sucesso destes sistemas é este conhecimento pedagógico na adaptação do tipo de media ao contexto, mantendo sempre um grau de flexibilidade para padrões de massa poderem ser operacionalizados para um ou mais canais preferenciais de acesso.

A distribuição das respostas por função apresenta um padrão que destaca a função gestão como aquela que mais diversidade de referências identificou como resposta a esta questão (mais do dobro das referências face às restantes funções). Muito embora não tenha sido diretamente mencionado nas entrevistas, este perfil tem uma preocupação constante na gestão do sistema, que passa por garantir a adequação e idealmente a satisfação da população que integra a comunidade do sistema e uma das formas que tem para garantir que tal suceda é alargar o espectro da oferta para abranger maior diversidade de utilizadores.

Questão 6: Que tipo de ferramentas de comunicação considera que deveriam ser disponibilizadas em contexto de aprendizagem colaborativa?

Pela análise das respostas obtidas, podemos concluir que é relevante integrar funcionalidades de comunicação assíncrona (72% de referências) e síncrona (28% de referências). Dentro do grupo de comunicação assíncrona, destaca-se o fórum de mensagens como canal preferencial de interação, com moderação associada (44% de referências). A wiki surge como uma alternativa ao fórum, sobretudo pela sua valência funcional de efetuar trabalho colaborativo sobre um contexto partilhado de artefactos de informação, como imagens, texto, etc.

Gráfico 64: Entrevistas - Ferramentas de comunicação em contexto colaborativo (% de referências por função) 12% 28% 4% 8% 8% 12% 28% 0% 20% 40% 60% 80% 100%

Fórum Fórum com

moderação Fórum com Moderação de quem dinamiza o LO/curso Wiki Porque permite adicionar imagens e texto com registo de quem fez Wiki porque permite trabalho colaborativo Blog Chat

CAPÍTULO 4 – CARACTERIZAÇÃO DAS FUNCIONALIDADES DE COMUNICAÇÃO NUM SISTEMA DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM

167

O chat surge como a ferramenta identificada pelos utilizadores para dar resposta a necessidade de comunicação síncrona no repositório (28% de referências positivas).

Em ambos os grupos sublinha-se a necessidade de apresentação do histórico de interação para todos os agentes, na medida em que não se tratando de um sistema assente numa lógica de sala de aula, a probabilidade de os utilizadores acederem em momentos diacronicamente distintos é elevada.

A dimensão falta de tempo é um dos argumentos apresentados por diversos utilizadores entrevistados para a pouca relevância que estas ferramentas possam representar para a sua aprendizagem, daí ser necessário garantir o histórico de interação.

A distribuição das respostas por função apresenta um padrão que destaca as funções gestão e técnica como aquelas que maior diversidade de referências identificou como resposta a esta questão.