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CAPÍTULO II O SISTEMA DE CONTABILIDADE DE CUSTOS NO POCAL

2.2 RECLASSIFICAÇÃO DE CUSTOS

2.2.3 Componentes dos Custos

De acordo com o POCAL, o sistema de Contabilidade de Custos deve apurar “O custo das funções, dos bens e dos serviços corresponde aos respectivos custos directos e indirectos relacionados com a produção, distribuição, administração geral e financeiros” (POCAL 2.8.3.2). O POCAL, como iremos verificar posteriormente, apresenta fichas para cálculo do custo dos materiais, da mão de obra e das máquinas e viaturas, apesar de não os exigir para o cálculo dos outros custos diretos.

Estas imposições podem ser traduzidas no esquema que se segue, a partir de Carvalho, Fernandes & Teixeira (2002):

Esquema 3: Reclassificação dos Custos

Fonte: Elaboração Própria

Como se pode verificar no Esquema 3, os Custos Incorporáveis podem assumir um dos seguintes Tipos de Custos:

Não Incorporáveis

Indiretos a Funções Indiretos a Bens e Serviços Incorporáveis

Diretos a Funções Diretos a Bens e Serviços Materiais Mão-de-Obra Máquinas e Viaturas Outros Custos Diretos Custos

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1. Custos Diretos a Bens e Serviços23, que são, naturalmente, também Diretos à Função a que o Bem ou Serviço diz respeito. Sendo que em termos de Prestação de Contas da Contabilidade de Custos, estes custos terão que ser discriminados em:

 Custos de Materiais

 Custos de mão de obra Direta  Custos de Máquinas e Viaturas  Outros Custos Diretos

2. Custos Diretos a uma Função24, que são Indiretos aos Bens e Serviços dessa Função. 3. Custos Indiretos a Funções, que são custos de caráter genérico que se considera que

devam ser repartidos (indiretamente) por todas as Funções (e numa segunda repartição, também indiretamente por todos os Bens e Serviços).

De seguida, abordamos pormenorizadamente cada um destes Tipos de Custo:

Consideram-se custos de materiais, conforme o POCAL, todos os custos registados na conta “616 – Matérias-primas, subsidiárias e de consumo” e que, no momento da compra, tenham sido registados na conta “31 – Compras”. Referindo o POCAL, “Lança-se nesta conta o montante despendido nas aquisições de matérias-primas e de Bens aprovisionáveis destinados a consumo ou venda.”

Normalmente, os materiais são considerados fatores tangíveis adquiridos por uma entidade a fim de serem consumidos, de forma gradual, na execução dos bens ou na prestação de serviços. Os materiais no POCAL são valorizados ao custo de aquisição, sendo que se considera como custo de aquisição de um ativo “a soma do respectivo preço de compra com os gastos suportados directa e indirectamente para o colocar no seu estado actual” (ponto 4.1.2 do POCAL).

Os materiais consumidos são normalmente custos diretos, sendo que o POCAL admite a utilização do custo médio ponderado e do custo específico, para valorização das saídas de armazém.

No âmbito da Contabilidade de Custos, o que se designa por custos de mão de obra, refere-se apenas aos Custos dos funcionários que trabalham diretamente na produção de Bens e na prestação de Serviços (Exemplos: operário, jardineiro, reparador/colocador de contadores de água, porteiro de uma piscina municipal, etc.). Tendo em conta que a maior parte dos serviços públicos municipais se caraterizam por uma elevada intensidade na aplicação do fator trabalho,

23Os custos que se identificam totalmente com um determinado Bem ou Serviço.

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estes devem ser geridos de forma adequada, pois o peso que os custos da mão de obra representam no custo final dos bens e serviços pode ser elevado.

O período de referência dos salários na Contabilidade de Custos é normalmente o mês, realçando, no entanto, que é necessário analisar o montante das remunerações mensais, não descurando todos os encargos com elas relacionados, como encargos de segurança social, custos com a formação profissional, seguros, entre outros.

Apesar do POCAL não fazer referência direta à necessidade de trabalhar com custos reais ou históricos e custos preestabelecidos, os municípios têm de utilizar dados predeterminados para o apuramento do custo hora da mão de obra. Os custos orçamentados, ou previsionais, são os custos obtidos através da elaboração dos orçamentos do município para determinado período. A utilização de custos previsionais é útil na medida em que permite comparar com os custos reais, ajudando assim os gestores a formular orçamentos, controlar custos e medir eventuais desvios. Estes custos de mão de obra, a imputar a cada Bem ou Serviço e respetiva Função, são, então, de acordo com o POCAL, Custos Previsionais, dado que são imputados à Contabilidade de Custos com base no Custo/Hora de cada trabalhador, obtido no final do ano anterior da seguinte forma:

Remuneração Anual Ilíquida + Subs. de Refeição Anual + Encargos Anuais Trabalho Anual em Horas [52*(n-y)]

Custo H/h =

O número 52 corresponde às semanas de trabalho no ano, o número de horas de trabalho semanais é representado por n e y indica o número de horas de trabalho perdidas por semana. Os Custos referentes à Conta “64-Custos com pessoal”, da Contabilidade Patrimonial, são efetivamente os Custos Reais suportados pela Autarquia, que no final do ano se comparam com os custos teóricos imputados pela Contabilidade de Custos, sendo registado em contas de desvios as diferenças daí provenientes.

Também os Custos de Máquinas e Viaturas têm duas componentes:

1. Os Custos Previsionais, que são imputados a cada Bem ou Serviço e respetiva Função e que se referem aos dados (Máquina/Viatura; nº de horas * Custo/Hora) constantes das Fichas de Obra elaboradas.

2. Os Custos Reais, que são imputados a cada Máquina ou Viatura e que se referem a:  Custos das Amortizações (Contas 66) das Máquinas e Viaturas

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 Custos de Pneus [quer sejam adquiridos ao exterior (Contas 6223232), quer provenham de Stock (Contas 61652)]

 Custos com Combustíveis [quer sejam adquiridos ao exterior (Contas 6221211- Gasolina, 6221212-Gasóleo e 6221231-Outros Combustíveis), quer provenham de Stock (Contas 61653)]

 Custos com Manutenção [quer sejam adquiridos ao exterior (Contas 6223234), quer provenham de Stock (Contas 61654)]

 Custos com Seguros (Contas 622231)

 Custos dos vencimentos do Operador da Máquina ou Viatura (Contas 624, cujo “Tipo de Custo” seja “Operador de Máquina/Viatura”)

Estes Custos, para além de fornecerem a indicação dos Custos de cada Máquina ou Viatura, servirão, ainda, no fim de cada ano, para obter o Custo/Hora de cada Máquina ou Viatura, a ser imputado nas Fichas de Obra do ano seguinte, da seguinte forma:

Amortizações + Pneus + Combustível + Manutenção + Seguros + Operador m/v N.º Horas Ano

Custo H m/v =

No tocante aos outros custos diretos que não se enquadram nas situações anteriores, são considerados noutro grupo, de que são exemplo as amortizações dos edifícios, pequenas ferramentas, água, eletricidade, rendas, seguros, material de escritório, entre outros. Ou seja, os outros custos diretos, a imputar à Contabilidade de Custos, são essencialmente os movimentos de custos já lançados à Contabilidade Patrimonial, que não se referem a Materiais, mão de obra ou Máquinas/Viaturas, sendo, sobretudo, custos resultantes de Fornecimentos e Serviços Externos a serem imputados diretamente a cada Bem ou Serviço e respetiva Função.

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