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CAPÍTULO II O SISTEMA DE CONTABILIDADE DE CUSTOS NO POCAL

2.2 RECLASSIFICAÇÃO DE CUSTOS

2.2.5 Outras Possíveis Reclassificações de Custos

Como já tivemos oportunidade de referir, quando tratamos os custos, é necessário precisá-los e objetivá-los, bem como caraterizá-los para que seja possível saber o nível em que se encontram para que assim os possamos tipificar.

A contabilidade interna analítica/custos trata os custos, sendo estes provenientes de recursos consumidos para atingir determinados fins, que segundo os fins em vista, deverá atender às diversas tipologias.

Neste contexto, para além dos tipos de custos já referenciados, os do POCAL, podemos ainda encontrar diversos tipos de custos, conforme Quadro 4 que apresentamos:

Custos Indiretos do Bem ou Serviço = CI × Custos Indiretos da respetiva Função

Custos Indiretos de cada Função = CI × Total dos Custos Indiretos Apurados

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Quadro 4: Tipos de Custos

Fonte: Elaboração Própria

 Custos Reais ou Custos Históricos e Custos Pré-determinados

Verificamos que o POCAL não faz qualquer menção direta relativamente à necessidade de trabalhar com outros tipos de custos. No entanto, os Municípios necessitam também de dados preestabelecidos, nomeadamente no apuramento do custo hora da mão de obra e do custo hora das máquinas e viaturas, como já referimos.

De facto, dependendo do período de custos (mensal, trimestral, etc.) escolhido para o apuramento de custos na Contabilidade de Custos, sabe-se, à partida, que existem determinados custos que são anuais, pelo que será necessário utilizar dados preestabelecidos para proceder à sua repartição pelo período de apuramento de custos em causa.

Daí a necessidade de trabalhar com custos pré-determinados, com dados fornecidos a priori, uma vez que nem sempre é possível utilizar custos rigorosamente reais.

Quanto Tipo

Custos do período Custos dos produtos Custos funcionais Custos diretos Custos indiretos Custos fixos Custos variáveis Custos totais Custos parciais

Custos reais ou históricos

Custos pré-determinados ou teóricos Custos internos Custos externos Custos reversíveis Custos irreversíveis Custos necessários Custos desnecessários Custos controláveis Custos incontroláveis Custos relevantes Custos irrelevantes Custos diferenciais Custos marginais Custos de oportunidade À sua origem

À possibilidade de serem ou não extintos Ao grau de adaptabilidade à produção atual

À possibilidade de os evitar ou reduzir (possibilidade de controlo) À relevância para a decisão

Diversos Ao seu objeto

À sua relação ou conexão com o objeto (e modo de imputação aos produtos) Ao comportamento em função das variações

de atividade

Ao número e natureza dos elementos que o compõem

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Os custos reais são os que realmente se verificaram, são custos históricos, determinados a

posteriori e fornecidos pela Contabilidade Geral ou Financeira. Ao invés, os custos teóricos são definidos a priori para valorização interna de matérias, produtos e serviços prestados. Os critérios seguidos na sua definição podem ser de vários tipos, salientando-se os custos orçamentados.

O POCAL parece utilizar os custos orçamentados, um pouco à semelhança da orçamentação das despesas, sendo estes obtidos em consequência da elaboração dos orçamentos. Estes documentos serão a tradução em números dos objetivos e planos definidos e aprovados pelo executivo para um determinado período.

A determinação dos custos reais será uma boa base para o cálculo dos custos históricos, para além de ser útil na medida em que a comparação dos custos reais com estes custos determinados

a priori torna possível efetuar um cálculo dos desvios verificados. Neste contexto, contribuirá numa melhoria da eficiência e poderá ajudar os gestores públicos a elaborar os orçamentos, controlar custos e medir a eficácia do Município.

 Custos Variáveis e Custos Fixos

O POCAL também não menciona a reclassificação dos custos em função das variações de atividade, ou seja, os custos fixos e custos variáveis.

Os custos variáveis podem-se definir como aqueles que variam diretamente com o nível de atividade ou objeto do custo. Variam necessariamente quando o volume aumenta ou diminui, mesmo que este aumento ou diminuição sejam diminutos. Resultam, assim, da utilização da capacidade existente para produzir bens ou prestar serviços.

A título de exemplo, a energia elétrica consumida por uma máquina é um custo variável com o tempo que essa máquina trabalha.

Os custos fixos ou de estrutura são aqueles cujo montante depende da capacidade produtiva instalada e não do seu nível de utilização. O consumo dos custos fixos mantém-se, independentemente da utilização que se faça deles. Não se alteram em função das quantidades dos bens produzidos ou dos serviços prestados, ou seja, terão de ser suportados qualquer que seja o nível de utilização da capacidade produtiva instalada.

Como exemplo de custos fixos podemos citar o salário do executivo, as rendas de instalações ou o prémio de seguro de uma máquina ou de incêndio.

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Comparando a reclassificação referida com a proposta pelo POCAL, é necessário ter em consideração que os custos variáveis são de um modo geral diretos, sendo que os custos fixos poderão ser diretos ou indiretos.

Existem, contudo, situações em que esta definição não é suficiente para determinar e distinguir custos fixos e custos variáveis (custos semifixos). Em função destas dificuldades, é usual, na prática, recorrer-se a métodos matemáticos ou gráficos para os distinguir ou separar.

 Custos Totais ou Completos e Custos Parciais

Os custos parciais de um objeto de custo representam o valor de alguns dos recursos utilizados nesse objeto de custo.

Os custos completos representam a soma dos custos fixos e variáveis, ou noutra ótica englobam os custos diretos e os custos indiretos, sendo que os custos diretos são facilmente repartidos, como tivemos oportunidade de referir no Ponto 2.2.4.

A subjetividade levanta-se na repartição dos custos indiretos, quando os custos são comuns a vários bens ou serviços, funções ou atividades. Esta afetação torna-se indivisa por não ser possível imputar a um determinado bem, serviço ou atividade, por não ser possível identificá-lo. Esta subjetividade na repartição desses custos indiretos poderá ser maior ou menor consoante o método de repartição a ser aplicado. Perante esta problemática, deverá, então, ser definido quais os critérios a seguir para a sua repartição, definição que nem sempre é tarefa fácil.

De acordo com Margerin & Ausset (1990), dos diversos métodos de cálculo dos custos completos, e ligando à classificação de custos em diretos e indiretos, destacamos os seguintes:

1) Método de imputação global; 2) Método de imputação por funções; 3) Método das secções homogéneas; 4) Método de imputação racional;

No Ponto 2.3 iremos abordar cada um destes métodos, que poderão ser utilizados para a repartição dos custos indiretos.

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