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4. APRESENTAÇÃO DOS DADOS

4.4 FATORES LOCACIONAIS

4.3.2 D EMANDA

4.3.2.1 Composição da Demanda

O primeiro aspecto a ser considerado na pesquisa para determinar a composição da demanda foi a classe social dos alunos. Os diretores e secretários das escolas foram questionados quanto à classe social dos alunos em três níveis:

alta, média e baixa. As respostas obtidas descartaram a possibilidade de os alunos serem de classe alta. Somente uma escola apontou esta resposta. Onze escolas (69% do total) informaram que os alunos provêm da classe média baixa.

Quatro escolas (25% do total) responderam que os alunos provêm somente da classe média; e somente uma (6% do total) escola respondeu que seus alunos são provenientes somente da classe baixa; e uma (6% do total) escola alegou que os alunos são das três classes. Assim, todas acreditam que os alunos são oriundos da classe média baixa.

O que se percebe na pesquisa é que não há uma diferença entre escola pública e particular quanto a esse quesito. Ambos os tipos de escolas acreditam que seus alunos são da classe média baixa. A única observação é que a escola que apontou que também possui alunos da classe alta é particular. Esta realidade não difere da realidade do ensino médio brasileiro no qual, segundo MEC, 85% dos alunos têm renda familiar de 1 a 5 salários mínimos.

O objetivo do aluno quanto ao curso profissional pode indicar suas aspirações e proporcionar o entendimento de suas características, o que foi identificado na pesquisa e categorizado em três grupos: os alunos viriam para escola com o objetivo de emprego; de vestibular; e de emprego e vestibular. As respostas obtidas revelaram que 12 escolas (75% do total) acreditam que o aluno procura a escola somente para conseguir um emprego; outras quatro (25% do total) acreditam que os alunos vêm em busca do emprego, mas aspiram ao vestibular; e nenhuma escola apontou que os alunos procuram a escola profissional em busca somente do vestibular. Neste quesito, pode-se perceber uma diferença entre as escolas públicas e particulares. Todas as escolas particulares acreditam que seus alunos buscam somente emprego. Todas as respostas que apontam emprego e vestibular vêm das escolas públicas. O motivo provável é que as escolas públicas oferecem cursos de forma integrada.

Este dado difere muito dos objetivos dos alunos do ensino médio em geral.

Conforme MEC/INEP, 71% dos alunos do ensino médio pretendem fazer vestibular, conforme figura 16.

FONTE: MEC/INEP (2006)

FIGURA 16 – MOTIVO PARA PARTICIPAR DO ENEM

Os alunos das escolas profissionais trabalham. Foi possível chegar a esta afirmação a partir da pesquisa, na qual todas as escolas alegaram que a maioria de seus alunos trabalha. Isto confirma a informação de que estes alunos são de classe média baixa. Não houve diferença quanto a este quesito entre as escolas públicas e as particulares. Esta realidade da educação profissional está de acordo com ensino médio que, conforme IBGE31, 7,2 em cada 10 jovens, de 15 a 24 anos, que freqüentam ensino médio no Brasil trabalham.

O nível de renda dos alunos depois de formados também foi alvo de questionamento desta pesquisa. O objetivo da pesquisa foi identificar quanto os alunos formados estariam recebendo de salário no mercado de trabalho e assim conhecer melhor esta população. A maioria das respostas dos diretores e secretários, conforme quadro 33, ficou no nível de $500,00 a $1.000,00 com oito (50% do total) respostas. Em segundo lugar, o nível é de $1.000,00 a $1.500,00, com 5 respostas (31% do total). Duas escolas (13% do total) alegaram que seus alunos ganham até $500,00 e apenas uma (6% do total) alegou renda de $1.500,00 até $2.000,00. Nenhuma escola acredita que seus alunos ganham mais de

$2.000,00 por mês. As respostas das escolas públicas têm tendência de renda mais

31 Informação disponível em:

http://www.ibge.gov.br/observatoriodaequidade/index.php/paginas/mapa_equidade

baixa que as respostas da escola particular, isto significa que os alunos formados na escola pública têm salário menor que os alunos formados nas escolas particulares.

QUADRO 33 – RENDA DOS FORMADOS NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL RENDA\ESCOLAS Pública Particular Total %Total

Até $500,00 2 0 2 12,5

de $500,00 a $1.000,00 6 2 8 50

de $1.000,00 a $1.500,00 1 4 5 31,25

de $1.500,00 a $2.000,00 0 1 1 6,25

Acima de $2.000,00 0 0 0 0

FONTE: Elaborado pelo autor.

Esta informação pode ser comparada com a renda média real dos empregados com carteira assinada do setor privado que, conforme IBGE32, ficou em

$1.214,10. Percebe-se que a maioria dos formados pelas escolas técnicas está ganhando menos que a renda média do trabalhador; e isto revela a importância que a sociedade brasileira atribui à educação formal.

As pessoas que estudam mais têm mais oportunidades de emprego e mais renda. Segundo IBGE, 53% das vagas de emprego são das pessoas que têm de 11 anos ou mais de estudo; quanto mais tempo de estudo mais o funcionário ganha como está demonstrado na figura 17.

FONTE: IBGE

FIGURA 17 – RELAÇÃO ENTRE ANOS DE ESTUDO E SALÁRIO

32 Informação disponível em: PNAD-2007- Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

A qualidade do aluno também é importante para identificar a composição da demanda, em vista de Christopher e Wright (2001) terem classificado a educação como um processo intangível de estímulo mental; isto significa que, para o serviço de educação ser de qualidade, necessita da participação do aluno e depende também de sua capacidade mental. Considerando este aspecto, a pesquisa identificou a qualidade dos alunos que chegavam à instituição de ensino profissional.

As respostas foram categorizadas numa escala de cinco pontos que vão de ótimo a péssimo e demonstraram que dez (63% do total) escolas acreditam que o aluno chega em nível regular; quatro (25% do total) escolas percebem que o aluno é bom;

duas (13% do total) consideram o aluno que chega à escola ruim. Nenhuma escola classificou o aluno como ótimo e nem péssimo. Assim, a maioria das escolas relatou que o alunos que chegam à escola é regular. Neste quesito, não houve divergência significativa entre as escolas públicas e particulares; a única observação que se pode fazer neste sentido é que as duas escolas que apontaram o aluno como ruim são particulares. É possível afirmar, então, que as escolas particulares percebem os alunos com mais deficiência de forma mais clara que as escolas públicas.

A qualidade do aluno da educação profissional não difere da qualidade do aluno do ensino médio. Esta afirmação se baseia na declaração de Dorivan Ferreira, coordenador do ENEM, o qual alega que a média do aluno no Brasil é de 51,26 e o objetivo é que os alunos cheguem a uma média nacional de 70 pontos (numa escala de 0 a 100): "Para nós, o ideal seria que todos os alunos alcançassem uma média geral acima de 70 pontos, para chegarem no nível de países com educação de primeira linha”.33

A nota que a escola atribui ao aluno representa sua avaliação quanto à aprendizagem no curso. A pesquisa demonstrou que de modo geral o aluno tem nota média de 78. As escolas públicas apresentaram uma média de 76 enquanto as escolas particulares atribuíram uma média de 80. Isto pode significar que as escolas particulares avaliam seus alunos com notas maiores que os da escola pública ou que seus alunos são melhores.

O nível de exigência da demanda influencia na competitividade das empresas, quanto mais exigente mais competitiva é a empresa, segundo Porter (1993). Em sua maioria, os alunos das escolas profissionais são exigentes, conforme

33 Informação disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL735792-5604,00-DEPOIS+DE+ANOS+OBJETIVO+DO+ENEM+E+ATINGIR+MEDIA+NACIONAL.html

quadro 34, sete (44% do total) escolas alegam que seus alunos são exigentes; cinco (31% do total) afirmam que os alunos são moderadamente exigentes; três (19% do total) acreditam que o aluno é pouco exigente; e apenas uma (6% do total) acredita que o aluno é muito exigente.

Neste quesito, foi percebida uma clara diferença entre as escolas públicas das particulares. 77% das respostas da escola pública estão nas modalidades pouco e moderadamente exigentes e apenas 22% das respostas encontram-se na exigente; enquanto nas particulares 85% das respostas estão nas modalidades exigentes e muito exigentes e somente 15% estão na modalidade moderadamente exigente. Isto demonstra que as escolas particulares percebem que os alunos são mais exigentes deforma mais clara que as escolas públicas.

QUADRO 34 – NÍVEL DE EXIGÊNCIA DOS ALUNOS MODALIDADE\

ESCOLAS Pública Particular Total %Total

Muito exigente 0 1 1 6,3

Exigente 2 5 7 43,8

Moderadamente exigente 4 1 5 31,3

Pouco exigente 3 0 3 18,8

Não exige nada 0 0 0 0,00

FONTE: Elaborado pelo autor.

Para contribuir com esta discussão, foi investigado o nível de organização dos alunos. As respostas obtidas mostraram que a maioria, ou seja, sete escolas (44% do total) percebem que os alunos somente têm representante de sala; seis (34% do total) alegam que os alunos têm grêmio estudantil; e apenas três (19% do total) não perceberam qualquer forma de organização dos alunos.

Das escolas com grêmio estudantil, todas são públicas. Em entrevista com os diretores, verificou-se que esta é uma recomendação do Núcleo Regional de Educação. Uma única escola pública não possui organização dos alunos em vista de ter turmas com apenas um aluno; e entre as particulares, nenhuma tem grêmio estudantil e a maioria possui representante de sala.

No Brasil, existem várias possibilidades de organização estudantil, inclusive a Lei Estadual nº 11.057, de 17 de janeiro de 1995, assegura, nos Estabelecimentos de Ensino de 1º e 2º graus, públicos ou privados, no Estado de Paraná, a livre organização de Grêmios Estudantis. Isto indica que as escolas onde

os alunos não possuem organização, deve-se ao fato de que não há interesse por parte dos alunos ou falta política da escola para incentivar esta prática.