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4. APRESENTAÇÃO DOS DADOS

4.4 FATORES LOCACIONAIS

4.3.7 S ITUAÇÃO E CONÔMICA

A situação econômica foi citada em sétimo lugar no ranking dos dez fatores mais importantes para os diretores das escolas profissionais. A moda geral foi três, ou seja, as escolas acreditam que a situação econômica está regular. Houve uma diferença entre a pública e a privada. A moda nas escolas públicas é zero, sendo assim, a maioria das escolas públicas não consideram a situação econômica como fator relevante, enquanto nas escolas particulares a moda é três, o que influenciou

43 Informações disponíveis em:

http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2008/05/02/carreiras_tecnicas_sao_as_que_melhor_remunera m_estagiarios_aponta_pesquisa-427179697.asp

44 Informação disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Concursos_Empregos/0,,MUL294636-9654,00-CURSOS+TECNICOS+OFERECEM+BOAS+CHANCES+DE+EMPREGO.html

na constituição da moda geral. Este fato pode ser explicado considerando que as escolas públicas não geram mensalidades e por isso sentem menos a escassez do dinheiro, enquanto na escola particular o recurso financeiro é relevante.

As expectativas de analistas em relação ao futuro da economia da América Latina atingiram o pior nível em 11 anos, segundo pesquisa realizada em parceria entre a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Instituto Alemão IFO. O Índice de Clima Econômico (ICE) caiu para 3,4 pontos em outubro de 2008, contra 4,6 no último levantamento, em julho de 2008. Na série histórica iniciada em outubro de 1997, o índice está próximo ao valor mais baixo já registrado, de 3,3 pontos, em outubro de 1998. Com estes resultados, o ICE da América Latina, que vinha se mantendo superior à média mundial desde outubro de 2007, igualou-se ao ICE global. A piora no clima econômico tendeu, portanto, a se espalhar nas economias, levando a um cenário que pode ser descrito como de tendência recessiva global, segundo o levantamento. Uruguai, Peru e Brasil lideram o ranking do ICE médio dos últimos quatro trimestres; Argentina e Equador permanecem nas últimas posições45.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é um indicador importante para identificar a situação econômica do país. Em dezembro de 2008 este índice subiu 0,5% na comparação com o mês passado, após registrar queda de 4,2% em novembro em relação a outubro; e recuo de 11,7% em outubro em relação a setembro, segundo informou a FGV. Porém, na comparação com igual mês do ano passado, o ICC continua em trajetória de queda, com recuo de 19%46.

O Departamento de Economia da UEM, em conjunto com a ACIM, divulga mensalmente o Índice de Confiança do Consumidor Maringaense (ICCM). Segundo este índice, no mês de novembro de 2008, 89,1% dos maringaenses não têm dívidas; este é o maior índice desde que a pesquisa passou a ser realizada. Outro dado da pesquisa é que os maringaenses estão menos confiantes na economia. O ICCM caiu de 132,7 em outubro para 126,7 em novembro. No entanto, quando comparado a novembro do ano passado o índice teve aumento de 3,5 pontos.

Mensalmente, 540 consumidores são entrevistados pela Associação Comercial e

45 Informações disponíveis em:

http://www.fgv.br/fgvportal/principal/idx_materia.asp?str_chave=12986&sessao=2,

46 Fonte: http://www.estadao.com.br/economia/not_eco297571,0.htm

Empresarial de Maringá (ACIM) e o Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que calculam o ICCM47.

Para contribuir com esta discussão, foi elaborada uma pergunta aos tesoureiros das escolas quanto ao nível de inadimplência, o resultado desta pesquisa encontra-se no quadro 42. Percebe-se que a inadimplência está bem distribuída entre os níveis mais elevados. Apenas uma escola tem nível de inadimplência até 5%. Portanto a resposta das escolas particulares com relação à economia pode estar ligada a este alto nível de inadimplência do setor.

QUADRO 42 – NÍVEL DE INADIMPLÊNCIA

MODALIDADE\ESCOLAS

PA1 PA2 PA3 PA5 PA6 PA7 PA8 TOTAL %TOTAL

Até 5% 1 1 13

de 5% a 10% 1 1 2 29

de 10 % a 15% 1 1 2 29

Acima de 15% 1 1 2 29

FONTE: Elaborado pelo autor.

Segundo o PROCON, a inadimplência das escolas particulares de Maringá está beirando os 20%, e elas devem aderir à “lista negra” de devedores da educação – o Cadastro Nacional de Informações da Educação Brasileira (CINEB). Este cadastro deverá funcionar como um serviço de proteção ao crédito do setor. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particulares da região (SINEP), José Carlos Barbieri, argumenta, em favor da medida, que as escolas

“precisam se proteger contra os maus pagadores”. Segundo ele, a média de inadimplência em Maringá é superior à nacional que fica entre 8% a 9%48.

Outro aspecto que pode ser considerado dentro do fator locacional situação econômica é o capital que pode ser traduzido pela lucratividade das escolas. O resultado da pesquisa com relação a este aspecto encontra-se no quadro 43, no qual a maioria das escolas (44% do total) possui recursos somente para cobrir custos. As escolas particulares estão fora desta tendência visto que a maioria delas declarou que possuem recursos suficientes para gerar certo lucro, nenhuma destas

47Fonte: Assessoria de Imprensa ACIM- Textual Comunicação Data: 01/12/2008.Disponível em:

http://www.acim.com.br/?see=ver_noticias_acim&codigo=1589

48 Informação disponível em: http://www.parana-online.com.br/editoria/cidades/news/49413/

escolas declarou que possuem recursos escassos ou muito escassos; nas escolas públicas, cinco das nove escolas estão nestas modalidades. Pode-se concluir que as escolas públicas sentem falta do capital e as escolas particulares admitem ter lucros.

QUADRO 43 – LUCRATIVIDADE DAS ESCOLAS

MODALIDADE\ESCOLAS Públicas Particulares Total %Total

Abundantes 0 0 0 0,00

Suficientes para gerar certo resultado 0 4 4 25,00

Somente par cobrir custos 4 3 7 43,75

Escassos 3 0 3 18,75

Muito escassos 2 0 2 12,50

FONTE: Elaborado pelo autor.

Para melhorar o entendimento sobre o fator capital, a pesquisa demonstrou no quadro 44 a fonte de financiamento percebida pelos diretores das escolas: a maioria (57% do total) tem o governo como fonte de financiamento. Este número foi afetado pelas respostas das escolas públicas as quais alegam ter como única fonte de recurso o governo. Das escolas particulares, nenhuma apontou o governo como fonte de recursos e a maioria tem como fonte de financiamento o próprio aluno, demonstrando que a atividade é auto-sustentável. O empresário também participa dos investimentos no negócio.

QUADRO 44 – FONTE DE FINANCIAMENTO

FONTE\ESCOLAS Públicas Particulares Total %T

Governo 9 9 56,25

Empresários 2 2 12,50

Alunos 3 3 18,75

Alunos e empresários 2 2 12,50

FONTE: Elaborado pelo autor.

A situação econômica na microrregião não está boa e isto se comprova com a análise dos indicadores nacionais e regionais. Este fato influencia no setor e pode ser observado com o aumento da inadimplência, além disso pode afetar a capacidade de investimento e a quantidade de postos de trabalhos, diminuindo a demanda e prejudicando o desenvolvimento do setor.