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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-EMPÍRICA

2.3 COMPETITIVIDADE

2.3.4 M ODELOS DE C OMPETITIVIDADE

2.3.4.1 Modelo do Diamante

A vantagem competitiva como elemento chave no processo do desenvolvimento regional requer estudo mais profundo. Porter (1999) elaborou um modelo chamado “diamante” que é um conjunto de fatores que pretende gerar ambiente propício para empresas nascerem e aprenderem a competir. Este modelo foi utilizado neste trabalho como forma de aprofundar o tema.

O Diamante é composto por quatro atributos ou determinantes: condições dos fatores; condições da demanda; setores correlatos e de apoio; e estratégia e rivalidade das empresas (PORTER, 1999). Além destas, duas outras variáveis adicionais podem influenciar o sistema nacional de maneira importante e são necessárias para completar a teoria que seriam o acaso e o governo.

FONTE: Porter (1999, p.179)

FIGURA 01 – O DIAMANTE

Na escola clássica, os fatores de produção eram mão-de-obra, terra cultivável, recursos naturais, capital e infra-estrutura. Sabe-se que a competitividade consiste em criar fatores especializados e manter seu aprimoramento, e estes fatores especializados constituem uma vantagem competitiva. Estes fatores podem ser ampliados em recursos humanos, recursos físicos, recursos de conhecimentos, recursos de capital e infra-estrutura, menciona Porter (1993). O mesmo autor descreve que dentre os recursos destaca-se o recurso de conhecimento que se preocupa com o estoque que o país tem de conhecimento científico, técnico e de mercado, relativos a bens e serviços. Os recursos de conhecimento estão nas universidades, institutos governamentais e particulares de pesquisas; órgãos estatísticos governamentais; bibliografia de comércio e científica; relatórios de bancos de dados sobre pesquisas de mercado; associações comerciais e outras fontes.

O país mais bem dotado destes recursos tem probabilidade de maior competitividade, mas a vantagem competitiva advinda dos fatores depende da eficiência e efetividade com que os recursos são distribuídos. O valor de determinados fatores pode ser dramaticamente modificado pela escolha da tecnologia, defende Porter (1993), não só em relação a como, mas onde os fatores são utilizados.

A desvantagem em certos fatores é constantemente resolvida pela inovação, esclarece Porter (1993). A inovação para compensar debilidades é mais provável do que a inovação para explorar pontos fortes. A inovação, neste caso, acontece quando existe presença de recursos humanos especializados, demanda interna e investimento constante, se não terá que render posição competitiva.

O segundo determinante a ser considerado, de acordo com Porter (1999), é a condição da demanda, em que as empresas de um país ganharão competitividade externa quando os compradores domésticos forem os mais sofisticados do mundo e mostrarem-se exigentes em relação aos produtos e serviços. Este autor compreende que três atributos gerais da demanda interna são significativos: a composição da demanda; tamanho e padrão de crescimento da demanda; e os mecanismos pelos quais a preferência interna é transmitida aos mercados estrangeiros.

A composição da demanda interna determina a maneira pela qual as empresas percebem, interpretam e reagem às necessidades do comprador, argumenta Porter (1993). As características da composição da demanda são:

estrutura da demanda do segmento, desse modo a presença de grandes segmentos que exigem forma mais sofisticada de vantagem competitiva; compradores sofisticados e exigentes, ou seja, quanto mais exigentes os compradores maior a vantagem competitiva da indústria; e necessidades precursoras do comprador, dessa maneira as empresas nacionais adquirem vantagens se as necessidades dos compradores de um país prenunciarem as dos compradores de outros países.

A demanda interna leva ao mercado estrangeiro por meio de mecanismos de transmissão que impulsionam os produtos do país para o exterior, enfatiza Porter (1993). Estes mecanismos são compradores móveis ou que compram em outros países e compradores multinacionais, que formam uma base de clientes estrangeiros e estimulam a empresa nacional a estabelecer-se no país estrangeiro; e treinamento de pessoas, que pode levar à demanda internacional e, quando os profissionais retornam sentem a necessidade de consumir os produtos utilizados no treinamento.

O terceiro determinante do modelo do diamante são setores correlatos e de apoio. Para expandir este determinante, Porter (1993) afirma que estes setores, que são indústrias de abastecimentos (fornecedores) ou indústrias correlatas, devem ser dotados de competitividade internacional para gerar vantagem competitiva.

Os fornecedores com competitividade internacional geram vantagem competitiva em vista dos seguintes argumentos, de acordo com Porter (1993): gera acesso eficiente, precoce, rápido e preferencial à maioria dos insumos economicamente rentáveis; favorece as ligações entre as cadeias de valor da empresa e seus fornecedores; ajudam as empresas a verem novos métodos e oportunidades para aplicar tecnologia nova.

A presença no país de indústrias competitivas relacionadas leva a novas indústrias competitivas. Indústrias correlatas são aquelas que podem partilhar atividades da cadeia de valor e envolvem produtos complementares, enfatiza Porter (1993). Estas indústrias trazem oportunidades de informações e intercâmbio técnico e, para Porter (1993), a proximidade e a semelhança cultural tornam esse intercâmbio mais fácil que no caso das firmas estrangeiras

O quarto determinante trata do contexto onde as firmas são criadas, organizadas e dirigidas, bem como a natureza da rivalidade interna. O sistema gerencial difere de país para país, menciona Porter (1993); não existe um sistema gerencial de aplicação universal. Estas diferenças se dão em aspectos como:

treinamentos; formação e orientação de líderes; estilo de grupo em contraposição ao estilo hierárquico; influência da iniciativa individual; instrumentos para a tomada de decisões; natureza das relações com os clientes; capacidade de coordenar funções;

atitude para com as atividades internacionais; e relação entre o trabalho e a administração.

O modelo para ser bem entendido tem que ser considerado como um sistema. Diante disso, depois de considerar os fatores que compõem o modelo, este estudo se propõe a estabelecer as relações entre os fatores para caracterizar o sistema. Defende Porter (1999) que os efeitos sistêmicos atuam em todas as direções, visto que fornecedores de classe mundial se transformam em novos entrantes nos setores compradores e criam um ambiente que promove os aglomerados de setores competitivos que não se dispersam.

Além dos quatro fatores estudados, o autor acrescenta o acaso como um fator que influencia no modelo. O acaso, segundo Porter (1993), são ocorrências fortuitas que pouco se relacionam com as circunstâncias de um país e estão fora do alcance das firmas, como: atos de pura invenção; descontinuidades tecnológicas;

custos de insumos como choque do petróleo; modificações no mercado financeiro e taxa de câmbio; surtos de demanda; decisões políticas de governos estrangeiros; e

guerras. Estes acontecimentos são importantes para criar interrupções que permitem mudanças na posição competitiva e modificam condições no diamante. Os choques têm impactos assimétricos sobre diferentes países; a nação com o diamante mais favorável terá mais probabilidade de transformar os acasos em vantagens competitivas, descreve Porter (1993).

Outro fator que pode ser adicionado aos quatro principais é o papel do governo que consiste em encorajar as empresas e elevar suas aspirações e a galgar níveis mais altos de desempenho competitivo. O governo tem papel parcial de criar condições subjacentes favoráveis ao diamante, postula Porter (1999). O papel do governo na vantagem competitiva nacional está em influenciar os quatro determinantes, reflete Porter (1993).

Dispor de recursos nacionais (trabalho e capital) de forma a obter altos e crescentes níveis de produtividade e procurar manter pessoas qualificadas no país é papel do governo, descreve Porter (1993). Sem dúvida, se os empregos de alta produtividade forem perdidos para rivais estrangeiros, a prosperidade econômica em longo prazo estará comprometida. Em última instância, as condições que fazem parte do papel do governo consistem em encorajar a mudança, promover a rivalidade doméstica, estimular a inovação e buscar a vantagem competitiva.

A vantagem competitiva ocorrerá, lembra Porter (1999), quando o governo der foco na criação de fatores especializados; evitar a intervenção nos mercados dos fatores e nos mercados monetários; aplicar normas rigorosas sobre produtos, segurança e meio ambiente; restringir ao máximo a cooperação entre setores rivais;

promover objetivos que conduzam a investimentos sustentados; desregulamentar a concorrência; aplicar política interna vigorosa de defesa da concorrência; e, finalmente, evitar a ingerência na comercialização.