3 Procedimentos Metodológicos
4. Compreender a influência das competências de
ensino dos professores no comprometimento discente e docente;
Entrevistas com professores e alunos; Analisar os resultados do objetivo 1, 2 e 3.
A seguir será apresentada a forma como os dados coletados foram tratados e analisados.
3.4 Análise dos dados
No que se refere a análise de dados, pode-se dizer que há uma variedade de técnicas que podem ser usadas na execução de diferentes pesquisas (MOZZATO, 2010), sendo essa fase considerada, muitas vezes, como uma das mais importantes etapas da pesquisa (LAKATOS; MARCONI, 2009). Esse processo na pesquisa qualitativa consiste em extrair dados de texto e de imagens, e isso envolve “preparar os dados para a análise, conduzir diferentes análises, ir cada vez mais fundo no processo de compreensão dos dados, representar os dados e realizar uma interpretação o significado mais amplo dos dados” (CRESWELL, 2010, p. 208).
Assim, como forma de analisar e interpretar os dados nessa pesquisa utilizou-se a técnica de análise de conversação para as análises dos fóruns e a técnica de análise de conteúdo para as entrevistas.
A análise de conversação é uma tendência que hoje predomina em pesquisa, haja vista que é uma técnica dedicada à investigação da interação social. A análise de conversação (AC) tem o objetivo de:
Determinar os princípios e os mecanismos construtivos por meio dos quais os atores, na realização situacional das suas ações e na reação recíproca a seus interlocutores, criam estruturas significativas e a ordem de um sequencia de eventos e atividades que constituem esse evento”(BERGMAN, apud FLICK, 2009, p.299)
Para a operacionalização da análise de conversação foi incluído a observação de características inerente ao processo interativo dos fóruns, como a própria situação de discussão de temas referentes à disciplina, as características dos participantes na interação com foco nas estratégias utilizadas no diálogo.
A análise de conteúdo volta-se para os fins exploratórios assim como para os de verificação, podendo confirmar ou não hipóteses e ideias preestabelecidas, em que há a possibilidade do tratamento e armazenamento de uma vasta quantidade de dados, através de programas de computadores (VERGARA, 2008), sendo esses dados originados desde produtos da mídia até dados de entrevistas (FLICK, 2009).
Bardin (2009, p. 33) define análise de conteúdo como sendo:
um conjunto de técnicas de análise de comunicações. Não se trata de um instrumento, mas de um leque de apetrechos; ou com maior rigor será um único instrumento, mas marcado por uma disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação muito vasto: as comunicações.
Grande parte dos procedimentos da análise de conteúdo utiliza-se da categorização. Essa operação reúne grupos de elementos de característica comuns e títulos genéricos, que se constitui em duas etapas: 1) o inventário, que isola os elementos; 2) a classificação, que divide os elementos, requerendo certa organização (BARDIN, 2009). Assim, em um direcionamento contínuo da teoria para os dados e dos dados para a teoria, as categorias vão elucidando, se tornando cada vez mais perceptíveis e cabíveis aos objetivos do estudo (GODOY, 1995).
A análise dos dados foi configurada a partir do estudo das categorias de análises. Primeiro, foi identificado nas falas dos sujeitos os indicadores das competências, considerados como sendo os saberes do professor do Ensino Superior de acordo com o modelo de Mendonça et al (2012). Além de identificar os saberes presentes nas competências, foi designado também as componentes presentes a cada uma delas.
No que se refere à análise do nível de comprometimento dos professores e dos alunos, as categorias consideradas foram os fatores que compõem a EICCO, sendo eles: participação, melhor desempenho e produtividade, empenho extra ou sacrifício adicional e defesa da organização. Vale salientar que os fatores considerados pela escala, nessa pesquisa, foram transpostos da visão da organização para a visão da disciplina.
A EICCO sofreu adaptações no que se refere a transposição do contexto da organização para a disciplina, tendo como público alvo os professores e os alunos, e não os colaboradores. Dessa forma, devido a essa transposição, foram feitas adaptações das questões, buscando identificar situações de revelem o comprometimento das categorias analisadas com a disciplina.
Após a explanação da maneira pela qual a análise e interpretação dos dados foram conduzidas, serão apresentadas as limitações desta pesquisa.
3.5 Limitações da pesquisa
Para pesquisa qualitativa, o pesquisador é considerado o ator principal na fase da coleta de dados, sendo ele quem interpreta os dados coletados, ou seja, os fatos passam a ser analisados de acordo com a percepção de um indivíduo, que tem sua visão de mundo formada e possivelmente vieses previamente estigmatizados.
Assim, na tentativa de minimizar esses vieses foi realizado três tipos de coleta de dados, como a entrevista semi estruturada, a observação não participante e a análise documental, realizando, também, o cruzamento desses dados.
Um fator limitador da pesquisa diz respeito as entrevistas realizadas com os alunos. A possibilidade encontrada pela coordenação do curso para encontrar pessoalmente os sujeitos foi no dia da realização da prova presencial, o único momento presencial do curso, que acontece no mesmo dia em todos os polos, limitando a escolha de um único polo. Não foi possível chegar a um número maior de entrevistados nessa categoria devido aos alunos concluírem a avaliação praticamente no mesmo intervalo de tempo, não tendo condições de aguardar o término das entrevistas que já estavam acontecendo com seus colegas, devido ao fato de residirem em outras cidades e estar com horário marcado para a viagem de volta. Mesmo assim, por meio dos e-mails disponibilizados pelos alunos entrevistados, tentou-se marcar um momento online para alcançar um número maior de entrevistados nessa categoria, porém nenhum retorno foi alcançado.
Acredita-se que as entrevistas poderiam ter sido todas realizadas a distância, porém a coordenação do curso não disponibilizou os contatos dos alunos, além de que, optou-se pela entrevista face-a-face por cogitar que seria difícil o retorno de uma significativa parte dos sujeitos.
No que se refere a observação não participante, a pesquisadora conseguiu acesso ao ambiente apenas por um dia, o que de certa forma impossibilitou o retorno ao ambiente para o esclarecimento de algumas dúvidas, além de não ter sido permitido a visualização das mensagens individuais trocadas entre os professores e alunos. Além disso, percebeu-se que no AVA não disponibilizava de ferramentas para a comunicação em tempo real, como chats. Essa limitação do próprio ambiente restringiu a análise das interações somente aos fóruns.
Na seção posterior serão apresentados e analisados os principais resultados encontrados.