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2 DESENVOLVIMENTO E PARTICIPAÇÃO SOCIAL

2.2 Compreensões de Desenvolvimento Territorial

Dallabrida e Büttenbender (2006) explicita o que se entende por desenvolvimento ou ainda por desenvolvimento regional, dizendo que, além da dimensão tangível, que encontra nos aspectos econômicos a sua maior expressão, possui uma dimensão intangível quando se refere à capacidade coletiva para realizar ações em comum. O autor destaca que esta “capacidade coletiva” é interpretada por diferentes pensadores pelo uso de conceitos como “capital social” por Putnam, “capital sinergético” por Boisier, ou “densidade institucional” por Amin e Thrift.

Por território os autores entendem como sendo uma escala espacial em que se materializa a síntese dialética da dimensão global e local do desenvolvimento, ou seja, deve ser entendido como uma fração do espaço historicamente construída através das inter-relações dos atores sociais, econômicos e institucionais que atuam neste âmbito, apropriada a partir de relações de poder sustentadas em motivações políticas, sociais, econômicas, culturais ou religiosas, emanadas pelo Estado, de grupos sociais ou corporativos, instituições, ou indivíduos. Nesse sentido, desenvolvimento territorial pode ser entendido como:

um estágio do processo de mudança estrutural empreendido por uma sociedade organizada territorialmente, sustentado na potencialização dos capitais tangíveis e intangíveis existentes no local, com vistas à melhoria da qualidade de vida de sua população. (DALLABRIDA E BÜTTENBENDER, 2006, p. 29)

Focando-se na dinâmica territorial do desenvolvimento no estágio atual de desenvolvimento capitalista, Dallabrida e Büttenbender (2006) percebem que a apropriação do espaço nas diferentes regiões tende a resultar de um processo caracterizado por uma verdadeira privatização e corporativização do território, na medida em que as empresas globais ainda assumem um papel de forte hegemonia. Complementam dizendo que isso faz parte da lógica definida e implementada pelo econômico.

Para contrapor, Becker (2001 apud Dallabrida e Büttenbender, 2006, p. 30), pelo viés da reação social, diz ser possível constituir um novo cenário, ou seja, que o território se transforme no sujeito do processo de desenvolvimento com a constituição de meios inovadores, distritos industriais, tecnopólos, eixos de desenvolvimento. Nesse sentido Benko (1999 apud Dallabrida e Büttenbender, 2006, p. 30) acredita “que o território passou a ser visto como o lócus das chamadas interdependências não- transacionáveis”, isto é, as convenções, regras e hábitos informais contribuem na regulação da atividade econômica e constitui-se em potenciais específicos de cada região.

No entendimento de Dallabrida e Büttenbender (2006), diferentes autores têm defendido recentemente que o desenvolvimento tem uma forte relação com o padrão de organização socioeconômica territorial. Citando Veltz (1995) os autores afirmam que o desenvolvimento dos territórios, assim como o desenvolvimento em geral passa hoje em dia pela densidade e qualidade das ligações entre atores, dependendo mais da pertinência dos quadros coletivos de ação, do vigor dos projetos e das antecipações do futuro, que das infraestruturas e dos equipamentos. Já com base em Maillat (1995), os autores afiram que a promoção das políticas de desenvolvimento precisam estar focadas na lógica da intenção de base territorial e na dinâmica de aprendizagem coletiva orientada pela inovação e sustentada no saber-fazer local, resultando num processo de inovação permanente, implicando no envolvimento dos atores locais e o desenvolvimento de recursos específicos ao território, na criação de sinergias, isto é, na

interação, nas redes, e de efeitos de aprendizagem entre os atores do meio, bem como na potencialização das vantagens de proximidade e dos recursos territoriais específicos, e na ligação com o enquadramento tecnológico e de mercado.

O autor ao referir-se aos meios inovadores, sobre a questão da inovação, afirma não ser tanto a dimensão das empresas que importa considerar, mas a existência ao nível territorial de modos originais de organização dos sistemas de produção. Ou seja, se é certo que a inovação decorre da lógica econômica, no modelo de organização territorial da produção configurado pelo tecido empresarial local, a compreensão do processo de inovação requer a inserção da prática de uma lógica social, numa dinâmica institucional configurada pelos atores que fazem parte orientados para o desenvolvimento local, já que inovação, no entendimento de Lopes, (2001 apud Dallabrida e Büttenbender, 2006), é essencialmente o resultado de um processo interativo de aprendizagem coletiva.

Para Dallabrida e Büttenbender (2006), as ações comuns destes fatores se revertem em inovações territoriais, sendo estas resultantes da intensidade qualitativa dos fatores locais de suporte à competitividade, como os centros e/ou institutos de pesquisa, escolas técnicas, universidades, etc..., gerando territórios inovadores. Dallabrida e Büttenbender (2006), destacam como sendo a inovação o elemento essencial da competência territorial, entendido pelo autor pelo sentido etimológico como sendo literalmente a habilidade, a aptidão e a capacidade que o território possui para oferecer melhores condições de vida à sua população, e pelo sentido da priorização geográfica da região, pois segundo ele há um conflito não resolvido entre competividade e desenvolvimento. E nesse sentido os autores concluem que a concentração espacial da inovação contribui para constituir territórios inovadores, em que se integram a inovação empresarial e a inovação social.

Ainda sobre a dinâmica territorial de desenvolvimento inovadora, Dallabrida e Büttenbender, (2006, p. 32), consideram que esta deve estar fundada em quatro pilares:

uma gestão concertada do território; um considerável grau de autonomia e protagonismo; estruturas (socioculturais, tecnológicas e econômicas) inovadoras e em rede; e a estruturação do seu sistema territorial de produção preferencialmente de forma de clusters, num processo evolutivo de agregação de valor à produtos e serviços locais [...]. Sendo uma dinâmica de desenvolvimento assim caracterizada é a que, a partir da sua constituição, cria a possibilidade de construção dos territórios ou regiões inovadoras.