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Comunicação Científica

No documento Relatório estágio profissional (páginas 73-109)

– Introdução –

Dificuldades no dia-a-dia

Qualidade de Vida

Limitações Profissionais Utilização de objectos Condução automóvel Acesso a infra-estruturas Cirurgiões Dentistas

– Introdução –

EmPortugal…

Qual o nível de esclarecimento da população? Qual o impacte socio-cultural?

– Objectivos –

Avaliar percepções, conhecimentos e atitudes de uma população em Portugal acerca da qualidade de vida dos esquerdinos.

Objectivo Principal

Caracterização da preferência manual da amostra Prevalência da alteração forçada da preferência manual

Persistência de pressões sociais e discriminação Principais problemas no quotidiano dos esquerdinos

– Métodos –

Critérios de

Inclusão

• Idade ≥ 15 anos • Presença no local e

Critério de

Exclusão

• Questionários considerados pelos investigadores como

Avaliação da Lateralidade

Questionário Edinburgh: Aplicabilidade do Questionário Alteração Forçada

– Resultados e Discussão –

N=1021

Turma 7: Ana Rita Gaspar Lopes Francisco – 2005015 Carolina Manuel da Costa Horta de Almeida David Barrote Navarro Dias – 2005180 Francisco Miguel dos Santos Ramos Vilaça Lopes – 2005062 João Sebastião Dias Pinto – 2005093 Pedro Alexandre dos Santos Garrido – 2005001 Pedro Ruas Faro Viana – 2005141

A N Á L I S E D E P E R C E P Ç Õ E S , C O N H E C I M E N T O S E A T I T U D E S

S O B R E A Q U A L I D A D E D E V I D A D E E S Q U E R D I N O S

Francisco AR*, Almeida C*, Navarro DB*, Pinto JS*, Lopes FV*, Garrido PA*, Viana PF* e Cordeiro M# *Alunos do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. #Professor Auxiliar-Convidado de Saúde Pública da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Departamento de Saúde Pública

Faculdade de Ciências Médicas - Universidade Nova de Lisboa, Portugal

RESUMO

Introdução: A lateralidade esquerda, estimada em 10% na população mundial, tem sido objecto de estudo em várias

áreas científicas. Factores que caracterizam este grupo populacional, minoritário relativamente à população dominante, a dextra, incluem: uma maior prevalência de acidentes mortais e a associação com determinadas doenças, bem como a ocorrência de discriminação e pressões sociais para alterar a preferência manual em algumas actividades. A lateralidade esquerda associa-se também a dificuldades no dia-a-dia e no desempenho de algumas profissões (cirurgião, dentista). Reconhecem-se, no entanto, algumas vantagens em áreas artísticas e desportos interactivos. Este estudo teve como objectivo determinar percepções, conhecimentos e atitudes da população sobre a qualidade de vida dos esquerdinos. Secundariamente, pretendeu caracterizar a lateralidade da amostra e avaliar o grau de alteração forçada da preferência manual para a escrita.

Métodos: Foi realizado um questionário de auto-preenchimento, dirigido a indivíduos de idade igual ou superior a

15 anos, distribuído em Lisboa, Porto e Leiria. Foi utilizado o Questionário de Edinburgh para determinação da lateralidade.

Resultados: Dos 1.029 inquiridos, 868 (85%) foram classificados como dextros, 78 (7,6%) como esquerdinos e 75

(7,3%) como ambidextros. Houve associação entre o reconhecimento de dificuldades específicas do quotidiano (utilizar uma tesoura - 501; 49,3%; um abre-latas - 465; 45,9%; e máquina fotográfica - 435; 42,7%), e o facto de ser esquerdino ou ter esquerdinos na família próxima (p<0,05). 26,5% dos inquiridos referiram que os esquerdinos tinham mais acidentes de trabalho. 16,8% e 13,8% dos inquiridos referiram o melhor desempenho dos esquerdinos nas profissões “futebolista” e “jogador de ténis”, respectivamente, enquanto 15,2% da amostra referiu que um dextro seria um melhor “piloto de avião”. 9,0% dos inquiridos prefeririam ser tratados por um cirurgião dextro (associação com a idade e escolaridade, p<0,05). 15,5% dos inquiridos referem ter sido obrigados a escrever com a mão direita.

Discussão: Em geral, parece haver um baixo reconhecimento das dificuldades sentidas pelos esquerdinos no

quotidiano e no trabalho. Parece também haver um grau de discriminação residual para com a lateralidade esquerda (associada a idade mais avançada). Há ainda um diminuto reconhecimento de vantagens em algumas profissões.

Palavras-chave: Lateralidade, Esquerdinos, Qualidade de Vida, Alteração da preferência manual.

A

BSTRAC T

Introduction: Left-Handedness, which represents about 10% of the world’s population, has been a subject of study

in several scientific areas. Distinguishing features associated with this particular population include: a greater prevalence of fatal accidents and the association with several diseases, as well as discrimination and social pressures in order to switch handedness in some activities. There is also a link between left-handedness and difficulties in everyday activities and in some professions (surgeons, dentists). Several advantages have been pointed out, however,

Methods: This was a cross-sectional study. A written survey was conducted, towards individuals aged 15 or more,

in the Portuguese cities of Lisboa, Porto and Leiria. The Edinburgh Handedness Inventory was used to determine laterality.

Results: From the total of 1,029 respondents, 868 (85%) were classified as right-handed, 78 (7,6%) as left-handed

and 75 (7,3%) as mixed-handed. The recognition of specific daily difficulties (using scissors n=501; 49,3%; using a can-opener - 465; 45,9%; using a photographic camera - 435; 42,7% ) was associated with being left-handed and with the presence of left-handedness in the close-related family (p<0,05). 26,5% of the respondents referred a greater prevalence of work-related accidents among the left-handed. 16,8% and 13,8% of the respondents associated left-handedness with better performance as a “football player” and “tennis player”, respectively, while 15,2% of the sample referred that an “aircraft pilot” would perform better if right-handed. 9,0% of the respondents said they would prefer being treated by a right-handed surgeon (association with age and level of education, p<0,05). 15,5% referred having been forced to switch hand preference regarding writing.

Discussion: Overall, there appears to be a low acknowledgement of the daily and work-related difficulties of the

left-handed. There is also a residual level of discrimination towards this group (mainly associated with increasing age). Finally, there is a lack of knowledge concerning some of the advantages of being left-handed in the practice of some professions.

Key Words: Laterality, Left-Handedness, Quality of Life, Switching Hand Preference

INTROD UÇÃO

A lateralidade é definida como “o uso preferencial, em actos motores voluntários, dos componentes ipsilaterais dos principais órgãos pares do corpo (braço, ouvido, olho e perna)”1. O componente mais

estudado é a preferência manual, sobre o qual este estudo incide.

Estima-se que cerca de 10% da população mundial tenha preferência manual esquerda (sendo as pessoas designadas esquerdinas ou, mais vulgarmente, canhotas)2-4, registando-se algumas variações

geográficas2,5,6. Globalmente, a lateralidade à esquerda

é mais frequente no sexo masculino, havendo um

sociais e históricas para utilizar a mão direita (hipótese de modificação)11.

Foi demonstrada uma menor longevidade na população dos esquerdinos12,13, eventualmente

interligada com a associação entre a lateralidade esquerda e o aumento de incidência de diversas doenças como alergias, malformações esqueléticas, doenças auto-imunes, patologia neuro-psiquiátrica (p. ex. esquizofrenia) e algumas formas de cancro 3,13-18.

Além disso, a maior vulnerabilidade dos esquerdinos para a ocorrência de acidentes, e sendo estes uma das maiores causas de anos de vida perdidos na população jovem e a maior causa de anos perdidos no chamado Mundo Ocidental, também pode contribuir para a hipótese de eliminação19-22.

escrita), tanto no ambiente escolar como familiar . Este fenómeno, cuja frequência tem vindo a diminuir em algumas sociedades26,27, parece apoiar a hipótese de

diminuição de prevalência por modificação.

No mundo em que vivemos, em consequência da menor representação de esquerdinos, as infra- estruturas e os instrumentos foram planeados e construídos visando uma utilização por dextros. Assim, desde os objectos de escritório aos instrumentos musicais, passando pelos automóveis, acessos a edifícios e sua arquitectura, a concepção facilitadora para os dextros pode implicar dificuldades quotidianas para os esquerdinos (para além da ocorrência de acidentes já referida)19-21. A lateralidade

esquerda está associada ainda a limitações, por vezes graves, no desempenho de algumas profissões (cirurgiões, dentistas)21,28.

Contudo, ser esquerdino também parece ter vantagens9. Existe uma correlação positiva entre a

lateralidade esquerda e a criatividade29. Também há

dados a favor de uma maior proporção de esquerdinos entre profissões artísticas como a música, do que na população em geral 29,30. Ainda no campo profissional,

um estudo verificou que os homens esquerdinos auferiam rendimentos mais elevados do que os dextros31. Já no campo desportivo, nas modalidades

como o ténis ou a esgrima, em que existe interacção com um adversário, a preferência manual esquerda parece ser uma vantagem32. Por último, pensa-se ainda

na preferência manual esquerda como uma vantagem na luta corpo-a-corpo33. No entanto, muitos dos

estudos referidos têm sido alvo de diversas críticas, uma das quais é a inconsistência na determinação e classificação da lateralidade. A determinação baseada em questionários (Lateralidade Auto-descrita, Questionário de Edinburgh, Questionário de Annett) e os testes de desempenho têm níveis de concordância distintos3,4,16,34.

Em Portugal, desconhece-se o nível de esclarecimento da população acerca das dificuldades encontradas pelos esquerdinos a nível quotidiano, profissional e escolar. Não existem dados acerca das atitudes e das pressões sociais exercidas em Portugal.

população em Portugal acerca da qualidade de vida dos esquerdinos. Secundariamente, pretendeu-se caracterizar a preferência manual da amostra obtida, avaliar a prevalência da alteração forçada da preferência manual, aferir a persistência de pressões sociais e discriminação em relação aos esquerdinos e registar eventuais dificuldades no quotidiano dos mesmos.

MÉ TODO S

Foi realizado um estudo observacional, descritivo e transversal. Seleccionou-se uma amostra de conveniência, constituída por indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos. Determinou-se este limite com vista a poder incluir inquiridos ainda em idade escolar, mas com maturidade suficiente para compreender o questionário.

A recolha dos dados foi realizada através de um questionário anónimo, individual e de auto- preenchimento, distribuído entre os dias 4 e 13 de Março de 2011, em diversos locais públicos das cidades de Lisboa, Porto e Leiria.

Foram incluídos indivíduos presentes e disponíveis no local e momento do questionário, com conhecimentos da Língua Portuguesa falada e escrita. Foram excluídos questionários considerados pelos investigadores como insuficientemente preenchidos.

O questionário incidiu sobre dados sócio- demográficos dos inquiridos (sexo, idade, escolaridade e profissão) e sobre conhecimentos, percepções e atitudes acerca dos esquerdinos, nos domínios do quotidiano, trabalho, saúde, escola e personalidade.

Para avaliação da lateralidade usou-se o Questionário de Edinburgh37 (Edinburgh Handedness

Inventory) revisto por Stephen M. Williams38, e

traduzido para português pelos investigadores.

Para análise e tratamento estatístico dos dados utilizou-se o Programa Microsoft Excel 2010®. Para as variáveis ordinais foi calculada a frequência, média, moda e mediana. Foi avaliada a associação entre variáveis através dos testes χ2 (Qui-quadrado) e teste

Recolheram-se 1.046 questionários, dos quais 17 foram excluídos por preenchimento considerado insuficiente, de acordo com os critérios de exclusão pré-definidos no protocolo do estudo, pelo que a amostra final foi de 1.029 inquiridos.

I – Dados sócio-demográficos:

A amostra era constituída por 583 indivíduos do sexo feminino (56,7%) e 445 indivíduos do sexo masculino (43,3%).

As idades estavam compreendidas entre 15 e os 84 anos, com uma média de 33,5 anos, mediana de 29 e moda de 23 (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Distribuição da amostra por escalões etários:

A distribuição dos inquiridos de acordo com o nível da escolaridade é apresentada no Gráfico 2.

Gráfico 2 – Distribuição da amostra por escolaridade:

(LA), 870 (84,6%) inquiridos declararam-se “dextros”, 112 (10,9%) “canhotos” e 46 (4,4%) “ambidextros” (Gráfico 3).

Gráfico 3 – Lateralidade auto-descrita:

Já na lateralidade avaliada pelo Questionário de Edinburgh (Lateralidade Edinburgh – LE), 868 (85%) inquiridos foram classificados como “dextros”, 78 (7,6%) como “canhotos” e 75 (7,3%) como “ambidextros”.

Não se verificou associação estatisticamente significativa entre LE e sexo, idade ou escolaridade.

O grau de concordância entre LA e LE foi de 90,8% (percentagem de respostas idênticas em LA e LE). Contudo, 19 (25,3%) dos ambidextros LE tiveram LA concordante, contra 19 (92,3%) e 835 (96,2%) dos esquerdinos e dos dextros, respectivamente. O Gráfico 4 demonstra a relação entre os resultados da LA e da LE.

46 (4,4%) 112 (10,9%)

sempre com a mão direita (por oposição às que escrevem sempre com a mão esquerda), havendo uma associação estatisticamente significativa entre a lateralidade discordante e a mão que se utiliza para escrever.

Para o subsequente cruzamento de dados, foi utilizado o resultado de LE.

Dos inquiridos, 774 (76,0%) não tinham “canhotos” na família próxima (pais, irmãos, filhos ou cônjuge), 189 (18,5%) tinham um, 38 (3,7%) tinham dois e 18 (1,8%) tinham três ou mais. Dos esquerdinos, 30 (38,5%) afirmaram ter outros membros “canhotos” na família, contra 188 (21,9%) dos dextros (Gráfico 5).

Verifica-se uma associação estatisticamente significativa entre a LE e o número de esquerdinos na família, p<0,05.

Gráfico 5 – Distribuição do número de esquerdinos na família de acordo com a LE.

III – Percepções III.I – Quotidiano

No que diz respeito à pergunta “Acha que ser canhoto causa dificuldades no dia-a-dia?”, 335 (32,8%) dos inquiridos responderam que sim, e 679 (67,0%) responderam que não. Dos dextros, 297 (34,4%) consideravam que os “canhotos” têm mais dificuldades, contra 16 (20,8%) esquerdinos que achavam que ser “canhoto” causa dificuldades no dia-a-dia (Gráfico 6).

Demonstrou-se uma associação estatisticamente significativa entre o achar que “ser canhoto causa dificuldades” e a lateralidade, p<0,05. Não houve

Na pergunta “Acha que nas seguintes tarefas do dia-a-dia os canhotos têm mais dificuldades, mais vantagens ou é igual?” (Gráfico 7), as actividades apontadas como conferindo mais desvantagens foram o manuseamento de tesouras (n=501; 49,3%), “usar abre-latas” (n=465; 45,9%) e “usar a máquina fotográfica” (n=435; 42,7%). No campo das vantagens, as duas actividades que reuniram mais consenso foram “pagamentos na estrada – portagens” (n=321; 31,6%) e “prática de artes marciais” (boxe, esgrima e capoeira) (n=196; 19,4%).

Gráfico 6 – “Acha que ser canhoto causa dificuldades no dia-a-dia?”

No que diz respeito ao manuseamento da “tesoura”, 46,8% (n=403) dos dextros achavam que ser “canhoto” causa dificuldade, contra 68,8% (n=53) dos esquerdinos. Em relação ao “pagamento nas portagens”, 30,3% (n=262) dextros e 40,8% (n=31) esquerdinos consideraram que ser “canhoto” era uma vantagem.

Gráfico 7 – “Acha que nas seguintes tarefas do dia-a-dia os canhotos têm

Gráfico 8 – Saúde: “Na sua opinião quem…?”

52 (5,1%) responderam ser os “dextros”, contra 8 (0,9%) que responderam ser os “canhotos”.

Dos inquiridos, 269 (26,5%) referiram que os “canhotos” tinham mais “acidentes de trabalho” e 106 (10,5%) que estes tinham mais “acidentes de carro” (Gráfico 8). Quando questionados sobre se achavam que deveria haver um “programa do Ministério da Saúde só para canhotos”, a maioria das pessoas, 670 (66,1%), responderam “não”, enquanto 87 (8,6%) responderam “sim”, e 256 (25,3%) seleccionaram a resposta “não sei”.

Responderam afirmativamente a esta pergunta 36 (7,0%) inquiridos com idades entre 15-29 anos, 23 (8,3%) entre os 30-44 anos e 28 (13,1%) acima dos 45 anos.

Verificou-se uma associação entre as respostas afirmativas e a idade. Não se demonstrou, contudo, associação com a lateralidade.

Os inquiridos foram questionados sobre quem seria melhor numa lista de profissões, se o “canhoto”, se o “dextro” ou se “igual” (Gráfico 10). Para cada uma delas, a esmagadora maioria respondeu “igual”. A diferença entre as pessoas que responderam “canhotos” e “dextros” foi mais marcada no item “piloto de avião”, na qual 154 pessoas (15,2%) referiram que um “dextro” seria melhor piloto, contra 11 (1,1%) que responderam ser o “canhoto”. O oposto verificou-se com o item “futebolista” em que 37 inquiridos (3,7%) referiram que os “dextros” eram melhores e 170 (16,3%) que eram os “canhotos”.

No que diz respeito ao “jogador de ténis”, este foi o item que menor consenso reuniu (menor número de respostas “igual”). Dos inquiridos, 99 (9,8%) referiram que um tenista “dextro” seria melhor e, 140 (13,8%) referiram ser o “canhoto”. Não se verificou associação entre a lateralidade e esta escolha.

Na pergunta “Preferia ser atendido por…?” (Gráfico 11), a maioria das pessoas responderam “igual”. Exceptuando o “médico de família”, em que 10 pessoas

Gráfico 10 – “Nas seguintes profissões, quem à partida é melhor?”:

Gráfico 11 – “Preferia ser atendido por…?”:

III.IV – Escrita Forçada/Escola:

Do número total de inquiridos, 158 (15,5%) referiram ter sido forçados pelos pais ou professores a escrever com a mão direita.

Verificou-se uma associação estatisticamente significativa (p<0,05), entre a escrita forçada e a idade dos inquiridos (Gráfico 12) e entre escrita forçada e a discordância entre LA e LE.

De 1.015 respostas à pergunta “Acha que os pais / professores devem insistir com os canhotos para escreverem com a mão direita?”, 36 inquiridos (3,6%) responderam afirmativamente. Destes, 16 (44%) foram forçados a escrever com a mão direita. Verificou-se uma

Quando se questionou o grupo dos esquerdinos acerca da existência de “dificuldades sentidas na escola por serem canhotos”, 54 (43,9%) responderam que “sim”, dos quais 22 (40,7%) referiram ter sido ajudados pelos colegas ou professores (Gráfico 13).

Não se verificou uma associação estatisticamente significativa entre o ter tido dificuldades e a idade, e entre o ter sido ajudado e a idade.

Gráfico 13 – “Só para canhotos:”

III.V – Personalidade:

Quando se questionou a população de esquerdinos se preferiam ser dextros, 8 (6,5%) responderam que “sim”, contra 115 (93,5%) que responderam que “não”. No grupo dos dextros, 37 (4,4%) responderam que preferiam ser “canhotos”, e 813 (95,6%) eram da opinião contrária (Gráfico 13). O facto de querer mudar de lateralidade (em qualquer um dos grupos) foi ainda associado, de modo estatisticamente significativo, com o sexo, com uma maior proporção de respostas afirmativas para os homens 27 (6,1%) contra 18 (3,1%) das mulheres.

esquerdinos e dextros, a maioria das pessoas foi da opinião que não havia diferenças (Gráfico 14). Os adjectivos que foram atribuídos maioritariamente aos esquerdinos foram “criativo” (21,3% “canhoto” e 1,7% “dextro”, n=1011), “desajeitado” (17,6% “canhoto” e 4,0% “dextro”, n=1012) e “inteligente” (12,5% “canhoto” e 1,0% “dextro”, n=1012).

Relativamente à opção “É melhor no desporto”, 125 (12,4%) responderam ser os “canhotos” e 64 (6,4%) responderam ser os “dextros”.

Por outro lado, houve características mais associadas aos dextros, como “organização” (6,9% “canhotos” e 8,8% “dextros”, n=1011) e “liderança” (2,8% “canhotos” e 3,6% “dextros”, n=1012).

Verificou-se uma associação estatisticamente significativa entre as características “organização”, “inteligência” e “criatividade” com a lateralidade.

Gráfico 14 – “Diga, pensando na população de canhotos e dextros

quem…”:

Os investigadores constataram uma quase total disponibilidade da população para participar no estudo, pelo que, não nos apercebemos de qualquer viés de selecção dos inquiridos que possa comprometer a análise dos resultados. As raras recusas deveram-se a alegada falta de tempo. Tão-pouco se registaram dificuldades na compreensão do questionário.

Não surgiram conflitos de carácter ético ou ideológico em nenhum dos intervenientes.

I – Dados sócio-demográficos:

O facto de a recolha de dados ter sido feita maioritariamente em meio urbano, em locais tipicamente frequentados por uma população jovem, tais como centros comerciais, bibliotecas e faculdades, pode justificar o predomínio dos grupos etários mais jovens na nossa amostra. O mesmo se aplica para a prevalência de indivíduos licenciados (45,2%) e com formação superior a licenciatura (22,2%), muito superior na nossa amostra do que na população portuguesa (10,8%)39.

Quanto à distribuição por sexos, na nossa amostra há uma maior prevalência de mulheres (57,0%) do que na população portuguesa (51,7%)39. Para os efeitos do

nosso estudo, tal diferença não foi considerada significativa.

Importa, no entanto, referir que o estudo de uma amostra de conveniência implica sempre restrições na interpretação dos seus resultados. Por não ser uma amostra representativa da população portuguesa, as conclusões, em rigor, dizem respeito apenas ao grupo de inquiridos, não podendo ser extrapoladas para a

literal do inglês, bem como a sua adaptação à cultura portuguesa (utilização do rato do computador, por exemplo) podem ter dificultado a interpretação correcta do mesmo pelos inquiridos.

Por outro lado, uma representação menor de esquerdinos na nossa amostra poderá ser reflexo de uma pressão social para a alteração da preferência manual, eventualmente em toda a sociedade portuguesa. Efectivamente, a diferença entre o número de ambidextros LA (n=46) e LE (n=75) pode traduzir a realização forçada de actividades com a mão direita, o que influencia a classificação pelo Questionário.

Apesar do acima referido, a discordância entre LA e LE está também descrita em estudos anteriores34. É

por essa razão que, em certos estudos, se complementa a classificação da lateralidade com o recurso a outros métodos, como testes de desempenho.

A inexistência de associação entre a LE e a idade (em desacordo com estudos anteriores)6,7 pode dever-

se à baixa percentagem de indivíduos idosos inquiridos nesta amostra.

Em relação à presença de esquerdinos na família próxima, a sua correlação positiva com a lateralidade está de acordo com a transmissão desta característica entre gerações, seja por factores genéticos ou por influência ambiental (desconhecendo-se o verdadeiro peso de cada factor)9.

III – Percepções III.I – Quotidiano:

Um terço da população da nossa amostra foi da opinião de que ser esquerdino causa dificuldades no dia-a-dia, estando esta resposta associada à lateralidade. Isto é, foram os dextros quem mais respondeu afirmativamente a esta pergunta. Havendo dados bibliográficos21,32,33 que suportam a existência de

dificuldades no quotidiano dos esquerdinos, parece haver um reconhecimento insuficiente destas na nossa amostra. Importa também saber qual a razão desta divergência de opinião associada à lateralidade do inquirido. Esta pode dever-se a uma negação das

Para melhor discriminar os conhecimentos sobre dificuldades dos esquerdinos no quotidiano, pareceu- nos relevante questionar os inquiridos em relação a cada uma de 13 tarefas seleccionadas. Nestas incluíram-se actividades em que os esquerdinos têm - de acordo com a bibliografia21,32,33 – mais dificuldades,

vantagens, e ainda ausência de diferenças em relação aos dextros.

Verificamos uma tendência geral para responder que os esquerdinos têm mais dificuldades do que vantagens, incluindo nas tarefas nas quais teoricamente não há diferenças entre os dois grupos (“pregar um prego” ou “apagar com uma borracha”).

Foram analisados os resultados para “cortar com uma tesoura”, como um exemplo de uma actividade na qual os esquerdinos têm mais dificuldades. Para esta pergunta, há uma dependência estatística da resposta seja com a lateralidade do inquirido, seja com a

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