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Comunicando o risco

No documento Psicologia Forense - Huss, Matthew T (páginas 133-135)

Um aspecto final da avaliação do risco de violência importante de ser considerado é a maneira como a avaliação de risco é comunicada ao tribunal, seja por meio de testemunho ou por relatórios escritos. À primeira vista, a comunicação do risco pode parecer relativamente sem impor- tância porque ela foi em grande parte ignorada até recentemente (Heilbrun, O’Neil, Strohman, Bowman e Philipson, 2000). Uma das primeiras discussões so- bre a importância da comunicação do risco ocorreu no artigo de Monahan e Steadman de 1996. Eles compararam o processo de avaliação do risco de vio- lência à previsão do tempo, para desta- car as diferentes formas de comunicação de risco que podem ser importantes. As previsões do tempo geralmente explicam o potencial das anomalias rotineiras no clima em termos de probabilidades. Por exemplo, existem 30% de chance de chu- va para um determinado dia. Entretan- to, elas explicam ventos climáticos mais graves e problemáticos em termos de categorias. Por exemplo, pode haver a observação de um tornado (possibilida- de de tornados e tempestades com raios) ou um alerta de tornado (um tornado foi detectado) em situações graves no clima. Monahn e Steadman (1996) também as- sinalam que os meteorologistas explicam as condições que têm probabilidade de levar àquele evento climático e as atitu- des que devem ser tomadas para evitar danos pessoais no caso de alguma ocor- rência. O sistema legal só poderá tomar decisões mais bem informadas quando os profissionais da saúde mental comu- nicarem aquele risco de um modo efetivo e acurado (Monahan et al., 2002).

Há uma variedade de maneiras por meio das quais o risco pode ser comu- nicado, e a literatura está identificando claras preferências entre os atores legais e os praticantes em saúde mental. As pesquisas até o momento descobriram que os psicólogos preferem comunicar o risco em termos de gerenciamento do ris- co, identificação dos fatores de risco rele- vantes e as intervenções potenciais para reduzir a ameaça desses fatores de risco. Os psicólogos também preferem comuni- car o risco em termos de níveis de risco em categorias (alto, médio e baixo) do que em probabilidades específicas (uma chance de 10% de se tornar violento). Além do mais, Slovic, Monahan e Mac- Gregor (2000) descobriram que os clínicos tinham maior probabilidade de manter um paciente hospitalizado se o risco fosse comunicado em termos de frequência (20 em 100) comparado a uma probabilidade (20%). Monahan e colaboradores (2002) replicaram esses achados com clínicos que trabalhavam em ambientes forenses e também encontraram que uma descrição mais vívida dos danos passados da víti- ma aumentava a probabilidade de hospi- talização.

Essas tendências têm implicações di- retas para as preferências dos juízes e ju- rados. Monahan e Silver (2003) apresen- taram a juízes informações baseadas nas diferentes probabilidades de risco asso- ciadas a diferentes categorias de risco do Estudo da Avaliação de Risco de MacAr- thur e lhes pediram que identificassem o nível mais baixo de risco em que eles acreditavam que um indivíduo preen- cheria os critérios de periculosidade para restrição civil. Os juízes identificaram claramente o limiar de 26% como sufi- ciente para restrição civil. É interessan-

te que o limiar que os juízes preferiram resultou em um índice de classificação de 76,8%. Contudo, isso significaria res- tringir civilmente pouco mais de um ter- ço dos pacientes, dos quais mais de 50% teria sido não violento sem nenhuma res- trição civil (Monahan e Silver, 2003). Os psicólogos forenses devem não somente se esforçar para aumentar a exatidão das suas avaliações de violência, como tam- bém devem prestar atenção à maneira pela qual essas determinações são comu- nicadas à corte.

Resumo

Ao se definir violência com o propósito de avaliação de risco, o foco esteve na violência como um comportamento físi- co que está baseado em uma decisão de ser violento. Essa definição é importante por razões psicológicas e também legais. Houve muitos avanços que encorajaram e moldaram a avaliação do risco de violên- cia de modo a mantê-lo de acordo com a noção de jurisprudência terapêutica. Ca- sos como Barefoot vs. Estelle (1983), Schall vs. Martin (1984) e Kansas vs. Hendricks (1997) incentivaram o uso das avaliações do risco de violência em uma variedade de contextos e, assim, incentivaram me- lhorias na pesquisa e prática da psicolo- gia forense.

A identificação da avaliação de ris- co em termos de mudanças geracionais torna mais fácil a identificação de vá- rios aspectos no desenvolvimento da avaliação de risco. Embora a primeira geração da predição de violência tenha sido marcada por comparações com o ato de atirar uma moeda para o alto e por muito pessimismo, na terceira ge- ração ocorreram avanços significativos.

As melhorias foram caracterizadas pela clara identificação de fatores de risco re- levantes e a formulação desses fatores em abordagens atuariais e estruturadas. Muito embora as pesquisas iniciais não tenham apoiado o uso de abordagens clínicas, continua a discussão quanto ao melhor uso da abordagem clínica, estru- turada e atuarial.

Quando as pesquisas começaram a identificar com consistência os fatores de risco para violência, os psicólogos foren- ses tornaram mais clara a natureza desses fatores de risco. O reconhecimento das diferenças entre fatores estáticos e dinâ- micos ajudou a entender as limitações dos fatores estáticos e a necessidade de se identificarem os fatores dinâmicos. Esse reconhecimento ocorreu quando os psicólogos forenses perceberam a impor- tância não só da avaliação de risco, mas do gerenciamento do risco. Além disso, a importância dos fatores de proteção foi observada como uma deficiência relativa comparada aos fatores de risco estáticos e dinâmicos.

Por fim, tiveram início as condições sob as quais um psicólogo forense pode tomar decisões mais acuradas na avalia- ção de risco e a identificação do impacto da comunicação do risco. As avaliações do risco de violência estão rotineiramen- te limitadas pelos problemas de definição de violência, por um follow-up adequado, mensurações adequadas e abrangentes e pelos baixos índices de base para violên- cia. Os psicólogos forenses são bons na avaliação de risco quando as fazem para curtos períodos de tempo, têm conheci- mento de dados passados do indivíduo e existem índices de base de moderados a altos para violência. A utilização dos da- dos de pesquisa relevantes com frequên-

cia culmina na necessidade de o psicólogo forense comunicar seus achados ao siste- ma legal, seja por meio de um relatório preparado ou como testemunho de espe-

cialista. As pesquisas estão começando a sugerir que a maneira pela qual são co- municadas as conclusões da avaliação de risco pode alterar as decisões legais finais.

No documento Psicologia Forense - Huss, Matthew T (páginas 133-135)