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estrangulador da colina

No documento Psicologia Forense - Huss, Matthew T (páginas 187-190)

Kenneth Bianchi e seu primo, Angelo Buono, foram apelidados de estranguladores da coli- na após uma série de estupros e assassinatos de mulheres jovens na área de Los Angeles durante 1977 e início de 1978. As vítimas eram tipicamente estupradas, torturadas e estran- guladas até a morte, com seus corpos sendo geralmente desovados em colinas em torno de Los Angeles. A mídia e a polícia inicialmente suspeitavam de que se tratava de apenas um assassino e foi somente após muita investiga- ção que a polícia percebeu que provavelmente havia dois homens envolvidos. Depois de ter sido preso, Bianchi decidiu alegar inimputa- bilidade com base na crença de que ele sofria de transtorno de personalidade múltipla ou, como é chamado agora, transtorno de identi- dade dissociativo. Diz-se que ele teve a ideia a partir do filme Sybil e chamou sua outra per- sonalidade, que matava as mulheres, de Steve Walker. Embora dois peritos tenham original- mente pensado que Bianchi padecia de trans- torno de identidade dissociativo, dois outros peritos concluíram que ele estava fingindo, ou simulando, o transtorno. Havia várias indica- ções de que Bianchi estava simulando o trans-

torno. Uma indicação foi trazida à tona pela polícia quando eles descobriram que Bianchi havia usado o nome de um estudante, Steve Walker, para obter um diploma universitário de modo fraudulento para que pudesse prati- car a psicologia. Além disso, enquanto Bianchi estava fingindo ser Steve Walker, ele descui- dou-se por várias vezes e se referiu a Steve como “ele” em vez de “eu”. Mais ainda, o Dr. Martin Orne conseguiu enganar Bianchi du- rante sua entrevista clínica com ele. O Dr. Orne era especialista em determinar se a pessoa es- tava verdadeiramente hipnotizada, e durante sua tentativa de hipnotizar Bianchi ele identifi- cou que Bianchi correspondia a vários critérios para alguém que na verdade não está hipnoti- zado. Orne também enganou Bianchi de pro- pósito ao lhe dizer que as pessoas que sofrem de transtorno de identidade dissociativo têm mais do que uma personalidade adicional. Logo em seguida surgiu outra personalidade chamada Bill, e mais outras duas a seguir. Por fim, Bianchi concordou em testemunhar con- tra Buono, embora tenha sido pouco coopera- tivo durante o julgamento. Atualmente ele está cumprindo múltiplas penas perpétuas.

Uma alegação de capacidade diminuída permite que o acusado apresente um tes- temunho referente ao seu estado mental sem alegar inimputabilidade a qual foca diretamente no mens rea. Esse argumen- to pode ser potencialmente benéfico quando a acusação criminal inclui um elemento de intencionalidade específico, pelo qual o acusado deliberada ou pro- positalmente cometera o ato criminoso. Por exemplo, uma pessoa pode ser acu- sada de assassinato em primeiro grau, que pressupõe que ele tenha matado alguém deliberada ou propositalmente. Uma defesa de capacidade diminuída pode negar o mens rea e permitir apenas uma condenação por delito menor, tal como homicídio culposo, sem propósi- to ou deliberado. Embora 15 estados te- nham usado alguma forma de capacida- de diminuída (Weiner, 1985), o conceito foi criticado e desaprovado (Clark, 2006). Parte da razão para essa tendência foi a condenação involuntária por homicídio culposo de Dan White, após ter atira- do em 1978 no prefeito de São Francis- co e em um supervisor municipal. Esse julgamento é digno de nota devido ao efeito que teve na defesa de capacida- de diminuída, mas também porque é a origem da assim chamada “defesa do Twinkie”(Clark, 2006). Um perito da defesa testemunhou no julgamento que Dan White sofria de depressão maníaca, agora chamada de transtorno bipolar, e que isso foi parcialmente piorado pela sua repetida compulsão por lanches e Coca-Cola, especificamente Twinkies. No entanto, não existe uma defesa do Twinkie específica. Na verdade, Ewing e McCann (2006) dedicam um capítu- lo para derrubar o mito da defesa do Twinkie em seu livro Minds on trial.

Embora a intoxicação possa ser a base de uma defesa por inimputabili- dade, uma defesa por automatismo, ou por capacidade diminuída, a intoxicação voluntária também pode ser sustentada na maioria dos estados como uma razão para não conseguir apresentar suficien- te mens rea para crimes que exigem que o acusado exiba um comportamento proposital ou deliberado (Melton et al., 1997). Nessa situação, a pessoa não está consciente de que o seu consumo de ál- cool ou alguma outra droga pode causar impacto no seu comportamento e au- mentar o risco de perpetrar um determi- nado crime. Essa defesa também pode ser aplicada à intoxicação involuntária, em que a bebida de alguém é adultera- da, ou até mesmo à intoxicação crônica. A defesa pode igualmente se aplicar a alguém que sofre de uma doença mental e não toma a sua medicação. No entan- to, a lei sobre a alegação da intoxicação é muito coerente e não apresenta con- sistência entre as diferentes jurisdições (Clark, 2006).

Resumo

A noção de uma redução na respon- sabilidade legal devido à presença de uma doença mental apresenta uma lon- ga história e é em geral percebida como um compromisso legal com um dilema moral. Somente nos últimos cem anos é que os padrões formais de inimputabi- lidade foram identificados claramente. Um dos primeiros padrões identificados na lei comum inglesa foi o teste da besta selvagem, em que um acusado precisava apresentar a incapacidade de se contro- lar devido a uma doença mental, como se fosse uma besta selvagem. As abor-

dagens modernas da inimputabilidade incluem M’Naghten, Durham e Brawner. Cada padrão foi transformado em rea- ção às limitações percebidas do padrão anterior. Entretanto, muitas pesquisas utilizando júris simulados quase univer- salmente concluem que as pessoas não se baseiam em um padrão específico de inimputabilidade quando chegam a um veredito.

A defesa por inimputabilidade tam- bém foi questionada de várias maneiras além dos padrões de mudança. A lei de reforma da defesa por inimputabilida- de fez várias mudanças fundamentais na aplicação federal do padrão ALI, as quais vários estados também seguiram. O GBMI também foi proposto como uma alternativa ao NGRI que permite que os jurados concluam que um acusado é culpado, mas que ainda sofre de uma doença mental. Contudo, essa alterna- tiva parece ter falhado em grande parte no que se refere às intenções iniciais. A Suprema Corte recentemente apoiou a capacidade dos estados de usarem pa- drões de inimputabilidade estritamente definidos e vários estados até aboliram inteiramente a defesa.

Foram criados muitos mitos relativos à defesa por inimputabilidade. O públi- co tipicamente acredita que a defesa por inimputabilidade é usada em excesso e como escapatória. Em realidade, ela é levantada em menos de 1% dos casos criminais e tem sucesso em menos de um terço das vezes. A maioria dos acusados também cometeu crimes menos graves, padecia de doença mental grave e pos- suía história psiquiátrica prévia. Também existem muitas concepções errôneas so- bre o tratamento dispensado à maioria dos absolvidos por inimputabilidade. A

maioria das pessoas acredita que eles são libertados ou recebem poucas sanções. As evidências sugerem que os absolvidos por inimputabilidade têm menos proba- bilidade de serem libertados do que os indivíduos considerados culpados do crime e que eles tendem a ficar institu- cionalizados por um período de tempo maior do que se tivessem sido condena- dos. Os absolvidos por inimputabilidade também não parecem ser especialmente perigosos depois que são por fim liberta- dos, apesar da percepção que o público tem do contrário.

Existem muitos aspectos que trans- formam as avaliações de inimputabili- dade em tarefas especialmente difíceis para os psicólogos forenses. Essas di- ficuldades contribuem para a falta de concordância quanto aos procedimentos baseados empiricamente para avaliações de inimputabilidade. Entretanto, exis- tem algumas informações disponíveis referentes à validade e confiabilidade das avaliações de inimputabilidade. A vali- dade e confiabilidade das avaliações de inimputabilidade podem ser auxiliadas pelo uso de ferramentas forenses especia- lizadas pesquisadas para as avaliações de inimputabilidade. O MSE e a R-CRAS re- presentam as únicas medidas concebidas especificamente que possuem umas pou- cas pesquisas apoiando o seu uso. A si- mulação é um aspecto que pode ameaçar a confiabilidade e validade das avalia- ções de inimputabilidade, mas métodos apropriados estão disponíveis para ma- nejar a possível confusão. Por fim, outras questões relacionadas à responsabilidade criminal são mencionadas brevemente quando se relacionam ao mens rea e a di- ficuldade adicional que elas apresentam aos psicólogos forenses.

Termos-chave

No documento Psicologia Forense - Huss, Matthew T (páginas 187-190)