De acordo com o “Sistema de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável” – SIDS (2004), os objectivos do desenvolvimento sustentável caracterizam-se pela sua abrangência, pelo que se torna necessário recorrer a indicadores para comunicar um determinado assunto. Os indicadores auxiliam a quantificação e simplificação de fenómenos e permitem a compreensão de realidades complexas. Estes devem ser considerados como uma expressão do melhor conhecimento disponível num determinado instante temporal.
Os indicadores transmitem informação técnica de uma forma sintética e perceptível a decisores, gestores, políticos, grupos de interesse, técnicos, cientistas e público em geral.
Deste modo, a sua formulação deverá responder às necessidades e prioridades dos utilizadores, pois o acesso à informação permite que todas as partes interessadas participem e intervenham nos debates sobre desenvolvimento sustentável.
Os indicadores têm sido utilizados por diversos organismos e instituições voltados para causas ambientais e com os mais diversos objectivos, entre eles o mapeamento, a avaliação ambiental, a monitorização do estado do meio ambiente, com relação ao desenvolvimento sustentável.
Verifica-se, ainda, que os indicadores podem ser utilizados para medir uma determinada área rural com uma qualidade ambiental óptima, assim como para se fazer a avaliação de políticas ambientais.
Os indicadores e índices podem servir um conjunto alargado de aplicações, consoante os objectivos em causa, (SIDS, 2000). Dessas aplicações, destacam-se as seguintes:
• Atribuição de recursos – suporte de decisões, ajudando os decisores ou gestores na atribuição de fundos, alocação de recursos naturais e determinação de prioridades;
• Classificação de locais – comparação de condições em diferentes locais ou áreas geográficas;
• Cumprimento de normas legais – aplicação a áreas específicas para clarificar e sintetizar a informação sobre o nível de cumprimento das normas ou critérios legais;
• Análise de tendências – aplicação a séries de dados para detectar tendências no tempo e no espaço;
• Informação ao público – informação ao público sobre os processos de desenvolvimento sustentável;
• Investigação científica – aplicações em desenvolvimentos científicos servindo nomeadamente de alerta para a necessidade de investigação científica mais profunda.
Segundo, (DETR8, 1999), os sistemas de indicadores de desenvolvimento sustentável têm como finalidade:
• Descrever o progresso do desenvolvimento sustentável;
• Destacar iniciativas de políticas-chave relevantes para o desenvolvimento sustentável;
• Educar o público para o significado de desenvolvimento sustentável;
• Aumentar a consciência do público e das empresas, para acções particulares que são necessárias desenvolver, no sentido de se atingir um desenvolvimento sustentável;
• Alertar a tempo de prevenir danos económicos, sociais e ambientais, (EUROSTAT, 2004);
• Reportar o progresso para o desenvolvimento sustentável para as diversas audiências.
Em 1992, na ocasião da Cimeira Mundial do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, houve um arranque definitivo do desenvolvimento de sistemas de indicadores de desenvolvimento sustentável, quando reconheceu no capítulo 40 da agenda 21 a necessidade desses sistemas para apoiar de forma consistente as tomadas de decisão a todos os níveis.
Com o objectivo de promover o desenvolvimento de sistemas de indicadores desta natureza a nível dos países, a “Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável” (UNCSD) publicou em 1996, o “BLUE BOOK”. Para além do sistema UNCSD, nesse mesmo ano foi também publicado o sistema de indicadores de desenvolvimento sustentável do Reino Unido, (DETR, 1999).
Uns dos grandes problemas que se verifica no desenvolvimento de indicadores são as extensas listas, sendo que alguns temas são tratados de maneira exaustiva. O grande número de indicadores com uma grande quantidade de detalhes pode trazer alguma confusão no planeamento do sistema de indicadores, sendo necessário evitar este tipo de problema.
É necessário definir alguns critérios restritos de selecção, aglutinando-os em três grupos básicos, (Winograd & Segnestam, 2000):
• Fiabilidade dos dados quanto aos critérios de selecção, à alta qualidade e confiança dos dados, disponibilidade dos dados, escala espacial e temporal apropriada;
• Relação com os problemas e prioridades quanto à
representatividade/conveniência de escala, cobertura geográfica, sensibilidade às mudanças, especificidade e conexão;
• Utilidade para o usuário quanto à validade, quantidade (número) limitada, valor de referência, compreensibilidade/interpretabilidade, aplicabilidade sem redundância.
Num relatório sobre indicadores ambientais a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico – (OCDE), define os indicadores como uma ferramenta de avaliação e de forma a se entender o seu sentido, devem ser interpretados de maneira científica e política. Devem, ainda, ser completados com outras informações qualitativas e científicas, sobretudo para explicar factores que se encontram na origem de uma modificação do valor de um indicador que serve de base a uma avaliação.
Ainda no mesmo documento encontra-se outra definição de indicador, como sendo um parâmetro ou valor calculado a partir dos parâmetros, fornecendo ou descrevendo as indicações do estado de um fenómeno, bem como, do meio ambiente ou de uma zona geográfica, de uma amplitude superior às informações directamente ligadas ao valor de um parâmetro, (OCDE, 2002).
São definidos, como sendo uma medida, geralmente quantitativa, que pode ser usada para ilustrar e comunicar um conjunto de fenómenos complexos de uma forma simples, incluindo tendências e progressos ao longo do tempo, (EEA9, 2005).
Entende-se que um conjunto de indicadores adequadamente estabelecidos é uma das melhores técnicas para se acompanhar todas as fases de um planeamento, pois possibilita avaliar as condições actuais dos ambientes e acompanhar, ao longo do tempo, a evolução rumo à sustentabilidade.
Por fim, a Direcção Geral do Ambiente – (DGA), hoje Agência Portuguesa do Ambiente – (APA), refere a crescente importância da utilização de indicadores nas metodologias utilizadas para resumir a informação de carácter técnico e científico na forma original ou bruta, permitindo transmiti-la numa forma sintética, preservando o essencial dos dados originais e utilizando apenas variáveis que melhor servem os objectivos, e não todas as que podem ser medidas ou analisadas. A informação é assim mais facilmente utilizável por decisores, gestores, políticos, grupos de interesse ou público em geral, (DGA, 2000).
Outros autores apresentam os indicadores como algo que está intrínseco no ambiente em que vivemos todos os dias, pois eles são a nossa ligação com o mundo. Eles sintetizam pontos complexos numa linguagem manejável de informação significativa, para um subgrupo de observações que informam as nossas decisões e direccionam as nossas acções, (Bossel, 1997).
Em síntese, os autores apesar de utilizarem diversos termos quando definem o conceito de indicador (designando-o por parâmetro, medida ou valor), são consensuais quanto ao facto dos indicadores constituírem uma forma de simplificação e sintetização de fenómenos complexos através da sua quantificação.