a) Índice de Cobertura Vegetal – ICV
O Índice de Cobertura Vegetal (ICV) corresponderá à relação da área de cobertura vegetal do empreendimento, frente ao número de habitantes no respectivo empreendimento.
De acordo com os dados obtidos (www.costaterra.pt), temos 144 hectares de cobertura vegetal e um número total de habitantes em torno de 7 420, podendo chegar em épocas de alta, em torno de 10 000 habitantes.
Com a aplicação da relação Av/ hab., nos critérios de cobertura vegetal, tem-se: 144hectares / 10 000 hab. = 0,0144 ha / hab., ou seja, 144m2 de área verde por habitante.
A fim de, determinar o ICV aplicar-se-á o quadro 6.7, que variará conforme a disposição de cobertura vegetal por habitante.
Com a utilização deste critério, ter-se-á um ICV = 100, já que temos uma área por habitante acima de 20,1 m2.
Verifica-se assim, que o índice óptimo foi alcançado, enquanto o índice crítico será atingido, toda vez que este valor for inferior a 8,0 m2/ habitante.
b) Índice de Qualidade da Água – IQA
A área em estudo, de acordo com a elevada infiltração, resulta na fraca componente de escoamento superficial, pelo que não foram identificados elementos significativos sobre a qualidade da água proveniente dos escoamentos superficiais temporários e resultantes da ocorrência de chuvadas com grandes intensidades, tendo-se recorrido para a obtenção de dados ao Instituto da Água e à Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Alentejo – CCDR Alentejo.
Conforme já falado anteriormente, a água para consumo no empreendimento, terá origem em cinco furos de captação (FR1, SE2, SE3, SE4 e SE5).
Para a caracterização da qualidade da água subterrânea e a posterior construção do Índice de Qualidade da Água (IQA), recorreu-se às análises disponibilizadas pela empresa ECOSERVIÇOS – Gestão de Sistemas Ecológicos, Lda.
Dado que o uso da água captada nos furos referidos é para o consumo humano, serão comparados com os valores verificados com o estipulado no Decreto-Lei n.º 243/2001 de 5 de Setembro39, que aprova normas relativas à qualidade da água destinada ao consumo humano.
A água para consumo tem origem em cinco furos de captação Na definição deste índice, optou-se pela metodologia desenvolvida pela NSF40, que caracteriza de maneira abrangente a qualidade da água à ser utilizada no empreendimento.
Após a escolha da ferramenta a utilizar, aplicar-se-á aos valores verificados para os diferentes parâmetros para cada furo, o modelo proposto, conforme poder-se-á verificar no Anexo II.
Com a aplicação da expressão (7), a metodologia proposta, calcula-se o índice que dará origem ao IQA.
39 Ressalta-se que o DL nº 243/2001 foi revogado, sendo substituído pelo DL nº 306/2007, não sendo este
referido neste trabalho, por entrar em vigor em 1 de Janeiro de 2008. Contudo, a alteração mais significativa foi a criação de uma autoridade competente, o Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR), responsável pela coordenação da implementação do diploma.
Apresenta-se no quadro 7.1, os resultados obtidos, classificando os diversos furos verificados.
Quadro 7.1 – Resultado do Índice FURO Índice NSF FR1 54 SE2 71 SE3 69 SE4 74 SE5 77 Média Geral 69
O índice encontrado, à partir da média geral dos furos de captação, será aplicado no quadro 6.8, dando assim origem ao IQA.
Com a utilização deste critério, ter-se-á um IQA = 60, estando na faixa normal quanto à qualidade da água.
De acordo com a classificação proposta pela NSF, este valor foi verificado devido à má classificação do furo FR1 (existente), originado pelo alto valor de fósforo.
Segundo (Oliveira & Benindes, 2004), a presença de quantidades elevadas de fósforo, nomeadamente, sob a forma de piro e de metafosfatos, pode interferir no metabolismo do cálcio e originar náuseas, diarreias, hemorragias gastrointestinais, formação de úlceras e problemas renais e hepáticos. Pelo contrário, os ortofosfatos, que é o caso verificado nas análises, não constituem, em geral, um risco à saúde.
Este índice pode ser melhorado, recorrendo a processos clássicos de desmineralização ou a processos de co-precipitação, recorrendo à sais de ferro (cloreto ou sulfato), de alumínio ou de cálcio, reduzindo os altos valores de fosfatos no furo FR1.
c) Índice de Qualidade do Ar – IQAR
Nesta análise, o índice de qualidade do ar, foi determinado pela média aritmética calculada para cada um dos poluentes medidos em todas as estações da área analisada.
De acordo com os dados fornecidos pela (COSMAGA, 2004), os valores assim determinados são comparados com as gamas de concentrações, associadas a uma escala de cores, sendo os piores poluentes responsáveis pelo índice.
Estes dados correspondem a duas campanhas de monitorização na área de implantação do empreendimento, sendo uma em Julho e outra em Maio, onde a primeira representativa corresponde ao período de Verão e a segunda ao período de Inverno.
Foram admitidos os poluentes através das concentrações de SO2 (dióxido de enxofre) e NO2 (dióxido de azoto), estas medidas foram relativas ao período de exposição dos tubos (1 semana).
Embora os valores sejam representativos para um período de 7 dias, ao compara-los com os valores limite fixados pela legislação portuguesa, poder-se-á dizer que são valores muito baixos.
A situação de referência descrita neste capítulo mostra, em termos qualitativos e quantitativos, a situação actual da qualidade do ar na área em estudo.
Como toda a área industrial se localiza a sul, entre Sines e Santiago do Cacém, verifica-se que a probabilidade da área em estudo ser afectada pelas descargas atmosféricas industriais, é bastante reduzida, conforme o quadrante dos ventos dominantes (NW).
Desta forma os valores obtidos, conforme quadro II.2.1, no anexo II, encaixam-se na faixa mais positiva, classificada como “Muito Bom”, para a qualidade de ar da área em estudo, tanto em relação ao material dióxido de enxofre (SO2), como para o dióxido de azoto (NO2).
Para definição do IQAR, verificou-se os valores medidos na área de desenvolvimento, do dióxido de enxofre (SO2) e dióxido de azoto (NO2), analisando o pior valor.
Sendo assim, verifica-se o SO2 = 3,4 μg/m3 (pior valor), aplicando-o no quadro 6.9, transformando o valor encontrado numa escala de 0 a 100, tem-se então um IQAR = 100.
Este valor representará o IQAR que será utilizado para compor o Índice de Sustentabilidade do empreendimento.
d) Indicador de Estado do Ambiente
De acordo com os indicadores verificados, a fórmula proposta (5), e os respectivos pesos admitidos; (P1IEA = 0,40; P2IEA = 0,40; P3IEA = 0,20) obter-se-á o seguinte valor:
IEA = (100x0,40) + (60x0,40) + (100x0,20); IEA = (40,0 + 24,0 + 20,0);
IEA = 84.
Verifica-se na figura 7.4, o resumo dos valores verificados.
Figura 7.4 – Indicador de Estado do Ambiente
84 100 60 100 0 20 40 60 80 100 INDICADOR DE ESTADO IQAR IQA ICV
INDICADOR DE ESTADO DO AMBIENTE
INDICADOR DE ESTADO IQAR IQA ICV