CAPÍTULO 8: PATOLOGIAS OCASIONADAS PELO MEIO AMBIENTE DO
8.1 LER/ DORT
8.1.5 Depressão
8.1.6.3 Conceito e Desenvolvimento da Síndrome de Burnout
outra forma 8 ( NASSIF, 2000, p. 730).
A Síndrome de Burn out foi analisada pela primeira vez por Bradley, em 1969, quando propôs nova estrutura organizacional, a fim de conter o fenômeno psicológico que acomete trabalhadores assistenciais (PEREIRA, 2002).
8.1.6.3 Conceito e Desenvolvimento da Síndrome de Burnout
Esta doença chamada Síndrome de Burnout é relacinada por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional).
Geraldo José Balone (2011, p. 2) define a síndrome de burnout como:
uma resposta ao estresse ocupacional crônico caracteriza- se pela desmotivação, ou desinteresse, mal- estar interno ou insatisfação ocupacional que parece afetar, em maior ou menor grau, alguma categoria ou grupo profissional. Trata- se de um conjunto de condutas negativas, como por exemplo a deterioração do rendimento, a perda de responsabilidade, atitudes passivos- agressivas com os outros e perda da motivação, ode se relacionariam tantos fatores internos, na forma de valores individuais e traços de personalidade, como fatores externos, na forma das estruturas organizacionais, ocupacionais e grupais. A Síndrome de burnout traz conseqüências não só do ponto de vista pessoal, senão do ponto de vista institucional, como é caso do absenteísmo, da diminuição do nível de satisfação profissional, aumento das condutas de risco, inconstância de empregos e repercussões na esfera familiar
Maria José Gianella Cataldi (2002, p. 50) dá seu conceito da síndrome de burnout
O conceito de Burnout é reconhecidamente o mais importante do stress profissional. Esse conceito é desenvolvido na década de 1970; ele tem o sentido de preço que o profissional paga por sua dedicação ao cuidar de outras pessoas ou de sua luta para alcançar uma grande realização. Os psicólogos americanos na década de 80 colocaram o burnout como fruto de situações de trabalho, em situações de stress crônico entre profissionais que apresentam grandes expectativas em relação ao seu desenvolvimento profissional e dedicação à profissão. Nesse sentido entende-se o burnout é uma síndrome caracterizada por três aspectos básicos;
a) a exaustão emocional, quando o profissional está diante de uma intensa carga emocional. O profissional sente- se esgotado com pouca energia para fazer frente ao dia de trabalho e a impressão que
ele tem é que não terá como recuperar ( reabastecer) as suas energias. Os profissionais passam a ser pessoas pouco tolerantes, facilmente irritáveis, e as suas relações com o trabalho e com a vida ficam insatisfatórias e pessimistas
b) A despersonalização também está presente. É o desenvolvimento do distanciamento emocional que se exarceba. Manifesta- se através da frieza, insensibilidade e postura desumanizada. Nessa fase, o profissional perde a capacidade de identificação e empatia com as outras pessoas, passando a ver cada questão relacionada com o trabalho como um transtorno.
c) A redução da realização pessoal e profissional ficam extremamente comprometidas. Pode- se entender que surgiu outro tipo de pessoa, diferente, bem mais fria e descuidada, podendo acarretar a queda da auto estima, que às vezes chega a depressão.
Segundo Cristina Malash (2005, p. 41):
o burnout é uma reação cumulativa a estresses ocupacionais contínuos e se caracteriza por cronicidade, ruptura da adaptação, desenvolvimento de atitudes negativas e comportamentos de redução da realização pessoal no trabalho.
Em pesquisa realizada pela Internacional Stress Management Association (ISMA), que verificou a questão nos Estados Unidos, Alemanha, França, Brasil, Israel, Japão, China, Hong Kong e Fiji, ficou demonstrado que o Brasil ocupa o segundo lugar em número de trabalhadores acometidos pela síndrome de Burnout. Entre os trabalhadores brasileiros, apurou- se que 70% (setenta por cento) são afetados pelo stress ocupacional e 30% do total são vitimados pela Síndrome do Burnout. No Japão, estes números se elevam. Na Terra do Sol nascente 85% dos trabalhadores são estressados crônicos e 70% deles manifestam a síndrome de Burnout (ARAÚJO JUNIOR, 2009, p. 107).
Um dos grandes problemas no Brasil é o medo do desemprego e a busca excessiva de forma incontrolável pela qualificação profissional e pelo desempenho dentro do trabalho. A superação que se busca vai além dos limites do corpo, a ponto de levar os seus habitantes do país a exaustão profissional.
A psicóloga Rosana Galipp Spina (2009, p.1) para ilustrar a síndrome de burnout menciona a síndrome do sapo fervido ensinando que :
Vários estudos provaram que um sapo colocado em um recipiente com a mesma água de sua lagoa, ele fica estático durante todo o tempo em que se aquece a água.
O sapo não reage ao gradual aumento da temperatura e morre quando a água ferve.
Mas qualquer sapo que seja jogado nesse recipiente já com a água fervente, salta imediatamente para fora.
O que a psicóloga tentou ilustrar, com a síndrome do sapo fervido, comparando com a síndrome do burnout, é que o ser humano seria o sapo e começa a exercer suas funções tentando se adaptar ao trabalho. Depois, o volume desse trabalho vai aumentando, as condições para o seu exercício piorando, até o ponto em que o ser humano chega ao seu limite – à sua exaustão emocional.
Torna-se um dos muitos efeitos drásticos que pode vir a ser ocasionado com estresse do meio ambiente de trabalho.
Segundo Francisco Milton Araújo Junior (2009, p. 108):
A Síndrome de burnout, como conseqüência do estado de tensão crônico, propicia a deterioração da personalidade do trabalhador (sentimento de impotência e de inutilidade profissional), diferindo- se do estresse que pode ser de natureza positiva (eustress) ou negativa (distress) e possui como limite a exaustão física e emocional.
Para Sebastião Geraldo Oliveira (2009, p. 192):
A síndrome do burnout surge em decorrência do estresse cronificado da tensão permanente que acaba provocando algo semelhante a um “incêndio interno” ou queima total das energias para o trabalho, como sugere o termo em inglês.
Em regra, a síndrome do burnout advém da carga de pressão do trabalho, de uma carga de pressão que é imposta pelo próprio empregador (em busca de metas, de lucros) somatizada com a pressão imposta por si mesmo (com medo de perda do emprego, tentando buscar ao máximo a lucratividade, a competitividade) e ainda a carga de pressão imposta pelas próprias atividades desempenhadas, as quais por si só, já são estressantes e prejudiciais a saúde do trabalhador.
Para José Afonso Dalegrave Neto (2008, p. 212):
Não há dúvida de que as práticas de assédio seja ele moral, organizacional ou sexual, constituem- se na principal causa da contração da Síndrome de Burnout, uma efermidade que vem afetando milhares de trabalhadores anualmente em nosso país.
Entende-se, portanto, que a síndrome de burnout, como reação do organismo ao estresse ocupacional continuado, consiste no completo esgotamento das energias físicas e mentais do trabalhador. É causada pela instalação, no corpo, da fadiga em grau extremo, permanece na pessoa mesmo após o repouso fisiológico. Desse modo, que o obreiro passa a laborar de forma desmotivada, desinteressada e insatisfeita com todas as atividades profissionais (ARAÚJO JUNIOR, 2009, p.108).
Resta, pois, incontestável que se trata de uma doença proveniente do estresse ocupacional. Pode ele se manifestar de várias maneiras esse estresse ser de várias maneiras com excesso de carga ou pela subestimação do trabalhador, ao subtrair-lhes atividades a serem por ele desempenhadas. Não resta dúvida que em ambos os casos se pode falar em assédio do empregador sobre o empregado. E pode ainda decorrer dos demais tipos de estresse e assédios, sem necessariamente que implicar em excesso de atividades. É o caso, por exemplo, do assédio sexual, que não tipifica em sobrecarga de trabalho, mas deixa o trabalhador constrangido, coagido, podendo chegar a síndrome de burnout. Como foi colocado acima, a doença, atualmente, vem acometendo vários trabalhadores em todo o Brasil.