CAPÍTULO 7: SAÚDE DO TRABALHADOR: CARACTERÍSTICAS E
7.1 Objeto do Estudo
O objeto do presente estudo é a saúde do trabalhador, enquanto proteção inserida no contexto do meio ambiente de trabalho. Este capítulo tratar-se-á didaticamente sobre a saúde do trabalhador e sobre sua abrangência.
7.2 Terminologia
Etimologicamente a palavra saúde se originou do latim (salus-utis), significando o estado de “são” e, ainda, de salvação. Normalmente os dicionários apresentam saúde com os sentidos de sanidade dos seres vivos, estado do que é são ou sadio (OLIVEIRA, 2010, p. 105).
7.3 Breve histórico
Os primeiros relatos devem da preocupação com a saúde pública vem da Grécia clássica e Hipócrates de Cós foi considerado o Pai da Medicina. Roma também aceitou as idéias sanitárias, quando conquistou o mediterrâneo. Os romanos tiveram engenheiros impressionantes que construíram esgotos e instalações sanitárias, tudo com preocupação em relação à saúde.
Ainda que houvesse doenças ocupacionais, a ênfase da saúde, especialmente da higiene como método de prevenção, era destinada à aristocracia, não aos trabalhadores e escravos. Não há menção à saúde do trabalhador, antes do período romano. Foram os romanos os primeiros a estabelecer certa relação entre o trabalho e as doenças, havendo referência a relatos de Plínio, Marcial, Juvenal, Lucrécio, Lucano, Estácio e Galeno de Pérgamo (SILVA, 2008, p. 103).
O verdadeiro marco histórico para a saúde do trabalhador foi a obra do médio italiano Bernadino Ramazzine, em 1700, intitulada As doenças dos trabalhadores. Na referida obra, Ramazzine trazia 12 grupos como também falava de forma minuciosa de doenças ocupacionais.
Sabe-se que, na época da Revolução Industrial, o trabalho era excessivo. As máquinas ao substituir o trabalho braçal, exigiam do operário ainda mais trabalho para que fosse mantido os postos de trabalho
Por isso as jornadas de trabalho eram cada vez mais excessivas, as condições de trabalho eram péssimas e degradantes. Crianças e Mulheres trabalhavam em média 16 a 18 horas por dia. Não existia qualquer limitação à jornada de trabalho, nem preocupação com condições de trabalho. Muito menos, com o meio ambiente de trabalho e saúde dos trabalhadores.
Em 1802 o estado de miséria dessa classe explorada e a preocupação com a precariedade de sua saúde levaram o parlamento britânico a aprovar a primeira lei de proteção aos trabalhadores: A Lei da Saúde e da Moral dos Aprendizes, a qual estabelecia um limite de 12 horas de trabalho por dia para os aprendizes, nos engenhos de algodão; proibia para eles o trabalho noturno e obrigava os empregadores a lavar as paredes das fábricas, duas vezes por ano, tornava obrigatória a ventilação destas (SILVA, 2008, p. 105).
No ano de 1830, Robert Dernham, proprietário de uma indústria têxtil, preoucupado com as péssimas condições de saúde dos seus empregados, procurou Robert Baker, médico inglês, pedindo-lhe orientação de como proceder. Foi lhe recomendado que contratasse e colocasse no interior de sua fábrica um médico, que serviria de intermediário entre eles, os trabalhadores e o público. O médico iria percorrer a fábrica e verificar o efeito do trabalho sobre as pessoas. Promover a prevenção das doenças seria a sua competência, razão pela qual o médico seria o único responsável em caso de gravame à saúde dos trabalhadores (SILVA, 2008, p. 105).
Seu objetivo era meramente curativo para os trabalhadores. Caso os mesmos ficassem doentes, em decorrência do trabalho, o médico teria a obrigação de curar e não prevenir. O interesse era que o médico deixasse sãos aqueles que ficaram doentes em decorrência do trabalho.
Em 1833, editou-se, na Inglaterra, o Factory Act (Ato Fabril). Esta lei é considerada a primeira legislação eficaz no campo da proteção ao trabalhador.
Ainda no ano de 1833 houve uma série de greves, na Inglaterra, o mesmo ocorrendo nos anos seguintes. Em 7 de junho de 1844 foi promulgada outra lei fabril, destinada a proteger uma nova categoria de trabalhadores : as mulheres maiores de 18 anos, as quais tiveram o tempo reduzido para 12 horas diárias, sendo-lhes
vedado o trabalho noturno. Na sequência, os anos de 1846 e 1847, foram marcantes na história econômica e social na Inglaterra. Por outro lado, o movimento cartista e a campanha pelas 10 horas atingiram o ponto culminante e desencadearam na aprovação no Parlamento, a lei das 10 horas, pela qual se lutara tanto tempo. Foi a primeira lei geral limitadora da jornada de trabalho, em 10 horas diárias, para as indústrias têxtis da Inglaterra. Isso porque as leis de 1802 e 1833 destinavam-se a proteção dos trabalhadores menores de 18 anos, cuja jornada tinha sido fixada em 12 horas por dia (SILVA, 2008, p. 106).
Em 1866 teve início a luta pela jornada diária na Inglaterra e nos Estados Unidos. E em 1884 surgiu a primeira lei sobre acidentes do trabalho de que se tem notícia. Foi editada na Alemanha e deu início a uma série de leis dessa natureza noutros países da Europa (SILVA, 2008, p 106).
Dentro dessa perspectiva histórica, não se poderia esquecer da Encíclica Rerum Novarum, a que teve grande relevância para a saúde e as condições de trabalho.
Em 15 de maio de 1891, o Papa Leão XIII revelou para o mundo a premência da tutela a saúde do trabalhador e ao conclamar todos os povos à busca de condições materiais para a implementação de uma Justiça Social e influenciar os legisladores e estadistas de todo o mundo, pois a eles cabiam as tarefas de elaborar as leis nacionais e os tratados que viriam mais tarde configurar o nascimento do Direito Internacional do Trabalho (SILVA, 2008, p.107).
Essa Encíclica enfatizou o trabalho humano e denunciou as condições em que ele era prestado.
No Capítulo 25 enfatiza que é um dever da autoridade retirar o pobre operário da condição desumana, importa aos ávidos especuladores, pois não é justo nem humano exigir tanto trabalho a ponto de fazê-los, pelo excesso da fadiga, embrutecer o espírito e enfraquecer o corpo.
Dentro desse contexto histórico, surge, em 1919, O Tratado de Versales que cria a OIT. Buscava-se a internacionalização da proteção ao trabalhador e, dentro dela, a proteção da sua saúde e da sua própria vida