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CAPÍTULO 5: DIREITO INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE E O MEIO

6.3 Princípios do Meio Ambiente de Trabalho

6.3.2 Precautelar

Equivale esse princípio para meu ambiente do trabalho (ambiente artificial) ao da precaução (BELFORT, 2003, p. 56).

Para nós preferimos juntar os dois princípios prevenção e precaução para chegarmos ao princípio precautelar do meio ambiente do trabalho.

Como analisado no capítulo anterior o princípio da precaução se trata no sentido de tomar providências drásticas e imediatas para que na venha a causar mal futuro para a população. Vimos que o princípio da precaução é realizado por intermédio de escolhas e ainda que possa ocasionar conseqüências tem que se imaginar que deve- se privilegiar a melhor escolha para se proteger o meio ambiente para as atuais e futuras gerações. Como o meio ambiente de trabalho está inserido no meio ambiente geral, o princípio da precaução sem qualquer sombra de dúvidas

pode ser aplicado ao meio ambiente de trabalho visando à proteção para os

Nesse sentido, Fernando José Cunha Belfort (2003, p. 54): “também defendemos a tese de que o meio ambiente do trabalho encontra- se inserido no meio ambiente artificial e trouxemos conceito próprio para o mesmo”.

Na linha do nosso entendimento, Rocha (1997, p. 47) diz que a poluição do meio ambiente do trabalho consiste na degradação da salubridade do ambiente, afetando diretamente a saúde, o bem estar e a segurança dos trabalhadores. Diversas são as situações que alteram o estado de equilíbrio do ambiente, como: os gases, os produtos tóxicos, as irradiações, as altas temperaturas, etc.

No mesmo sentido em que o princípio da precaução no meio ambiente geral tem como cerne a proteção do homem e de sua saúde, no meio ambiente do trabalho o princípio da precaução também tem como cerne o homem, mas agora de forma mais específica, o homem trabalhador, visando o seu local de trabalho em proteção a sua saúde e integridade física.

Da mesma forma que muita vezes pelo princípio da precaução tem que se fazer escolhas, abrindo- se mão de um maior desenvolvimento para que se tenha uma maior proteção a população, o princípio precautelar segue a mesma regra, devendo precaver os futuros danos que possa vir a ocasionar ao trabalhador, devendo sobrepor a saúde do mesmo sobre a patrimônio.

Como se observa no dia a dia da prática forense, há casos de graves e iminentes riscos em que não se tem dúvida quanto a potencialidade do acidentes; mas, em outros, numa primeira análise, o juiz pode não se convencer do perigo para integridade física dos trabalhadores. Porém, como os danos à saúde são quase sempre irreversíveis, o bom senso aconselha maior prudência do magistrado mediante priorização dos aspectos humanos e sociais em relação ao aspecto econômico. No caso, o que se protege é a pessoa, valor fonte de todos os valores, pelo que, em momento algum, se deve priorizar o aspecto econômico da atividade, como se tem visto em algumas decisões judiciais que, com fundamento no prejuízo a ser causado pela suspensão da atividade econômica, indeferem medidas de interdição de atividades e embargo de obras ou concedem segurança contra interdições administrativas feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MELO, 2006, p. 42).

Não resta dúvida, ainda, que o meio ambiente de trabalho e sua conseqüente proteção deverá ser feito de forma ampla abrangendo não apenas o local de trabalho – sede da empresa, mas por todo local de trabalho, inclusive de forma

externa. Devendo-se levar em conta os riscos não só biológicos, químicos, mas também sociais, como a violência urbana, por exemplo.

Do mesmo raciocínio compartilha Fernando José Cunha Belfort (2003, p. 59).

Transportando o princípio para o meio ambiente do trabalho e ao conceituarmos este, vimos que é entendido no sentido “onde se desenvolve a prestação dos serviços, quer interna ou externamente, e também o ambiente reservado pelo empregador para o descanso do trabalhador”, em que se abandona a antiga teoria de que somente os ambiente internos é que poderiam ser enunciados como local de prestação do trabalho,e considerando que entre as teorias sobre a natureza jurídica do direito do trabalho vamos encontrar a de direito unitário, que no Brasil é defendida pelos dois maiores nomes entre os juslaboralistas brasileiros (Sussekind e Evaristo de Moraes Filho), entendida como a fusão de normas de direito público com as de direito privado, surgindo outra realidade e, como acentua Sussekind (1996, v.1, p.130), no campo do direito público podem ser enumeradas normas gerais concernentes à tutela do trabalho, entre estas a de segurança e medicina do trabalho (CLT, arts 154 a 233 ), e desde que a precaução se caracteriza pela antecipação, é perfeitamente aplicável ao meio ambiente do trabalho.

No nosso sentir, vislumbro que pelo princípio da precaução deve o empregador ir mais além para evitar graves danos a integridade física de seu empregado, devendo portanto, prever as causas que podem lesionar o trabalhador e assim tentar evitá-las, considerando também o ambiente de trabalho o externo e assim conseqüentemente as causas também externas. Nesta esteira, para os grandes centros urbanos não resta dúvida que os constantes assaltos também devem fazer parte da previsibilidade do empregador, quando o mesmo coloca o seu empregado em eminente risco, seja pelo lugar o qual pretende que o empregado labora, seja pela forma ou até mesmo pela profissão que o exponha a constante riscos.

Portanto, não precisa haver certeza científica absoluta sobre a possível ocorrência do dano ao meio ambiente ou à saúde do trabalhador. Basta que o suposto dano seja irreversível e irreparável para que não se deixe de adotar medidas efetivas de prevenção, mesmo na dúvida, porque a proteção da dúvida se sobrepõe sobre qualquer aspecto econômico (MELO, 2006, p. 42).

Nesta esteira, aqui na dúvida, em favor da saúde, a escolha aqui que deve ser feita sempre será pela saúde e integridade física do trabalhador.

A regulamentação desse princípio legal de instrumento, no que tange ao meio ambiente do trabalho, está contida em capítulo próprio, na Consolidação das Leis do Trabalho, e na Portaria n 3214/1978, do Ministério do Trabalho.

Outros instrumentos não judiciais destinam- se a prevenir a ocorrência de danos, tais como a obrigatoriedade de expedição de licença, de funcionamento e instalação pelo Poder Público; a concessão de incentivos fiscais conferidos às atividades econômicas que respeitam o equilíbrio ambiental, bem como de benefícios às que utilizam tecnologias “limpas”, entre outros (ANDRADE, 2003, p. 114).