4.1. Os 3 R’s
Os 3 Rs: Redução, Reutilização e Reciclagem - são os passos para que indivíduos, instituições e governos, segundo a Agenda 211, consigam realmente minimizar a exploração de recursos naturais, o impacto ambiental de nossa sociedade urbano-industrial e, enfim, a quantidade do nosso lixo (USP RECICLA, 2006).
A redução é o passo inicial e mais efetivo na diminuição do impacto ambiental, é a adoção de medidas para se reduzir o gasto na outra ponta em relação à geração do lixo, implica uma diminuição no próprio uso, no consumo e no desperdício de materiais. Assim, a redução é uma revisão nos atuais padrões de consumo.
A reutilização, por sua vez, é representada pelas atividades que aproveitam produtos antes de seu descarte como reuso direto (usar o verso de folhas de papel e guardar vasilhames, por exemplo), restauros, trocas de usados, artesanato com sobras, etc.
A reciclagem é o tratamento dos materiais descartados, com alteração de suas características físicas. Diferente da reutilização, a reciclagem envolve um reprocessamento do material. A reciclagem pode ser direta (pré-consumo) ou indireta (pós-consumo), a direta é mais comum em processos industriais quando são reprocessados materiais descartados na própria linha de produção, como aparas de papel, rebarbas metálicas, etc., já os indiretos se trata da reciclagem mais comum quando são reprocessados materiais que foram descartados como lixo por seus usuários.
Como é possível observar, os 3 Rs estão numa seqüência relacionada ao impacto ambiental de cada ação. É melhor evitar o descarte de materiais do que reutilizar os materiais usados, que por sua vez é melhor que separar os materiais
1“A Agenda 21 é um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, por organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana impacta o meio ambiente. Constitui-se na mais abrangente tentativa já realizada de orientar para u m novo padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo alicerce é a sinergia da sustentabilidade ambiental, social
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descartados para reciclagem. Deixar de produzir lixo é mais interessante do que reciclá-lo, parece óbvio, mas quando começou a onda de reciclagem no mundo isso deixou de ser claro, as pessoas tendiam a se concentrar em buscar oportunidades de reciclagem em vez de diminuir o uso desses materiais descartáveis. Quando o consumo e o desperdício diminuem, a própria necessidade de produção de bens e, portanto, o uso de matéria-prima, água e energia diminuem conjuntamente, preservando diversos outros recursos naturais.
A reciclagem, ainda que contribua para diminuir o volume de lixo destinado aos lixões e aterros e contribua para a recuperação de materiais, água e energia, não deve ser uma ação desvinculada dos 2 primeiros Rs, pois caso contrário ela poderia servir para legitimar o desperdício. (USP RECICLA, 2006).
Na tabela 2 é possível ver que apesar de apresentar menor impacto ambiental que o processo de produção original de cada material, a reciclagem, como atividade industrial, também consome água e energia, polui o ar e a água, e gera seus próprios resíduos. A reciclagem de papel, por exemplo, embora polua o ar e a água menos que o processo tradicional (35% e 74%, respectivamente), produz um efluente com fibrículas e sulfato de alumínio e libera gases como monóxido de carbono e dióxido de enxofre, quando da queima de combustíveis durante a secagem, e fuligem, se for usada lenha (CEMPRE, 1995).
Papel Vidro Ferro Alumínio Plástico Uso de energia 23-74 % 4-32 % 47-74 % 90-97 % 89 %
Uso de água 58 % 50 % 40 % - -
Poluição de água
35 % - 76 % 97 % -
Poluição do ar 74 % 20 % 85 % 95 % -
Uso de
matéria-prima
Redução de 20 árvores / ton. papel
100 % 90 % 75 % -
Tabela 2: Redução porcentual nos gastos de processos de reciclagem em relação aos processos de produção com matéria prima virgem (WORLDWATCH
INSTITUTE, 1987)
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Uma ressalva se torna necessária, apesar da redução do uso e a reutilização serem amplamente favoráveis ambientalmente, elas perdem força socialmente quando atrapalham a economia que envolve os processos de reciclagem, nas grandes cidades brasileiras existem milhares de pessoas que vivem da econo mia do lixo. Elas vivem de recolher, separar, vender e reciclar lixo, sejam catadores autônomos, cooperativas ou recicladores (empresas ou cooperativas que transformam o material descartado em matéria-prima para as empresas que produzem e comercializam os materiais). A redução drástica do uso afeta diretamente a subsistência desse grupo.
4.2. Gestão Compartilhada de Resíduos Sólidos
Antes a gestão de resíduos era vista como uma questão de engenharia. A coleta do lixo e sua destinação estariam resolvidas se houvesse um eficiente sistema de limpeza urbana.
Embora, segundo a Constituição Brasileira, o poder público municipal seja responsável pela coleta de lixo nas cidades, o acondicionamento e, principalmente, a geração dos resíduos compete a cada um de nós. Neste sentido, profissionais da área ambiental e saneamento têm mudado o foco de seus esforços. Mais do que aprimorar sistemas e investir em tecnologias, equacionar o problema do lixo depende da co-responsabilização da comunidade, de um novo modelo de gestão socialmente compartilhada dos resíduos.
Os programas de gestão compartilhada de resíduos enfrentam hoje alguns desafios que não foram e dificilmente poderiam ser previstos há alguns anos.
Estas iniciativas de parcerias entre prefeituras e cooperativas/associações de catadores de materiais recicláveis, criadas visando a eficiência dos programas de coleta seletiva de lixo e a valorização do trabalho feito por grupos organizados de catadores, defrontam-se com uma redução significativa na quantidade e na qualidade de resíduos coletados. A principal causa deste cenário é o aumento do número de catadores autônomos, de organizações da sociedade civil e de empresas privadas interessadas na coleta e comercialização deste material.
Assim, embora o aumento de interesse pelos resíduos recicláveis se apresente como positivo face à lógica do mercado, esta nova realidade ameaça a
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fluxo constante de resíduos para as centrais de triagem. (Demajorovic et al., 2005).
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