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JORGE LUIZ VIANNA STEGMANN

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Academic year: 2022

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JORGE LUIZ VIANNA STEGMANN

ESTUDO DE CASO - SUSTENTABILIDADE NO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO

PAULO

Trabalho de Formatura

apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do Diploma de Engenheiro de Produção.

São Paulo

(2)

JORGE LUIZ VIANNA STEGMANN

ESTUDO DE CASO - SUSTENTABILIDADE NO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO

PAULO

Trabalho de Formatura

apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do Diploma de Engenheiro de Produção.

Orientador:

Prof. Dr. Laerte Idal Sznelwar

São Paulo

2006

(3)

“O futuro dependerá daquilo

que fizermos no presente .”

(4)

AGRADECIMENTOS

A toda minha família pelo apoio e dedicação indispensáveis, em especial a minha mãe, Tereza Vianna, pelo suporte incondicional durante toda minha vida.

Aos amigos que fiz nesses anos de faculdade, que por mais breve que tenham sido os momentos vividos juntos foram eles que me definiram como pessoa, profissional e cidadão.

Aos funcionários do PURE, PURA e USP Recicla, representados nas figuras dos engenheiros Leonardo Favato, Humberto Tamaki e o educador Paulo Diaz, respectivamente, pela atenção e apoio durante o trabalho e pelo trabalho que realizam na universidade.

Aos funcionários do departamento de Engenharia de Produção e as equipes de limpeza , em especial a Maria Olívia e Ana pela ajuda e atenção durante todo o trabalho.

Aos professores da Escola Politécnica, especialmente aos professores do departamento de Engenharia de Produção pelos conhecimentos e experiências compartilhados, cujos quais ainda não posso avaliar o quanto me serão úteis ao longo de minha vida.

Aos colegas de trabalho pela compreensão e motivação durante todo projeto .

E em especial ao Professor Doutor Laerte Idal Sznelwar pela proposta do trabalho

e suporte durante todo ano .

(5)

RESUMO

O presente trabalho apresenta o conceito de desenvolvimento sustentável por uma ótica humana. Faz uma análise da situação atual do departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo quanto à utilização de recursos (uso de materiais, água e energia) e apresenta propostas para solucionar os problemas encontrados. O trabalho, em última estância, pretende iniciar a discussão sobre desenvolvimento sustentável no departamento através do início da implantação do processo de reciclagem e um projeto para substituição de equipamentos não favoráveis ao uso racional de energia. Os resultados mostram que ainda há diversas ações a serem tomadas para que o departamento possa tratar seus resíduos de maneira e usar a energia mais racionalmente.

Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, reciclagem e meio ambiente.

(6)

ABSTRACT

This paper presents the concept of sustainable development through its human side. It analyzes the use of natural resources (materials utilization, water, energy and waste) by the Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo and presents suggestions to solve problems found. Ultimately, the paper pretends to start a debate around sustainable development in the department through the implementation of the first steps of a recycling process and a project to substitute equipment that interfere in a rational energy use. The results show that there are several actions to be taken in order to the department take good care of its waste correctly and use wisely the energy.

Keywords: Sustainable Development, recycling and environment.

(7)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Cogumelos provenientes dos grãos usados na fabricação de cerveja

(ZERI, 2006). ... 20

Figura 2: Modelo do desenho dos processos ... 41

Figura 3: Fluxo para papel A4 ... 42

Figura 4: Fluxo para copo descartável (180ml)... 43

Figura 5: Fluxo para papel higiênico... 45

Figura 6: Fluxo para água sanitária ... 46

Figura 7: Fluxo para o álcool... 47

Figura 8: Fluxo para o limpador multiuso... 48

Figura 9: Fluxo para o detergente ... 49

Figura 10: Fluxo para filtro de papel ... 50

Figura 11: Fluxo para cartuchos de impressora ... 51

Figura 12: Fluxo para pilhas e baterias ... 52

Figura 13: Fluxo para papel toalha ... 53

Figura 14: Ciclo dos principais materiais usados pelos professores... 56

Figura 15: Ciclo dos principais materiais usados pelos funcionários da secretaria ... 56

Figura 16: Ciclo dos principais materiais usados pelo funcionário da copa... 57

Figura 17: Ciclo dos principais materiais usados pelos alunos ... 57

Figura 18: Coleta de papel... 58

Figura 19: Coleta de plástico ... 59

Figura 20: Coleta de vidros ... 60

Figura 21: Coleta de metal... 61

Figura 22: Fluxo de eletrônicos ... 62

Figura 23: Coleta e doação de eletrônicos ... 64

Figura 24: Compostagem de material orgânico ... 65

Figura 25: Descarte comum ... 66

Figura 26: Descarte de pilhas ... 67

Figura 27: Cartaz para separação de copos ... 71

Figura 28: Coletores na entrada do departamento ... 72

Figura 29: Coletores de papel e pilhas... 73

Figura 30: Processo do piloto de reciclagem ... 75

Figura 31: Processo revisado do piloto de reciclagem ... 76

Figura 32: Comunicação revisada dos coletores do pátio ... 77

Figura 33: Comunicação revisada dos coletores de copos ... 77

Figura 34: Comunicação revisada dos cartazes... 78

Figura 35: Processo implementado para coleta de papel... 82

Figura 36: Processo implementado para coleta de plástico ... 82

Figura 37: Processo implementado para coleta de metal... 83

Figura 38: Processo implementado para coleta de pilhas e baterias... 83

Figura 39: Coletores de lixo com cores (NATURAL LIMP, 2006) ... 85

Figura 40: Coletores de lixo em cores (unidades separadas) (NATURAL LIMP, 2006) ... 85

Figura 41: Coletor com compartimento para lixo comum (NATURAL LIMP, 2006)

... 86

(8)

Figura 43: Coletor simples em tubo (NATURAL LIMP, 2006) ... 87

Figura 44: Contêiner (NATURAL LIMP, 2006) ... 88

Figura 45: Base de gastos com materiais em 2005 (base analisada) ... 89

Figura 46: Rede viva do papel... 93

Figura 47: Fluxo do açúcar ... 106

Figura 48: Fluxo do adoçante ... 107

Figura 49: Fluxo do açúcar sache ... 108

Figura 50: Fluxo para lanches ... 110

Figura 51: Fluxo para biscoitos e bolachas ... 111

Figura 52: Fluxo para frutas ... 112

Figura 53: Fluxo para o café ... 113

Figura 54: Fluxo para o chá ... 114

Figura 55: Fluxo para guardanapos ... 116

Figura 56: Fluxo para lã de aço ... 117

Figura 57: Fluxo para luva cirúrgica... 118

Figura 58: Fluxo para sucos... 119

Figura 59: Fluxo para papel almaço ... 120

Figura 60: Fluxo para jornais ... 121

Figura 61: Fluxo para revista Exame ... 122

Figura 62: Fluxo para revista Harvard Business Review... 123

Figura 63: Fluxo para envelopes ... 124

Figura 64: Fluxo para bobinas de papel... 125

Figura 65: Fluxo para geléia... 126

Figura 66: Fluxo para refrigerantes... 127

Figura 67: Fluxo para copo descartável (110ml) ... 128

Figura 68: Fluxo para canetas ... 129

Figura 69: Fluxo para lápis ... 130

Figura 70: Fluxo para clipes de papel... 131

Figura 71: Fluxo para papel lembrete ... 132

Figura 72: Fluxo para pastas plásticas... 133

Figura 73: Fluxo para transparências ... 134

Figura 74: Fluxo para papel toalha ... 135

Figura 75: Fluxo para protetor de assento sanitário... 136

Figura 76: Fluxo para placas de mictório ... 137

Figura 77: Consumo de energia elétrica de fevereiro a maio de 2006 (PURE-USP, 2006) ... 170

Figura 78: Consumo de energia elétrica em maio de 2006 (PURE-USP, 2006) . 170 Figura 79: Luminárias eficientes (ARCOWEB, 2006) ... 172

Figura 80: Consumo de água no dia 30 de maio (PURA-USP, 2006) ... 176

Figura 81: Consumo de água no ano de 2005 (PURA-USP, 2006) ... 176

(9)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Estrutura do Departamento de Engenharia da Produção em janeiro de

2006 ... 3

Tabela 2: Redução porcentual nos gastos de processos de reciclagem em relação aos processos de produção com matéria prima virgem (WORLDWATCH INSTITUTE, 1987) ... 24

Tabela 3 : Estimativa de uso de copos descartáveis por mês ... 44

Tabela 4: Padrões sugeridos para impressão de documentos ... 92

Tabela 5: Impacto nos gastos com papel A4 pelo uso de papel reciclado ... 94

Tabela 6: Exemplo de informações para requisição de projeto no PURE ... 98

(10)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BASF Empresa química

BTU British Thermal Unit

CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

CECAE -USP Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais da USP

CODAGE -USP Coordenadoria de Administração Geral da USP COESF-USP Coordenaria do Espaço Físico da USP

CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente EPUSP Escola Politécnica da USP

FAPESP Fundação de Ampara a Pesquisa do Estado de São Paulo

FUNDUSP Fundo de Construção da USP

IPPC Intergovernmental Panel on Climate Change IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas

LSP Laboratório de Sistemas Prediais

PCC Departamento de Construção Civil da POLI PEA Departamento de Energia e Automação da POLI PEAD Polietileno de Alta Densidade

PET Polietileno Tereftalato

POLI - USP RECICLA Projeto de análise de resíduos da EPUSP PURA Programa de Uso Racional da Água PURE Programa de Uso Eficiente da Energia

PUREFA Programa de Uso de Fontes Alternativas de Energia

(11)

SISGEN Sistema de Gestão da Energia Elétrica

TR Tonelada Refrigerada

UNEP United Nations Envinronment Programme

USP Universidade de São Paulo

USP RECICLA Programa de reciclagem da USP

ZERI Zero Emissions Research & Initiatives

(12)

SUMÁRIO

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

...2

1.1. H

ISTÓRICO E

E

STRUTURA

F

ÍSICA

... 2

1.2. F

UNDAÇÃO

V

ANZOLINI

... 4

1.3. S

ITUAÇÃO ATUAL

... 4

2. CONCEITOS

...8

2.1. E

MPRESA

V

IVA

... 8

2.2. I

MPA CTO AMBIENTAL

... 9

2.3. D

ESENVOLVIMENTO

S

USTENTÁVEL

- C

ONCEITO

... 11

2.4. D

ESENVOLVIMENTO

S

USTENTÁVEL

- P

RÁTICA

... 14

3. CASOS DE SUCESSO

...17

3.1. G

ENERAL

M

OTORS DO

M

ÉXICO

... 17

3.2. BASF ... 17

3.3. C

ERVEJARIAS SUSTENTÁVEIS

... 19

3.4. AMBEV ... 20

4. CONCEITOS APLICADOS

...23

4.1. O

S

3 R’

S

... 23

4.2. G

ESTÃO

C

OMPARTILHADA DE

R

ESÍDUOS

S

ÓLIDOS

... 25

5. ESTUDOS DE CASO

...28

5.1. USP R

ECICLA

... 28

5.2. POLI - USP R

ECICLA

... 32

6. ESTRUTURA DO TRABALHO...35

6.1. A

NÁLISE DO USO DOS MA TERIAIS

... 35

6.2. A

NÁLISES DO USO DE ENERGIA E USO DE ÁGUA

... 37

7. ANÁLISE DO USO DOS MATERIAIS

...39

7.1. L

EVANTAMENTO DE DADOS

... 39

7.2. F

LUXO DOS MATERIAIS

... 40

7.3. R

ECICLAGEM

... 54

7.4. P

ILOTO DE RECICLAGEM

... 69

7.5. D

EFINIÇÃO DO PROCESSO DE RECICLAGEM

... 81

7.6. R

EDUÇÃO DO USO E REUTILIZAÇÃO

... 88

8. GESTOR DO LIXO

...96

9. ANÁLISE DO USO DE ENERGIA ELÉTRICA E DE ÁGUA...98

9.1. P

ROJETO

- PURE ... 98

10. CONCLUSÃO

... 101

LISTA DE REFERÊNCIAS

... 103

ANEXOS

... 106

(13)

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

CONSIDERAÇÕES

INICIAIS

(14)

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1. Considerações iniciais

1.1. Histórico e Estrutura Física

O Departamento de Engenharia de Produção foi fundado em 1958, com a participação, entre outros, dos professores Ruy Aguiar da Silva Leme, Américo Oswaldo Campiglia e Marcos Pontual. Inicialmente, funcionou no Bairro da Luz e em 1965 mudou-se para o prédio de Engenharia Mecânica na Cidade Universitária, onde ficou até o final de 1973. Em janeiro de 1974, transferiu-se para o 2o andar do prédio J. O. Monteiro de Camargo, onde está instalado até hoje.

Em 1967 houve a criação da Fundação Carlos Alberto Vanzolini pelos professores do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo , com a finalidade de divulgar os conhecimentos científicos e tecnológicos inerentes à Engenharia de Produção e à Administração Industrial, visando ao aperfeiçoamento de estudo das disciplinas pertinentes, e respectiva didática.

Na tabela 1 é possível ver a estrutura do Departamento da Engenharia de

Produção, na estrutura física foi considerado o espaço ocupado pela Fundação

Vanzolini no campus porque toda a estrutura física é de responsabilidade do

departamento. E mesmo porque nas considerações de consumo de água e luz a

estrutura ocupada pela Vanzolini é considerada em conjunto com o departamento .

(15)

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Tipo Nº Comentário

Professores - Período Integral 25 RDIDP

Professores - Período Parcial 16 RTC / RTP

Funcionários Administrativos 7

Funcionários - Limpeza 6 Terceirizados

Alunos de Graduação 301

Alunos de Pós-Graduação 132

Salas de Professores 29

Salas de Reunião / Projetos 7

Salas de Escritório 11 Incluindo salas de secretárias

Salas de Aula 12

Copa 2

Almoxarifado 1

Sala de Café 1

Sala de Manutenção de Informática 1

Salas de Computadores 2

Laboratório LTE 2

Banheiros 7

Salão 1

Secretaria 1

Salas de Estudo 9

Copa 1

Banheiro 1

Telefones 40

Impressoras 43

Copiadoras 2

Computadores 102

Projetores 14

Bebedouros 10 Apenas 3 são de responsabilidade do Departamento

Máquinas de Café 2

Fogões 2

Pias - Copa 3

Pias - Banheiros 19

Vasos Sanitários 24

Mictórios 14

Biblioteca (responsabilidade do serviço de bibliotecas da POLI)

ESTRUTURA DE EQUIPAMENTOS (Departamento de Engenharia de Produção) ESTRUTURA DE PESSOAL (Departamento de Engenharia de Produção)

ESTRUTURA FÍSICA (Departamento de Engenharia de Produção e Fundação Vanzolini)

Tabela 1: Estrutura do Departamento de Engenharia da Produção em janeiro de

2006

(16)

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1.2. Fundação Vanzolini

A intenção do trabalho nas análises de materiais era considerar a Fundação Vanzolini, mas não houve como coletar as informações de consumo da fundação, já que não havia os dados de consumo, havia apenas os dados contábeis.

No segundo semestre de 2006 foi montada uma equipe da fundação para elaborar planos de ação para reciclagem, este trabalho também será base para o trabalho desta equipe.

1.3. Situação atual

Departamento

No Departamento de Engenharia de Produção da EPUSP não há ações institucionais quanto ao tratamento do lixo gerado, economia de água ou de energia. Houve ações do PURE - USP (Programa de Uso Eficiente de Energia da Universidade de São Paulo) relativas à economia de energia entre 2001 e 2002 devidas ao racionamento. A situação atual do departamento não condiz com a situação ideal de uma instituição de ensino público, seja pelo papel educador da instituição frente à sociedade, seja pelos recursos escassos no ensino público superior no país.

Lixo

Estima-se que diariamente produz-se 2 milhões de toneladas de resíduos sólidos domiciliares no mundo, o que ao ano significa 730 milhões de toneladas. Nos países do norte do hemisfério, a média de geração de resíduos por habitante é bastante superior a de países do sul: o Canadá chega a produzir 1,9 kg por pessoa/dia, os Estados Unidos 1,5 kg/dia, na Índia já desce para 0,4 kg/dia e no Brasil a média é de 0,7 kg/dia. De fato, em alguns segmentos sociais mais pobres, com poder aquisitivo mínimo, este número pode baixar para 0,3 kg ou até menos. Nos países mais pobres, a média oscila entre 0,4 e 0,9 kg/dia por habitante (World Health Organization, 1995).

No Brasil são produzidas 130 mil toneladas de resíduos domiciliares ao dia, por

ano são 47,5 milhões de toneladas. Uma parcela mínima dos municípios destina

(17)

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

seus resíduos para reciclagem, são cerca de 135 municípios com sistemas de coleta seletiva no país . (CEMPRE, 2006).

Já São Paulo, produz 15 mil toneladas de lixo por dia e como menos de 1% é reciclado, o aterro sanitário acaba sendo o destino de quase todo ele. Acontece que os dois aterros sanitários estão no limite. No maior, as camadas de lixo e terra já atingiram 130 metros de altura. Os aterros não têm mais para onde crescer, estão cercados por estradas, a cidade e a mata atlântica, o que é um péssimo sinal. Pelo estudo da empresa de controle ambiental do Estado, a capacidade dos aterros esta se esgotando e até agora não se tem um plano para definir o que fazer com o lixo nos próximos anos e não há mais terrenos adequados para serem transformados em aterros sanitários no município de São Paulo. (CEMPRE, 2006).

Energia

A crise energética no Brasil teve seu momento mais crítico entre 2001 e 2002 com os apagões, todo o país se mobilizou para economizar energia naquele período quando se sentiram ameaçados pela sua escassez num futuro próximo. Poucos anos se passaram e a questão foi esquecida e só relembrada agora com o período eleitoral, graças às propostas de crescimento econômico dos candidatos.

A grande questão é como o Brasil será capaz de crescer o quanto os políticos prometem sem um plano energético adequado a este crescimento. O primeiro passo seria reduzir o consumo de energia atual. Convencer os maiores gastadores, a indústria nacional, é mais simples, pois reduzir seu consumo leva a reduzir significativamente seus gastos, o que pode ser feito para ajudá-las é incentivar a compra de equipamentos mais eficientes, através de redução de impostos, por exemplo. Já convencer as pessoas de mudarem seus hábitos, tanto em seus domicílios quanto em seus ambientes de trabalho se torna mais complicado.

Compreender que a energia elétrica não é um recurso simples de gerar é um

passo enorme para que as pessoas passem a entender que os seus custos

tendem a aumentar consideravelmente se o seu uso não for racional.

(18)

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Água

A situação dos recursos hídricos no país ainda não foi exposta da mesma maneira que o problema energético, pois se trata de um recurso em abundância para parte da população brasileira. Os problemas que ocorrem são isolados e, em geral, devidos a problemas climáticos que se refletem no esvaziamento de reservatórios, impedindo que algumas cidades e comunidades tenham acesso a água tratada, mas não que este problema seja pequeno ele é relevante e mostra que há problemas no gerenciamento dos recursos hídricos no país.O que pode ser feito é evitar o desperdício, que é o que todo cidadão e toda instituição pode fazer, através de mudanças de hábitos e troca de equipamentos.

(19)

CONCEITOS

CONCEITOS

(20)

CONCEITOS

2. Conceitos

2.1. Empresa Viva

O mercado, conforme evoluiu com o capitalismo, se tornou imprevisível, dinâmico e em permanente busca pelo crescimento econômico, o qual se caracteriza pelo aumento progressivo de lucros e valores das ações das empresas. Já estas, na figura dos seus líderes, se mostram inseguras pela falta da plena compreensão das regras que ditam esse mercado e, logo, não conseguem prever o que deve ser feito para se adequar ao que ainda está por vir.

Para atender o dinamismo desse mercado foram criados sistemas complexos, que representam avanço tecnológico e o aumento de possibilidades que para o ser humano. Mas, com o passar do tempo, estes sistemas passaram a reger o dia a dia das pessoas, da sociedade, das empresas e demais organizações e hoje se percebe que a falta de controle desses sistemas criados por nós mesmos resulta, concomitantemente, num temor da destruição do nosso habitat, ameaçando a própria sobrevivência da humanidade.

Uma empresa viva para poder solucionar esse problema muda sua concepção, deixa de priorizar o lucro e valor das ações e passa a focar nos seres humanos, institucionalizando projetos de auto-sustento.

Os líderes das empresas não conseguem extrair o resultado esperado das propostas implementadas nesse sentido e apontam obstáculos para essa mudança. Segundo Capra (2002), há um paradoxo nas organizações atuais quanto suas intenções: aumentar o lucro, o valor das ações, o poder político e ao mesmo se constituírem por grupos de pessoas (ou comunidades) que interagem entre si buscando atingir seus objetivos pessoais, que cada vez mais se distanciam dos interesses das empresas.

Isso nos esclarece a dificuldade das organizações quanto à unidade de ação

frente às transformações. As pessoas têm uma resistência natural às imposições

e isso torna mais dificultoso o processo de mudança, e é isso que os líderes

desconhecem, que as transformações devem ser vivenciadas como um processo,

ou seja, as pessoas são atraídas pelas mudanças ao seguir um percurso mais

natural possível.

(21)

CONCEITOS

Para isso Capra (2002) sugere que compreender a vida na natureza é passo fundamental para estabelecer essa transformação, porque num sistema vivo as mudanças sempre são absorvidas por todos seus elementos e toda força está na rede criada dentro do sistema, é ela que dissemina a transformação e torna a adaptação do sistema viável. Num sistema vivo maduro nada é desperdiçado, tudo se transforma, o que um elemento da rede considera resíduo o outro considera alimento assim tornando tudo cíclico e todos interdependentes. Assim o grande salto está em inserir esse conceito nas empresas, encarando a empresa como um sistema vivo dentro de um sistema maior em que todos participam, e que uma mudança em qualquer elemento da rede requer transformações e adaptações em todos seus elementos. Com essa rede em funcionamento todos seus elementos ficam mais sólidos e preparados para mudanças porque a informação e os materiais fluem naturalmente entre eles tornando todos sensíveis ao estado global do sistema.

Essa concepção de empresa contrasta com a visão atual, na qual a empresa é tida como uma máquina que tem seus processos independentes do sistema a sua volta, que tem um fluxo linear que deve ser seguido a todo custo e impossibilita a flexibilidade e criatividade de quem a controla.

Enquanto na organização viva se articulam os conceitos de compreensão, parceria, renovação, flexibilidade e reconhecimento, na organização máquina utilizam-se conceitos de controle, demandas, exigências, hierarquia e coerção.

2.2. Impacto ambiental

Segundo os economistas, líderes políticos e líderes empresariais a nova economia global, ratificada com o desmoronamento do socialismo no fim da década de 1990, leva a uma expansão que beneficia em cadeia todas as pessoas com o crescimento econômico.

Porém percebe-se um equívoco, pois o capitalismo atual, por eles formulado,

somente agravou a pobreza e a exclusão social. (Capra apud Castells, 2000). A

nova economia não previu esse resultado porque foram desconsiderados pelos

economistas os custos sociais e ambientais na busca contínua e indiferenciada

pelo crescimento econômico.

(22)

CONCEITOS

As novas atividades financeiras privilegiaram quem já possuía o capital, concentrando-o ainda mais nas mãos destes indivíduos, contrário do previsto pelos neoliberalistas, acentuando a exclusão social. Da mesma forma o meio ambiente natural foi prejudicado, com o crescimento econômico, também cresce, a necessidade do uso de recursos naturais, seja na forma de matéria prima, energia, água, combustíveis, etc. A falta de consciência e prioridade ao atender as demandas crescentes do mercado em expansão levou as empresas a tomar iniciativas unilaterais sem se preocupar com os problemas ambientais que surgiriam das suas ações.

Nesse sentido, os países ricos, representados por suas empresas, acabaram se utilizando dos recursos naturais dos países pobres, que por sua vez se submeteram a essa exploração, pois se tratava da única maneira de participar da economia global e tentar compartilhar deste crescimento. Essas empresas se aproveitaram de leis ambientais menos rígidas, mais abrangentes ou de falta de fiscalização adequada (poucos fiscais, subornos, pressões políticas, etc.) de países subdesenvolvidos e protegeram seus lucros com a desculpa do livre comércio. Da mesma maneira, com a exaustão dos mercados nos países ricos, essas empresas entraram nos mercados destes países pobres interferindo no estilo de vida das pessoas, impondo um consumismo incompatível com a sustentabilidade do planeta. Segundo Capra (2002), “é instrutivo comparar essas situações a das redes ecológicas... A dominação (ou soberania) existe, mas é sempre exercida dentro de um contexto maior de cooperação, mesmo nas relações entre predador e presa. As múltiplas espécies do ecossistema não se distribuem em hierarquia, como se diz equivocadamente, mas existem melhores dentro de redes. Há uma diferença crucial entre as redes da natureza e as redes empresariais da sociedade humana. Num ecossistema nenhum ser é excluído da rede, até mesmo as menores dentre as bactérias, contribuem para a sustentabilidade do todo, já no mundo humano da riqueza e do poder, grandes segmentos da população são excluídos das redes globais e se tornam insignificantes do ponto de vista global”. Logo, a exclusão desses grupos, cada vez mais numerosos, impossibilitam o sucesso do sistema como um todo.

Uma análise racional mostra a insustentabilidade da nova economia global. Esse

capitalismo tem que ser revisado desde suas bases tendo em vista a

(23)

CONCEITOS

imprevisibilidade e o caráter auto-destruidor que ameaça a sobrevivência do sistema no qual vivemos.

Toda ação gera uma reação, e a natureza sempre converge para um equilíbrio dinâmico, uma situação estável, mas as ações atuais estão gerando reações que aos poucos tornam o meio-ambiente inóspito. O desmatamento, crescimento populacional, o não tratamento de rejeitos industriais (sólidos, líquidos e gasosos), tudo isso fragiliza os ecossistemas e desregula as condições climáticas.

Para muitos não há como mudar o sistema capitalista em que vivemos, alegam que apesar de ser o mais correto rever os valores que imperam hoje não há como mudar as regras atuais, entretanto o sistema foi criado por homens e assim pode ser revisto ou repensado, há diversos estudos com propostas de meios para inserir esses novos valores na sociedade, o que falta é vontade política para a viabilização.

Os primeiros passos para estabelecer a direção deste novo modelo seriam uma legislação rigorosa, uma atividade empresarial ética e tecnologia (processos) eco- eficientes.

A comunidade sustentável se constitui de maneira que seu tipo de vida ou seu jeito de viver não se oponha à capacidade intrínseca da natureza sustentar a vida.

Como membros da comunidade global, que inclui todos os seres vivos e os ambientes que os hospedam, é preciso ter essa consciência, mesmo como cidadãos, de buscar e garantir a qualidade de vida, da nossa e de gerações futuras, sendo este o significado da sustentabilidade.

2.3. Desenvolvimento Sustentável - Conceito

O conceito de sustentabilidade foi criado na década de 1980 por Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute que definiu a sociedade sustentável como aquela que é capaz de satisfazer suas necessidades sem comprometer as chances de sobrevivência das gerações futuras.

Como já foi discutido o atual modelo de crescimento econômico gerou enormes

desequilíbrios; se, por um lado, nunca houve tanta riqueza no mundo, por outro

lado, a pobreza, a degradação ambiental aumentam dia-a-dia. Diante desta

(24)

CONCEITOS

desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e com o fim da pobreza no mundo.

Para se garantir a sustentabilidade, a proteção do ambiente tem que ser ressignificada como parte do processo de desenvolvimento , ela não pode ser considerada isoladamente. Para tal, passa a ser importante entender a diferença entre crescimento e desenvolvimento, o primeiro não conduz automaticamente à igualdade nem à justiça social, pois não leva em consideração nenhum outro aspecto da qualidade de vida a não ser o acúmulo de riquezas, que se faz nas mãos apenas de alguns indivíduos da população. O desenvolvimento, por sua vez, preocupa-se com a geração de riquezas sim, mas tem a intenção de distribuí-las e de melhorar a qualidade de vida de toda a população, levando em consideração, portanto, a qualidade ambiental do planeta. O desenvolvimento foca o todo enquanto o crescimento somente o indivíduo.

Capra (2002) sugere dois passos para as organizações chegarem ao desenvolvimento sustentável usando os conceitos básicos da vida. O primeiro passo é o que ele chama de alfabetização ecológica, ou seja, a compreensão dos princípios dos sistemas vivos. Entender o desenvolvimento dos ecossistemas para sustentar a vida através de seis princípios básicos:

• Redes: as redes são as ligações que os sistemas vivos fazem entre si para atingir o equilíbrio do sistema maior a qual pertencem;

• Ciclos: para sobreviver, os sistemas, recebem fluxos contínuos de matéria e energia do ambiente, mas no processo também são gerados resíduos, que desaparecem no sistema maior, como um todo, já que o resíduo de um sistema é o alimento de outro, logo, os resíduos circulam continuamente dentro da rede, dentro de ciclos;

• Energia solar: fonte primária de toda a energia;

• Parcerias: a cooperação, através das redes formadas, promove a sustentabilidade de todos dentro de um sistema;

• Diversidade: quanto maior a diversidade de seus elementos (sistemas

menores) mais forte é o sistema e mais capaz é ele de se recuperar de

eventuais desequilíbrios, quanto mais sistemas vivos em rede um sistema

(25)

CONCEITOS

possuir, menor é o impacto da falta de funcionamento de um de seus sistemas;

• Equilíbrio dinâmico: cada sistema não pretende chegar num valor máximo, todos estão interligados dentro de redes e buscam o valor ótimo do sistema maior no qual estão inseridos.

Esses conhecimentos devem estar alinhados em todas as esferas da sociedade para que seja possível a implementação do desenvolvimento sustentável. Aqui eles estão apresentados de maneira genérica, mas caso a caso é possível organizar as redes formadas entre as organizações.

O segundo passo se trata de estabelecer um projeto ecológico e aplicar esses conhecimentos da alfabetização ecológica na reformulação de tecnologias e das organizações. É a moldagem de fluxos de energia e de materiais feita em vista dos fins humanos, é montar os processos de interesses econômicos dentro da grande rede e fluxos do meio-ambiente, em seu estado natural.

Ainda não há unidade de concepção e ação de desenvolvimento sustentável entre

os grupos envolvidos: governos, empresas, grupos que atuam com o meio-

ambiente e grupos interessados em acabar com a exclusão social, isso impede

que o movimento ganhe força chegando ao grande público. Visto que grupos

ambientais questionam o termo desenvolvimento e também ressentem não terem

sido ambientalistas os criadores do conceito, a UNEP (United Nations

Environment Programme) também tem as mesmas restrições por não ter

participado da concepção do modelo, grupos desenvolvimentistas não acham que

o modelo atenderá às necessidades atuais da população, governos evitam o tema

por não se enquadrar dentro de um ministério ou departamento sendo um

conceito que exige um nível de integração e alinhamento inatingíveis pela

estrutura atual das instituições públicas, acadêmicos não gostam do tema por não

conseguirem enquadrá-lo em uma disciplina e por considerar o tema vago com

várias definições recorrentes, e por último, o grande público se incomoda com as

mudanças necessárias não só nas organizações, mas no estilo de vida delas

mesmas que na visão delas será afetado retirando o conforto e acrescentando

tarefas (separar o lixo, reduzir o uso de água e energia, etc.). (Capra, 2002).

(26)

CONCEITOS

2.4. Desenvolvimento Sustentável - Prática

O que foi apresentado até aqui foi uma visão ideológica do desenvolvimento sustentável, que não reflete as razões reais pelas quais as corporações investem neste conceito .

O conceito por trás da sustentabilidade que as empresas empregam é o conceito dos 3P’s, Planet, People e Profit (planeta, pessoas e lucro). Sempre a sustentabilidade está vinculada ao lucro, nenhuma ação é levada à frente por ser uma boa ação ou um ato altruísta.

Medidas sustentáveis podem ajudar uma corporação a aumentar os lucros de diversas maneiras: diminuindo custos, eliminando desperdícios, aumentando o faturamento e aumentando a produtividade dos processos da empresa em geral.

Aqui estão algumas maneiras pelas quais a sustentabilidade se paga e levam as empresas a investirem no conceito.

Empresas sustentáveis conseguem atingir um público mais criterioso, que vê valor nessas ações e está disposto a pagar mais por produtos destas empresa, logo as empresas que investem em sustentabilidade tem uma estratégia de diferenciação com foco no mercado de consumidores eco-conscientes. O ganho com essa melhoria de imagem e subseqüente valorização da marca é difícil de ser mensurado, mas é possível ver o reflexo do valor de medidas sustentáveis nas estratégias de precificação de empresas que promovem o desenvolvimento sustentável.

A sustentabilidade envolve utilizar os recursos da melhor maneira possível, logo envolve trabalhos para a redução do uso e reutilização de matérias primas, água e energia, por exemplo, e assim leva a empresa a gastar menos com esses recursos, reduzindo gastos e/ou aumentando a produtividade de seus processos.

Da mesma maneira as empresas sustentáveis trabalham para reduzir e tratar seus resíduos, assim elas evitam gastos com multas, reduzindo o risco do negócio e diminuindo também os prêmios de seguro para riscos ambientais.

Em alguns casos as empresas também conseguem ganhar através de créditos

ambientais, estes créditos funcionam da seguinte maneira, empresas de um setor

(27)

CONCEITOS

da indústria recebem bônus negociáveis, metas e prazos para redução de emissão de poluentes das agências reguladoras, as empresas que falharem em atingir as metas nos devidos prazos são obrigadas a comprarem os bônus das empresas que obtiveram sucesso.

Segundo Scharf (2004), há três meios que fazem com que as empresas mudem, passando a seguir um modelo sustentável: mecanismos de comando e controle, instrumentos econômicos e auto-regulação.

Mecanismos de comando e controle são normas governamentais que definem padrões máximos de emissões ou limites para toxicidades de um determinado produto ou processo, estes mecanismos pressupõe uma estrutura eficaz de fiscalização.

Instrumentos econômicos são também ações do governo, se tratam de impostos, taxas e subsídios diretos ou indiretos. São incentivos do governo para que as empresas tomem o rumo da sustentabilidade.

A auto-regulação se trata de ações das empresas sem incentivo do governo, estas ações são realizadas para se aproximar dos stakeholders de modo a reduzir algum efeito negativo sobre os lucros da empresa, seja através de certificações ou de um trabalho para melhorar a sua imagem.

Portanto as empresas têm diversas razões para buscar a sustentabilidade, razões

estas que envolvem ganhos ou evitam gastos, mas nunca se tratam de ações de

caridade. Logo, os principais impulsos em direção da sustentabilidade estão nas

mãos da sociedade e seus representantes, o governo, que deve regular e

incentivar as ações das empresas.

(28)

CASOS DE SUCESSO

CASOS DE SUCESSO

(29)

CASOS DE SUCESSO

3. Casos de sucesso

Nesta seção serão apresentados casos de sucesso de empresas que conseguiram modificar as maneiras de realizar suas atividades considerando o sistema a sua volta, mudando paradigmas e atingindo novos patamares de sustentabilidade.

3.1. General Motors do México

O complexo Automotivo Ramos Arzipe está localizado numa região árida do México, onde a única e pequena fonte de água contém um alto grau salino. Com o crescimento do complexo industrial, cresceu a sua necessidade de água, mas, ao mesmo tempo, decresciam os níveis de água, assim como os limites de retirada e os nível de efluentes que poderiam ser despejados na água.

Com esse cenário, foram definidos passos para economizar o consumo de água dos poços. O primeiro passo foi buscar oportunidades de economia da água através da busca por vazamentos e desperdícios. O segundo passo foi reduzir o consumo de água para eliminar dejetos sanitários e industriais, e reutilizar essa água tratando os efluentes.

Mesclando técnicas simples como bacias de evaporação solar e técnicas com alta tecnologia como filtragens por membranas, foi possível reutilizar quase 70% das águas desperdiçadas anteriormente.

Assim, de 1986 para 2000 o consumo de água do poço caiu de 1.470.000 m³ de água para 700.000 m³, o consumo de água para fabricação de um veículo caiu de 32 m³ para 2,2 m³ e o mais impressionante é que esses indicadores caíram e a produção de veículos da fábrica aumentou em sete vezes, a produção de motores subiu 50% em volume e foi aberta uma nova fábrica de transmissões em 2000 (SCHMIDHEINY et al., 2002).

Com a água se tornando um recurso escasso na região, a General Motors se viu

obrigada a buscar alternativas para reutilização e redução do uso deste recurso,

fazendo isso evitou o investimento em uma nova fábrica em outro local e ainda

criou uma referência para o uso de água nas suas outras fábricas.

(30)

CASOS DE SUCESSO

A BASF em conjunto com a consultoria Roland Berger criou uma ferramenta estratégica para incluir os custos ambientais em análises de diversos projetos relacionados a importantes produtos e processos da empresa.

A ferramenta gera um gráfico de dois eixos, um com o custo ambiental e outro com o custo total do produto ou processo. Assim é possível comparar vantagens ecológicas e econômicas dos projetos.

A avaliação ambiental do projeto leva em consideração:

• Consumo de matérias-primas;

• Consumo de energia;

• Emissões e descarte de resíduos;

• Toxidade potencial dos materiais;

• Riscos potencias; e

• Uso da terra.

A ferramenta foi utilizada, por exemplo, para avaliar a maneira mais barata e menos danosa ao meio-ambiente de transportar 25.000 toneladas de estireno por 115 quilômetros entre duas cidades holandesas, havia as opções de levar de trem ou de caminhão. Economicamente o transporte rodoviário era mais vantajoso, mas ao avaliar o consumo de energia, as emissões de resíduos e danos a saúde dos trabalhadores, o meio de transporte escolhido foi o ferroviário.

Com a ferramenta a BASF, desde 2000, consegue aprimorar seus produtos e processos. Ao mesmo tempo permite que ela crie condições de monitorar as metas de pesquisa e desenvolvimento (SCHMIDHEINY et al., 2002).

A avaliação do custo ambiental por empresas químicas como a BASF não pode

ser considerada uma boa ação, se trata um movimento que faz parte de um

trabalho para reconstruir a imagem da empresa frente a um crescente público

eco-consciente. A indústria química foi uma das primeiras a sofrer com críticas de

ambientalistas nas décadas de 1970 e 1980, logo hoje ela é a indústria que mais

evoluiu no caminho da sustentabilidade, modificando seus processos e tratando

seus resíduos. Outras indústrias só estão começando a sofrer impactos

(31)

CASOS DE SUCESSO

significativos na sua imagem agora, na medida em que a consciência ecológica de seus consumidores evoluiu.

3.3. Cervejarias sustentáveis

Uma cervejaria tradicional produz cerveja, mas também produz lixo orgânico jogando fora um material rico em nutrientes. Como o lixo é orgânico ele poderia ser considerado de baixo impacto ambiental, mas devido ao alto uso de água na produção de cerveja (mais de 20 litros de água para 1 litro de cerveja) ele é considerado um problema.

No processo muitas proteínas e nutrientes dos grãos não são aproveitados, os grãos usados poderiam servir de alimento para animais, só que estes grãos não são facilmente digeridos por eles e o resultado dessa indigestão é a emissão de gás metano por esses animais.

Os grãos usados são ricos em fibras e proteínas, logo são um excelente substituto para farinha em pães. Outra oportunidade é misturar esses grãos com outras fibras, nessas condições os grãos se tornam um ingrediente valioso para a produção de cogumelos. A figura 1 mostra um saco com cereais usado para produzir cogumelos.

A vantagem de usar os grãos para produzir cogumelos é que os cogumelos tornarão os grãos digeríveis para os animais aumentando sua quantidade de proteínas, e ajudando no crescimento dos animais e a qualidade da carne deles.

Em seguida, os dejetos dos animais podem ser levados a um biodigestor junto com a água desperdiçada na produção da cerveja. O biodigestor gera biogás e uma solução nutritiva, por sua vez esta pode ser levada a um dique raso onde algas, através de fotossíntese, poderão digerir a solução e mais tarde serem levadas a um viveiro de peixes, onde os peixes comerão as algas e o sistema do viveiro já estará preparado para lidar com os futuros dejetos desta e tapa.

Agregando valor, foram usados todos os resíduos da produção da cerveja e os

resíduos dos processos subseqüentes de maneira a criar mais empregos, maior

receita e um ambiente melhor. Existem cervejarias funcionando desta maneira no

Canadá, na Namíbia e na Suécia (ZERI, 2006).

(32)

CASOS DE SUCESSO

Essas cervejarias já foram criadas com os conceitos de sustentabilidade, mas ao mesmo tempo que ela nasce com um sistema completo, onde todo resíduo é reaproveitado de alguma maneira, ele também fornece mais fontes de receita para empresa e gera diferenciação da marca.

Figura 1: Cogumelos provenientes dos grãos usados na fabricação de cerveja (ZERI, 2006).

3.4. AMBEV

Poucos negócios no país têm resultados financeiros tão bons quanto a AMBEV, com 70% do mercado de cervejas no país teve, nos últimos três anos, um aumento de 50% da produção e dobrou o seu faturamento.

Nessa busca por melhores resultados uma diretriz foi definida pelos executivos da empresa: produzir mais com menos. Foi essa idéia fixa que levou a empresa a se tornar um modelo de eco-eficiência.

Energia

Para reduzir o uso de óleo combustível e gás natural algumas fábricas da

empresa passaram a usar o biogás, a partir da decomposição do material

orgânico gerado no processo de tratamento de água, e a queima de biomassa,

queimando paletes velhos de madeira, cascas de babaçu e serragem. Com essas

(33)

CASOS DE SUCESSO

Resíduos

Para a empresa o processo de fabricação de cerveja não gera mais resíduos, mas sim subprodutos. O bagaço do malte é vendido para fábricas de rações, o fermento rejeitado pode ser vendido tanto para fábricas de rações quanto para a produção de sopas e caldos, e as embalagens como latas e cacos de vidros são 100% reaproveitadas, tendo seus rótulos retirados e vendidos como matéria- prima para empresas de papel. Com a venda desses subprodutos a AMBEV conseguiu, em 2005, 51milhões de reais.

Água

A empresa passou a reaproveitar a água do processo industrial para lavar o chão por exemplo, passou a enxaguar os engradados com a mesma água que havia enxaguado as garrafas e passou a utilizar a mesma água que, na pasteurização, aquece a cerveja para esfriá-la. Com isso a AMBEV conseguiu criar uma nova referência mundial para uso de água na fabricação de cerveja, 3,4 litros de água para cada litro de cerveja produzido (a referência anterior era de 3,7 litros).

Para empresa isso representou ganhos financeiros claros, e ao mesmo tempo

trouxe benefícios ambientais para a sociedade com suas medidas.

(34)

ESTUDOS DE CASO

CONCEITOS

APLICADOS

(35)

ESTUDOS DE CASO

4. Conceitos Aplicados

4.1. Os 3 R’s

Os 3 Rs: Redução, Reutilização e Reciclagem - são os passos para que indivíduos, instituições e governos, segundo a Agenda 21

1

, consigam realmente minimizar a exploração de recursos naturais, o impacto ambiental de nossa sociedade urbano-industrial e, enfim, a quantidade do nosso lixo (USP RECICLA, 2006).

A redução é o passo inicial e mais efetivo na diminuição do impacto ambiental, é a adoção de medidas para se reduzir o gasto na outra ponta em relação à geração do lixo, implica uma diminuição no próprio uso, no consumo e no desperdício de materiais. Assim, a redução é uma revisão nos atuais padrões de consumo.

A reutilização, por sua vez, é representada pelas atividades que aproveitam produtos antes de seu descarte como reuso direto (usar o verso de folhas de papel e guardar vasilhames, por exemplo), restauros, trocas de usados, artesanato com sobras, etc.

A reciclagem é o tratamento dos materiais descartados, com alteração de suas características físicas. Diferente da reutilização, a reciclagem envolve um reprocessamento do material. A reciclagem pode ser direta (pré-consumo) ou indireta (pós-consumo), a direta é mais comum em processos industriais quando são reprocessados materiais descartados na própria linha de produção, como aparas de papel, rebarbas metálicas, etc., já os indiretos se trata da reciclagem mais comum quando são reprocessados materiais que foram descartados como lixo por seus usuários.

Como é possível observar, os 3 Rs estão numa seqüência relacionada ao impacto ambiental de cada ação. É melhor evitar o descarte de materiais do que reutilizar os materiais usados, que por sua vez é melhor que separar os materiais

1

“A Agenda 21 é um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, por organizações do

sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana

impacta o meio ambiente. Constitui-se na mais abrangente tentativa já realizada de orientar para u m novo

padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo alicerce é a sinergia da sustentabilidade ambiental, social

(36)

ESTUDOS DE CASO

descartados para reciclagem. Deixar de produzir lixo é mais interessante do que reciclá-lo, parece óbvio, mas quando começou a onda de reciclagem no mundo isso deixou de ser claro, as pessoas tendiam a se concentrar em buscar oportunidades de reciclagem em vez de diminuir o uso desses materiais descartáveis. Quando o consumo e o desperdício diminuem, a própria necessidade de produção de bens e, portanto, o uso de matéria-prima, água e energia diminuem conjuntamente, preservando diversos outros recursos naturais.

A reciclagem, ainda que contribua para diminuir o volume de lixo destinado aos lixões e aterros e contribua para a recuperação de materiais, água e energia, não deve ser uma ação desvinculada dos 2 primeiros Rs, pois caso contrário ela poderia servir para legitimar o desperdício. (USP RECICLA, 2006).

Na tabela 2 é possível ver que apesar de apresentar menor impacto ambiental que o processo de produção original de cada material, a reciclagem, como atividade industrial, também consome água e energia, polui o ar e a água, e gera seus próprios resíduos. A reciclagem de papel, por exemplo, embora polua o ar e a água menos que o processo tradicional (35% e 74%, respectivamente), produz um efluente com fibrículas e sulfato de alumínio e libera gases como monóxido de carbono e dióxido de enxofre, quando da queima de combustíveis durante a secagem, e fuligem, se for usada lenha (CEMPRE, 1995).

Papel Vidro Ferro Alumínio Plástico Uso de energia 23-74 % 4-32 % 47-74 % 90-97 % 89 %

Uso de água 58 % 50 % 40 % - -

Poluição de água

35 % - 76 % 97 % -

Poluição do ar 74 % 20 % 85 % 95 % -

Uso de

matéria-prima

Redução de 20 árvores / ton. papel

100 % 90 % 75 % -

Tabela 2: Redução porcentual nos gastos de processos de reciclagem em relação aos processos de produção com matéria prima virgem (WORLDWATCH

INSTITUTE, 1987)

(37)

ESTUDOS DE CASO

Uma ressalva se torna necessária, apesar da redução do uso e a reutilização serem amplamente favoráveis ambientalmente, elas perdem força socialmente quando atrapalham a economia que envolve os processos de reciclagem, nas grandes cidades brasileiras existem milhares de pessoas que vivem da econo mia do lixo. Elas vivem de recolher, separar, vender e reciclar lixo, sejam catadores autônomos, cooperativas ou recicladores (empresas ou cooperativas que transformam o material descartado em matéria-prima para as empresas que produzem e comercializam os materiais). A redução drástica do uso afeta diretamente a subsistência desse grupo.

4.2. Gestão Compartilhada de Resíduos Sólidos

Antes a gestão de resíduos era vista como uma questão de engenharia. A coleta do lixo e sua destinação estariam resolvidas se houvesse um eficiente sistema de limpeza urbana.

Embora, segundo a Constituição Brasileira, o poder público municipal seja responsável pela coleta de lixo nas cidades, o acondicionamento e, principalmente, a geração dos resíduos compete a cada um de nós. Neste sentido, profissionais da área ambiental e saneamento têm mudado o foco de seus esforços. Mais do que aprimorar sistemas e investir em tecnologias, equacionar o problema do lixo depende da co-responsabilização da comunidade, de um novo modelo de gestão socialmente compartilhada dos resíduos.

Os programas de gestão compartilhada de resíduos enfrentam hoje alguns desafios que não foram e dificilmente poderiam ser previstos há alguns anos.

Estas iniciativas de parcerias entre prefeituras e cooperativas/associações de catadores de materiais recicláveis, criadas visando a eficiência dos programas de coleta seletiva de lixo e a valorização do trabalho feito por grupos organizados de catadores, defrontam-se com uma redução significativa na quantidade e na qualidade de resíduos coletados. A principal causa deste cenário é o aumento do número de catadores autônomos, de organizações da sociedade civil e de empresas privadas interessadas na coleta e comercialização deste material.

Assim, embora o aumento de interesse pelos resíduos recicláveis se apresente

como positivo face à lógica do mercado, esta nova realidade ameaça a

(38)

ESTUDOS DE CASO

fluxo constante de resíduos para as centrais de triagem. (Demajorovic et al.,

2005).

(39)

ESTUDOS DE CASO

ESTUDOS DE CASO

(40)

ESTUDOS DE CASO

5. Estudos de caso

5.1. USP Recicla

O USP Recicla é um programa interno da Universidade de São Paulo, coordenado pelo CECAE-USP

2

, que contribui por meio de iniciativas de gestão ambiental e de formação de pessoas capazes de compreender e aceitar este desafio nos campi da universidade.

Usando os princípios dos 3 R's e os ideais da participação, autonomia, tecnologias ambientalmente adequadas e avaliação continuada, o programa caracteriza -se por:

• Um modelo de gestão ambiental que se constrói por meio de Comissões Internas nas unidades e órgãos dos 6 campi da Universidade; por estudantes interessados que atuam como estagiários, por contribuições de docentes e por uma equipe de Coordenação, técnicos e educadores.

• Um trabalho que requer envolvimento de todos, e que, por isso, forma e fortalece os envolvidos, como o debate, a reflexão, o resgate e a constituição de valores, a revisão de hábitos e costumes e a modificação de comportamentos.

O programa tem como missão: "contribuir para a construção de sociedades sustentáveis através de ações voltadas à minimização de resíduos, conservação do meio ambiente, melhoria da qualidade de vida e formação de pessoas comprometidas com esta missão". (USP RECICLA, 2006).

O USP Recicla desenvolve na comunidade universitária, (alunos, servidores e visitantes) uma mentalidade voltada para a recuperação, conservação e melhoria do ambiente e da qualidade de vida com o objetivo de estimular e apoiar a formação de práticas voltadas à sustentabilidade, através da gestão

2

CECAE-USP (Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e Atividades Especiais) é

um órgão da Reitoria da Universidade de São Paulo que atua como centro aglutinador e

articulador de atividades que envolvem pesquisa, extensão e ensino, e como uma estrutura de

interface facilitadora dos projetos de cooperação da universidade com os diversos segmentos da

sociedade, gerando assim novas soluções e projetos para a Universidade e para a Sociedade.

(41)

ESTUDOS DE CASO

compartilhada e integrada de resíduos. Em linhas gerais, o programa tem como objetivos:

• Estimular valores, atitudes e comportamentos voltados à minimização de resíduos e à adoção de práticas ambientalmente adequadas, mediante a implementação de um programa educativo na USP;

• Articular e fomentar o desenvolvimento de projetos em torno do tema, englobando aspectos de pesquisa, ensino, extensão e gestão cotidiana da Universidade;

• Contribuir para o estabelecimento de diretrizes para uma política interna de conservação, recuperação, melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida na USP, no seu entorno e interfaces.

Para atingir esses objetivos o USP Recicla realiza, com suas equipes, projetos nas entidades da USP. Os projetos consistem basicamente de quatro etapas descritas abaixo:

• 1a ETAPA: Explorando o lixo

A implantação do Programa em cada Unidade ou órgão da USP começa pela caracterização dos resíduos produzidos.

Neste "diagnóstico" amostras de lixo são estudadas para:

o Desvendar hábitos de consumo e desperdício dos geradores;

o Identificar a quantidade (peso e volume) e a qualidade dos materiais descartados;

o Estimar o potencial de minimização de resíduos (3 Rs): quais materiais podem ser evitados, reutilizados e/ou reciclados;

o Obter um parâmetro para avaliação da diminuição do lixo gerado, já

que novos diagnósticos são feitos periodicamente após a

implantação do programa nas unidades; desta forma, os dados

comparativos do lixo (antes e depois da implantação) refletem a

evolução das mudanças comportamentais almejadas.

(42)

ESTUDOS DE CASO

Ainda com esse diagnóstico fica-se mais próximo da realidade de

"descarte" da Unidade, enriquecendo a discussão a ser desenvolvida durante as atividades educativas com os geradores.

Na Unidade onde o programa será implantado, além do diagnóstico do lixo, são levantadas informações acerca:

o Da comunidade, identificando-se o número de servidores, alunos, visitantes, associações e lideranças

o Das linhas de pesquisa em resíduos sólidos, realizando-se um mapeamento dos pesquisadores que atuam na área e a maneira com que poderiam integrar-se ao programa

o Das iniciativas anteriores de coleta seletiva, resgatando (se houver) seu histórico e funcionamento

o Das fontes de desperdício

o Dos locais para armazenamento provisório dos recicláveis, antes do recolhimento dos materiais na unidade

o Das alternativas de destinação dos materiais (catadores?

sucateiros? indústrias recicladoras? programas municipais de coleta seletiva?

• 2a ETAPA: Conversando com os geradores de lixo

Após os levantamentos, os servidores e alunos da Unidade são convidados a participar de um dos vários encontros educativos realizados pelos educadores do Programa.

Os encontros, que duram aproximadamente 90 min., abordam tópicos como geração, acondicionamento e destinação do lixo, impacto ambiental na exploração de recursos naturais, redução, reutilização e reciclagem, compostagem, consumismo, desperdício etc.

Os encontros são momentos de maior sensibilização e incentivo à

mobilização da comunidade, durante os quais, valoriza-se o fortalecimento

de vínculos afetivos e a revisão de valores para com o ambiente. Desta

(43)

ESTUDOS DE CASO

forma, a participação nestes encontros é considerada fundamental para o sucesso do programa de minimização dessa unidade.

• 3a ETAPA: Mudando rotinas

Após os levantamentos, e com as sugestões apresentadas pelos participantes dos encontros educativos, é estruturado o Programa de minimização de resíduos da Unidade, incluindo a coleta seletiva de materiais, de acordo com a situação de cada campus.

Um exemplo de mudança de rotina é a implementação do descarte seletivo de papéis, realizado pelos servidores que nos encontros educativos receberam coletores para estes fins. Estes papéis são coletados seletivamente pelas equipes de limpeza, beneficiados em centrais preparadas para este fim em cada campus, e encaminhados a sucateiros, entidades assistenciais ou empresas recicladoras.

A opção pela coleta seletiva do papel em todos os campi da USP se deu pela facilidade de escoamento desse material e pelo fato dele representar cerca de 70% do peso total do lixo uspiano.

Os demais resíduos são descartados em cestos de lixo, coletados e destinados como tal.

Nos campi de Ribeirão Preto e Bauru, onde o USP Recicla está integrado aos programas municipais de coleta seletiva, as caixas distribuídas também recebem outros recicláveis como metais, plásticos e vidros, uma vez que o escoamento destes materiais está garantido.

• 4a ETAPA: Avaliando e divulgando o Programa

Passado o período de implantação, a equipe do USP Recicla retorna às unidades periodicamente para acompanhar o desenvolvimento do programa, realizando atividades como:

o "Pentes-finos": visitas regulares para verificação de mudanças de

hábitos e rotinas e da geração de resíduos. Busca-se, nestes

momentos, reforçar a motivação e participação ativa das pessoas

junto ao programa de minimização de sua unidade. Recolhem-se

(44)

ESTUDOS DE CASO

o Re-diagnósticos de lixo: novas pesagens e triagens são realizadas para comparação destes dados com os obtidos na fase de implantação.

As informações coletadas são repassadas à comunidade pelos meios de comunicação da Universidade (boletins internos, Jornal e Rádio USP, etc.).

O USP Recicla também tem ampla divulgação fora da Universidade. É regularmente apresentado em seminários e congressos no Brasil e exterior. Tem sido tema de monografias e dissertações acadêmicas e citado em diversos artigos e publicações. O contato do USP Recicla se encontra no anexo B.

5.2. POLI - USP Recicla

A comissão da EPUSP no USP Recicla criou o projeto POLI – USP Recicla que foi iniciado na segunda quinzena de maio. O projeto conta com total apoio da diretoria da Escola. Com o projeto a POLI se distancia do padrão de atuação do USP Recicla buscando um rumo que atenda melhor as suas reais necessidades.

O projeto visa diagnosticar a situação atual dos resíduos gerados na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, incluindo os tipos de resíduos gerados, locais de geração, quantidades geradas, tratamentos e destinos atuais. O objetivo é fornecer embasamento para a implantação de um programa de gerenciamento de resíduos sólidos.

O trabalho será realizado em etapas, conforme descrito a seguir:

• Planejamento: O planejamento tem como objetivo orientar a execução do projeto, de forma a otimizar a coleta e consolidação dos dados. Os instrumentos utilizados foram:

o Questionários e entrevistas com professores, funcionários e alunos;

o Observação do material descartado na EPUSP;

o Inspeções de área para verificar os locais de descarte;

o Caracterização física dos prédios da EPUSP;

o Análise de documentos.

• Coleta de Dados:

(45)

ESTUDOS DE CASO

o Visitas aos departamentos, laboratórios, restaurantes, xerox, bem como todas às áreas geradoras de resíduos da Escola;

o Levantamento dos resíduos gerados em condições de rotina de todos os departamentos, bem como os já armazenados;

o Avaliação das práticas atuais relacionadas à gestão de resíduos, incluindo os processos de reciclagem existentes;

o Exame de documentos, incluindo autorizações e documentação dos receptores de resíduos (caso exista);

o Levantamento da legislação relativa aos resíduos perigosos gerados.

o Consolidação dos dados obtidos.

• Conclusão, entrega do relatório final contendo:

o Levantamento dos resíduos gerados nas atividades de ensino, pesquisa e extensão e seus agentes;

o Classificação e quantificação destes resíduos, especialmente, os potencialmente perigosos e potencialmente recicláveis e/ou re- aproveitáveis levantados, estabelecendo prioridades para o tratamento e destinação dos mesmos.

o Avaliação das necessidades para implantação da coleta seleti va, incluindo recursos humanos, equipamentos, benfeitorias e serviços externos;

o Avaliação do nível de adesão para futura implantação de um sistema de gerenciamento de resíduos na Escola.

Assim o trabalho resultará numa série de propostas que serão avaliadas pela

diretoria e comissão do POLI – USP Recicla, em seguida serão levados em frente

os projetos considerados prioritários, sempre considerando a escola como um

todo.

(46)

ESTRUTURA DO TRABALHO

ESTRUTURA DO

TRABALHO

(47)

ESTRUTURA DO TRABALHO

6. Estrutura do trabalho

6.1. Análise do uso dos materiais

Uma estrutura de trabalho aplicado no Departamento de Engenharia de Produção foi desenvolvida considerando os estudos de caso observados na USP.

O trabalho foi dividido nas seguintes etapas:

• Levantamento de dados: nesta etapa procurou-se entender qual a situação da coleta do lixo e qual a origem dos materiais, isso através do:

o Entendimento de como é realizada a coleta interna do lixo (quem a realiza, freqüência, onde o lixo é armazenado, etc.);

o Entendimento do processo de compras (quem a realiza, quais são as fontes, como as compras são aprovadas);

o Montagem de uma base de dados dos materiais comprados, suas quantidades e preços para o período regular selecionado (é importante que o período selecionado seja representativo do lixo gerado no ano).

• Fluxos dos materiais: com a base de dados montada foram selecionados os materiais com volumes e valores relevantes ou com descarte crítico (exemplos: pilhas e baterias) que devam ser avaliados melhor, esta análise passou por:

o Identificar qual a principal fonte de recursos para cada material;

o Identificar onde cada material é armazenado;

o Identificar quem são os principais usuários;

o Entender como é o acesso desses usuários aos materiais (há algum controle de uso, há regras para o uso dos materiais, etc.);

o Entender quais os principais usos de cada material;

o Identificar o material do produto, de sua embalagem e se há

resíduos no seu uso para definir os elementos recicláveis;

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