2.5 AMBIENTES DE INOVAÇÃO
2.5.2 Parque tecnológico: uma organização híbrida de intensa interação entre
2.5.2.1 Conceitos e classificações de parques tecnológicos
Associações regionais, nacionais e internacionais surgiram na década de 1980, resultado da institucionalização dos parques tecnológicos e com o objetivo de conceituar, agrupar empreendimentos e formar redes de ambientes de inovação. Entre elas se destacam a Associação Internacional de Parques Científicos (IASP), criada em 1984 e sediada em Málaga na Espanha, e a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Tecnologias Avançadas (Anprotec), criada em 1984 e sediada em Brasília, que lidera o movimento de incubadoras e parques tecnológicos no Brasil.
A Anprotec (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ENTIDADES PROMOTORAS DE TECNOLOGIAS AVANÇADAS, 2014) define parques tecnológicos como um complexo produtivo industrial e de serviços de base científico-tecnológica. Possui caráter formal e cooperativo, agregando empresas cuja produção se baseia em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Atua como promotora da cultura da inovação, da competitividade e da capacitação empresarial, fundamentada na transferência de conhecimento e tecnologia, com o objetivo de incrementar a produção de riqueza de determinada região. Segundo a IASP (2014), trata-se de uma organização gerida por profissionais especializados, cujo objetivo fundamental é aumentar a riqueza da comunidade em que se insere, promovendo a cultura da inovação e a competitividade das empresas e instituições.
Diferentes terminologias foram utilizadas para conceituar ambientes de inovação. Por exemplo, as expressões science park e research park, geralmente, são utilizadas em países anglo-saxões, “tecnópole” em países, como a França, Japão e Itália, “casas de inovação” na Suécia e “centros de inovação” na Alemanha (ZOUAIN, 2003; ZOUAIN; PLONSKI, 2006). O Quadro 8 ilustra os principais conceitos atribuídos pelas principais associações de ambientes de inovação.
Quadro 8 – Principais definições adotadas sobre parques tecnológicos
Fonte Definição Internacional Association of Science Parks – IASP. Criada em 1984.
Um parque tecnológico é uma organização gerida por profissionais especializados, cujo objetivo fundamental é aumentar a riqueza da comunidade em que se insere mediante a promoção da cultura da inovação e da competitividade das empresas e instituições intensivas em conhecimento associadas à organização.
Para tal fim, o parque tecnológico:
Estimula e gerencia o fluxo do conhecimento e tecnologia entre universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento, empresas e mercados; estimula a criação e o crescimento de empresas fundamentadas na inovação mediante mecanismos de incubação e
desdobramentos de empreendimentos (spin-off); e provê espaço e instalação de qualidade e outros serviços de valor agregado.
United
Um parque tecnológico é uma iniciativa de suporte a negócios que:
Kingdom Science Park Association – UKSPA. Criada em 1984.
empresas inovadoras, de crescimento rápido e de base tecnológica, mediante mecanismos como a incubação ou desdobramentos de empreendimentos (spin-off);
Fornece infraestrutura e serviços de suporte, que incluem mecanismos de apoio à cooperação entre instituições de ensino e pesquisa e empresas; e
Possui uma gerência engajada na transferência de tecnologia para empresas de pequeno e médio porte na assistência ao desenvolvimento da capacidade administrativa dessas empresas. Association of University Research Park – AURP. Criada em 1986.
A definição trata de Parque Universitário de Pesquisa (University Research Park), como um empreendimento destinado a:
Promover o relacionamento entre a universidade (que está vinculado) e o setor empresarial e industrial; estimular o processo de inovação; facilitar a transferência de tecnologia e habilidades empresariais entre academia e o setor industrial; e promover o desenvolvimento sustentado da região em que situa.
Para tanto, o empreendimento deve:
Possuir ou dispor de terrenos ou construções destinadas prioritariamente a atividades de P&D por parte de centros de P&D e de empresas intensivas em conhecimento, bem como a serviços de suporte a essas atividades;
Promover atividades de P&D da universidade em parceria com a indústria, oferecendo assistência ao desenvolvimento de empreendimento que possam emergir dessa interação. Associação Nacional de Entidades Promotoras de Tecnologias Avançadas – ANPROTEC. Criada em 1987.
Complexo industrial de base científico-tecnológica planejado, de caráter formal, concentrado e cooperativo, que agrega empresas cuja produção se baseia em pesquisa tecnológica desenvolvida nos centros de P&D vinculados ao parque;
Empreendimento promotor da cultura da inovação, da competitividade e do aumento da capacitação empresarial fundamentado na transferência do conhecimento e tecnologia, com o objetivo de incrementar a produção de riqueza.
Canadian Association of University Research Park. Criada em: 1987.
A definição também trata de Parque Universitário de Pesquisa (University Research Park), como um empreendimento que possui:
Plano diretor urbano e prédios projetados primariamente para receber entidades públicas e privadas de P&D, empresas de alta tecnologia e serviços de suporte; relacionamento contratual ou operacional com instituições de ensino superior e de P&D; papel proativo na promoção das atividades de P&D nessas instituições mediante parcerias com o setor empresarial, na promoção e assistência à criação e desenvolvimento de empresas intensivas em conhecimento e na promoção do desenvolvimento econômico; papel proativo para auxiliar a transferência de tecnologia e habilidades em negócios entre equipes das instituições de ensino e pesquisa e equipes do setor empresarial; e papel proativo na promoção do desenvolvimento econômico e da comunidade da região com base no desenvolvimento da tecnologia.
Fonte: adaptado a partir de Zouain (2003), Zouain e Plonski (2006) e Spolidoro e Audy (2008).
Conforme Löfsten e Lindelöf (2005), não há um consenso sobre o conceito de parque tecnológico e há uma diversidade de definições e termos adotados por associações internacionais sobre o tema, como pode ser observado no Quadro 8. A dificuldade em definir um conceito único, segundo Vedovello (2000), consiste na existência de uma diversidade e heterogeneidade muito grande em seus modelos.
Em uma breve análise a respeito dos conceitos atribuídos pelas associações, é possível identificar algumas diferenças e/ou complementaridades. A definição da United Kingdom Science Park Association diz respeito à geração de conhecimento e o papel da universidade e centros de pesquisa estabelecidos entre agentes e empresas, além de eleger
critérios mínimos para caracterizar science park. A definição da Internacional Association of Science Parks é mais abrangente, incorporando os elementos de transferência de tecnologia, diversificação de fontes de conhecimento em diferentes tipos de organizações de interação à inovação, fomento à criação de novas EBTs e infraestrutura para o desenvolvimento tecnológico. A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Tecnologias Avançadas introduz o conceito de um complexo produtivo industrial de base científico-tecnológica planejado, ou seja, um lócus delimitado, planejado e adequado, com espaços para locação para empresas de qualquer porte e tipo de negócio (ZOUAIN, 2003, VEDOVELLO; JUDICE; MACULAN, 2006).
Ao comparar as definições atribuídas pelas associações para parque tecnológico, Spolidoro e Audy (2008) chegam às seguintes conclusões: (1) há um consenso apenas quanto à necessidade de uma entidade gestora que promova a sinergia dos participantes; (2) há divergências ou insuficiência de informação quanto a várias características importantes; (3) uma entidade somente participa de um parque tecnológico se celebrar um contrato com a entidade gestora da iniciativa; (4) ainda não existe uma definição que caracterize inequivocamente um parque tecnológico.
De acordo Vedovello, Judic e Maculan (2006), a flexibilização dos conceitos ocorre para abrigar e acomodar os diferentes stakeholders envolvidos na implementação, desenvolvimento e operacionalização dos parques tecnológicos, que, por sua vez, possuem diferentes objetivos, expectativas e interesses. Ou seja, a diversidade de definições e de modelos de parques e incubadoras ocorre em razão da existência de diferentes motivos, expectativas e interesses no engajamento de diferentes agentes sociais em um empreendimento comum (VEDOVELLO, 2000). Os principais stakeholders e seu foco de interesse são mencionados no Quadro 9.
Quadro 9 – Principais stakeholders e seu foco de interesse
Stakeholders Foco principal de interesse
Universidade e institutos de pesquisa
Comercializar resultados de pesquisa acadêmica ampliando as fontes de recursos financeiros. Ampliar missão institucional. Ampliar mercado de trabalho para pesquisadores e estudantes.
Empresário e acadêmicos- empresários
Utilizar resultados das atividades acadêmicas e de pesquisa de forma a potencializar as próprias atividades de P&D empresarial; potencializar retornos financeiros; acessar recursos humanos qualificados.
Agentes financeiros e venture capitalists
Investir em novas empresas de base tecnológica com alto e rápido potencial de crescimento econômico e retornos financeiros.
Governo e agências de desenvolvimento
Apoiar atividades inovadoras nas empresas. Revitalizar regiões economicamente deprimidas. Gerar empregos.
Em virtude dos múltiplos significados atribuídos aos parques tecnológicos e/ou científicos, e sua relação com a universidade e empresas, Spolidoro e Audy (2008) propõem três categorias de parques tecnológicos: (1) Parque Científico e Tecnológico, vinculado à universidade, cujo foco prioritário é ampliar as perspectivas dos estudantes da universidade e contribuir para que o conhecimento gerado seja útil à sociedade, especialmente mediante a sua transformação em inovações tecnológicas; (2) Parque Tecnológico, promove intensa sinergia das empresas intensivas em conhecimento e centros de P&D, instituições de ensino e outros atores da inovação no parque e outros locais; (3) Parque Tecnológico e Empresarial, oferece imóveis e infraestrutura de elevada qualidade e serviços de suporte, no âmbito do parque, a empresas intensivas em conhecimento, centros de P&D e instituições de ensino e promove a sinergia das entidades residentes e demais atores da inovação no parque e em outros locais.