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CONCEITOS FUNDAMENTAIS PARA A PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL

TÓPICO 3 - INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA SOB A PERSPECTIVA PSICANALÍTICA,

3.1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS PARA A PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL

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3 PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL

O behaviorismo teve seu nome cunhado por Watson, em 1913, em um artigo científico. A palavra “behavior”, traduzida para o português, significa “comportamento”, por isso, no Brasil, chamamos o behaviorismo de Psicologia Comportamental, mas também há outras designações que se referem a mesma ciência: Comportamentalismo, Análise Experimental do Comportamento (AEC) ou Análise do Comportamento (AC) (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999).

Watson tomou o comportamento humano como objeto de estudo de sua ciência, esse foi um ponto importante para distinguir a Psicologia do campo da filosofia, pois o comportamento era, em certa medida, observável, mensurável e passível de sofrer experimentos, os quais poderiam ser facilmente reproduzidos em diferentes condições e com diferentes sujeitos (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999).

Apesar de Watson ter sido o fundador da Análise do Comportamento, foram ocorrendo evoluções no modo que essa ciência foi se desenvolvendo e nas concepções teóricas desde então. Como a própria noção de comportamento, que passou de uma ação isolada de um sujeito, para uma complexa relação entre as ações (respostas) que o sujeito emite, e o meio no qual ocorrem (estimulação) (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999). Essa perspectiva de entendimento do homem considera que somos produto do ambiente, levando a teoria do empirismo ao extremo, a qual se expressa no determinismo ambiental (GOULART, 2019).

Comportamento, entendido como interação indivíduo-ambiente, é a unidade básica de descrição e o ponto de partida para uma ciência do comportamento. O homem começa a ser estudado a partir de sua interação com o ambiente, sendo tomado como produto e produtor dessas interações (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999, p. 46).

Cada teoria psicológica tem suas especificidades e seus conceitos fundamentais sob os quais a teoria se ergue, dessa forma, no behaviorismo, contamos com alguns conceitos que devem ser conhecidos por quem deseja compreender minimamente a estrutura teórica dessa ciência. Assim, no próximo subtópico, elencamos os conceitos teóricos imprescindíveis para a Análise do Comportamento.

3.1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS PARA A PSICOLOGIA

Segundo a AC, o comportamento respondente é aquele comportamento emitido pelo organismo, mas que o próprio sujeito não controla. O ambiente emite um estímulo e imediatamente o sujeito emite um comportamento que já está programado geneticamente para ocorrer. Os exemplos são variados: a dilatação e contração da pupila com a diferença de luz ambiental, a salivação frente a alguns alimentos, o arrepio dos pelos em quedas de temperatura. Esses exemplos respondem a categoria chamada de respostas incondicionadas, pois ocorrem de forma automática sem que seja necessário um processo de aprendizagem (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999).

Ocorre que um comportamento respondente pode ser provocado por um estímulo, que, originalmente, não eliciava aquela resposta. Como assim? Você pode estar se perguntando, pois essa afirmação parece contraditória a que acabamos de estudar, que um comportamento respondente tem origem hereditária e não é passível de controle. Com um exemplo, talvez a compreensão fique mais fácil.

Tomemos o reflexo (ou comportamento respondente) da dilatação da pupila quando um feixe de luz é direcionado diretamente aos nossos olhos. Se direcionarmos o feixe de luz nos olhos de uma pessoa, sua pupila contrairá de forma automática. Podemos ir além, e inserir outros estímulos ambientais em um processo que chamaremos de pareamento de estímulos. Faremos o experimento a seguir: uma luz incidirá nos olhos de uma pessoa a cada 10 minutos, fazendo com que sua pupila contraia. Antes da luz ser acesa, uma sineta tocará. Em determinado momento do experimento, apenas o toque da sineta será suficiente para que a pupila do sujeito experimental contraia.

O que isso significa? Acabamos de realizar um pareamento de estímulos. Antes do pareamento, o toque da sineta não era capaz de eliciar o comportamento de contração da pupila, porém, agora, com o toque da sineta, há uma antecipação do que está por vir;

o organismo compreende que, após o toque da sineta, o corpo será submetido a uma luz forte e prepara o corpo para receber o estímulo, antes mesmo do estímulo (luz) ser emitido. Nesse caso, o som se tornou um estímulo condicionado.

Mas, como dissemos anteriormente, além do comportamento respondente, existe o comportamento operante. Essa categoria pertence uma ampla gama de atividades humanas: ler, escrever, pintar, andar, falar etc. O comportamento operante pode ser descrito como aquele que opera sobre o mundo, aquilo que o organismo faz e produz algum efeito sobre o ambiente circundante (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999).

O processo de aprendizagem em Análise do comportamento é chamado de

“condicionamento”.

IMPORTANTE

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O comportamento operante refere-se à interação sujeito-ambiente.

Nessa interação, chama-se de relação fundamental à relação entre a ação do indivíduo (a emissão da resposta) e as consequências. É considerada fundamental porque o organismo se comporta (emitindo esta ou aquela resposta), sua ação produz uma alteração ambiental (uma consequência) que, por sua vez, retroage sobre o sujeito, alterando a probabilidade futura de ocorrência. Assim, agimos ou operamos sobre o mundo em função das consequências criadas pela nossa ação (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999, p. 49-50).

Outro conceito fundamental da teoria comportamental é o Reforçamento.

Chamamos de reforço toda consequência de uma ação (resposta) que altere a probabilidade de que uma resposta emitida por um organismo volte a ocorrer no futuro.

Para deixar mais claro, vamos a um exemplo: nos setores de vendas, sabemos que é comum o estabelecimento de metas, um vendedor de automóveis tinha como meta a venda de 3 veículos naquele mês, no entanto, vendeu 5. Diante do resultado positivo acima do exigido, o trabalhador ganha uma bonificação em dinheiro.

Temos aqui um exemplo de reforçamento positivo. O reforço positivo envolve a adição de um estímulo de reforço na sequência de um comportamento, o qual torna mais provável que o comportamento ocorra novamente no futuro. Dessa forma, o vendedor recebeu uma pecúnia por ter vendido dois carros a mais no mês de referência, a qual chamamos de reforço positivo. A existência de tal reforçador aumenta a probabilidade de que o vendedor continue se esforçando nos meses subsequentes para superar a meta e receber novos aportes financeiros.

Você pode estar pensando, se existe o reforço positivo, existe também o reforço negativo? E você está correto! O reforço negativo é quando uma resposta é reforçada por parar, remover ou evitar um resultado negativo ou aversivo.

Usemos o mesmo vendedor de carro do exemplo anterior para compreendermos melhor o conceito de reforço negativo. Digamos que o trabalhador tenha apresentado resultados negativos no último trimestre, não atingindo a meta de vendas estipulada.

Seu superior imediato lhe dá um feedback e informa que se no mês atual o vendedor não cumprir com a meta estabelecida, será demitido. A demissão é o reforço negativo, ou seja, caso não cumpra com a meta irá perder o emprego, de tal sorte que o vendedor precisa criar estratégias de venda para evitar o reforço negativo. Caso ele logre êxito na tarefa, atingindo a meta, ele continua empregado. Veja, em ambos os exemplos, o resultado é o mesmo. O vendedor atinge a meta. No primeiro ele ganha algo (o bônus) e no segundo ele evita algo (perder o emprego).

Como o próprio nome indica, os reforçadores, sejam positivos ou negativos, reforçam que determinado comportamento venha a ocorrer no futuro. Mas e quando uma resposta ocorre, mas desejamos que ela deixe de ser produzida? Estamos falando da extinção de comportamento. A extinção é um processo no qual uma resposta

deixa abruptamente de ser reforçada. Consequentemente, a resposta diminuirá sua frequência e poderá deixar de ser emitida. O tempo necessário para que a resposta deixe de ser emitida dependerá da história e do valor do reforço envolvido.

Continuemos no exemplo do vendedor, caso a bonificação deixe de ser paga quando ele superar a meta, ou que a ameaça da perda do emprego deixe de existir caso não venda o número mínimo de carros, é provável que as ações que o trabalhador tinha criado para receber o reforço positivo ou evitar o reforço negativo deixem de ser emitidas.

Há ainda um último conceito importante para discutirmos antes de passarmos para o próximo tópico: a punição. Este é um conceito behaviorista mais próximo do senso comum e de fácil assimilação. A punição é um procedimento que envolve a apresentação de um estímulo aversivo ou a retirada de um estímulo positivo. Segundo a Psicologia Comportamental, a punição não é efetiva na supressão definitiva do comportamento indesejado, ao contrário, a punição pode suprimir temporariamente uma resposta, sem alterar a motivação da emissão da resposta (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 1999).

É por esse motivo que a Psicologia Comportamental é militante na extinção de práticas punitivas na educação infantil. Dessa forma, os behavioristas propõem a substituição definitiva das práticas punitivas por procedimentos de instalação de comportamentos desejáveis.