6. CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS
6.1. Conclusões
A inovação é adotada pelas empresas como estratégica para competir e diferenciar-se com sucesso no mercado (BAREGHEH et al., 2009). Diversas são as formas pelas quais as inovações são introduzidas nas empresas, entretanto, são quatro os tipos de inovação, conforme o Oslo Manual da OECD (2005): a inovação de produto, concernente a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado no que tange a suas características ou usos previstos (1); a inovação de processos, que diz respeito a implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado (2); a inovação organizacional, que se refere a implementação de um novo método organizacional nas práticas de negócios da empresa, na organização do seu local de trabalho ou em suas relações externas (3); e a inovação de marketing, que por sua vez, alude a introdução de um novo método de marketing com mudanças significativas na concepção do produto ou em sua embalagem e no posicionamento do produto no mercado.
Quanto à natureza, as inovações podem configurar-se de duas formas: radicais e incrementais. As primeiras ocorrem de forma descontínua, é a inovação original, geralmente resultante de pesquisa e desenvolvimento. Já as inovações incrementais correm de forma contínua – são melhoramentos nos produtos e processos já existentes (FREEMAN & PEREZ, 1988).
As inovações mais comuns são as incrementais, pois não requerem tanto recurso para sua introdução quanto as inovações radicais, e sua aceitação pelos consumidores pode ser efetivada em um espaço de tempo menor.
Conforme o Livro Branco (2002), a partir da inovação é possível melhorar o aparato produtivo nacional, oferecer empregos mais qualificados e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos por meio do uso de produtos de melhor qualidade.
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que seus parques industriais já são consolidados e, têm em sua pauta exportadora produtos de alta tecnologia, e, tudo isso é fruto de investimento em conhecimento, pesquisa e desenvolvimento, pratica pouco comum em países menos desenvolvidos.
A industrialização no Brasil tomou fôlego a partir da década de 50, nos chamados “Anos Dourados” da economia brasileira. Já a ideia de inovar, propriamente dita, começou a ganhar espaço nas políticas do País no final da década de 80 com os instrumentos de incentivo fiscal à P&D (SALERNO & KUBOTA, 2008).
Em 2004, portanto, foi sancionada no Brasil a Lei da Inovação, representando um novo paradigma para uma maior difusão do conhecimento produzido nas universidades e em centros de pesquisa, focando a introdução de inovações no setor produtivo (MORAIS, 2008).
No que diz respeito à introdução de inovação no setor da construção civil, verificou-se a partir da base conceitual desse trabalho o setor é pouco inovador, sendo o conservadorismo apresentado pelos empresários, um dos principais motivos que justifica essa característica da indústria da construção. Ademais, as questões culturais também foram indicadas como potenciais empecilhos à inovação. No caso, do segmento de edificações, especificamente, destaca-se como gargalo a longa vida dos produtos, que implicam na manutenção de estoque de alguns tipos de componentes para manutenção dos mesmos, dificultando a entrada de inovações, ademais essa durabilidade das estruturas das construções é também um fator determinante para o conservadorismo das empresas do setor.
No Brasil a indústria da construção foi incrementada com investimentos estatais e privados, na década de noventa, que possibilitaram uma maior evolução do setor em termos tecnológicos. De acordo com Cozza & Lino (2005), a partir dessa década vem se verificando a introdução de novas tecnologias nos canteiros de obras, como os painéis pré-fabricados para fachadas, shafts, dry-wall, banheiros prontos, entre outras tecnologias.
Outras tecnologias utilizadas no sistema construtivo de obras de edificações no Brasil são as vedações externas com gesso acartonado, os distanciadores plásticos e a tecnologia construtiva de piso elevado para áreas externas de edifícios, que atua como alternativa à produção tradicional do subsistema de vedação horizontal com piso aderido. Ademais, o as empresas do subsetor de edificações aderiram também a Tecnologia da Informação (TI), visando promover integração entre os diversos agentes atuantes no processo construtivo. Ressalte-se ainda, a adesão das empresas construtoras aos Sistemas de Gestão da Qualidade, com vistas em contribuir para a melhoria na gestão tecnológica das mesmas, vislumbrando a
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manutenção do patrimônio tecnológico no longo prazo, bem como aumentar a competitividade por meio da conquista de novos clientes.
A literatura concernente ao tema explicita ainda, que a construção de edifícios em termos tecnológicos, se desenvolve através da criação ou melhoramentos em materiais e componentes, processos operacionais e métodos organizacionais como o planejamento, a administração e o controle das operações construtivas.
Com base no estudo empírico realizado nesse trabalho foi possível levantar algumas conclusões acerca das características das empresas do segmento de edificações residenciais localizadas em Recife, do mercado de compra e venda e do perfil inovativo das empresas. Com relação às características do setor observou-se que essa indústria é composta percentual significante de empresas de grande porte, nesta pesquisa verificou-se que apenas 13% das empresas entrevistadas eram grandes e empregavam pouco mais que 14% da mão de obra ocupada. Observou-se ainda, que desde o primeiro ano de vida a participação majoritária na estrutura do capital das empresas é dos sócios proprietários. Embora, tenha ocorrido uma evolução na participação de agentes financiadores nos anos de 2009 e 2010, mesmo que de forma tímida. Verificou-se que a burocracia é destacadamente um grande entrave para a obtenção de empréstimos e financiamentos junto as instituições bancárias. No caso das empresas que pediram empréstimos a finalidade maior foi a promover a expansão da produção, apenas um pequeno percentual (10,3%) das empresas investigadas declarou usar o recurso para a capacitação de atividade inovativas.
Quanto a escolaridade do pessoal ocupado, constatou-se que os dados coletados corroboram com a literatura da área, referenciada na base conceitual deste trabalho, ou seja, as empresas do setor ainda são grandes absorvedoras de mão de obra com baixo grau de qualificação. Por outro lado, observou-se uma tendência do setor em mudar esse estigma, a maioria dos respondentes declarou ter alta dificuldade para contratar e manter mão de obra qualificada, mas reconheceu que esse é um dos fatores determinantes para manter a capacidade competitiva das empresas. Ademais, com vistas em reduzir o problema da pouca qualificação do pessoal ocupado e aumentar a produtividade da mão de obra, as empresas afirmaram que estão investindo em treinamento para o pessoal ocupado, seja na empresa ou em cursos técnicos.
Foi verificado ainda, que o segmento estudado, contribui para o crescimento econômico do município, pela via da geração de emprego e renda, através da absorção de mão
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de obra qualificada (técnicos e formandos de cursos universitários), bem como, em grande medida aquela pouco qualificada; da geração de empregos indiretos, com a terceirização de atividades da construção; e pela geração de empregos induzidos, quando outros setores são atingidos pelas atividades da construção. Em 2010, as empresas pesquisadas empregavam 9.440 pessoas, direta e indiretamente. A economia do município entre outras coisas se beneficia das compras realizadas pelas empresas, principalmente de materiais de construção, mais de 12% das empresas estudadas indicaram que o município de Recife como mercado fornecedor preferencial para a efetivação da compra de materiais de construção. Além disso, Recife, assim como toda a sua região metropolitana se beneficia das vendas dos imóveis produzidos por as empresas investigadas, uma vez que a maioria das empresas afirmou que em seu planejamento de vendas para os anos 2008 a 2011, a RMR será principal mercado, bem como a cidade de Recife, especificamente.
No tocante a introdução de inovação no período de análise, verificou-se que a maioria das empresas entrevistadas declarou ter introduzido algum tipo de inovação, seja de processo, produto, organizacional ou de marketing. A maioria delas nova para as empresas, mas já existente no mercado. Esse dado, em parte, é reflexo do conservadorismo apresentado pelos empresários do setor da construção, que muitas vezes preferem copiar o que se está posto no mercado e está dando certo em outras construtoras, do que arriscar na introdução de algo novo no processo ou modificar as características do ambiente construído.
Contudo, concluiu-se com base nos dados coletados, que as empresas do segmento de edificações residenciais localizadas em Recife, seguem a tendência do setor da construção, isto é, buscam inovar de forma incremental, através da adoção e modificação de tecnologias já existentes. Foram citadas algumas tecnologias já usadas no Brasil e no mundo, com vistas em verificar a o comportamento das construtoras investigadas com relação a essas tecnologias. No caso da introdução de inovação no produto, por meio de mudanças no ambiente construído, como a introdução de poço artesiano, sistema de reuso de água, sistema de energia solar e sistema integrado (onde geladeira, luzes, sistema de som e TV são controlados por um único controle remoto) observou-se pouca adesão das construtoras nenhuma desses “produtos” recebeu pelo menos 20% da adesão dos respondentes, no tocante à inovação. Nessa categoria de inovação em produto apenas os sistemas de segurança foram inovados por um percentual significante de empresas (50%).
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comportamento inovador mais significante. Especialmente, no que diz respeito a introdução de métodos para melhorar a segurança no trabalho, processo para o reaproveitamento dos resíduos sólidos e implementação da filosofia da Produção Enxuta. Esses processos são peculiares para esse segmento, uma vez que, os acidentes de trabalho, a poluição, bem como os desperdícios são estigmas amargados por esse setor. Dessa forma, foi com vista em reduzir esses gargalos que as empresas investigadas apresentaram percentuais elevados de inovação nesses processos, no período de análise, especialmente nos métodos para melhorar a segurança no trabalho e em Produção Enxuta. Por outro lado, mostrou-se baixa a adesão à construção de alvenaria com bloco de gesso e com gesso acartonado, entretanto, conforme a literatura da área, o setor de edificações residenciais no Brasil ainda se comporta com aversão em relação ao uso dessas tecnologias. A justificativa, comumente delegada ao pouco uso de bloco de gesso e gesso acartonado em alvenarias para esse tipo de construção é o receio da não aceitação da inovação pelo consumidor.
Na análise das informações fornecidas pelas empresas investigadas, observou-se ainda que falta estímulo por parte das instituições locais ás atividades direcionadas ao desenvolvimento de inovações e aumento da capacidade competitiva das empresas. E, dado o alto custo de se investir em inovação, essa falta de políticas direcionadas à inovação para o setor é uma das maiores barreiras aos avanços das construtoras de Recife em direção ao desenvolvimento de atividades de inovação.
Outro ponto, igualmente importante que concorre para o baixo desempenho da inovação no setor é a pouca interação entre as empresas do setor com universidades e institutos de pesquisas. Essa deficiência de interação entre a comunidade científica e as empresas construtoras merece ser revista pelos empresários do setor, visto que, o desenvolvimento de inovação é diretamente relacionada ao acumulo de conhecimento, e a sociedade científica é grande fornecedora de conhecimento e aprendizado, e, potencias desenvolvedores de inovações.
Por fim, conclui-se que as empresas do segmento estudado precisam definir melhor suas estratégias de atuação, voltadas à racionalização do processo produtivo e a adoção de novas tecnologias, com vistas na redução de custos, aumento da produtividade e de maiores níveis de industrialização dos seus processos produtivos e aumento da qualidade de seu produto final. Bem como, é necessário uma maior aproximação do tecido empresarial da construção civil com a comunidade acadêmica, institutos de pesquisa, sindicatos, associações e outras
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instituições e órgãos do governo, a fim de definir estratégias voltadas à promoção da inovação do setor.