CAPÍTULO 4. A sociedade inclusiva
4.2. Conectividade: o 1º passo
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155 O tema “inclusão digital” no Brasil passou a ganhar força no final da década de 1990 quando as TIC passaram a ser observadas pelo governo e por vários setores da sociedade civil para que não criassem mais uma possibilidade de exclusão social, mas sim que elas (as TIC) pudessem agregar conhecimento, informação, e assim se tornar um instrumento de inclusão.
Existem vários movimentos sendo formados em prol da usabilidade73
em massa da Internet, ou seja, incluir as comunidades carentes na rede mundial, possibilitando que essas comunidades tenham acesso às informações veiculadas e, mais que isso, que essas comunidades possam produzir conteúdos para a rede em âmbito local, valorizando as necessidades do grupo, transformando assim a Internet num facilitador e aumentando os conteúdos em língua portuguesa na web.
O primeiro passo para a inclusão digital é a conectividade, é a possibilidade de conexão, de estar na rede, de fazer parte do universo da Internet.
Para que seja possível estar conectado, tecnicamente, precisamos de alguns equipamentos básicos como o computador, o modem e a linha telefônica ou o cabo. Do ponto de vista cultural, precisamos nos habituar com o sistema – softwares, recursos, design gráfico. A conectividade depende não só de estrutura física, mas também de um suporte técnico e da apreensão intelectual desse suporte. A interface da rede é peculiar e muito distinta dos modos de comunicação que conhecemos – rádio, TV, jornal, revista –, pois permite a utilização de vários recursos simultâneos, além disso a hipertextualidade quebra a linearidade a que estamos acostumados, pois os conteúdos são fragmentados e interligados por conexões, associações.
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Entendemos por usabilidade a capacidade do usuário em usufruir os recursos disponíveis na rede, utilizando-os de maneira didática e prática em qualquer situação do seu cotidiano, seja para realizar operações financeiras ou para fazer pesquisas em bancos de dados.
156 Ao entrar na rede o emaranhado de informações permite ao usuário ter acesso a conteúdos nunca imaginados; por intermédio da comunicação permite também que ele interaja com a rede, consumindo e produzindo novos conteúdos. Segundo SILVEIRA, “a maioria da população, ao ser privada do acesso à comunicação mediada por computador, está sendo simplesmente impedida de se comunicar pelo meio mais ágil, completo e abrangente” (2001, p. 30). Para ele não basta ter uma mente livre se as nossas palavras não podem circular com as palavras de outros.
A Internet é um dos poucos sistemas interativos que permitem a troca de conteúdos entre os seus usuários. O compartilhamento de informações possibilita o enriquecimento cultural e intectual do internauta, estimulando a criatividade. A rede por meio da “explosão da interatividade incentiva a criatividade, a curiosidade, o conhecimento, a sociabilidade e até a criação de mais sites não-comerciais em língua portuguesa, arejando e mantendo viva a presença de nosso universo cultural na rede” (SILVEIRA, 2001, p. 31).
Há quem diga que a inclusão digital não é apenas ensinar a usar a tecnologia ou simplesmente o acesso à rede; para SEABRA
(…) é preciso haver um trabalho de identificar as demandas informacionais (...). A produção de conteúdos deve ser vista como uma estratégia importante no processo de inclusão, somando-se aos demais esforços, como a formação e capacitação de multiplicadores, criação de redes locais e comunidades virtuais, bem como integração com políticas públicas e ações de responsabilidade social. (2004)
4.2.1. A utilização dos sistemas informáticos no Brasil
O uso de computadores, de maneira geral, ganhou proporção no início dos anos de 1990, período em que começaram a disseminar-se as redes comunicacionais.
157 Se for comparado com outros países, o Brasil está atrasado em cerca de 20 anos nesse aspecto. Esse é um fator que contribui para a exclusão digital. Outros fatores poderiam ser citados aqui, como a desigualdade social, o nível de escolaridade e o (des)preparo das instituições de ensino. “O agravamento da desigualdade tecnológica na era da informação ocorre por fatores históricos, econômicos e políticos, mas é sustentado pela exclusão do conjunto da população do acesso às tecnologias e de seu desenvolvimento” (SILVEIRA, 2001, p. 25).
Atualmente cerca de 31.373.305 (CDI, 2004a) pessoas têm computador em casa. Já os que têm acesso à Internet estão na faixa dos 26 milhões. Segundo o Mapa da Exclusão Digital (BAGGIO, 2003, p. 40) “em 2001, 12,46% da população brasileira dispunha de acesso em seus lares a computador e 8,31% à Internet”. Para diminuir essa desigualdade, que está muito próxima e relacionada à desigualdade social, é que várias iniciativas têm buscado levar o uso das tecnologias da informação e comunicação (TIC) para as escolas. Com isso, a criança, o jovem e o adulto podem se familiarizar com as TIC desde muito cedo, levando, assim, a que tenham mais chances e possam procurar novos ambientes de aprendizagem, pois “a pobreza não será reduzida com cestas básicas, mas com a construção de coletivos sociais inteligentes, capazes de qualificar as pessoas para a economia e para novas formas de sociabilidade” (SILVEIRA, 2001, p. 21).
As mudanças atingem vários processos de produção, incluindo as empresas de comunicação, a informação jornalística, o comportamento social. SQUIRRA aponta aspectos condicionantes das alterações geradas na prática informativa e na comunicação eletrônica:
158 Nos dias atuais nas sociedades dinâmicas, principalmente no s EUA, grandes mudanças estão acontecendo na relação de oferta e do consumo de informações. Novas áreas e usos comunicacionais estão constantemente sendo redefinidos, provocando o surgimento de novos conceitos e aplicações. A sociedade, no sentido geral, mas principalmente este segmento econômico/cultural, está recebendo o forte impacto dos recursos informatizados aplicados em praticamente todos os níveis. Isto provocou, por exemplo, que a definição amplamente aceita do que seja comunicação eletrônica ficasse bem mais abrangente, passando, por exemplo, a englobar aqueles setores que tradicionalmente publicam também produtos impressos e outras formas de comunicação. (1998, p. 66)
É fato que o uso de microcomputadores faz parte, cada vez mais, do cotidiano das pessoas. Essa exigência já nasce no ambiente profissional e vai se estendendo para outros ambientes, como o familiar. Segundo AMARAL,
10% da população mundial estão [sic] conectados à Internet. No Brasil, em torno de 8%. Pesquisa recente indica que, a cada três meses, um milhão de novas pessoas têm acesso a computadores nas residências brasileiras. Isso significa que estão integrados à rede no máximo quatro milhões de potenciais usuários a cada ano74. (2003)
Amaral ainda nos traz alguns outros dados. Segundo ele “se tudo ocorrer no ritmo de hoje, chegaremos em 2013 com 70% da população afastada da informação. Assim é necessário acelerar o passo, a fim de universalizar o acesso, a inclusão de todos os brasileiros” (2003)75
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A inclusão digital tem tido um peso importante, pois “a exclusão digital impede que se reduza a exclusão social, uma vez que as principais atividades econômicas, governamentais e boa parte da produção cultural da sociedade vão migrando para a rede” (SILVEIRA, 2001, p. 18).
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Discurso do ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, na abertura do Seminário Internacional Sociedade da Informação, no Rio de Janeiro, em 12 de junho de 2003.
75 Idem.
159 A previsão de crescimento para os próximos anos76
leva-nos a crer que as ações em torno de uma cidadania, que na rede chamamos de digital, devem começar agora, com metas e diretrizes que façam com que o cidadão seja incluído digitalmente e virtualmente.