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CONFORTO AMBIENTAL

No documento Clarisse Ottoni Lourenço (páginas 71-75)

Como parte integrante da arquitetura e do urbanismo o conforto ambiental sempre se mostra essencial, uma vez que todo projeto desta natureza está voltado para o ser humano – elemento central, e suas atividades a desempenhar. Sendo assim, é fundamental que todas as diretrizes e premissas projetuais visem uma excelente integração do espaço construído com o usuário. Por dedução, apresentam-se como idéias humanísticas, porém são diretamente relacionadas com o tecnológico, de modo a se adaptar a esta nova era em que vivemos.

De acordo com as formas de utilização dos recursos naturais praticadas, uma mudança na sistemática das cidades é fundamental e vital. Como exemplo maior desta necessidade de adaptação, surge o conceito de RACIONAMENTO. Discute-se atualmente a economia no consumo de energia, embora esta necessidade já era prevista. Por falta de planejamento adequado do desenvolvimento e aumento das cidades, no caso específico do Brasil, as formas de produção de energia não acompanharam a demanda dos centros urbanos. Uma consciência que já deveria fazer parte na retórica urbana brasileira, infelizmente somente agora recebe sua merecida atenção.

Assim considera-se importante ver Conforto de uma forma bastante ampla, onde principalmente questões térmicas estão diretamente associadas às lumínicas.

Muitas vezes no espaço público, o agrupamento de pessoas está associado a uma busca por melhor local com condições de conforto. Também não é comum avaliar se questões térmicas/lumínicas produzem algum tipo de desconforto para o usuário do espaço público. Para tal é fundamental pesquisa da situação ocorrida em relação a este ponto, para que a direção inicial de medidas para melhor qualidade (especialmente lumínica) na cidade seja proposta adequadamente.

Sabe-se que o conforto de cada indivíduo depende basicamente, de fatores culturais e fisiológicos. É apresentado o comportamento fisiológico do ser humano, onde o nível de conforto é atingido quando qualidades ambientais são satisfeitas. São elas: qualidade de iluminação, balanço térmico corporal, qualidade do ar, do som e satisfação ergonômica. 57

Para a questão do homem e suas necessidades ambientais é feita uma relação entre ele e o meio em que vive – a cidade. De acordo com o momento atual, a dinâmica dos centros urbanos faz com que o microclima seja resultante de fatores como: poluição (de diversos tipos), tráfego de milhares de automóveis, refrigerações ou aquecimentos, iluminação intensiva, presença/ausência de vegetação e super população. Tais elementos modificam o clima em relação aos ventos, temperatura, umidade, precipitação e insolação. Ao concentrar as atividades humanas, este meio precisa estar devidamente preparado, permitindo assim seu equilíbrio com a natureza.

Fig. 51 – Desenho da autora.

Os elementos que envolvem o conceito de Conforto Ambiental.

Ao falar em microclima, dois aspectos são prioritários: o ser humano e o meio ambiente. O Homem é visto de modo a procurar constantemente estado de conforto. Pode ser de origem térmica, luminosa ou acústica, e cabe então ao arquiteto conhecer o desconforto, para que seja eliminado ou reduzido. Por ser o responsável em projetar invólucro para o desenvolvimento das atividades humanas, tal profissional deve ter como um dos objetivos o aproveitamento de benefícios do clima e a diminuição de seus efeitos danosos, de modo a propor condições de conforto para o usuário.

Como, principalmente, ocorrem as trocas térmicas:

- Radiação: coberturas, paredes externas, paredes internas expostas à radiação solar, entre as paredes, teto e piso.

- Condução: densidade e característica dos materiais, espessura das paredes.

- Convecção: a pele do corpo humano (por transpiração), elementos sólidos do ambiente( paredes, móveis, piso...) e o ar.

O principal elemento para promover troca por convecção é o vento. Devido ao movimento do ar, tal fenômeno permite decréscimo de temperatura,

pois a massa de ar quente sobe, ficando a fria na superfície. Sendo assim, apresenta-se como ótimo recurso para projetos em regiões tropicais, especialmente úmidas. Muros e esquadrias também oferecem opção quanto à climatização passiva, uma vez que são barreiras e ligações da edificação com o ambiente exterior. Porém é importante que não seja confundida janela destinada à ventilação com a destinada à iluminação. A radiação solar é outro aspecto importante quanto às trocas de calor, por representar a principal fonte de energia e de calor. Portanto, conhecer suas características é de fundamental importância para aplicação no projeto. A orientação, por exemplo, de uma edificação deve ser dada prioritariamente em função do movimento aparente do sol. Para tal, basta ter como fonte de dados, a carta solar, o nascente e poente do sol, a localização do terreno quanto à latitude e altitude.

Na relação entre ser humano e percepção visual, focaliza-se no conforto ambiental, sendo referida a questão do conforto visual. É assim percebido tudo o que está em sua volta mais representativamente, através do aparelho visual. Toda iluminação deve permitir que tal aparelho capte com nitidez os objetos, de modo a poder exercer sua atividades de maneira completa, neste sentido. A capacidade de visualização de imagens é função direta da saúde do aparelho visual da pessoa envolvida, além da situação de conforto visual.

As construções devem se comportar de modo integrado com a iluminação, para que não seja necessário o uso intenso de sistema artificial (onde a fonte de luz não é o sol). Desta forma existe diminuição de custos e ganho na qualidade lumínica. Vale lembrar que na questão da iluminação, deve- se tomar cuidado com o efeito térmico proveniente.

Quanto às fontes de ruído, podem ser por impacto ou pelo ar. O primeiro grupo é produzido principalmente por: trabalho de máquinas, equipamentos, dutos, tubulações e atividade de impacto sobre lajes de piso.

É conceituado som como a vibração de um corpo, produzida por perturbações nas moléculas que o envolve. Este movimento transfere-se para moléculas vizinhas, gerando ondas sonoras, que alteram a pressão atmosférica, quando a propagação é feita através do ar. As frequências de som vão na ordem crescente: infra-sons, graves, médios, agudos e ultra-sons. Chega-se no ponto do ruído, que incomoda quando impede a comunicação entre pessoas, a privacidade e quando está dissociado de sua fonte. A exposição a tais efeitos

pode gerar doenças no aparelho auditivo e mudanças de origem mental. É fácil constatar que é de grande importância a busca de conforto acústico nos locais onde o Ser Humano exerce suas atividades – nas edificações e no espaço urbano. Esta produz campos sonoros, que pode ser direto (sem obstáculo entre a fonte sonora e o receptor) ou reverbante (quando a onda sonora se depara com obstáculos, é refletida e permanece no ar por determinado tempo). As fontes sonoras podem ser classificadas como: desejável, indiferente ou incômoda; fixa; direcional; pontual, linear ou de superfície.

A propagação do som ocorre pelo ar, onde elementos físicos funcionam como barreiras, modificando o caminho, quantidade e qualidade do ruído emitido pelas fontes e percebidos pelo ser humano. Assim, como sugestão, para a diminuição de sua percepção, quanto maior a distância entre a fonte e o receptor, menor o nível sonoro percebido. Fatores importantes nas propriedades físicas do som: reflexão x absorção, transmissão, difração e difusão. A qualidade acústica é função direta entre fontes de ruído, tempo de reverberação, isolamento acústico/materiais isolantes, absorção acústica/materiais absorventes e condicionamento acústico.

De modo a compor base técnica de conceituação para aplicação no desenvolvimento deste trabalho, as questões de conforto ambiental quanto à iluminação serão melhor esclarecidas em ítem separado.

No documento Clarisse Ottoni Lourenço (páginas 71-75)